Atualidades

Cuidado Nutricional: Alergias Alimentares (Parte I)

Segundo o Calendário Nacional da Saúde, de 23 a 29 de junho devem ser realizadas campanhas de conscientização sobre as alergias. Aproveitando o tema, trouxemos o resumo de um posicionamento sobre alergias alimentares, recentemente publicado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Pediatria.

Sendo a alimentação parte essencial de nossas vidas, pessoas com alergias alimentares encaram diariamente um grande desafio. Por isso, é importante que cada vez mais os profissionais da saúde se aprimorem no assunto, promovendo diagnósticos mais precoces, tratamento mais efetivos e estratégias mais eficazes de prevenção.

Alergia alimentar (AA) é uma condição clínica na qual o sistema imunológico responde, a partir da exposição, de forma exagerada e consistente a um alimento específico. As alergias, em geral, tem início ainda na infância e as suas manifestações clínicas são variadas.

Compreender a diferença entre alergia e intolerância alimentar é fundamental, pois a intolerância é uma resposta adversa que não envolve o sistema imunológico. Já as alergias são classificadas a partir do mecanismo imunológico envolvido: imediata/IgE mediada, tardia/não mediada por IgE, ou mista. Portanto, o que distingue a AA de outras reações adversas a alimentos é a sua natureza imunológica.

O sistema imunológico intestinal interage com proteínas a todo tempo e é naturalmente estimulado ao desenvolvimento de tolerância oral. Na resposta normal, com a tolerância, existe a produção de imunoglobulina A (IgA) e imunoglobulina G (IgG), mas essas não desencadeiam reações adversas. Já na resposta adversa, a falha imunológica gera a produção da imunoglobulina E (IgE), ou outros agentes imunológicos.

Fonte da imagem: https://asbairj.org.br/wp-content/uploads/2025/04/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp.pdf

São chamados de alérgenos os alimentos com potencial de desencadear reações alérgicas, os principais são: leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. Mas, alimentos como frutas e sementes também têm causado alerta.

Nos últimos anos houve um aumento no número de casos diagnosticados, além de uma maior procura sobre o tema, tanto por profissionais da saúde, quanto da própria população. Ampliou-se também o conhecimento sobre os alimentos que apresentam potencial alergênico.

Sendo o nutricionista um dos principais profissionais responsáveis por promover segurança alimentar e nutricional, torna-se essencial que tenham conhecimento sobre essa área; mesmo que introdutório, para saber identificar sintomas e encaminhar a um profissional especializado.

Prevenção:

No posicionamento publicado houve grande destaque sobre a maneira adequada de realizar a introdução alimentar de alimentos potencialmente alergênicos. Segundo o material, essa é uma conduta para minimizar o risco de alergias alimentares, além do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do bebê. Os primeiros 1000 dias também foram citados como críticos para aumentar ou reduzir a predisposição de desenvolver alergias.

A presença abundante de lactobacilos e bifidobactérias na microbiota intestinal apresenta ser um fator de proteção/prevenção no desenvolvimento de alergias em geral, isso acontece pela capacidade dessas bactérias de inibir respostas mediadas por T helper 2, ou seja, do tipo Th2. Já Clostridium difficile e Staphylococcus aureus foram associadas com maior hipersensibilidade alimentar.

Fonte da imagem: https://asbairj.org.br/wp-content/uploads/2025/04/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp.pdf

Diagnóstico:

Quando existe alergia alimentar, assim como outras, os sintomas se iniciam ainda nos primeiros anos de vida. A depender da gravidade, a mesma pode ser desencadeada por traços de alimentos, ou até mesmo a inalação de partículas.

A primeira etapa diagnóstica é clínica, com anamnese detalhada e exame físico, sempre realizada por um médico. O próprio posicionamento dispõe de quadros com a descrição detalhada das principais reações para auxiliar no diagnóstico.

Fonte da imagem: https://asbairj.org.br/wp-content/uploads/2025/04/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp.pdf

Existem testes diagnósticos bem consolidados, como apresentados no quadro acima. No entanto, muitos testes sem evidência científica estão sendo realizados e gerado restrições alimentares desnecessárias. São eles: dosagem de IgG, análise capilar, teste citotóxica, cinesiologia, iridologia, biorressonância e análises genéticas.

Tratamento:

A imunoterapia oral tem sido reconhecida como uma abordagem cada vez mais promissora, principalmente para alergias mediadas por IgE a alimentos como leite, ovo e amendoim​.

Atualmente muitos pacientes apresentam sintomas consideráveis até a adolescência, sendo que antes a maioria entrava em remissão por volta dos 7 anos de idade. Esse é um indicativo de que o tratamento tem sido cada vez mais longo.

A dessensibilização oral é uma conduta muito comum por médicos, pois melhora muito a qualidade de vida do paciente. No entanto, é importante destacar que isso não significa cura da alergia alimentar.

Quanto a conduta nutricional falaremos melhor no próximo texto, mas é importante destacar que o novo posicionamento enfatizou a importância da educação nutricional para evitar restrições desnecessárias, principalmente durante a infância.

Como as alergias alimentares se iniciam, em geral, ainda na infância, muitos pais evitam ofertar alimentos considerados alergênicos com o intuito de prevenir tais questões, mas esse não é o melhor caminho. Além de possíveis prejuízos nutricionais, restrições alimentares não orientadas podem gerar impactos sociais e psicológicos.

Em breve falaremos mais sobre o tratamento nutricional adequado nos principais casos de alergias alimentares. Acesse o posicionamento na íntegra: https://asbairj.org.br/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp/

Até mais!

Atualidades

Dia Mundial do Coração

Doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Principalmente entre as mulheres, em 2019 mais de 170 mil óbitos foram registrados, representando a primeira causa de morte na população feminina (1)

O risco cardiovascular é crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). Com o aumento da expectativa de vida é ainda mais necessário dedicar atenção para tais condições de saúde (3).

Dia Mundial do Coração (29/09) chama a atenção da população sobre as doenças cardiovasculares e a importância da conscientização sobre as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce (4, 5).

Os principais fatores de risco são: sedentarismo, tabagismo e um padrão alimentar inadequado. O nutricionista é um dos profissionais capazes de contribuir para a prevenção das doenças cardiovasculares, ensinando a população sobre a importância de: 

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (6).

Uma orientação nutricional individualizada deve ser realizada apoiada nos quatro princípios acima citados, sem deixar de lado os fatores sociais, culturais e econômicos. As preferências alimentares também são importantes para a adesão do paciente ao tratamento. 

No artigo indicado a seguir também é possível conferir a associação entre o padrão alimentar e o risco cardiovascular: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8706326

Diversas estratégias práticas de educação alimentar e nutricional podem ser colocadas em prática. Em seguida, alguns materiais de órgãos oficiais da saúde que podem auxiliar na construção das intervenções nutricionais para a população brasileira: 

Manual Ministério da Saúde – Alimentação Cardioprotetora

Diretriz Sociedade Brasileira de Cardiologia – Prevenção Cardiovascular

Manual Ministério da Saúde – Saúde Cardiovascular na Atenção Primária  

Até mais!

Atualidades

Dieta nas Festas de Fim de Ano?

Agir de forma funcional diante de uma grande quantidade e variedade de comida pode ser um caminho difícil para muitas pessoas. Por isso, as orientações de fim de ano são tão importantes. 

A dificuldade que muitos apresentam é desfrutar desses momentos que incluem refeições atípicas. Desenvolver atenção e consciência alimentar no momento das refeições pode ser um caminho interessante a ser trabalhado com o paciente.  

Algumas atitudes simples, quando aderidas, favorecem o desenvolvimento dessa habilidade. Deixar o talher sobre a mesa enquanto mastiga, por exemplo, pode auxiliar na melhora da consciência alimentar. 

Comer faz parte de diversas celebrações e é importante que essa realidade seja respeitada pelo nutricionista no momento das orientações alimentares.

Algumas sugestões: 

Antes das festas: pergunte ao seu paciente sobre as celebrações de fim de ano, como e onde acontecem, pois muitas sugestões e orientações podem surgir nesse momento. 

Por exemplo, pacientes que possuem alguma restrição alimentar podem não se sentir confortáveis em comer fora de casa, mesmo que em família. Uma alternativa é que ele leve um que se sinta confortável em comer e compartilhar! 

Photo by Nicole Michalou : https://www.pexels.com/photo/top-view-of-a-family-praying-before-christmas-dinner-5779170/

Durante as festas: ofereça sugestões que facilitem a passagem por esse período. Por exemplo, ter mais atenção à sua fome, ou sentar-se à mesa para comer. 

Após as festas: não incentive restrições alimentares desnecessárias, abordar como foi o período de festas pode ser uma alternativa. Proponha reflexões: houve culpa ao comer? Exageros? O que ele gostaria que tivesse acontecido?

Além disso, é interessante que o paciente também seja incentivado para: 

  • Entrar em contato com o ato de cozinhar 
  • Experimentar receitas mais elaboradas
  • Perceber o própria comportamento alimentar 
  • Compartilhar momentos e descansar 

Até 2023!

Atualidades

Dia da Pessoa com Deficiência

O Dia Internacional da Pessoa com Deficiência é um lembrete da importância de conceder um olhar mais consciente e ativo para uma realidade que atinge mais de 12 milhões de pessoas em nosso país (1).

Há diversos tipos e níveis de deficiência visual, auditiva, intelectual, física e motora; em todos os casos há impactos na qualidade e condições de vida do indivíduo, inclusive na alimentação e acesso à educação nutricional. 

Ainda há um longo caminho para que a representatividade e a inclusão façam parte do dia a dia, principalmente porque muitas pessoas são estigmatizadas, reduzidas em suas condições e recebidas em espaços com poucas condições adequadas de acesso.

O atendimento nutricional para pessoas com deficiência deve ser realizado de acordo com cada dificuldade, sempre receptivo, acolhedor e com naturalidade. Apesar das diferenças, esse trabalho é possível. Um exemplo é o guia educativo Saúde no Prato, desenvolvido para auxiliar na educação alimentar e nutricional de pessoas com deficiência visual.

O material acima contém muita informação sobre as mudanças que ocorrem na alimentação dessas pessoas e suas famílias, além de diversas atividades interativas e oficinas culinárias já adaptadas para pessoas com deficiência visual.

Pontos de atenção para oferecer um atendimento nutricional mais inclusivo:

  • Praticar a escuta ativa: é imprescindível que escutemos as suas necessidades, demandas e objetivos. Assim, evitamos realizar sugestões em desacordo com a realidade do paciente; 
  • Atenção ao espaço e acessibilidade: opte por realizar os atendimentos em espaços com rampas, balança plataforma, sanitários com barras de apoio, portas que permitem a entrada de cadeira de rodas, entre outras adaptações; 
  • Adaptar a avaliação física corretamente: em casos de deficiência motora e uso de cadeira de rodas, por exemplo, a aferição do peso e altura são realizadas de formas bem diferentes. Para pacientes que passaram por amputação de membros, também. Acesse o material com essas fórmulas aqui!
  • Encaminhar para um profissional especializado: caso não se sinta seguro em acompanhar um paciente com qualquer deficiência, o que acha de encaminhá-lo para um colega de profissão mais experiente? O bem-estar do paciente deve estar em primeiro lugar.

Para mais orientações, acesse o Manual de Orientação e Apoio para Pessoas com Deficiência.

Até mais!

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Cuidado Nutricional: Novembro Azul

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, cerca de 15 mil mortes/ano foram registradas para o biênio 2018/2019 e é estimado que 3 milhões de homens convivam com a doença (1). 

A campanha Novembro Azul é dedicada para a conscientização da população, buscando mais prevenção e cuidados dedicados ao bem-estar e saúde do homem. 

O câncer é uma condição de saúde multifatorial e os fatores ambientais exercem grande participação, principalmente na prevenção. Destaca-se assim a importância da adoção e manutenção de hábitos mais saudáveis (2). 

A alimentação está entre os fatores que merecem maior atenção e cuidado. Há um conhecimento geral da população sobre o impacto da alimentação no câncer, mas nem sempre o mesmo é suficiente para favorecer um consumo alimentar estratégico e preventivo (3).

Por isso, a importância da educação nutricional e avaliação do comportamento alimentar. O consumo de certos nutrientes demonstram uma associação interessante com a prevenção do câncer, como o de próstata (4).

Confira: 

  • Selênio e Zinco: além de serem micronutrientes importantes para a resposta imunológica, também atuam na regulação de diversas enzimas importantes. 
Figure 2. Possível papel do selênio e zinco para a progressão do câncer de próstata. Fonte: https://doi.org/10.3390/nu13020496

Observa-se que diversos mecanismos estão associados com essa resposta protetora do selênio. Os metabólitos desse nutriente têm o potencial de reduzir a expressão de PSA (Antígeno Prostático Específico). Um estudo baseado em uma amostra de 34.901 participantes demonstrou que havia um menor risco de câncer de próstata em homens com o selênio sérico adequado. 

Quanto ao zinco, o mineral atua contribuindo para a regulação da proliferação celular. Um estudo de coorte, com 525 homens diagnosticados com câncer de próstata, mostrou que um consumo aproximado entre 15 a 20 mg/dia foi associado com uma redução em 36% na taxa de mortalidade, comparado com o consumo de 9 a 12.8 mg/dia de zinco.

  • Licopeno: É um carotenóide com grande potencial antioxidante e atuação no processo de peroxidação. Pode ser encontrado com maior concentração em tomates e seus derivados, como em molhos, pasta e no suco. Também está presente em outros alimentos, como melancia, goji berry e papaia, mas em menor concentração.

Um estudo de coorte mostrou que o papel protetor do consumo de licopeno está mais associado com o período de pré expressão de PSA. Dessa forma, homens saudáveis que consumiram licopeno reportaram um menor risco, em 28%, de apresentarem uma forma letal da doença.

  • Flavonóides: Isoflavonas, catequinas, resveratrol e outros compostos são encontrados em alta concentração em diferentes alimentos, como em pimentas, maçã, cebola, chá-verde, cereais e grãos.
Figure 3 Possíveis mecanismos de compostos flavonoides nas células no câncer de próstata. https://doi.org/10.3390/nu13020496

Diversos mecanismos estão sendo estudados, principalmente associados aos polifenóis do chá-verde, resveratrol e seus análogos e com isoflavonas. Todos esses demonstram associação com a inibição do crescimento de células cancerígenas, regulação de funções celular e redução do estresse oxidativo.

Para mais informações orientamos a leitura da íntegra do artigo: Fatores Dietéticos e o Desenvolvimento, Progressão e Redução do Câncer de Próstata

Até mais!

Atualidades

Cinco práticas alimentares mais sustentáveis

Dietas mais sustentáveis (DS) são modelos alimentares com a possibilidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo.

Na semana passada trouxemos o resumo de um artigo que explicava sobre tal conceito e outras orientações. A publicação traz como resultados cinco práticas que vão de encontro com o contexto de sustentabilidade.

Os autores citam que os candidatos ideias para compartilhar tal conhecimento com os consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação. Essa é uma sugestão que vai de encontro com a prática da Educação Nutricional e Alimentar (EAN). 

A EAN é um dos campos de conhecimento da ciência da nutrição, base para diferentes setores e atuações profissionais e apresenta o propósito de promover uma alimentação mais autônoma e saudável (1). Então, vamos nos aprofundar nas práticas sugeridas?

  • Adotar uma dieta baseada em vegetais:

Comparado ao sistema de produção de origem vegetal, os produtos de origem animal causam grande impacto ambiental, principalmente na emissão de gases de efeito estufa, alto custo e o uso exacerbado de terras, água e energia. 

Muitas empresas iniciaram e aceleraram a criação e produção de produtos substitutos aqueles de origem animal. Há três possíveis categorias para tais produtos – aqueles que imitam carne em gosto, textura e aroma; os que são produzidos em laboratório com células animais; e os que possuem como base insetos, como os gafanhotos. 

Há pontos positivos e negativos a serem avaliados para cada alternativa, em geral, é importante avaliar os aspectos sensoriais e nutricionais. Além de bem aceitos pelos consumidores, os produtos precisam ser enriquecidos principalmente com ferro, cálcio, vitamina B12 e zinco.

  • Mitigar o desperdício de alimentos: 

Nesse contexto, desperdício seria descartar alimentos que poderiam ser consumidos. Pode acontecer em diversas etapas, ainda na produção do alimento, no seu preparo ou na hora do consumo. 

Na hierarquia de prioridades, o primeiro passo deve ser uma mudança no sistema de produção alimentar. A doação de alimentos também é um passo importante, podendo ser realizada como política fixa em grandes instituições que atuam com alimentos. 

A redução do desperdício de alimentos também pode acontecer na alimentação animal, porém só é possível em pequena escala, por uma questão de segurança sanitária. Outro campo que precisa de atenção é na prática da compostagem, pouco conhecida e praticada pelo consumidor final.

Falando em sustentabilidade, como os alimentos são embalados também deve entrar em pauta. Comprar em maior quantidade para reduzir o descarte de embalagens pode nem sempre ser interessante. Pois, apesar das embalagens gerarem impacto ao meio ambiente, o desperdício alimentar pode impactar muito mais. 

  • Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados:

O sistema produtivo de tais alimentos está associado com práticas de refinação, adição de substâncias artificiais, poluição ambiental, uso de pesticidas e herbicidas, além da redução de práticas culinárias caseiras e a dissipação de culturas alimentares.  

Avaliar o impacto ambiental na geração de gases poluentes, entre outras consequências ambientais, torna-se difícil pela variedade de produtos alimentares categorizados como ultraprocessados.

No entanto, o impacto para a saúde de tais produtos é amplamente conhecido. Um consumo alimentar excessivo de ultraprocessados está associado com o aumento de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. 

  • Envolver-se em sistemas alimentares locais:

Considerando o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados, priorizar sistemas produtivos locais é uma prática possível e sustentável. No entanto, contrapontos podem ser feitos, grandes sistemas podem proporcionar maior eficiência no transporte de alimentos, por exemplo. 

Mesmo sendo difícil estimar a diferença no impacto ambiental com tal mudança, outros benefícios podem ser encontrados em priorizar os produtores locais, como no aumento da produção e acesso de frutas e vegetais, maior contato com o alimento e no estímulo da economia local. 

  • Escolher frutos do mar sustentáveis: 

Uma das principais questões com o consumo de frutos do mar está no próprio sistema produtivo, como na pesca ilegal, excessiva e irresponsável com outras espécies marinhas, como tartarugas golfinhos, baleias e tubarões. 

A pesca indevida invade o habitat e ciclos naturais dos animais marinhos, caso ocorra de forma excessiva também impacta na própria produção da espécie. Também há impacto na poluição marinha, pois ferramentas de pesca comumente são descartadas de maneira imprópria. 

Uma alternativa são os sistemas sustentáveis de produção, a aquicultura tem como propósito criar tais espécies de consumo em um ambiente controlado, seguro e sem impacto ambiental. Mesmo assim, os selos de garantia e sustentabilidade devem ser priorizados no momento da compra. 

Acesse o artigo na íntegra. 

Até mais! 

Atualidades

Artigo Científico: Dietas mais sustentáveis e o futuro da alimentação

Os dados mais recentes sobre o consumo alimentar atual da população mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados aumentou de 9% para 16%, em um intervalo de seis meses, entre os anos de 2019 e 2020 (1). 

É importante destacar que durante o período também a pandemia da COVID-19 estava em seu auge e também impactou nessa mudança alimentar.Hoje, iremos considerar tal cenário atual e avaliarmos: como será o futuro da alimentação? 

Um recente artigo apresentou e discutiu os possíveis caminhos para se alcançar práticas dietéticas mais sustentáveis. Confira o nosso resumo a seguir! 

Introdução

Dietas mais sustentáveis (DS) são aquelas que promovem benefícios para a saúde, apresentam baixo impacto ambiental, estão conectadas com certos pilares da sustentabilidade, e contribuem para a segurança alimentar atual e de futuras gerações. 

O presente artigo busca sintetizar e revisar as evidências disponíveis para as dietas sustentáveis e a aplicabilidade das mesmas, assim como oferecer recomendações práticas aos educadores em nutrição.

Metodologia

O presente estudo se configura como uma revisão narrativa completa da literatura realizada no ano de 2021, com publicações datadas desde 2010 e encontradas a partir dos termos “dietas sustentáveis”, “nutrição”, “educação nutricional”, entre outros. 

Resultados

Os estudos selecionados retornaram cinco recomendações consideradas adequadas para o conceito de dietas mais sustentáveis: 

  1. Adotar para uma dieta baseada em vegetais;
  2. Mitigar o desperdício de alimentos;
  3. Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados;
  4. Envolver-se em sistemas alimentares locais;
  5. Escolher frutos do mar sustentáveis.

Discussão 

As recomendações podem ser trabalhadas de diversas formas. Mesmo que o conteúdo seja mais direcionado ao público adulto, o mesmo pode ser adaptado para outras populações e complementar programas educacionais em alimentação.

Para citar exemplos, quando a pauta é a promoção de dietas à base de plantas, é interessante que a motivação seja em direção ao consumo de alimentos fontes de proteína mais naturais e não ultraprocessados, como leguminosas, castanhas e sementes. 

Conclusão

A adoção de dietas mais sustentáveis ​​(DS) tem a capacidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo. 

Os candidatos ideias para fornecer tal educação aos consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação. 

Destaca-se que as recomendações práticas oferecidas são limitadas ao nível de experiência dos autores, sendo importante que uma constante atualização no assunto seja realizada.

Acesse o artigo completo aqui

Atualidades

Dia Mundial do Coração

Hoje é o Dia Mundial do Coração (29/09).

As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Principalmente entre as mulheres, em 2019 mais de 170 mil óbitos foram registrados, representando a primeira causa de morte na população feminina (1)

O risco cardiovascular é crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). Com o aumento da expectativa de vida é ainda mais necessário dedicar atenção para tais condições de saúde (3).

As estratégias para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisam considerar um fator importante, o nível de adesão do indivíduo ou grupo terapêutico, principalmente por se tratar de uma condição crônica.

Fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e uma alimentação inadequada devem ser trabalhados. Para o nutricionista, há algumas estratégias capazes de contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares: 

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4).

Uma orientação nutricional individualizada deve ser realizada apoiada nos quatro princípios acima citados, sem deixar de lado os fatores sociais, culturais e econômicos. As preferências alimentares também são importantes para a adesão do paciente ao tratamento. 

Diversas estratégias práticas de educação alimentar e nutricional podem ser colocadas em prática. Em seguida, alguns materiais que podem auxiliar na construção das intervenções nutricionais: 

Manual Ministério da Saúde – Alimentação Cardioprotetora

Diretriz Sociedade Brasileira de Cardiologia – Prevenção Cardiovascular

Manual Ministério da Saúde – Saúde Cardiovascular na Atenção Primária  

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Como a prática de atividade física impacta na microbiota intestinal?

A prática da atividade física está intimamente atrelada com a melhora global da saúde, sendo benéfica no controle de doenças cardíacas, diabetes, câncer e depressão (1). 

Uma rotina ativa impacta na composição corporal e no melhor manejo de doenças como diabetes, por exemplo. 

Inclusive, a mesma pode impactar até na saúde intestinal. Uma recente revisão avaliou o impacto da atividade física na microbiota intestinal de adultos mais velhos. Confira!

Introdução

A população tem envelhecido e também se tornado fisicamente inativa; estima-se que idosos passam de 65% a 80% do tempo sentados. Esse é um fator alarmante, ao considerar as consequências do sedentarismo. 

Recentemente, os achados científicos têm demonstrado que a atividade física também pode melhorar a microbiota intestinal, afetando a biodiversidade e composição da mesma; sendo uma prática impactante para o processo de envelhecimento. 

Envelhecer causa uma natural redução de bifidobactérias e lactobacilos, e um aumento de proteobactérias e bacteroidetes; além de ter a sua produção de metabólitos, como o butirato, reduzida. 

Essa revisão buscou avaliar o impacto da atividade física em benefício da microbiota intestinal em adultos mais velhos.

Metodologia 

Para a seguinte revisão foram selecionados estudos com adultos mais velhos (>60 anos), tanto observacionais, quanto de intervenção com controle randomizado. Para a avaliação da microbiota intestinal foram considerados fatores como a composição taxonômica, abundância e a diversidade bacteriana.

Resultados 

Segundo os estudos, a prática de atividade física aumentou a abundância de Actinobactérias e reduziu de Firmicutes. Na avaliação final, quando todos os resultados foram unificados, Firmicutes apresentaram maior diferença, seguidos de Proteobactérias, Bacteroidetes, Actinobactérias e Verrucomicrobia. 

Em relação à diversidade alfa, nenhum dos estudos encontrou alterações. Já nos resultados para a diversidade beta, alguns não encontraram diferenças, um encontrou uma relação fraca e outros encontraram diferenças significativas.

Outras contradições também foram encontradas nos estudos avaliados, as quais podem ser melhor observadas nas tabelas 2 e 3 apresentadas no artigo em questão. 

Discussão 

A prática de atividade física foi associada, segundo os estudos avaliados, com mudanças nos filos predominantes na microbiota intestinal, com aumento de Actinobactérias e a redução de Firmicutes.

É necessário que mais estudos de intervenção sejam realizados, com uma ampla amostra e variados tipos de exercício físico. Também é importante que os estudos procurem avaliar os mesmos parâmetros, sem esquecer de outros que influenciam na composição da microbiota, como a dieta, composição corporal, ingestão de álcool ou tabaco.

Conclusão 

É possível sugerir que a prática de atividade física tem um potencial positivo na microbiota intestinal de adultos mais velhos, podendo ser uma prática benéfica para o envelhecimento. 

No entanto, a quantidade limitada de estudos, as diferenças metodológicas e de amostragem não possibilitaram um consenso no assunto.

É necessário que mais estudos sejam realizados sobre os efeitos do exercício e atividade física para a microbiota intestinal, de adultos e pessoas idosas.

Acesse o estudo na íntegra clicando aqui

Atualidades

Quais são as dietas mais realizadas no esporte?

É de comum conhecimento que uma alimentação planejada é essencial para atingir os resultados desejados na performance e recuperação do atleta e esportista. No entanto, nem sempre esse indivíduo está sendo acompanhado por um profissional.

Por isso, é de extrema importância que o padrão alimentar seja avaliado entre esse público. Um artigo recente avaliou os fatores mais determinantes para as escolhas alimentares no meio esportivo, assim como as dietas mais comuns.

Continuando o assunto da última semana, quais são as dietas, prescritas ou realizadas por conta própria, mais seguidas por esse público? 

Dietas no meio esportivo

  • Sem glúten 

A isenção de alimentos e produtos com glúten é relevante para pessoas portadores de doença celíaca, intolerância ao glúten e alergia ao trigo. No entanto, a dieta tem se popularizado entre muitos, inclusive no meio esportivo. A principal razão para a aderência desse grupo é a crença que o consumo de glúten seja a causa de patologias gastrointestinais. 

Outro fator relevante para a nutrição é que na restrição alimentar do glúten, também há uma redução dos alimentos fontes de carboidrato disponíveis para o consumo; fator que deve ser considerado, pois a maioria das modalidades necessita de um consumo alimentar adequado de carboidratos. 

  • Baixa em FODMAPs 

Essa dieta, restrita em alimentos com carboidratos de cadeia curta, apresenta alta taxa de sucesso no tratamento para síndrome do intestino irritável. Devido a grande preocupação com os sintomas gastrointestinais, essa dieta tornou-se popular no esporte. 

A restrição desses alimentos mais fermentáveis visam minimizar a ocorrência dos sintomas (distensão abdominal, cólicas, flatulência, eructação e etc). É importante que o devido acompanhamento seja realizado, evitando uma restrição alimentar excessiva, ou a carência de nutrientes, como cálcio.

  • Plant-based 

Dietas vegetarianas e veganas têm sido associadas com benefícios para a saúde, como na redução do risco de doenças crônicas. Há muitos fatores que podem ser motivadores para seguir esse estilo alimentar.

Ainda há poucos estudos que demonstram benefícios para a performance esportiva, mas por apresentar um perfil alimentar mais alto em carboidratos, pode ser vantajosa para modalidades que se beneficiam de um estoque de energia. 

Também apresenta benefícios pensando no perfil de antioxidantes e fitonutrientes. No entanto, mais atenção deve ser dedicada para o consumo de certos nutrientes, como ácidos graxos ômega 3, ferro, zinco, cálcio, vitamina D e vitamina B12. 

  • Produtos Funcionais 

Diferentes alimentos têm sido desenvolvidos pensando nas demandas alimentares do meio esportivo, como “barrinhas” com quantidade reduzida de açúcares, biscoito de arroz com adição de batata-doce, bebida de chocolate sem lactose e fortificada com leucina. 

A criação de alternativas como as citadas pode ser interessante para a redução do risco de desordens gastrointestinais e maior efetividade nos treinamentos.

  • Personalizada / Genética

Recentemente, conceitos como nutrigenômica e nutrigenética ganharam espaço no meio esportivo. Nesse contexto, nutrientes que podem impactar na expressão genética e os seus mecanismos são estudados. 

Leucina, por exemplo, é um aminoácido que impacta na atividade de diversas quinases e na sinalização da mTOR, funções associadas com a síntese proteica, desenvolvimento muscular e performance esportiva. 

A particularidade genética de cada um também tem sido considerada para a escolha da dieta adequada. Polimorfismos nos genes LAT1 e LAT2 podem impactar na taxa de absorção de aminoácidos BCAA, como a leucina. 

Conclusão 

De acordo com os estudos avaliados, diversas dietas são seguidas no meio esportivo. Há destaque para uma alimentação sem glúten, baixa em FODMAPs e baseada no consumo de plantas.

Ressalta-se que sempre o ideal é o consumo alimentar adequado individualmente, considerando o nível de treinamento, objetivos e fatores pessoais. 

Ter atenção para o consumo alimentar desse público é essencial, principalmente para produtos e serviços focados na genética, pois é uma temática que ainda necessita de muitos estudos diante da complexidade apresentada. 

Confira o artigo na íntegra aqui

Atualidades, Vida de nutricionista

Vida de Nutricionista: Motivos para Continuar

Na próxima semana nós celebramos o Dia do Nutricionista (31/08). 

O nutricionista enfrenta muitas dificuldades profissionais, mas há tantas outras situações que podem nos motivar a continuar. Já pensou em como você pode se surpreender sendo nutricionista?

Hoje, em homenagem à profissão, nós trouxemos a história de uma nutricionista para que possamos refletir sobre a mudança de vida podemos proporcionar: 

Quando eu decidi cursar Nutrição não fazia ideia do que me esperava pela frente na vida profissional. Já nos estágios eu percebia que me identificava mais com o atendimento em consultório. Porém, ingressar na área clínica, que me brilhava os olhos, não foi fácil. 

Apesar das dificuldades, fico feliz ao perceber que, com o trabalho que venho construindo ao longo desses 11 anos, todas as pessoas que passam por atendimento levam muito de nós, assim como deixam um pouco de si.

Alguns casos sempre nos marcam mais, talvez porque me permitem observar de forma tão clara e forte o quanto a nutrição pode mudar a vida das pessoas. Hoje vou contar um bem especial para mim.

Há mais ou menos dois anos eu atendi um casal. A esposa apresentava endometriose e um quadro autoimune, também estava em uso de medicação contra indicada para o período gestacional. Ambos já se encontravam sem acreditar que seria possível engravidarem. Começamos com um tratamento visando melhorar a qualidade alimentar do casal. 

Muito dispostos a mudar os hábitos, começaram a comprar alimentos orgânicos e usar a suplementação adequada. Em 4 meses eu recebo uma mensagem me dizendo que teríamos que mudar a linha de tratamento porque ela havia engravidado! 

Comemorei junto com eles! Claro, eu sei que a concepção depende de fatores que transcendem o entendimento humano, mas acredito muito que podemos preparar o terreno biológico. E assim, acompanhando as mudanças de muitas famílias, me sinto honrada e grata por ter escolhido a profissão nutricionista!”

E você, nutricionista? Tem sentido que a sua escolha profissional é gratificante? 

Tem enfrentado dificuldades? Talvez algumas estratégias podem te ajudar, confira aqui. Quando você se sentir desanimado, pense: “o que me motiva a continuar?” Muitas vezes, no fim do dia, é isso que importa!

Outros posts sobre a vida de nutricionista que você pode gostar: 

Até mais!

Atualidades

Cuidado Nutricional: Gestantes

O Dia da Gestante (15/08) é uma data importante para trazer mais visibilidade aos cuidados necessários nessa fase da vida, tanto para a população quanto para os profissionais da saúde. 

Na nutrição, o auxílio profissional ocorre em diversas formas. Inclusive, em postagens anteriores falamos sobre o papel do nutricionista no incentivo à amamentação. 

Os benefícios de um bom acompanhamento nutricional durante esta etapa da vida também é uma pauta primordial a ser abordada. 

Todo o desenvolvimento fetal é dependente do estado e consumo nutricional da pessoa gestante, por isso, a importância de se atentar para esse aspecto durante esse período. 

No entanto, nem sempre toda suplementação é primordial, cada caso deve ser analisado individualmente. Como é possível analisar na imagem abaixo, há alguns nutrientes que não exigem um consumo superior devido a gestação: 

Fonte: https://www.mdpi.com/2072-6643/13/9/3134

Já outros nutrientes precisam de maior atenção em nossa prática clínica (1): 

  • Vitamina D

O feto é dependente da mãe, através da placenta, para adquirir vitamina D, vitamina que está intimamente relacionada à homeostase do mineral cálcio e a manutenção do tecido ósseo. Para a gestante, há aumento da absorção intestinal de vitamina D e cálcio, e a redução da excreção urinária de cálcio; ou seja, uma adaptação metabólica para atender às necessidades nutricionais do feto. 

Os exames laboratoriais para hidroxivitamina D ou 25(OH)D devem apresentar níveis plasmáticos superiores a 50 nmol/L (ou 20 ng/mL). Já as recomendações de consumo alimentar para gestantes, segundo o Institute of Medicine, é de 10 µg/dia. 

Para a suplementação, de acordo com a Canadian Academy of Pediatrics e American College of Obstetricians and Gynecologists, recomenda-se de 2.000 UI/dia durante a gestação e lactação. Em relação à toxicidade, o risco pode ocorrer acima de 20.000 UI/dia, com consequências de hipercalcemia e hipercalciúria.

A exposição diária ao sol, de áreas do corpo como braços e pernas, por tempo mínimo de 15 minutos já é suficiente para garantir a síntese adequada de vitamina D3 (com possível variação de acordo com a latitude, estação do ano, cor da pele, utilização de filtro solar e influência da dieta). 

  • Vitaminas do Complexo B

Há maior necessidade de consumo para todas as vitaminas do complexo B, o ácido fólico ganha destaque no período pré-gestacional, por exemplo para tentantes, como também para o primeiro trimestre da gestação.  

O consumo adequado de ácido fólico está associado com a redução de doenças congênitas e malformações do sistema neurológico, assim como a anemia materna. Por isso, é um nutriente tão suplementado, principalmente por ter a sua necessidade de consumo duplicada durante o período gestacional. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a suplementação deve ser de 0,4 mg/dia. 

As outras vitaminas do complexo B também são importantes e estão associadas com o crescimento do feto e o desenvolvimento do sistema neurológico e cardíaco, principalmente a vitamina B12. 

  • Ferro 

É um mineral essencial para o transporte de oxigênio. Em gestantes há um aumento da necessidade metabólica desse nutriente. Inclusive, a anemia é uma das deficiências nutricionais mais comuns durante a gravidez. 

Além disso, a deficiência também pode ser influenciada por uma redução de consumo, principalmente devido às mudanças no hábito alimentar que ocorrem pela gestação. 

_____________________

Em gestações múltiplas, também chamadas de gemelares, a demanda metabólica pode ser maior, por isso, o estado nutricional possui um impacto ainda maior para a saúde materna, do feto e para o desenvolvimento gestacional.

Em um estudo com gestantes, a maioria da amostra com deficiências nutricionais apresentou menores níveis séricos de vitamina D (25 OH), ferritina e hemoglobina em gestações múltiplas (2).

Assim, em gestações, principalmente as gemelares, é importante que a adequação nutricional e o monitoramento sejam realizados com muita cautela e responsabilidade!

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Orientações práticas para a amamentação

Apesar de todos os incentivos ao aleitamento materno exclusivo, no Brasil o mesmo apresenta indicadores aquém dos níveis desejados.

Diversos são os fatores que podem impactar na redução do desmame, como a dificuldade inicial com a técnica da mamada, ou a falta de suporte familiar. 

Assim, ainda antes do nascimento da criança, os nutricionistas como educadores em saúde podem exercer diversas influências positivas, como falamos no post anterior.

Como foi dito, uma das principais contribuições do nutricionista para a promoção do aleitamento materno é na educação prática de gestantes e puérperas.

Ainda pensando no “Agosto Dourado”, seguem algumas orientações importantes que podem ser anexadas ao atendimento nutricional: 

Antes de iniciar a amamentação: 

  • A mãe deve lavar as mãos, antebraço e unhas com água e sabonete. As unhas preferencialmente devem estar curtas para evitar que machuque o bebê e facilitar a higienização;
  • Um pouco do próprio leite deve ser passado na região mamilo-areolar; 
  • Verificar a flexibilidade mamilo-areolar e caso a mama esteja cheia ou ingurgitada, a mãe deverá realizar massagem ou ordenha manual antes de colocar o bebê para mamar. Facilitando assim a pega e a retirada do leite.

Durante a amamentação:

  • Apresentar a mama em “C” para auxiliar o aprendizado do bebê a ter boa pega;
  • Para facilitar o reflexo de busca do bebê, pode-se virar o rostinho em direção à mama e tocar o mamilo na comissura labial esquerda, direita, superior ou inferior do bebê;
  • As mães devem estar tranquilas no momento da amamentação, pois não há tempo fixo para o bebê mamar. Isso dependerá da pega, da posição adequada e da voracidade do bebê para retirar o leite. Pois o bebê suga, deglute, respira e pode fazer uma pausa, em alguns momentos, para descansar;
  • Caso a pausa se prolongue, toque nas orelhas ou pés do bebê para que retome a sucção.
fonte: https://www.promatre.com.br/wp-content/uploads/2022/02/PM_CartilhaAmamentacao_2022_compressed.pdf

A todo momento é importante que a criança esteja bem posicionada, sem o pescoço torcido ou o queixo longe da mama e verificar para corrigir caso o lábio inferior do bebê esteja virado para dentro. 

O posicionamento correto do binômio mãe-lactente, que assegura a pega adequada e evita traumas mamilares (mastite, fissura, ferida mamilar, dor, abscessos mamários, ingurgitamento mamário). 

Para tranquilizar as mães, também é interessante ensinar os cinco sinais de que a posição está correta:

  1. O bebê se aconchega até o peito da mãe, abraçando-a.
  2. A barriga do bebê encosta-se ao corpo da mãe.
  3. O rostinho do bebê fica de frente para a mama.
  4. A cabeça e a coluna do bebê estão alinhadas.
  5. A cabeça do bebê está apoiada no braço materno.

Para finalizar, é possível encontrar diversas orientações complementares em ferramentas educativas, como na própria lâmina para nutricionistas do Allivici.

Até mais!

Atualidades

Métodos de Avaliação Corporal (Parte II)

O conhecimento sobre antropometria é muito importante para o nutricionista, especialmente aquele que trabalha com a prática clínica. Há diferentes protocolos destinados para cada população. Quais você conhece? 

Antes de continuar, confira o nosso último texto sobre os métodos mais utilizados e a aplicabilidade de cada um

Hoje, o mais utilizado é a bioimpedância, mas você sabia que em muitas condições esse não é o método mais adequado? Também iremos abordar mais sobre as dobras cutâneas e circunferências

Bioimpedância

Indicação

Há maior precisão ao avaliar massa magra, massa livre de gordura, hidratação corporal e monitoramento em intervenções de perda de peso; não é indicado para pessoas gestantes, com obesidade ou situações de saúde com intensa retenção de líquidos. Os equipamentos mais precisos são aqueles que contam com a medição tanto nos pés, como nas mãos, e alça de eletrodos.

Preparo

Estar em jejum, isentar o consumo de água 2h antes do procedimento, não realizar atividade física intensa nas últimas 24h, não consumir álcool nas últimas 48h, estar com a bexiga vazia antes do exame. Também é indicado realizar em jejum matinal, podendo ter uma maior dimensão de como está o estado corporal em nível basal. 

Dobras cutâneas e circunferências

Indicação

As dobras cutâneas oferecem precisão ao avaliar atletas, esportistas ou mudanças corporais associadas com a performance, como o ganho de massa muscular. O uso de um adipômetro é necessário. 

No caso das circunferências, há medidas que complementam a avaliação de ganho de massa muscular e perda de gordura corporal. Uma caneta marcadora lavável e uma fita métrica inelástica são necessárias. 

A aferição de medidas como a da cintura, do quadril e pescoço podem ser usadas em conjunto com o Índice de Massa Corporal (IMC), principalmente para avaliação em grupos. É um protocolo rápido, de baixo custo, boa acurácia e alta acessibilidade; e possibilita avaliar condições como a obesidade e desnutrição.

Preparo

As aferições devem ser realizadas sob a pele limpa e seca, por isso, não devem ser utilizados cremes, géis ou óleos corporais antes da avaliação. O uso de roupas de banho também facilita o procedimento.

No Software do Allivici há uma aba inteiramente dedicada à antropometria, com vários protocolos disponíveis e as suas fórmulas já inseridas:

Ter uma ferramenta que facilite essa etapa do atendimento é muito importante. 

Uma combinação de métodos também pode ser vantajosa, desde de que a indicação para cada protocolo seja bem seguida, para que a análise da sua intervenção nutricional seja apurada. Se mantenham atualizados! 

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Recomendações sobre o uso de adoçantes artificiais

Os edulcorantes, comumente conhecidos como adoçantes, são aditivos alimentares com o potencial de conceder aos preparos doçura em nível superior à sacarose (1). 

São utilizados para a substituição, total ou parcial do açúcar, em produtos comercialmente rotulados como diet ou zero, e precisam estar indicados nos ingredientes. Também são vendidos de forma isolada para a adição no momento do consumo, em bebidas, por exemplo. 

Os liberados para o uso no Brasil são: acessulfame de potássio, aspartame, ciclamato, sacarina, sucralose, taumatina, glicosídeos de esteviol, neotame, maltitol, sorbitol, manitol, isomaltitol, lactitol, eritritol e xilitol. 

fonte: https://www.bmj.com/content/364/bmj.k4718

Em algumas condições crônicas de saúde, como diabetes, uma das orientações dietéticas é a ingestão controlada de açúcares. Dessa forma, a substituição por edulcorantes geralmente é indicada.

O uso também passou a ser realizado visando a perda de peso. O que os estudos dizem sobre isso? Hoje analisaremos um artigo de revisão sistemática sobre o tema. 

Introdução

O consumo diário de açúcares adicionados deveria permanecer entre 5 a 10% da ingestão calórica total. Em muitos países as estatísticas indicam que esse número é significativamente superior. 

Muitos produtos contam com a adição de adoçantes não calóricos (edulcorantes) visando a redução do teor de açúcares e atender aos indivíduos que seguem dietas restritas. 

Pouco ainda é conhecido sobre o uso dessas substâncias no longo prazo, mas há estudos que apontam possíveis riscos para a sensibilidade do paladar ao gosto doce e para a percepção de fome e saciedade. Nesse caso, se comprovados, não seria uma estratégia tão efetiva assim. 

Resultados e Discussão

Os edulcorantes que possuem rápida absorção na parte inicial do trato gastrointestinal, como aspartame e acessulfame de potássio, apresentam menor estímulo aos receptores para o gosto doce; ou seja, há menor percepção dessa substância. 

Em quadros de obesidade, estudos indicam que há menor sensibilidade ao gosto doce e alterações nos receptores de dopamina. Essa é uma questão importante, pois o nível de satisfação ao comer pode ser percebido como inferior, ainda mais se adoçado com edulcorantes, podendo levar alguns ao maior consumo de alimentos. 

Quando a substituição visa reduzir a ingestão calórica, o uso de edulcorantes apresenta válida aplicação, mas há muitas dúvidas sobre os possíveis efeitos fisiológicos causados no longo prazo. 

Apesar de os estudos analisados não concluírem que tal substituição gera compensações ou um maior desejo por alimentos doces, a realidade pode se apresentar diferente.

Pois, em um ambiente não controlado há diversos fatores que interferem no consumo alimentar. Por isso, ressalta-se a importância da consciência e educação alimentar e nutricional para o melhor controle do consumo de açúcares.

Conclusão

Até então, com base nos estudos avaliados, a substituição de sacarose (açúcar) por edulcorantes aparenta ser segura, no curto prazo, e pode ser indicada em intervenções que visam a perda de peso corporal, por gerar redução no consumo calórico total. 

No entanto, ainda não há consenso de que o uso dessas substâncias geram maior desejo por comida, alterações no sistema de recompensa e no apetite; apesar de essas serem hipóteses amplamente divulgadas. 

É sugerido que mais estudos sejam conduzidos para clarificar tais questões, principalmente sobre o uso no longo prazo e os efeitos para o controle do peso corporal, redução de sensibilidade ao gosto doce, alterações no sistema de recompensa e no apetite; hipóteses amplamente divulgadas. 

Confira o artigo na íntegra clicando aqui

Até mais!  

Atualidades

Transtornos alimentares: qual é o papel do nutricionista?

Os transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas, com etiologia multifatorial, e que apresentam comportamentos inadequados para a perda ou a manutenção do peso corporal, entre outros aspectos clínicos (1).

Para um melhor tratamento e prognóstico é preconizado que o acompanhamento seja multidisciplinar. Assim, diferentes aspectos são trabalhados:

“Compreender sobre a relação dos transtornos alimentares abre espaço para reflexões acerca (…) de possíveis estratégias de intervenções que considerem o paciente como um todo, ou seja, amplia o olhar do transtorno alimentar desde aspectos emocionais, comportamentais, nutricionais, de humor, e de cognição que possam estar impactados pelo diagnóstico.”

Ana Carolina Rost de Borba G. R.; Andressa Aparecida G. G. Salem para: https://sbnpbrasil.com.br/wp-content/uploads/2021/05/04-Boletim_Abr-21.pdf 

Então, qual é o papel do nutricionista?

A psiquiatria e psicologia serão a base do tratamento, no entanto, outros profissionais são importantes em uma equipe multidisciplinar, como os nutricionistas. Além de realizarem a avaliação nutricional, também podem desenvolver estratégias que permitam mudanças na alimentação.

No entanto, o encaminhamento para profissionais que possuem capacitação técnica deve ser realizado; pois o modelo de prescrição dietética tradicional não é a conduta indicada para o tratamento de transtornos alimentares.

Nutri, tenha atenção:

Mesmo assim, todos os profissionais precisam saber identificar possíveis sinais e comportamentos disfuncionais, tornando a identificação mais precoce do quadro possível, como um melhor prognóstico. Sempre observe esses cinco pontos:

  • Uso de métodos purgativos (laxantes, diuréticos ou indução do vômito);
  • Prática disfuncional de exercícios físicos (alta frequência ou duração);
  • Realização frequente de jejuns para controle do peso corporal;
  • Preocupação excessiva com o peso e a forma corporal;
  • Regras inflexíveis em relação à alimentação.

Mais informações sobre outros pontos de atenção e os fatores de risco você pode encontrar nessa revisão de meta-análises:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32997075/.

Outras sugestões de materiais: 

  • Nutrição Clínica – Estudos de casos comentados – Rita de Cássia de Aquino e Sonia Tucunduva Philippi (Editora Manole): Conta com relato de casos, descrição do acompanhamento de pacientes e as condutas dietéticas adotadas ao longo do tratamento para transtornos alimentares. 
  • Transtornos Alimentares: Diagnóstico e Manejo – organizado por José Carlos Appolinario, Maria Angélica Nunes e Táki Athanássios Cordás (Editora Artmed): Para quem busca por um livro de apoio mais atualizado, essa é uma ótima opção. 

Até mais!

Atualidades

Meditação e a prática de comer com atenção

As práticas meditativas podem ser ótimas ferramentas de autoconhecimento, auxílio na retomada da calma, concentração e atenção ao momento presente. O mindful eating, ou seja, o conceito de comer com atenção plena surge desse contexto. 

Nessa prática, baseada em técnicas do mindfulness, o objetivo é estar com o foco na refeição e até mesmo em todos os processos envolvidos nesse momento, desde o preparo até lavar as louças, por exemplo. Toda atenção é destinada ao ambiente, estímulos externos e sensações internas (1). 

Apesar de ótimos benefícios que podem surgir dessas práticas, há alguns pontos importantes a serem destacados:  

  • É essencial que apenas instrutores certificados conduzam as práticas de mindful eating, pois esses passaram por treinamentos e supervisões; 
  • Nutricionistas não certificados podem adotar estratégias para sensibilizar o seu cliente a comer com mais atenção, mas não realizar práticas de mindful eating; 
  • O profissional deve se comprometer em adquirir formação contínua baseada em evidências científicas, realizar as práticas no dia a dia e receber supervisões; 
  • Não é uma estratégia para a perda de peso, ou controle do peso corporal, mesmo que isso possa vir a ser uma consequência secundária ao comer com maior atenção (sugestão de artigo para leitura).

Quer entender mais sobre o assunto? Nessa página do Centro Brasileiro de Mindful Eating há mais informações! Também sugerimos os vídeos da médica Paula Teixeira.

Todas as práticas meditativas podem ser um ponto de partida para adotar mais momentos de atenção ao seu dia! Seguem três aplicativos que podem te ajudar: 

  1. Headspace 
  2. Calm
  3. Lojong
Atualidades

Artigo Científico: Doenças Reumáticas e Vegetarianismo

Doenças reumáticas são condições crônicas de saúde que também merecem atenção quanto à alimentação. Podemos citar lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia como exemplos. No entanto, há estratégias específicas para esses casos?

No ano passado trouxemos ao blog uma revisão sistemática que avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia. Em nosso próprio texto ressaltamos as limitações do estudo analisado e como ainda faltam informações sólidas sobre a temática. 

Pensando nisso, hoje analisaremos um novo estudo, também de revisão sistemática, sobre a aplicabilidade de dietas vegetarianas e veganas em quadros de fibromialgia.

Introdução

O tratamento para a fibromialgia visa reduzir os sintomas que impactam na qualidade de vida. Há aplicação de intervenções não apenas farmacológicas, mas também de estilo de vida, como na alimentação. No entanto, até então, nenhuma dietoterapia específica tem apresentado sucesso no tratamento dos sintomas. 

A alimentação como tratamento complementar tem sido uma estratégia pesquisada nos últimos anos. Há estudos que indicam possíveis benefícios ao seguir uma alimentação baseada em vegetais devido ao perfil de nutrientes dessas dietas. 

Resultados e Discussão

Entre os estudos encontrados, apenas seis foram analisados para essa revisão sistemática (quatro ensaios clínicos, sendo um randomizado e dois de coorte).

O método de intervenção não foi homogêneo entre os estudos. Em três deles a dieta não era apenas vegana, mas também majoritariamente crua; em dois havia uma dieta vegetariana; e em outro, além da estratégia “plant-based”, também havia a de jejum. 

Em geral, os benefícios de maior relevância encontrados foram em:

  • Melhora nos parâmetros bioquímicos (colesterol total, peroxidase e fibrinogênio);
  • Redução de dor muscular e articular;
  • Melhora na qualidade do sono.

O tempo de intervenção nos estudos variou entre três semanas e três meses, em todos houve aderência na intervenção dietética proposta. Em hipótese sobre os benefícios encontrados, os autores indicaram o crédito ao perfil nutricional das dietas em questão. 

Todas, em comparação com as dietas onívoras, eram mais ricas em frutas, vegetais, cereais integrais, castanhas e sementes. Assim, havia um maior consumo de vitaminas, minerais, fibras e fitonutrientes, responsáveis por um perfil dietético mais antioxidante. 

Conclusão

Apesar dos benefícios encontrados, não há indicação de uma intervenção dietética de forma isolada como tratamento para fibromialgia. 

As mudanças na alimentação podem ser propostas em sintonia com outros tratamentos multidisciplinares para uma melhora na qualidade de vida do paciente. 

Também deve ser considerado que, ao finalizar o período de intervenção, alguns estudos demonstraram um retorno dos sintomas antes amenizados. Por isso, a aderência do paciente deve ser considerada. 

Os resultados e conclusões em questão devem ser considerados com cautela devido à quantidade limitada de publicações relevantes sobre o tema. Sendo assim, novos estudos com maior robustez metodológica precisam ser realizados.

Acesse o artigo na íntegra clicando aqui. 

Até mais!  

Atualidades

Alergia ao trigo, doença celíaca e sensibilidade ao glúten não celíaca

Há anos os rótulos de alimentos são obrigados a informar se há glúten nas preparações e produtos devido às condições clínicas que exigem tal restrição (Lei 10.674/03). 

Desde então, o termo glúten ganhou muito mais visibilidade, permitindo que mais pessoas passassem a ter conhecimento sobre a necessidade de tal alerta nos rótulos. No entanto, muita desinformação também ganhou espaço. 

Diferentes termos têm sido utilizados para justificar a restrição de alimentos que contenham glúten. Alguns corretos, mas outros não. O que seria a alergia ao trigo, doença celíaca e sensibilidade ao glúten não celíaca? Há diferença? 

Considerando a importância da temática e a sua complexidade, não apenas para o público, mas também para muitos profissionais, abordaremos de forma resumida essas distinções.

Alergia ao trigo

É uma reação imunológica adversa, mediada por IgE, às proteínas desse alimento. Os sintomas podem ser respiratórios, gastrintestinais, e/ou dermatológicos. O diagnóstico é realizado por dosagem sérica de IgE e o teste cutâneo – prick test (1). 

No caso do trigo, as frações proteicas mais comumente associadas às reações alérgicas são: ​​albumina hidrossolúvel, globulinas solúveis, prolaminas, gliadinas (alfa, beta, delta e ômega), glutelinas e gluteninas (2).  

Doença celíaca 

É uma condição inflamatória crônica desencadeada pelo consumo de glúten. Tem caráter imunológico, mas não é mediada por IgE. Nesse caso, com a inflamação há atrofia das vilosidades intestinais, má absorção dos nutrientes e manifestações gastrointestinais. 

O diagnóstico se dá por marcadores sorológicos, anti-glutaminase antitecidual (AAG) e anticorpo antiendomísio (AEM), além da biópsia tecidual na segunda porção do intestino, para confirmação de atrofia vilosa (3). 

O tratamento consiste em uma dieta livre de glúten. Na doença celíaca a restrição pode ser mais intensa, sendo necessário restringir alimentos que possam ter passado por contaminação cruzada, por exemplo. Alguns pacientes não podem nem consumir os alimentos preparados no mesmo utensílio ou ambiente que outros com glúten. 

Sensibilidade ao glúten 

Idealmente, apenas após a doença celíaca e a alergia ao trigo serem descartadas, a sensibilidade ao glúten não celíaca passa a ser considerada (1). Essa sequência diagnóstica é justamente por não haver tanto consenso quanto a esse quadro clínico. 

Inclusive, há estudos que indicam que antes da restrição de alimentos com glúten, outras condutas podem ser testadas. Uma delas é a dieta baixa FODMAPs (4,5).

Os sintomas na sensibilidade não celíaca podem ser gastrointestinais, como desconforto e distensão abdominal, náuseas, refluxo, dor e diarreia; mas, também há relatos de dores de cabeça e musculoesquelética, fadiga e erupções cutâneas (6).

Não há mudança nas vilosidades intestinais, como na doença celíaca, mas há constatação de maiores níveis de linfócitos e eosinófilos em lâminas de tecidos duodenais e retais (6). 

O grau de restrição alimentar irá depender da sensibilidade em questão. Por exemplo, um paciente poderá se beneficiar de restringir as fontes alimentares com maior concentração de glúten, mas tolerar pequenas frações em preparações ou uma baixa frequência de consumo. 

Por ser uma condição com muitos fatores ainda não esclarecidos, a sensibilidade ao glúten não celíaca, entre as três citadas, é a que mais necessita de cautela nas orientações e maior automonitoramento do paciente. 

fonte: doi: 10.3390/medicina57060526

Para finalizarmos, as restrições devem ser condizentes com os quadros clínicos previamente diagnosticados. É importante que as orientações alimentares também sejam realizadas de acordo com a realidade e disponibilidade de recursos de cada pessoa. 

E claro, apesar do importantíssimo papel do nutricionista no curso da doença nas alergias alimentares, não há como realizar esse trabalho de forma segura sem um médico especializado na área. 

Referências 

  1. Aziz I, Hadjivassiliou M, Sanders D S. Does gluten sensitivity in the absence of coeliac disease exist? BMJ, 2012 (https://www.bmj.com/content/345/bmj.e7907.long).
  2. Brazilian Consensus on Food Allergy: 2018 – Part 1 – Etiopathogenesis, clinical features, and diagnosis. Joint position paper of the Brazilian Society of Pediatrics and the Brazilian Association of Allergy and Immunology (http://aaai-asbai.org.br/detalhe_artigo.asp?id=851). 
  3. Manual MSD. Versão para profissionais de saúde. Assuntos médicos – Distúrbios gastrointestinais – Síndromes de Má Absorção – Doença Celíaca. Atualizado em fevereiro de 2021 (https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/distúrbios-gastrointestinais/).
  4. Mumolo MG, Rettura F, Melissari S, Costa F, Ricchiuti A, Ceccarelli L, de Bortoli N, Marchi S, Bellini M. Is Gluten the Only Culprit for Non-Celiac Gluten/Wheat Sensitivity? Nutrients, 2020. (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33321805/).
  5. Dieterich W, Zopf Y. Gluten and FODMAPS-Sense of a Restriction/When Is Restriction Necessary? Nutrients, 2019 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31434299/).
  6. Cárdenas-Torres FI, Cabrera-Chávez F, Figueroa-Salcido OG, Ontiveros N. Non-Celiac Gluten Sensitivity: An Update. Medicina (Kaunas), 2021 (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34073654/).
Atualidades

Doença Celíaca e Níquel: qual é a relação?

A Doença Celíaca é uma desordem autoimune desencadeada pelo consumo de glúten, responsável pela condição inflamatória crônica intestinal em indivíduos geneticamente susceptíveis, que apresentam resultados positivos para o Antígeno Leucocitário Humano (HLA) DQ2 e/ou DQ8 (1). 

As principais manifestações após o consumo do glúten são gastrointestinais, como distensão abdominal, dor abdominal, diarreia e constipação. O tratamento requer uma dieta isenta de glúten e que evite o risco de contaminação cruzada. Por isso, o papel do nutricionista no tratamento é essencial.

No entanto, há quadros em que o paciente com doença celíaca segue apresentando queixas intestinais, mesmo após as restrições alimentares. O que fazer? 

Além de avaliar outras hipersensibilidades, há outras duas alternativas – avaliar e ajustar o consumo de:

Alimentos ricos em níquel

Há condições clínicas que apresentam sintomas gastrointestinais semelhantes com a doença celíaca e a síndrome do intestino irritável, como a síndrome de alergia sistêmica ao níquel (2,3).

O interessante é que muitos alimentos sem glúten contém alto teor de níquel e, assim, a sensibilidade ao níquel pode exacerbar os sintomas em indivíduos predispostos, principalmente se houver um consumo a longo prazo. São esses:

  • FRUTAS: banana, pêssego, uva, abacaxi, figo, morango, cacau, pera e cereja. 
  • VEGETAIS: alface, couve-manteiga, espinafre, tomate, aspargos, cebola, salsão, cenoura e vagem. 
  • CEREAIS E TUBÉRCULOS: batata, milho, aveia, e trigo sarraceno.
  • LEGUMINOSAS E OLEAGINOSAS: grão-de-bico, lentilha, ervilha, feijão, soja e amendoim.
  • PESCADOS/FRUTOS DO MAR: bacalhau, linguado, cavalinha, sardinha, marisco, camarão, lagosta, ostra e arenque.
  • OUTROS: alimentos enlatados, vinagre, ketchup, vinho tinto, café e chás.

A variabilidade de concentração de níquel nos alimentos é alta. Depende do tipo de solo, espécies de plantas, água de irrigação, fertilizantes e pesticidas. Assim, por ser impossível sua eliminação total da dieta, a recomendação é de evitar os alimentos com alto teor estimado de Ni (Ni> 100 μg / kg).

Alimentos ricos em FODMAPs

Nesse caso, uma dieta pobre em polióis e oligo -, di- e monossacarídeos fermentáveis (FODMAPs) pode amenizar os sintomas gastrointestinais. Principalmente por esses alimentos serem responsáveis por uma maior fermentação intestinal, podendo causar distensão, gases e outros sintomas semelhantes.

  • FRUTAS: maçã, cereja, abacate, banana, manga, pêssego, pera, melancia, nectarina, ameixa. 
  • CEREAIS E TUBÉRCULOS: amaranto, trigo, centeio, arroz, centeio, quinoa.
  • FRUTAS: maçã, cereja, abacate, banana, manga e coco.
  • LEGUMINOSAS E OLEAGINOSAS: ervilhas, feijões, pistache, castanha de caju.
  • VEGETAIS: abóbora; aspargos, alcachofra, cebola, alho, beterraba, couve, aipo.
  • OUTROS: mel, cevada, adoçantes, inulina, café instantâneo e chá de camomila.

Curiosidade: os números são maiores para o sexo feminino, tanto para a doença celíaca (3:1 (mulher/homem) quanto para a hipersensibilidade ao níquel (15 a 20%).

Outras referências: 

Borghini, R. Efeitos benéficos de uma dieta com baixo teor de níquel na recidiva de sintomas semelhantes ao IBS e extra intestinais em pacientes celíacos durante uma dieta sem glúten adequada: Mucosite de contato alérgica com níquel na suspeita de doença celíaca não responsiva. Nutrients 2020 , 12 (8), 2277.

Atualidades

Artigo Científico: Suplementação de Creatina na Nutrição

Muitos suplementos demonstraram a sua efetividade e segurança há muito tempo, se popularizando e sendo facilmente adquiridos, como o whey protein, por exemplo. Mais recentemente, a creatina também ocupou esse lugar. 

Ambos os suplementos são, em geral, utilizados por um público que busca o aumento, e a manutenção, da massa e força muscular; visando resultados estéticos ou na performance esportiva. No entanto, novos estudos vêm demonstrando outras associações e possíveis indicações para o uso de creatina. 

Então, o que há de evidência sobre a suplementação de creatina? Hoje, a tradução e adaptação de um recente estudo responde exatamente a essa pergunta. 

Introdução

Há resultados na suplementação de creatina além do âmbito esportivo? Vislumbrando auxiliar outras populações, novos estudos foram conduzidos com indivíduos idosos, imobilizados ou pacientes em risco de atrofia muscular.

Resultados

População

Houve um resultado significativamente melhor em indivíduos mais jovens (18 a 30 anos).

Em indivíduos com a imobilização de um membro, simulada por uso de gesso, a suplementação de creatina apresentou resultados ainda controversos na preservação da massa muscular. 

Para indivíduos idosos, a indicação tem sido proposta em decorrência da sarcopenia. No entanto, apenas um estudo, entre os avaliados, apresentou resultados positivos na densidade muscular (nos membros inferiores).

Importância do treinamento físico 

Apesar de ser um suplemento mais utilizado em atividades focadas em resistência e potência, benefícios foram observados em outras modalidades de treinamento. Os resultados foram avaliados sempre após um período de treinamento, destacando a importância do estímulo externo gerado pelo exercício físico.

Dosagem e protocolos

Diferentes dosagens foram aplicadas e poucos estudos não utilizaram o protocolo de “carregamento”; em que uma maior dose é utilizada nos primeiros dias e depois uma menor dose é indicada para o uso contínuo. 

Em média, as seguintes doses poderiam ser indicadas: 

  • Carregamento (loading): 20g/dia ou 0.3g/kg/dia por 5 a 7 dias 
  • Manutenção (maintenance): 3-5g/dia ou 0.03g/kg/dia por > 28 dias

Conclusão

Atualmente, há evidências estabelecidas para o uso de creatina apenas em indivíduos mais jovens. Apesar de promissores, os resultados em indivíduos idosos ainda precisam ser melhor explorados, com a metodologia sempre alinhada, buscando estabelecer resultados mais factíveis para uma melhor indicação clínica. 

Acesse o artigo na íntegra clicando aqui

Até mais!

Atualidades

A linguagem importa: uma abordagem diante das condições crônicas de saúde

Cada vez mais, a função da comunicação e a seriedade da linguagem vêm sendo destacadas. Livros como “Comunicação não-violenta” e “Comunicação Assertiva” se tornaram guias para muitos profissionais, ainda mais os atuantes na área da saúde. 

Comunicação não é apenas sobre palavras, a entonação, os olhares e a gesticulação falam muito por si só. No entanto, mesmo que uma mudança global de comportamento seja necessária, um bom começo pode ser a partir da porta de entrada em um diálogo: as palavras (Jacquelin et al, 2021).

Na área da saúde, mudanças vêm sendo propostas visando melhorar a relação entre o profissional e a pessoa atendida, transmitindo maior acolhimento, vínculo e cuidado. Um documento recente, elaborado por especialistas, abordou sobre o quanto a linguagem importa. 

Confira algumas recomendações apresentadas: 

  • Usar o termo condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) ao invés de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs);
  • Manejo, gerenciamento ou cuidado são termos mais adequados do que “controle”, para quadros estáveis da glicemia ou colesterol, por exemplo;
  • Doente ou enfermo são palavras associadas à hospitalização em cuidado passivo. Falar “pessoa com/que tem” diz de alguém ativo em seu autocuidado; 
  • Seguindo esse rumo, dizer “ansioso, diabético ou obeso” não seria adequado. Podendo ser dito “pessoa com” transtorno de ansiedade, diabetes ou obesidade; 

Os especialistas ressaltam que não há imposição nas formas de tratamento propostas, apenas orientações de como aderir a uma linguagem mais neutra para tratar quem vive com condições crônicas de saúde. 

Se referir a alguém a partir do seu quadro de saúde reduz a existência desse a tal condição. Essa publicação também falou sobre a importância da linguagem, representatividade e educação em saúde. 

Inclusive, pontuar a importância desse assunto se faz ainda mais necessário no Dia Mundial da Obesidade (04/03). Por ser uma condição de saúde carregada de muito estigma, a abordagem pode interferir no desenvolvimento e tratamento da obesidade.

Mais do que nunca sabemos que aspectos genéticos, biológicos, psicológicos, ambientais, sociais, comportamentais, culturais e econômicos devem ser considerados na conduta terapêutica, pois exercem importantíssimo impacto na saúde. 

Acesse ao documento “Linguagem Importa” aqui

Até mais!

Atualidades

Há relação entre alimentação, depressão e ansiedade?

O padrão alimentar e estado nutricional de um indivíduo pode exercer impacto em diversas condições de saúde. Novos estudos sugerem que a dieta pode exercer um papel na prevenção e tratamento da depressão e ansiedade

Buscando trazer maior esclarecimento entre a possível associação, trouxemos a adaptação e tradução de um artigo recente sobre o tema. Afinal, estratégias nutricionais podem prevenir, recuperar ou auxiliar no tratamento de tais condições?

Alimentação e saúde mental

O consumo alimentar exerce um papel importante na saúde mental, pois há nutrientes que são essenciais para o funcionamento do sistema neuroendócrino. Alguns nutrientes já demonstraram isso, como: 

  • Os aminoácidos triptofano, tirosina, histidina, fenilalanina, ácido glutâmico;
  • As vitaminas ácido fólico, colina, piridoxina, cobalamina;
  • Os minerais selênio, magnésio, zinco;
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3.

Esses, desenvolvem papéis importantes da produção de neurotransmissores que estão associados com a regulação do humor, apetite e cognição; como serotonina, dopamina e norepinefrina. 

Desordens depressivas e de ansiedade não possuem uma única causa, sendo difícil que um fator isolado possa estabelecer causalidade direta. Porém, há alguns pontos e associações importantes a serem destacados: 

Nutrição e depressão

  • Priorizar um padrão alimentar com consumo regular de vegetais, frutas, oleaginosas, óleo de oliva, cereais integrais e fontes protéicas com baixo teor de gordura; e com limitado consumo de doces, bebidas açucaradas e açúcar de adição. 
  • Atentar para o consumo das vitaminas B6, B12, B9 e D. Apesar de apresentarem um papel essencial no sistema neuroendócrino, não há recomendação de suplementação para a prevenção ou tratamento da depressão.
  • Adultos com depressão apresentam maior deficiência de magnésio e zinco. Não há evidências que demonstrem benefícios na suplementação de magnésio. Efeitos favoráveis foram observados em meta-análise para o uso de zinco (25 mg/dia por 6 a 12 semanas) como terapia adjunta ao antidepressivo.
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3 foram associados a uma melhora no tratamento da depressão, podendo ser utilizado de forma associada à medicação (~1.5-1.8g/d). Porém, não há indicação de suplementação visando a prevenção.
  • Não há evidências que a composição de macronutrientes da dieta pode interferir nos sintomas depressivos, mas, dietas que estimulam a perda de peso apresentaram possível aumento da recorrência dos mesmos. 
  • Não há consenso quanto ao consumo de carnes, embutidos ou leite e derivados com o risco, ou aumento, de sintomas depressivos. 

Nutrição e ansiedade 

  • Atenção para o consumo de vitaminas do complexo B, magnésio, zinco e vitamina C. Esses nutrientes atuam na regulação do metabolismo de neurotransmissores como a serotonina, dopamina e norepinefrina. 
  • Não há consenso que a suplementação de ácidos graxos ômega 3 apresentam benefícios para os sintomas de ansiedade.
  • Nas revisões sistemáticas avaliadas, apenas dois estudos indicaram melhoras da intervenção dietética nos sintomas ansiosos; mas, não apresentaram uma metodologia sólida que pudesse indicar uma associação direta.

Conclusão 

relação entre consumo alimentar e o desenvolvimento de depressão e ansiedade, pois a deficiência dos nutrientes citados como essenciais pode ser mais um fator de risco, entre tantos outros em tais condições multifatoriais. 

Uma possível relação bidirecional deve ser considerada, pois uma dieta pobre em tais nutrientes pode ser tanto causa como consequência de alterações na saúde e comportamento. Assim, estabelecer uma relação temporal pode ser complexo. 

Há indicação direta na manutenção de um padrão alimentar que oferece nutrientes importantes para o funcionamento neuroendócrino, no entanto, outros estudos são necessários para esclarecer o uso suplementar de nutrientes específicos. 

Confira o artigo na íntegra aqui !

Até mais!

Atualidades

Orientações para a época de recesso

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Em época de feriados e celebrações há sempre muitas discussões que envolvem a alimentação: 

“Quanto pode comer? O que tem menos calorias?

E as bebidas, tá ou não liberado? Mas, nem no carnaval?”

Como na nutrição costumamos dizer, depende. Cada caso é um caso. Há quem não celebre esses momentos com festas, mas com muito descanso. Por isso que, para cada um, uma orientação diferente será dada. 

Mas, para todos, é importante lembrar que a comida não tem apenas o papel biológico de nos nutrir. Comer também faz parte do celebrar. A questão é conseguir desfrutar desses momentos, com a consciência de que há outras formas de aproveitar as comemorações além da comida.

Conceder algumas orientações para que esse período seja encarado de forma mais equilibrada pode ser um bom caminho, seguem três:

  • Antes do recesso: é importante saber quais são os planos do paciente para o recesso, podendo assim conceder orientações de acordo com a provável realidade. Por exemplo, orientações diferentes serão dadas se o mesmo for ficar em casa, visitar familiares, ou se hospedar em um hotel;
  • Durante o recesso: entendendo como esse período será passado, orientações mais específicas podem ser dadas. Uma meta de consumo de água, ou uma lista de compras de alimentos saudáveis e de fácil conservação podem ser trabalhadas, por exemplo; 
  • Após o recesso: incentivar restrições alimentares após esse período pode ser um caminho complicado. Mesmo que tenham ocorrido exageros, reconhecer o que aconteceu para que em uma próxima vez um melhor planejamento possa ser proposto é uma boa alternativa. 

Manter o foco no longo prazo é sempre importante, pois proporciona ao paciente mais consciência de que grandes mudanças, sejam elas positivas ou negativas, dificilmente vão ocorrer de uma semana para outra. 

Assim, pode haver maior motivação, tanto para aproveitar os momentos sem ultrapassar os próprios limites, quanto para voltar de um recesso sabendo que pela frente sempre haverá caminho para o progresso.

Até mais! 

Atualidades

Cuidado Nutricional: Vegetarianismo

Vegetariano é toda pessoa que não possui como parte de sua alimentação carne, aves, peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

Já o veganismo é uma forma de vegetarianismo, mas busca também a exclusão da compra e consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados, independente de ser um alimento.

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a sua redução. 

As razões para a adesão desse estilo de vida são diversas, mas em geral, focam em questões éticas, sociais, de saúde e preservação do meio ambiente. 

https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/mercado-vegetariano

Independente da escolha, ou de seus motivos, quando a alimentação é bem orientada poder ser sim adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há estratégias nutricionais que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Já falamos sobre algumas – confira aqui

É importante que o nutricionista entenda as razões de adesão dos seus pacientes, para então poder adequar as orientações prescritas de acordo com as prioridades de cada um. Além disso, também é essencial se manter sempre atualizado.

Alguns destaques de um estudo realizado em 2021 sobre o tema:

  • quanto maior a adesão ao vegetarianismo, menor é o impacto ambiental gerado, devido a redução estimada da emissão de carbono em 35%, do uso de terras para plantio em 42%, e o uso de água potável em 28%;
  • seguir uma dieta vegetariana promove benefícios ao sistema cardiovascular, controle glicêmico e um maior consumo de fitonutrientes. Não há contraindicação para gestantes, lactantes, crianças, idosos ou atletas;
  • há aspectos nutricionais que merecem mais atenção, como: o consumo de cálcio e a interação com o oxalato, a absorção adequada de ferro e zinco, a suplementação de vitamina B12 e vitamina D, a quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) presente na dieta e a ingestão de EPA e DHA.

Acesse o estudo na integra, clique aqui !

Até mais!

Estudante de Nutrição

Atuação do nutricionista na oncologia

O Dia Mundial de Combate ao Câncer (04/02) visa promover maior conscientização sobre o tema. A atuação do nutricionista na área oncológica é imprescindível, uma vez que a terapia nutricional específica pode auxiliar tanto na resposta ao tratamento, como na melhora de sintomas que são desencadeados.

Falando um pouco mais sobre a fisiopatologia do câncer, essa é uma doença que ataca as células do organismo humano, sem uma causa específica e que ocorre de maneira desordenada, promovendo uma alteração na divisão de células anormais ao invadir órgãos e tecidos adjacentes (1). 

Os fatores de risco associados ao câncer são hereditários e ambientais. Nesse âmbito, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a alimentação está associada ao surgimento do câncer, principalmente no consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas (2).

Ou seja, a alimentação adequada pode atuar na prevenção, como também no tratamento. O nutricionista oncológico é o profissional que vai auxiliar o paciente a receber os nutrientes necessários, possibilitando que o mesmo tenha mais disposição para encarar os processos terapêuticos necessários. 

Os métodos de tratamentos da doença, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia são invasivos e aumentam a probabilidade de alguns efeitos colaterais, como: náuseas, vômitos, boca seca, aftas, alteração no paladar, disfagia, ganho ou perda de peso.

ESTRATÉGIAS PARA AUXILIAR OS PACIENTES EM SITUAÇÃO DE EFEITOS COLATERAIS:

  • Náuseas: oriente o paciente a não fazer jejum prolongado, impedindo que a liberação de ácido clorídrico aumente a irritação da mucosa. Os alimentos consumidos devem estar em temperaturas amenas ou ambiente;
  • Boca seca: indicar a ingestão hídrica adequada, orientar a prática de estratégias como água saborizada, gelo de fruta, e outras que reduzem as chances do paciente desenvolver desidratação. O uso de saliva artificial pode ser avaliado;
  • Disfagia: apresente ao seu paciente a postura ereta ao comer e beber, ressaltando que não é indicado se deitar após as refeições. Oferte alimentos macios e em porções menores, mas com maior fracionamento; 

Além disso, algumas deficiências nutricionais também podem estar presentes em pacientes com câncer:

  • Anorexia: distúrbio alimentar que leva a perda do apetite, provocando uma perda de peso não considerada saudável para idade e altura. Se atente para a reposição de potássio, ingestão calórica diária, e de encaminhar o paciente a um psicólogo e psiquiatra;
  • Caquexia: síndrome de perda progressiva de massa magra esquelética em que o paciente perde a sua capacidade funcional. Oriente de uma dieta diversificada com vegetais escuros, folhas, frutas, proteínas, vitaminas e minerais. Avalie a possibilidade de suplementação com ômega-3, pois vem sendo apontada como importante para a melhora da caquexia (4);
  • Sarcopenia: perda da massa muscular, a qual faz a perda de força do corpo e atinge a função cognitiva do paciente. Os alimentos que podem auxiliar nessa condição são aqueles com maior teor de proteína, cálcio e vitamina D; 
  • Desnutrição: consumo inadequado ou absorção insuficiente dos nutrientes necessários para o funcionamento correto do corpo. Gera cansaço, fraqueza e outras condições físicas. Modificações na consistência e temperatura dos alimentos podem favorecer melhor aceitabilidade alimentar. 

Em alguns quadros mais avançados essas condições nutricionais podem ser irreversíveis, mesmo assim, promover uma alimentação condizente com as necessidades nutricionais é de extrema importância. Nesses casos é válido que o nutricionista esteja bem atualizado quanto à evolução do câncer, bem como aos efeitos colaterais que este possa promover.

Assim, reforçamos a importância do nutricionista na equipe multiprofissional para auxiliar na melhor qualidade de vida ao paciente em qualquer fase do tratamento, inclusive quando se torna necessário optar pelos cuidados paliativos. 

REFERÊNCIAS:

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). O que é câncer?, 2020
  2. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dieta, Nutrição, Atividade Física e câncer: Uma perspectiva global, 2020
  3. Caro, Monica María Maim.; Laviano, Alessandra.; Pichar, Claude.; Impacto of Nutrition on Quality of Life During Câncer, 2007.
  4. Correia, Maria Luísa de Sousa.; Vaz, Sáskia Ribeiro.; Ômega-3 como Composto Bioativo Adjuvante à Terapia Nutricional da Caquexia Oncológica, 2020.

Vida de nutricionista

Como motivar o seu paciente neste começo de ano?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

A cada começo de ano, assim como na volta de feriados e outros períodos de celebrações, muitas pessoas se deparam com as mudanças desejadas e querem encontrar, de forma rápida, os resultados esperados. 

O nutricionista é o profissional procurado quando essas mudanças envolvem a alimentação, saúde e emagrecimento. Diante do desejo de resultados imediatos, muitos se frustram ao se depararem com as dificuldades diárias encaradas durante essa jornada.

Então, como motivar o seu paciente a continuar?

  • Instigar uma maior consciência: conversar sobre o que aconteceu até o presente momento pode ser uma forma de levar o paciente a refletir sobre a própria história. Entendendo que muitos fatores e um intervalo de tempo foram necessários para chegar até essa condição; assim, outros também serão para atingir determinada mudança;
  • Focar no longo prazo: visando que grandes mudanças não ocorrem de uma semana para outra, estabelecer pequenas metas pode motivar o paciente a entender que está em processo, assim, focar no longo prazo pode ser benéfico;
  • Celebrar quaisquer conquistas: apesar de imediatismos não serem incentivados, no curto prazo as conquistas precisam ser reconhecidas, caso contrário, o objetivo final fica distante demais, tornando-se algo inatingível. Por isso, incentive o seu paciente a celebrar quaisquer melhoras durante o tratamento;

É importante lembrar que ninguém é totalmente capaz de motivar o outro, já que esse é um aspecto intrínseco, mas é possível fazer uso de estratégias para despertar isso no outro. Como você pretende guiar os seus pacientes ou clientes neste começo de ano?

Um ótimo (re)começo a todos! 

Até mais! 

Atualidades

Como ter um atendimento nutricional mais inclusivo

Amanhã (03/12) é o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, sendo um lembrete de como representatividade e inclusão são palavras que precisam estar mais presentes em nosso dia a dia. 

A data visa trazer conscientização para uma realidade que atinge mais de 12 milhões de pessoas no nosso país (2), a qual ainda é muito estigmatizada e com poucas condições adequadas de acesso e representatividade.

Há diversos tipos e níveis de deficiência (visual, auditiva, intelectual, física e motora), que podem impactar na qualidade de vida e autonomia do indivíduo, inclusive na alimentação e acesso à educação nutricional. 

O atendimento para pessoas com deficiência deve ser diferenciado, de acordo com cada dificuldade, mas sempre receptivo, acolhedor e com naturalidade (3). Pensando nisso, trouxemos quatro pontos de atenção para ter um atendimento nutricional mais inclusivo:

  1. Praticar a escuta ativa: é imprescindível que escutemos o que a pessoa a nossa frente compartilha, as suas necessidades, demandas e os objetivos. Assim, evitamos realizar sugestões em desacordo com a realidade do paciente; 
  1. Atenção ao espaço e acessibilidade: é indicado optar por realizar os atendimentos em espaços com rampas, balança plataforma, sanitários com barras de apoio, portas que permitem a entrada de cadeira de rodas, entre outras adaptações; 
  1. Adaptar a avaliação física corretamente: em casos de deficiência motora e uso de cadeira de rodas, por exemplo, a aferição do peso e altura são realizadas de formas bem diferentes. Para pacientes que passaram por amputação de membros, também. Acesse o material com essas fórmulas aqui!
  1. Encaminhar para um profissional especializado: caso não se sinta seguro em acompanhar um paciente com qualquer deficiência, o que acha de encaminhá-lo para um colega de profissão mais experiente? O bem-estar do paciente deve estar em primeiro lugar.

Outras sugestões: 

Material Educativo: Alimentação Saudável para Pessoas com Deficiência Visual

Artigo Científico: Promovendo Equidade Nutricional para Pessoas com Deficiências

Até mais!

Atualidades

Estratégias Nutricionais: Diabetes

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, na qual o corpo possui deficiência na síntese de insulina, ou em utilizar a que produz (1). É uma condição de importante impacto na saúde pública, atingindo 16,5 milhões de brasileiros (2).

Como no domingo (14/11) é o Dia Mundial do Diabetes, nós trouxemos estratégias nutricionais, materiais e páginas que abordam essa temática tão importante:

Estratégias Nutricionais

  • Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos;
  • Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais (estévia ou xilitol) a sugestão e orientação do consumo desses pode acontecer em substituição dos comumente utilizados (aspartame, sacarina, sucralose); 
  • Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição por edulcorantes; 
  • Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.

No nosso software o nutricionista consegue calcular cada refeição prescrita, se atentando para os macronutrientes, com a quantidade de carboidrato em cada refeição, como também aos micronutrientes!

Materiais técnicos e educativos

  • Manual de Contagem de Carboidratos: material da Sociedade Brasileira de Diabetes, acesse aqui.
  • Aplicativo GLIC: contagem de carboidratos, suporte ao tratamento com lembretes, registro e transmissão dos dados de controle glicêmico, cálculo de insulina bolus. Confira em: gliconline.net

Páginas profissionais da área

  • Associação de Diabetes Juvenil: você encontra eventos, materiais e atendimento gratuito em adj.org.br/ 

Até mais!

Vida de nutricionista

Como orientar o paciente a perceber fome e saciedade?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Para quem sai da faculdade de nutrição em busca de realizar atendimentos em consultório, esse caminho pode ser mais longo e com percalços peculiares. A prática da experiência clínica não aprendemos na faculdade, e pessoalmente, ainda menos sobre manejo terapêutico. Em momentos de orientação nutricional essa habilidade se torna essencial. 

Falar sobre os sinais de fome, saciedade e a percepção desses pode ser desafiador na prática. Esse é um tópico mais abordado em condutas focadas no comportamento alimentar, mas pode ser aplicada por todos os nutricionistas em diversos quadros clínicos. A questão é: como essa orientação pode ser realizada?

O consumo alimentar é orientado e regulado por fatores homeostáticos, hedônicos e cognitivos, os quais interagem entre si. 

A prescrição nutricional vai de encontro com as necessidades fisiológicas do paciente, como a necessidade energética total (NET), ou a quantidade de proteína por quilo de peso dependendo do objetivo atual, por exemplo.  

Porém, nem sempre a percepção dos níveis de fome e saciedade são abordadas, mas esse é um tópico essencial para que o paciente entenda melhor sobre os seus limites e tenha mais autonomia alimentar. 

fonte: DOI 10.1186/s13411-014-0029-2

A fome pode ser explicada a partir de uma gradação, cada um irá percebê-la de forma diferente, mas alguns sinais são comuns para a maioria das pessoas: 

  • fisiológicos: boca amargar, barriga roncar, dor de cabeça, irritação;
  • cognitivos: pensamentos voltados para a comida, memórias alimentares;
  • sensoriais: olfato aguçado, aumento da salivação, alterações neuroendócrinas diante da presença do alimento.

O que chamamos, comumente, de saciedade pode ter diferentes significados para quem escuta, por isso, é importante diferenciar alguns termos técnicos: 

  • saciação: associada a distensão estomacal devido o consumo alimentar;
  • saciedade: associada a liberação de leptina e absorção de nutrientes;
  • satisfação: associada com a liberação de dopamina, sensibilidade à recompensa, desejo de comer, nível inicial de fome e reconhecimento dos aspectos sensoriais da refeição. 

Por isso, quando o paciente se diz “satisfeito” com certa refeição, do que exatamente ele está falando? É importante que o nutricionista tenha esse olhar (ou melhor, escuta), podendo então realizar melhores prescrições, e orientações nutricionais! 

Deixo como sugestão, para consulta e estudos, alguns artigos que falam sobre os aspectos metabólicos e neuroendócrinos da fome e saciedade: 

Sobre a fome, saciedade e sistema de recompensa (Front. Endocrinol., 2017)

Neurobiologia e consumo alimentar na saúde e doença (Nature Reviews, 2014) 

Mecanismos fisiológicos do prazer em comer (Flavour, 2015)

Até mais! 

Atualidades

Cuidado Nutricional: Psoríase

A psoríase é uma doença imunomediada, dermatológica e crônica. Pode apresentar diversas manifestações, sendo a mais comum a presença de placas ressecadas, avermelhadas e esbranquiçadas na pele (1). 

Por ser uma condição clínica crônica o nutricionista possui importante espaço de atuação terapêutica. Quais estratégias nutricionais podem ser aplicadas no tratamento complementar?

  • O consumo regular de certos nutrientes podem exercer efeitos:
    • regulatórios – ácido graxo ômega 3, vitamina D e B12, fibras dietéticas, ácidos graxos de cadeia curta, genisteína, selênio e probióticos;
    • agravantes – ácidos graxos saturados, carne vermelha, açúcar e álcool (2). 
  • Indivíduos com psoríase, em geral, não seguem uma dieta específica, mas o padrão alimentar adotado influencia no consumo de nutrientes. Nutrientes com potencial antioxidante (vitaminas, minerais, ácidos graxos poli e monoinsaturados) podem contribuir para a redução do nível de inflamação sistêmico (3);
  • A disbiose da microbiota intestinal pode agravar o quadro clínico. Há alteração na integridade de estruturas importantes na mucosa intestinal (tight junctions) com a ativação de fatores pró-inflamatórios. Por isso, estratégias nutricionais baseadas em um padrão alimentar que promova equilíbrio da microbiota podem ser favoráveis (4);

Além disso, por ser uma doença que pode ter a sintomatologia estimulada por múltiplas condições, fatores ambientais e de estilo de vida merecem atenção, a alimentação é um exemplo (5). 

fonte: https://doi.org/10.1016/j.clnu.2019.05.006

Muitos portadores de psoríase apresentam outras doenças inflamatórias, ou mesmo metabólicas. As intervenções devem considerar o contexto clínico, não devendo ser indicadas de forma isolada, e sim como tratamento complementar. Por isso, precisam estar alinhadas com a conduta médica vigente, contribuindo assim para a melhora da saúde do paciente! 

Inclusive, já trouxemos aqui no blog do Allivici uma adaptação e tradução de artigo sobre intervenções dietéticas no manejo da psoríase. Leia na íntegra acessando aqui

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Nutrição, Osteoporose e Saúde da Mulher

Ontem foi o Dia Mundial e Nacional de Combate a Osteoporose (20/10), data que visa promover maior conscientização sobre o diagnóstico, tratamento e também prevenção.  

Há diversos fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento de osteoporose e fratura óssea, como o histórico familiar, idade superior aos 60 anos, falta de exposição solar, diabetes e outras condições clínicas. 

No caso da saúde da mulher há particularidades que aumentam ainda mais esse risco, como alterações hormonais no período da menopausa. Tanto a prática da atividade física regular quanto a adesão à alimentação adequada são fatores preventivos. (1)

É atribuição do nutricionista realizar ajustes no consumo alimentar, o adequando de forma preventiva para condições clínicas, como a osteoporose. Além da intervenção dietética, novos suplementos e outras alternativas têm surgido nos últimos anos. 

Hoje trouxemos a adaptação e tradução de uma meta-análise sobre o possível efeito terapêutico de probióticos na densidade óssea em mulheres pós-menopausa. 

Introdução

Osteoporose e fraturas ósseas acontecem com maior frequência em mulheres pós-menopausa, principalmente pelo declínio natural de estrogênio, impactando na massa mineral óssea. Buscando alternativas terapêuticas o uso de probióticos tem sido estudado. Essa revisão sistemática e meta-análise buscou avaliar os atuais resultados dessa intervenção.

Metodologia

O protocolo PRIMA foi utilizado para a análise em questão, apenas estudos com controle randomizado e estudos de coorte foram incluídos.

Resultados e Discussão

Um total de 604 artigos foram identificados, 547 não preenchiam os critérios de inclusão e apenas cinco foram selecionados; a amostra correspondeu a um total de 497 mulheres pós-menopausa. 

Os resultados apontam que o uso de probióticos de forma suplementada diariamente, de 24 semanas a 12 meses, pode reduzir a perda de massa óssea, quando essa intervenção é comparada com placebo. 

Alterações na microbiota intestinal promovem mudanças na expressão de mediadores inflamatórios, podendo impactar o hospedeiro de diversas formas, como na saúde óssea. Osteoblastos e osteoclastos podem ter seu funcionamento alterado por exemplo, dessa forma, probióticos podem exercer um papel regulatório

Conclusão 

A suplementação de probióticos foi associada com a preservação de massa óssea. Futuros estudos são necessários para avaliar essa indicação terapêutica, considerando as limitações atuais sobre a temática, como o reduzido número de estudos avaliados. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Dia Mundial da Alimentação

No último ano a fome no Brasil foi uma temática muito mais presente em debates informais entre a população. Com a pandemia do novo coronavírus e o aumento do desemprego, assim como dos preços, muitos sofreram com a insegurança alimentar, até mesmo em seu nível mais intenso – a fome. 

O Dia Mundial da Alimentação (16/10) é uma data instituída em homenagem à fundação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) (1). As pautas de segurança alimentar sempre estiveram presentes na agenda da FAO, além da importância de possibilitar uma alimentação mais acessível, sustentável e saudável.

Com tudo que vivemos nos últimos dois anos, não há como deixar de se aprofundar no assunto. Para citar números, trouxemos os resultados de um inquérito realizado para avaliar a situação de insegurança alimentar no Brasil divulgados no início deste ano (2021).

fonte: http://olheparaafome.com.br

No período da pesquisa, 116,7 milhões de brasileiros não se encontravam em situação de segurança alimentar. Desses, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente e 19,1 milhões (9% da população) estavam passando fome (2).

fonte: http://olheparaafome.com.br

O nutricionista é muito conhecido por propor mudanças alimentares, seja trabalhando com alimentação institucional, em hospitais ou em atendimento individual no consultório. Compreendendo que a alimentação vai além da nutrição, acreditamos que três pontos são essenciais no momento do atendimento:

  • Considerar condições de acesso e renda quando realizar uma orientação alimentar precisa ser parte da rotina clínica de todo nutricionista, uma alimentação saudável é aquela que considera muito além dos nutrientes;
  • Entender que a alimentação perpassa muitas camadas além da saúde e nutrição. Comer é um ato político, as pessoas também tem a alimentação como forma de identificação e posição da sociedade, isso deve ser considerado.
  • Atentar-se para temas como política e economia é uma forma interessante de permanecer disposto a considerar mudanças nos preços dos alimentos, por exemplo, antes de realizar uma orientação.
fonte: http://olheparaafome.com.br

Claro, há muitas outras questões que poderíamos pontuar. O quanto a realidade da fome é diferente nas regiões do Brasil é um ponto. Porém, infelizmente, precisamos nos lembrar que os desertos alimentares também estão presentes em regiões como sul/sudeste do país. Você pode encontrar mais informações sobre o Dia Mundial da Alimentação acessando o site oficial.

Até mais!

Vida de nutricionista

Vida de Nutricionista: Saúde Mental

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Saiba quatro formas de cuidar mais de si

Faz poucas semanas que encerramos o mês de campanha em prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, e apesar de ainda estarmos a alguns meses de Janeiro Branco, saúde mental é um assunto a ser falado o ano inteiro, não acha?

Além de tudo, hoje é o Dia Mundial da Saúde Mental, por isso o assunto será sobre como cuidar mais de si e zelar por sua saúde mental sendo nutricionista

A postura tradicional de autoridade, adotada por alguns profissionais de saúde, pode não proporcionar um ambiente terapêutico seguro para o paciente/cliente. Já observou como algumas pessoas sentem medo de serem transparentes no consultório?

Quando o profissional apresenta uma escuta ativa, a chance das pessoas se sentirem mais confortáveis e compartilharem muito mais sobre si são bem maiores. Atuar dessa forma promove resultados mais satisfatórios, mas exige mais energia. Então, como cuidar mais de si?

  1. Entender que ninguém muda ninguém: não caia na cilada de querer mudar o outro, e na melhor das intenções, enchê-lo de “conselhos”. Inclusive, isso pode aumentar a resistência nos processos de mudança de comportamento. Lembre, o nutricionista é apenas um facilitador! 
  1. Separar ‘você’ da sua ‘profissão’: somos muito mais do que nutricionistas, essa divisão pode parecer turva muitas vezes, mas se lembrar disso é necessário. Possuir uma profissão não te isenta de não ter questões nessa mesma área. Inclusive, ter dificuldade para se alimentar como gostaria é normal, ok? 
  1. Realizar acompanhamento psicológico: se colocar como prioridade para cuidar do próximo é muito necessário. Inclusive, buscar acompanhamento com um psicólogo é determinante para conseguir desenhar uma linha mais clara entre você e sua profissão. Muitas questões externas são trazidas até nós em consultório, saber lidar com isso é essencial para nossa saúde mental. 
  1. Ter apoio profissional: alguns nutricionistas podem se ver em uma situação profissional um tanto competitiva. Por isso, ainda há muita insegurança para trabalhar com parcerias. Só que ter apoio pode ser essencial para o seu trabalho. Já pensou em desenvolver projetos em grupo, dividir um consultório, ou até mesmo apenas compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista? 

Como sugestão, também deixamos outros textos – já postados aqui no Blog do Allivici, que complementam muito bem os pontos sugeridos:

Como motivar o seu paciente?

Autocuidado profissional

Parceria entre nutricionistas?

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Nutrição sustentável e escolhas alimentares

No mês de outubro celebramos o Dia Mundial da Alimentação (16/10). Falaremos mais sobre esse tema em breve, mas desde já queremos propor uma reflexão sobre a importância de uma base alimentar sustentável.

Sustentabilidade tem sido pauta em muitas áreas, porém possui significados diferentes. Mesmo na alimentação, o termo pode ser encarado de várias formas, apontando para muitas dinâmicas.

Por isso, trouxemos alguns pontos interessantes, baseados em um recente artigo, sobre como podemos conduzir nossas escolhas alimentares para uma nutrição mais sustentável.  

O que é uma nutrição sustentável?

  • Compreende o papel da nutrição tanto na saúde humana, quanto na preservação ambiental, considerando fatores econômicos e aspectos socioculturais;
  • Prioriza um padrão de consumo que promove baixo impacto ambiental, protegendo a biodiversidade e ecossistemas, e contribuindo para segurança alimentar e nutricional. 
  • É culturalmente aceito e acessível economicamente; sendo saudável para a geração atual, assim como as futuras.
  • Considera o impacto da produção de alimentos para o meio ambiente. Um maior consumo de alimentos locais, sazonais, orgânicos e minimamente processados reduz o impacto negativo na biodiversidade e promove mudanças na cadeia de produção alimentar.

Qual o impacto das experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida?

  • Desde a vivência uterina, através do líquido amniótico, a criança já é exposta a diferentes sabores. Essa experiência continua com o consumo de leite materno e as refeições complementares. A exposição à maior variedade de sabores é importante para melhor aceitação alimentar no futuro. 
  • Há predileção natural por sabores doces e salgados, com rejeição de sabores amargos. É importante que vegetais verde-escuros sejam introduzidos desde o início da alimentação, mesmo com a recusa inicial, para melhor aceitação futura.
  • As primeiras experiências sensoriais interagem de forma intensa com mudanças no aprendizado. A alimentação complementar pode ser uma janela de oportunidade para um bom desenvolvimento do comportamento alimentar.  

Como o meio, familiar e cultural, pode influenciar nas escolhas alimentares?

  • O consumo alimentar familiar reflete muito nas futuras escolhas da criança. Um modelo parental positivo é mais efetivo, para a construção de hábitos alimentares saudáveis, do que determinar dietas e controles alimentares na infância. 
  • Mudanças no padrão alimentar na vida adulta são muito mais difíceis de ocorrerem, por isso, preferências por um consumo mais saudável devem ser trabalhadas na primeira infância, protegendo a saúde desse adulto no futuro. 
  • Valores culturais demonstraram ser importantes para a inclinação de um comportamento sustentável, como o altruísmo, sensação de comunidade,  aderência a um estilo de vida mais natural, confiança e respeito por outros. Esses podem ser incentivados já na fase de introdução alimentar, podendo ser atrelados com a alimentação também. 

O consumo alimentar de frutas e vegetais, locais e sazonais, de preferência orgânicos, além de outros alimentos minimamente processados contribuem para uma nutrição sustentável. 

É importante que desde a primeira infância, ainda na introdução alimentar, a criança seja exposta a esse contexto alimentar, priorizando a variedade de aromas, sabores e texturas. 

Um modelo parental positivo é importante para a construção de hábitos alimentares saudáveis. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

Atualidades

Nutrição, Alimentação e Saúde Cardiovascular

Na próxima quarta-feira é o Dia Mundial do Coração.

As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Com o aumento da expectativa de vida é necessário mais atenção para prevenção e tratamento da doença (1).

Um estudo brasileiro estimou o risco cardiovascular em dez anos na população brasileira. Entre os homens, 21,6% apresentou risco elevado, e entre as mulheres 8,7%. O risco foi crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). 

A estratégia para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisa ser revisada no Brasil. Não apenas considerando o fator socioeconômico e cultural no planejamento de políticas públicas, mas também pela baixa adesão de medidas farmacológicas, assim como de não farmacológicas (3). 

A adesão ao tratamento é muito importante para a redução dos fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e a alimentação inadequada. Ou seja, a nutrição pode ser uma das portas para promover mudanças. Por isso, é importante que o profissional se mantenha atualizado! 

O que temos de evidência sobre as estratégias nutricionais capazes de contribuir para a prevenção cardiovascular?

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4)

Essa é a base. É apoiada nela que a orientação nutricional realizada capacita o indivíduo para que, ele mesmo, realize melhores escolhas alimentares e tenha mudança em seus hábitos no longo prazo. 

Claro, outras estratégias pontuais de intervenção nutricional podem ser realizadas, como a suplementação, mas sempre baseadas na vasta literatura científica que temos à nossa disposição. 

Inclusive, anteriormente trouxemos um blog sobre o consumo de gorduras para a saúde cardiovascular. Você pode ler clicando aqui!

Até mais!

Vida de nutricionista

O que te motiva a continuar?

Na segunda-feira (31/08), nós celebramos o Dia do Nutricionista

De fato, o nutricionista enfrenta muitas dificuldades profissionais, mas há tantas outras situações que nos motivam a continuar. Já pensou em como você pode se surpreender, no dia a dia, sendo nutricionista? 

Hoje, em homenagem à profissão, nós trouxemos uma história para que possamos refletir sobre a mudança de vida que o cuidado nutricional pode proporcionar: 

Quando eu decidi cursar Nutrição não fazia ideia do que me esperava pela frente na vida profissional. Já nos estágios eu percebia que me identificava mais com o atendimento em consultório. Porém, ingressar na área clínica, que me brilhava os olhos, não foi fácil. 

Apesar das dificuldades, fico feliz ao perceber que, com o trabalho que venho construindo ao longo desses 11 anos, todas as pessoas que passam por atendimento levam muito de nós, assim como deixam um pouco de si.

Alguns casos sempre nos marcam mais, talvez porque me permitem observar de forma tão clara e forte o quanto a nutrição pode mudar a vida das pessoas. Hoje vou contar um bem especial para mim.

Há mais ou menos dois anos eu atendi um casal. A esposa apresentava endometriose e um quadro autoimune, também estava em uso de medicação contra indicada para o período gestacional. Ambos já se encontravam sem acreditar que seria possível engravidarem. Começamos com um tratamento visando melhorar a qualidade alimentar do casal. 

Muito dispostos a mudar os hábitos, começaram a comprar alimentos orgânicos e usar a suplementação adequada. Em 4 meses eu recebo uma mensagem me dizendo que teríamos que mudar a linha de tratamento porque ela havia engravidado! 

Comemorei junto com eles! Claro, eu sei que a concepção depende de fatores que transcendem o entendimento humano, mas acredito muito que podemos preparar o terreno biológico. E assim, acompanhando as mudanças de muitas famílias, me sinto honrada e grata por ter escolhido a profissão nutricionista!”

E você, nutricionista? Tem sentido que a sua escolha profissional é gratificante? 

Tem enfrentado dificuldades? Talvez algumas estratégias podem te ajudar, confira aqui. Quando você se sentir desanimado, pense: “o que me motiva a continuar?” Muitas vezes, no fim do dia, é isso que importa!

Outros posts sobre a vida de nutricionista que você pode gostar: 

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado nutricional em gestações gemelares

Domingo (15/08) é o Dia da Gestante, uma data importante para trazer mais visibilidade aos cuidados necessários nessa fase da vida.

Entendendo a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de uma revisão sistemática sobre a necessidade de micronutrientes em gestações múltiplas, também chamadas de gemelares.

Introdução

O estado nutricional possui grande impacto para a saúde materna, do feto e para o desenvolvimento gestacional. Um consumo adequado de nutrientes, e manutenção sérica de marcadores importantes, reduz o risco de diversas complicações. Em casos de gestações múltiplas a demanda metabólica pode ser maior, contribuindo para o risco de deficiências nutricionais. 

Métodos

A revisão foi realizada de acordo com as normas PRISMA, todos os estudos selecionados foram realizados em humanos e publicados em plataformas científicas.

Resultados e Discussão

Os estudos selecionados incluíram um total de 830 gestantes, com 96% da amostra concebendo gêmeos. 

Avaliou-se vitamina D, ácido fólico, ferro, vitamina B12, cálcio, fósforo e vitamina C. A maioria dos estudos indicou menores níveis séricos de vitamina D (25 OH), ferritina e hemoglobina em gestações múltiplas. 

O presente estudo apresentou limitações, como quantidade de estudos selecionados, a falta de estudos randomizados e a divergência metodológica encontrada. 

Conclusão

Para mulheres com gestação múltipla é importante que a adequação nutricional e monitoramento seja realizado com maior cautela, visto que a necessidade metabólica pode ser maior. Há maior risco de deficiência para vitamina D e ferro. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!