Estudante de Nutrição

Atuação do nutricionista na oncologia

O Dia Mundial de Combate ao Câncer (04/02) visa promover maior conscientização sobre o tema. A atuação do nutricionista na área oncológica é imprescindível, uma vez que a terapia nutricional específica pode auxiliar tanto na resposta ao tratamento, como na melhora de sintomas que são desencadeados.

Falando um pouco mais sobre a fisiopatologia do câncer, essa é uma doença que ataca as células do organismo humano, sem uma causa específica e que ocorre de maneira desordenada, promovendo uma alteração na divisão de células anormais ao invadir órgãos e tecidos adjacentes (1). 

Os fatores de risco associados ao câncer são hereditários e ambientais. Nesse âmbito, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a alimentação está associada ao surgimento do câncer, principalmente no consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas (2).

Ou seja, a alimentação adequada pode atuar na prevenção, como também no tratamento. O nutricionista oncológico é o profissional que vai auxiliar o paciente a receber os nutrientes necessários, possibilitando que o mesmo tenha mais disposição para encarar os processos terapêuticos necessários. 

Os métodos de tratamentos da doença, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia são invasivos e aumentam a probabilidade de alguns efeitos colaterais, como: náuseas, vômitos, boca seca, aftas, alteração no paladar, disfagia, ganho ou perda de peso.

ESTRATÉGIAS PARA AUXILIAR OS PACIENTES EM SITUAÇÃO DE EFEITOS COLATERAIS:

  • Náuseas: oriente o paciente a não fazer jejum prolongado, impedindo que a liberação de ácido clorídrico aumente a irritação da mucosa. Os alimentos consumidos devem estar em temperaturas amenas ou ambiente;
  • Boca seca: indicar a ingestão hídrica adequada, orientar a prática de estratégias como água saborizada, gelo de fruta, e outras que reduzem as chances do paciente desenvolver desidratação. O uso de saliva artificial pode ser avaliado;
  • Disfagia: apresente ao seu paciente a postura ereta ao comer e beber, ressaltando que não é indicado se deitar após as refeições. Oferte alimentos macios e em porções menores, mas com maior fracionamento; 

Além disso, algumas deficiências nutricionais também podem estar presentes em pacientes com câncer:

  • Anorexia: distúrbio alimentar que leva a perda do apetite, provocando uma perda de peso não considerada saudável para idade e altura. Se atente para a reposição de potássio, ingestão calórica diária, e de encaminhar o paciente a um psicólogo e psiquiatra;
  • Caquexia: síndrome de perda progressiva de massa magra esquelética em que o paciente perde a sua capacidade funcional. Oriente de uma dieta diversificada com vegetais escuros, folhas, frutas, proteínas, vitaminas e minerais. Avalie a possibilidade de suplementação com ômega-3, pois vem sendo apontada como importante para a melhora da caquexia (4);
  • Sarcopenia: perda da massa muscular, a qual faz a perda de força do corpo e atinge a função cognitiva do paciente. Os alimentos que podem auxiliar nessa condição são aqueles com maior teor de proteína, cálcio e vitamina D; 
  • Desnutrição: consumo inadequado ou absorção insuficiente dos nutrientes necessários para o funcionamento correto do corpo. Gera cansaço, fraqueza e outras condições físicas. Modificações na consistência e temperatura dos alimentos podem favorecer melhor aceitabilidade alimentar. 

Em alguns quadros mais avançados essas condições nutricionais podem ser irreversíveis, mesmo assim, promover uma alimentação condizente com as necessidades nutricionais é de extrema importância. Nesses casos é válido que o nutricionista esteja bem atualizado quanto à evolução do câncer, bem como aos efeitos colaterais que este possa promover.

Assim, reforçamos a importância do nutricionista na equipe multiprofissional para auxiliar na melhor qualidade de vida ao paciente em qualquer fase do tratamento, inclusive quando se torna necessário optar pelos cuidados paliativos. 

REFERÊNCIAS:

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). O que é câncer?, 2020
  2. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dieta, Nutrição, Atividade Física e câncer: Uma perspectiva global, 2020
  3. Caro, Monica María Maim.; Laviano, Alessandra.; Pichar, Claude.; Impacto of Nutrition on Quality of Life During Câncer, 2007.
  4. Correia, Maria Luísa de Sousa.; Vaz, Sáskia Ribeiro.; Ômega-3 como Composto Bioativo Adjuvante à Terapia Nutricional da Caquexia Oncológica, 2020.

Atualidades, Estudante de Nutrição

Vida de Nutricionista: Carta Aberta aos Estudantes

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Essa semana estava um pouco nostálgica sobre a minha época na faculdade quando parei para escrever pro Allivici. Lembrei do primeiro post que escrevi aqui (em 2019) e decidi escrever para a estudante de nutrição que fui um dia.

Eu sei que anda torcendo pra tudo acabar logo, venho lhe dizer pra aproveitar enquanto durar. Passe por cada semestre com mais calma, se possível. Ao contrário do que parece, a faculdade não é um lugar que você vai para terminar algo. 

Há muito para celebrar no “durante”, não apenas ao pegar o diploma (o qual você ainda nem foi buscar). Faça as pazes com o seu desespero todo fim de semestre, ele faz parte.

Cada um tem uma história com a nutrição, você vai comparar a sua com a de outras pessoas. Vai achar um máximo quem dizia que sempre quis ser nutricionista, enquanto nem sabia dessa profissão até uns anos atrás. Não caia nessa cilada, cada um tem a sua história. Valorize a sua. 

Você vai continuar achando que a vida é muito longa para não sermos múltiplos. Tenha os seus hobbies, uma profissão, uma carreira, seja curiosa por outras áreas e cultive vários interesses. Você não precisa ser uma só, não é, pare de tentar ser. 

Sim, a gente tem que decidir ainda muito novos sobre a nossa “carreira” como se ela fosse definida na faculdade. Na verdade, cada tijolinho dela está no que você faz no dia a dia, quem você admira, o que você escuta, quem você é

Uma carreira de sucesso é estar satisfeito com o serviço que você exerce, conectado aos seus valores e interessado em sempre aprender. 

A sua visão do nutricionista continua a mesma, ainda acredita em “oferecer a possibilidade de manter corpo e mente saudáveis através da alimentação”, mas algumas coisas mudaram no meio do caminho. 

Você se deparou com algumas realidades da profissão. Ser nutricionista é estar disposto a nutrir, alimentar, se doar. Requer energia, flexibilidade emocional, apoio de colegas e organização financeira. 

Olhando pra trás e buscando por um conselho, talvez tenha esse: aproveite tudo como se você estivesse montando um quebra-cabeças de 1000 peças. 

Tenha sempre um olhar vigilante para as oportunidades, acredite na sua intuição, tire uma pausa se precisar, volte descansado, peça ajuda, continue, você nunca sabe quando aquela peça que faltava pode surgir!

Até mais! 

Atualidades, Estudante de Nutrição

Rotina de estudos do nutricionista

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Desde criança eu sempre fui daquelas estudantes dedicadas, sabe? Acredito que por essa razão me acostumei com uma certa rotina na vida acadêmica. Foram vinte anos com calendário letivo, horário para estudar e claro dor de cabeça nos projetos em grupo (risos).

Faz dois meses que me tornei oficialmente nutricionista, desde então tenho aprendido como é a vida de estudos após formada. Não sei como foi, ou será, para você… por aqui senti aquele alívio de não ter mais datas para entregar relatórios, trabalhos, ou o TCC. Não demorou muito para que caísse a ficha: quem teria que colocar esses prazos era eu!

Como tudo, há sempre dois lados. Tentei ver o positivo – posso me dedicar ao que faz sentido para a área que escolhi e organizar a própria rotina. Só que naturalmente vem uma insegurança de não saber o suficiente, ou a cobrança de precisar saber mais. Seria esse o lado negativo? Me acompanhe em um outro ponto de vista:

Recentemente eu li um livro que trouxe a seguinte frase: 

“Quanto menos sabemos um assunto, menos somos capazes de avaliar o tamanho da nossa ignorância e achamos que sabemos mais do que outros. A melhor maneira de enfrentar isso é estudando. Quanto mais estudamos, mais ficamos inseguros, pois passamos a saber o abismo do nosso conhecimento real”. O lado bom do lado ruim

Apesar do que muitos dizem, a insegurança não precisa ser algo ruim. Ela demonstra nossas limitações e como podemos aprimorá-las. Claro, não precisamos saber sobre tudo, cada um possui sua especialização e área de atuação. Além disso, esse sentimento de preciso saber mais é inclusive positivo – “quem acha que sabe tudo, nada sabe”. 

E pra terminar, um recado: a vida de estudos após formados não acaba! Seja com as diversas especializações que muitos escolhem fazer no decorrer da carreira, ou no dia a dia mesmo, com cada paciente/cliente que atendemos e suas singularidades clínicas que merecem tanta atenção!

Sabendo como tudo pode ser complexo trago aqui 4 sugestões que podem deixar a sua rotina de estudos mais completa:

1. Cronograma: já pensou em colocar na sua agenda horários para estudar, ler artigos e se atualizar? Se você ainda não tem esse hábito, comece aos poucos, 1h por semana! 

2. Software: grande parte da sua rotina é destinada ao planejamento alimentar dos pacientes/clientes? Uma forma de valorizar o seu tempo é ter um software como o Allivici! Assim, sobra mais tempo para estudar e se atualizar!

3. Trocar experiências: ter apoio de colegas de profissão e dividir condutas é uma ótima ideia, principalmente se você está no começo na carreira, ou em transição para o atendimento clínico. Já pensou nisso?

4. Apoio científico: se manter atualizado por artigos e diretrizes é um caminho, mas também podemos contar com bons livros! Deixo aqui três que uso em minha prática clínica: 

Até mais! 

Estudante de Nutrição

Estágios Curriculares em Nutrição

Oi, no meu primeiro post pro Allivici eu falei sobre como no último ano da graduação nós passamos um ano realizando estágios nas quatro principais áreas da nutrição. Comecei o meu em nutrição clínica há duas semanas e pensei que seria uma boa ideia vir aqui contar como está sendo!

Na área de Nutrição Clínica o nutricionista é responsável pelo tratamento, controle e prevenção de enfermidades. Nessa área há espaço para a atuação do nutricionista em hospitais, consultórios, clínicas, ILPI’s (Instituição de Longa Permanência) enfermarias, lactários ou bancos de leite humano.

O meu estágio está sendo em um hospital, o qual é referência em cardiologia aqui em São Paulo, entre outras especialidades! O programa de estágio tem funcionado de maneira que cada estagiária acompanhe e auxilie na rotina de uma das nutricionistas do hospital. Como a “minha nutricionista” é responsável pela UCO (Unidade Coronariana), tenho acompanhado essa realidade do ambiente hospitalar. Há outras estagiárias que estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), na pediatria, ou na oncologia, por exemplo.

Apesar da rotina do nutricionista depender muito da unidade em que ele trabalha, podemos dizer que há um certo padrão, pois ele tem algumas responsabilidades, como: realizar visitas de admissão e de retorno de acordo com o nível de assistência dos pacientes; acompanhar o estado nutricional de todos, avaliando exames bioquímicos, alterações de peso e no consumo calórico e proteico diário; realizar modificações nas dietas de acordo com preferências, aversões, alergias e necessidades nutricionais; conferir as refeições a serem servidas pela copeira com o mapa de dietas; realizar orientações de alta;desenvolver e aplicar pesquisas de opinião sobre o serviço de alimentação e nutrição do local; entre outras…

Sendo sincera, antes de começar eu estava bem nervosa! É que na teoria é muita coisa para estudar, decorar e lembrar. Tem os cálculos das necessidades nutricionais, o volume de infusão de dieta enteral ou parenteral, as prescrições dietéticas, as interações fármaco-nutriente, as indicações de dietas e modificações necessárias de acordo com o caso clínico…  muita coisa, não é mesmo?

Mas, trago boas notícias a você estudante: a prática é MUITO diferente da teoria. Tenho visto nessas últimas semanas que tudo que aprendemos na faculdade torna-se muito mais fácil quando visto no dia a dia na prática, e isso tem sido maravilhoso!

Também saiba que há um certo “espaço” para consultar manuais, diretrizes e protocolos. Ou seja, não precisamos ser um tratado de nutrição ambulante. O mais importante, muitas das vezes, vai além do conhecimento técnico. O essencial nessa área de atuação é ver o paciente como outro ser humano, o qual está debilitado, em um local que não gostaria e muitas vezes há um bom tempo. O seu papel como profissional da saúde será de conceder uma melhor qualidade de vida, atenção e cuidado!

Mas e você, já pensou em seguir carreira na área de nutrição clínica? Eu já, bem no comecinho da graduação. Acabei escolhendo iniciar esse ano letivo com o estágio em nutrição clínica justamente para saber como é a rotina do nutricionista hospitalar na prática. Bom, ainda tenho algumas semanas no hospital para descobrir isso… mas, posso te dizer que até agora está sendo uma experiência incrível e que de qualquer maneira vou levar tudo como aprendizado! 

Até mais,Daniela. 

Estudante de Nutrição

“Mas… você não é nutricionista?”

Antes de tudo, duas coisas importantes precisam ser ditas:

  1. Com o passar do tempo as pessoas irão ver você, mero estudante, como nutricionista.
  2. Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio (tema desse post).

Claro, não são todas as pessoas que têm a mesma visão do que vou dizer aqui, já que somos todos diferentes, não é mesmo? Mas, acredito que falo em nome da maioria. Vamos lá?!

Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio. OK… talvez esteja sendo meio shakespeariana? Mas, há alguns pontos sobre ser visto como nutricionista que diria serem um pouco… indigestos?

Como estudante provavelmente comece a perceber isso logo no início da graduação. Seus amigos começam a te pedir dietas, muitas e muitas dietas. Vão começar a te olhar meio torto toda vez que te verem adoçando seu café ou tomando um refri de vez em quando. Também é notado um certo espanto das pessoas se arriscar dizer que não segue nenhuma dieta. Outra coisa que também acontece é que muitos passam a te ver como uma “TACO ambulante” e acham totalmente normal te perguntaram quantas calorias tem em 50g de chuchu. Outros até se consideram no direito de questionar sua conduta alimentar se te encontrarem por aí comendo uma batata frita. 

Responder ou relutar geralmente não ajuda muito. O problema é mais profundo. As pessoas de fato acreditam que ao ser nutricionista tudo se torna muito fácil e simples e que é seu dever seguir 100% do que é “saudável”. Na visão de alguns somos praticamente um robô que se alimenta de salada. 

Essa realidade passa a ser mais complicada para o profissional nutricionista. Não sendo suficiente as responsabilidades que acompanham a profissão, há algumas outras impostas pela “sociedade”. Aqui vão algumas: 

  • um nutricionista não pode ser visto em locais como hamburguerias, pizzarias ou sorveterias;
  • nunca deve estar acima ou abaixo do peso, demonstrar qualquer problema em sua relação com a comida, e claro, não deve apresentar nenhum transtorno alimentar; 
  • deve saber as calorias e macronutrientes de todos os alimentos (“não é isso que você aprende na faculdade?“);
  • deve saber como transformar qualquer preparação culinária em algo “fit” e não consumir as que não são. 

Ao não seguir essas “regras” a seguinte frase poderá ser dita: “mas… você não é nutricionista?” Talvez você já tenha escutado isso tantas vezes que a frase virá naturalmente ecoando em sua mente sempre que estiver fazendo algo que “um nutricionista não deveria fazer” (mesmo que ninguém esteja vendo). Isso deveria parecer absurdo, porém muitas vezes essa é a realidade.

Essa frase questiona o seu valor e capacidade profissional. Isso não é algo simples. É por isso que muitos estudantes e nutricionistas de fato acreditam que devem ser o exemplo a todo custo, ou que não podem ter problemas com a alimentação.

Vou compartilhar uma coisa que aprendi: 

Tudo bem você também ter problemas. Tudo bem você também ter dificuldades em seguir um plano alimentar. Tudo bem você também ter dificuldade em perder, ou ganhar, peso. Sabe por quê? Isso faz de você um ser humano, assim como seu futuro ou atual cliente. Poder dizer “eu também passo por isso e sei o quanto pode ser difícil” não tem valor!

Até mais,

Daniela. 

Estudante de Nutrição

MINHA HISTÓRA COM A NUTRIÇÃO

Você nutricionista tem saudades da sua época da faculdade? E você estudante? Não vê o momento de se formar? Eu sou estudante de nutrição e me encontro no dilema de estar ansiosa pra acabar, mas também querer que passe mais devagar por saber que vou sentir saudades. A época da graduação é sempre um misto de amor e ódio… amamos a profissão que escolhemos, mas odiamos o desespero todo fim de semestre (momento em que me encontro).

Como esse é o primeiro post que estou fazendo, acho legal contar um pouco da minha história com a nutrição. Pode ser? Eu sou a Daniela, tenho 22 anos e nutrição está sendo minha primeira graduação. Sou estudante no Centro Universitário São Camilo em São Paulo e estou indo para o meu último ano no próximo semestre.

Para começar essa história acho importante dizer que nutrição nunca foi minha primeira escolha. Na verdade, na época do ensino médio não sabia o que era ser um nutricionista e não conhecia ninguém que queria cursar nutrição. Eu nasci com o presente de gostar de muitos assuntos diferentes, mas naquela época via isso como indecisão. Me dizer que deveria decidir apenas uma área para o resto da vida era demais para mim.

Já quis fazer de direito a biologia com a maior empolgação. Já para os meus pais, medicina era a profissão dos sonhos. Acredito que talvez tenha sido por isso que comecei a me interessar pela área da saúde e no meu último ano do ensino médio estava decidida a fazer odontologia.

Várias coisas aconteceram, mas resumindo: não deu certo. Logo que me conclui o ensino médio tive a oportunidade de ficar um ano em intercâmbio, quando voltei para o Brasil a decisão era fazer algum curso na área de comunicação. Pensei em jornalismo. Amar escrever foi meu argumento (acredite se quiser). No dia de fazer a matrícula senti algo dizendo “que tal repensar isso aí?” e fui embora.

Um mês depois conheci uma nutricionista pela primeira vez. Perguntei como era a profissão, o que se aprendia na faculdade e contei um pouco sobre mim. O que ela disse foi: “pelo que vejo nutrição tem tudo a ver com você!” E foi assim que comecei a pesquisar e percebi que realmente era um curso que tinha tudo a ver comigo!

Quando criança os meus pais passaram por um processo de reeducação alimentar intenso e também decidiram se tornar vegetarianos. Cresci em um ambiente que valorizava a alimentação saudável e a importância da conexão entre corpo e mente. Hoje acredito que esse conceito ainda está muito presente em como vejo a nutrição – valorizar o ser humano como um ser completo e oferecer a possibilidade de manter corpo e mente saudáveis através da alimentação.

Por sempre gostar de várias áreas diferentes tenho que ser sincera em dizer que nesses três últimos anos já repensei a minha decisão em me tornar nutricionista. Mas diferentemente da época de ensino médio, não vejo isso como indecisão. Hoje acredito que podemos sim gostar de áreas diferentes e conciliá-las, ou talvez tê-las como hobby. Não é por estudar nutrição que deixei de escrever, gostar de fotografia e ler sobre filosofia.

Estando no fim da graduação e com melhor percepção de quantas oportunidades estão surgindo nessa área vejo a nutrição como um leque de opções. Isso me anima! Sei que posso tentar de tudo, gostar de tudo e ainda estar trabalhando com o que amo: nutrição! No próximo semestre vou começar os estágios obrigatórios, ficamos cerca de três meses atuando nas quatro principais áreas da nutrição e por enquanto posso dizer que: estou muito animada!

Até mais,
Daniela.