Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado Nutricional: Aleitamento Materno

O leite materno garante a nutrição adequada e ainda protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias. Ajuda também a diminuir o risco do desenvolvimento de hipertensão, colesterol elevado, diabetes e até obesidade; além de fortalecer muito o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê.

Por conta de todos esses fatores positivos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que o bebê seja amamentado exclusivamente até os seis meses de vida. Depois disso, a amamentação pode continuar até os dois anos ou mais, junto com a alimentação complementar (1,2).

Contudo, condições pessoais, clínicas e socioculturais podem interferir na manutenção do aleitamento materno. Entre os obstáculos mais recorrentes, destacam-se: aconselhamento insuficiente por parte das equipes de saúde, estigma e desinformação, falta de suporte do parceiro ou família, retorno da mãe ao trabalho (3).

No Brasil, segundo o último levantamento de 2019, 45,8 % dos bebês menores de seis meses recebiam aleitamento materno exclusivo — média próxima da meta proposta para 2025 de 50%, mas bem abaixo de 70 %, meta para 2030. Quase a totalidade das crianças brasileiras foi amamentada alguma vez e metade mamou por pelo menos 15,9 meses (4).

Os nutricionistas, como educadores em saúde, desempenham papel essencial desde o pré-natal. No atendimento à gestantes, algumas ações são fundamentais, como: conhecer a história materna e familiar, antecipar possíveis dificuldades, orientar sobre o processo da amamentação e estimular práticas que favoreçam o vínculo mãe-bebê.

Cuidados nutricionais importantes para lactantes:

  • Para a estimativa energética recomendada usar duas fórmulas, a depender do período da lactação (5):
    • Primeiro semestre: EER de não grávidas + 500 kcal/dia.
    • Após o primeiro semestre: EER de não grávidas + 400 kcal/dia.
  • Durante a lactação, recomenda-se o adicional calórico de 500 kcal para o ganho de peso gestacional adequado e 700 kcal para ganho de peso insuficiente. Em caso de gestação gemelar, considerar adicionais por bebê (5).
  • Para o cálculo de macro e micronutrientes, considerar (5):
    • Proteínas: 1,1g/kg/dia ou acréscimo de 19 g/dia nos 6 primeiros meses e 12,5 g/dia nos meses subsequentes.
    • Lipídios: 20 a 35% do VET.
    • Carboidratos: 45 a 65% do VET.
    • Fibras: Ingestão adequada de 29 g/dia.
    • Micronutrientes: Avaliar a necessidade de suplementação de vitaminas e minerais, principalmente ferro, cálcio e ácido fólico. 
  • A recomendação sobre a perda de peso após o parto é diferenciada de acordo com o estado nutricional da nutriz, e não deve ultrapassar a perda ponderal segura para a lactação. Dietas rigorosas, durante esse período, podem reduzir a produção e a concentração de nutrientes no leite materno (6).
  • Mulheres que amamentam não precisam fazer nenhum tipo de restrição alimentar. Não há evidência de que os alimentos interferiam na amamentação. Também não se recomenda restrição de leite, ovos ou amendoim. No entanto, caso ocorra algum efeito no lactente associado a certos componentes da dieta, retirar o alimento da dieta por algum tempo e reintroduzi-lo, observando atentamente a reação da criança (7).
  • Não consumir peixes ricos em mercúrio: o consumo elevado de mercúrio pode representar risco ao desenvolvimento neurológico do bebê. Peixes ricos em mercúrio são os predadores, como peixe espada e cavala. Peixes com índices menores de mercúrio, podem ser consumidos 2 vezes por semana: anchova, bacalhau, pescada, arenque, salmão, sardinha, tilápia, truta, atum, peixe branco (7).
  • Limitar o consumo de café e outros produtos derivados até no máximo 300 mg de cafeína por dia (cerca de 3 xícaras de café). Com consumos acima dessa quantidade, algumas crianças podem apresentar irritação ou ter dificuldade para dormir (7).

Confira algumas orientações sobre educação em amamentação:

Antes de iniciar a mamada:

  • Higienizar bem as mãos, antebraços e unhas. Manter as unhas curtas para evitar machucar o bebê;
  • Se houver ingurgitamento, fazer massagem ou ordenha manual antes da mamada para facilitar a pega;
  • Passar um pouco do próprio leite na região mamilo-areolar, antes de oferecer a mama ao lactente.

Durante a mamada:

  • Apresentar a mama em formato de “C” para facilitar a pega;
  • Estimular o reflexo de busca tocando o mamilo nos lábios do bebê;
  • Garantir um ambiente calmo, respeitando o tempo do bebê, que pode pausar a sucção para descansar;
  • Caso a pausa se prolongue, estimular suavemente o bebê tocando suas orelhas ou pés;
  • Verificar constantemente a posição do bebê: ele deve estar alinhado, barriga com barriga, rosto voltado para a mama, sem torções no pescoço, com o queixo encostando na mama.

Cinco sinais de boa posição:

  1. O bebê se aconchega ao peito da mãe;
  2. A barriga do bebê toca o corpo da mãe;
  3. O rosto está voltado para a mama;
  4. Cabeça e coluna alinhadas;
  5. Cabeça apoiada no braço da mãe.

Outras recomendações importantes:

  • Esvaziar uma mama antes de oferecer a outra, garantindo a oferta tanto o leite anterior quanto o posterior;
  • Se possível, evitar bicos artificiais, pois podem causar confusão em alguns bebês;
  • Orientar sobre posições específicas em casos de dificuldade:
    • Invertida: útil quando há dor, fissuras, mastite ou ingurgitamento;
    • Cavaleiro: recomendada para prematuros, bebês com refluxo, fenda palatina, obstrução nasal, entre outros.

Materiais complementares:

É a educação contínua, iniciada no pré-natal e mantida no puerpério, que favorece o sucesso do aleitamento materno. Quando a amamentação se concretiza, surgem dúvidas, inseguranças e desafios que precisam ser acompanhados de perto.

Com escuta ativa, empatia e conhecimento técnico, o nutricionista pode contribuir significativamente para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Caso não seja a sua área de especialidade, procure profissionais para indicar e realizar parcerias profissionais!

Nutri, o que achou desse conteúdo? Conte pra gente!

Até mais!

Atualidades

Tutorial Allivici: Lista de Substituições

A série de textos do #TutorialAllivici foi idealizada para explicar funcionalidades do nosso sistema, assim como novas ferramentas. A seguir falaremos de uma atualização que deixará os planos alimentares ainda mais personalizados.

A nossa Lista de Substituições foi criada e calculada com base nas orientações do livro “Cálculos Nutricionais: Análise e Planejamento Dietético“. Como funciona? Cada grupo alimentar tem um valor calórico padrão, que orienta as porções de consumo em gramas para cada alimento.

Além dos grupos alimentares existentes é possível criar novas listas. Basta clicar em novo grupo no topo da página. Importante: caso vá criar novas listas/grupos coloque alimentos do mesmo grupo alimentar (cereais, carnes, frutas etc.) e indique qual é o valor calórico da porção (150, 190, 70).

Clique em Lista de Substituições no menu lateral e você acessará os grupos alimentares existentes e o valor calórico padrão para cada porção (foto acima).

Ao clicar em cada grupo uma lista de alimentos aparecerá (foto abaixo), assim como as quantidades em gramas para atingir o referencial calórico estabelecido. É possível gerar um arquivo em pdf ao fim da página.

Exemplo: o valor calórico padrão para cada porção do grupo “cereais e tubérculos” é 150 kcal; já a quantidade em gramas de cada alimento irá variar: 120g de mandioca cozida, 50g de pão francês ou 40g de tapioca – todas essas porções apresentam aproximadamente 150kcal. Ficou claro? 🙂

Agora, para usar essa ferramenta na montagem do plano alimentar clique em substituições logo abaixo do alimento selecionado. Depois, escolha de qual grupo alimentar você deseja substitutos. Já trouxemos o conteúdo de como montar planos alimentares em outro texto – clique aqui!

Por exemplo, se quiser substituir ovo cozido por omelete, escolha “ovos e derivados”. Mas, se quer indicar quanto de frango deverá ser consumido como substituição, escolha “proteínas animais”.

Lembrando que a quantidade a ser consumida no campo de substituições é aproximada e será calculada por referencial calórico. É interessante adicionar observações também, para facilitar a compreensão do paciente quando receber o plano alimentar.

O que achou desse tutorial? A lista de substituições deixará o nosso sistema mais completo e os planos alimentares ainda mais personalizados! No próximo texto falaremos sobre como solicitar e avaliar exames laboratoriais utilizando o Software Allivici.

Até mais!

Atualidades

Tutorial Allivici: Como montar um plano alimentar?

Depois de finalizar os cálculos da necessidade energética é hora de montar um plano alimentar! Sabia que no Software Allivici disponibilizamos opções prontas e editáveis de acordo com a necessidade nutricional e restrições alimentares?

Além disso, também é possível montar a sua própria lista de dietas, facilitando ainda mais determinadas condutas e editando conforme as preferências de cada paciente que é atendido.

Confira exemplos de planos alimentares já calculados e disponíveis:

1. Para iniciar o planejamento alimentar o primeiro passo é associar esse plano com o cálculo realizado na etapa anterior. Também é possível selecionar um “plano padrão” – os alimentos e quantidades serão preenchidos automaticamente, mas podem ser editados.

Caso tenha observações/substituições existe um campo de texto disponível. É um ótimo um espaço para dar recomendações extras! O campo “nome” é obrigatório (coloque alguma referência como pré-competição ou o período que o paciente deve seguir, 30 dias, por exemplo).

2. Em cada refeição irá disponibilizamos o valor das necessidades calculadas e determinadas na etapa anterior. Essas informações te guiarão na escolha dos alimentos e quantidades. Após selecionar um alimento defina a quantidade editando a quantidade em gramas, ou mudando o valor da porção.

3. Para cada alimento escolhido é possível visualizar as informações nutricionais. Passe o cursor no “bloco” do alimento que um quadro preto irá aparecer com mais detalhes!

4. Ao fim da página também mostramos um comparativo entre o que foi adicionado no plano atual x necessidades nutricionais. Dessa forma é possível ajustar as informações adicionadas com mais clareza e agilidade! Não esqueça de clicar em salvar ao finalizar, lembrando que todo plano pode ser acessado e editado depois!

5. Importante: caso queira mudar a distribuição dos nutrientes ou ajustar o cálculo realizado é só acessar a etapa anterior no menu lateral. No menu lateral clique em “conduta dessa consulta”, “necessidade energética” e depois “ver o perfil da dieta”. Clique em editar no final da página e ajuste as informações que achar necessário.

6. Por fim, ao salvar o “plano alimentar” é possível visualizar as informações nutricionais do plano completo e também de cada refeição. As informações adicionadas em observações e substituições também aparecem!

É possível visualizar, fazer download ou enviar por e-mail diretamente ao paciente!

O que achou do nosso tutorial?

No próximo texto explicaremos um pouco mais sobre as nossas listas de alimentos disponíveis. Sempre mantemos a nossa base de dados atualizada, isso garante agilidade e especificidade na hora de elaborar o plano alimentar!

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Relação entre deficiência de ferro e função tireoidiana

Ferro é um nutriente essencial para diversas funções fisiológicas, por isso que a sua deficiência é tão grave e está associada com muitas disfunções clínicas; a mais conhecida e comum é a anemia. O artigo que foi traduzido e resumido a seguir irá expor quais são as evidências atuais para o impacto da deficiência de ferro nas doenças tireoidianas!  

Introdução

Em pacientes com doenças tireoidianas a anemia por deficiência de ferro é uma comorbidade comum, afetando quase 5% da população. 

O funcionamento da enzima peroxidase tireoidiana (TPO), importante para produção de hormônios tireoidianos, é afetado pela deficiência de ferro, gerando impacto negativo na síntese e função dos hormônios tireoidianos. 

A deficiência de ferro também é comum entre mulheres grávidas e em idade fértil. Os hormônios tireoidianos desempenham um papel crucial no desenvolvimento fetal.

O objetivo do estudo em questão é resumir e avaliar as evidências disponíveis sobre a associação entre o estado de ferro e a função tireoidiana, a prevalência de deficiência de ferro em pacientes com doenças da tireoide e o impacto da suplementação de ferro na a função da tireoide. 

Materiais e Métodos 

A pesquisa foi conduzida em 2023 nas bases de dados Pubmed e Scopus. Foram incluídos estudos com modelo transversal, ensaio clínico randomizado controlado, caso-controle e coorte. Consideraram apenas estudos em que a amostra era composta por adultos, ou mulheres grávidas 

Entre os critérios de exclusão: estudos realizados em pacientes com comorbidades, ou em uso de medicamentos que afetem a função tireoidiana ou o nível de ferro; idade inferior a 18 anos; modelo de estudo in vitro, em animais, relatos de casos.

Resultados e Discussão 

Apenas dez estudos, de quatrocentos e dezoito encontrados, foram considerados para essa revisão. Nove avaliaram a associação entre deficiência de ferro (DI) e a função tireoidiana em mulheres grávidas ou em idade fértil. Apenas um estudo foi realizado na população geral.

Sete relataram uma relação direta com a gravidade da deficiência de ferro e os níveis do hormônio estimulador da tireoide (TSH). Os pacientes com DI apresentaram valores mais elevados, em comparação ao grupo controle. No entanto, três estudos não mostraram diferenças significativas nos níveis de TSH entre pacientes com e sem DI. 

Em quatro estudos, pacientes com DI, apresentaram aumento na prevalência de positividade para anti-tireoperoxidase (anti-TPO); já para anti-tireoglobulina (anti-Tg) em dois estudos. Apenas um estudo não encontrou diferenças nos níveis de anti-TPO e anti-Tg em relação aos níveis de ferritina sérica.

Níveis mais baixos de TSH, FT4 e FT3 foram encontrados em mulheres grávidas. As mulheres não grávidas apresentaram significativamente níveis séricos mais baixos de FT4 e FT3, mas sem diferença nos valores de TSH. 

É possível que as variações encontradas sejam por conta das diferentes populações incluídas nos estudos, alguns avaliaram gestantes, outros mulheres em idade fértil e alguns população em geral. 

Esta revisão sistemática e metanálise tem algumas limitações. Diferentes populações foram incluídas nos estudos, sendo a maioria realizada em mulheres grávidas. 

Os estudos consideraram diferentes pontos de corte de ferritina sérica para o diagnóstico de DI, apesar de <20 ng/dL ser comumente o ponto de corte. Além disso, muitos não consideram o nível sérico de iodo. 

A maioria dos estudos da literatura que incluem grupo controle são transversais. Ensaios prospectivos randomizados e controlados são necessários para esclarecer a importância do estado nutricional do ferro na saúde da tireoide, inclusive na população em geral ou em outros grupos de pacientes.

Alguns estudos sugerem que a DI está associada a um risco aumentado de disfunção tireoidiana, mas outros não encontraram nenhuma associação significativa. As evidências científicas ainda são inconclusivas e os resultados conflitantes. 

Conclusão 

Estudos publicados atualmente na literatura indicam uma possível relação entre ID, função tireoidiana e autoimunidade, especialmente em alguns grupos de pacientes. 

Análise de dados mostra que os níveis de hormônio tireoidiano são mais baixos em pacientes com DI, principalmente em gestantes. 

Apesar das limitações, a revisão em questão observou que a deficiência de ferro está associada com um aumento significante da prevalência de positividade de autoanticorpos tireoidianos (anticorpos antitireoglobulina e anticorpos antiperoxidase tireoidiana). 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38004184/ 

Até mais! 

Atualidades

Efeitos da fórmula infantil e leite de vaca: uma revisão sistemática e meta-análise

O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida é uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Também é recomendado que a amamentação seja continuada até os dois anos de idade, em conjunto com uma alimentação sólida complementar.

No entanto, essa não é uma realidade absoluta. Muitos bebês são alimentados com bebidas lácteas alternativas, como fórmulas infantis ou produtos lácteos de animais não exclusivos da alimentação infantil. 

A revisão sistemática em questão teve o objetivo de reunir e analisar os efeitos para a saúde da criança ao comparar o consumo de leite animal com a fórmula infantil; considerando uma amostra entre 6 e 11 meses de idade que não recebia leite materno ou era alimentada de forma mista.

Materiais e Métodos 

A pesquisa foi realizada em diversas bases de dados, incluindo ensaios clínicos randomizados (ECR) e estudos observacionais com grupo controle. Foram excluídos estudos de caso-controle, séries de casos e relatos de casos.

Resultados e Discussão 

Nove estudos foram incluídos na presente revisão com uma amostra total de 2.536 indivíduos. Quatro foram ensaios clínicos randomizados e cinco de coorte observacionais. 

Todos os estudos utilizaram como leite animal o leite de vaca, assim, os resultados dessa revisão não podem ser generalizados para outros leite de outros animais. Houve variabilidade na composição das fórmulas infantis apresentadas.  

O uso de leite de vaca comparado ao leite artificial em bebês de 6 a 11 meses de idade em bebês amamentados/alimentados de forma mista parece aumentar o risco de anemia. 

É necessário considerar que a fórmula infantil não é um produto acessível para todos em países de baixa e média renda, por isso, o leite de vaca é utilizado como alternativa. 

Estratégias para reduzir o risco de anemia em bebês nessa faixa etária que não são amamentados, como a utilização de alimentos complementares fortificados, devem ser estudadas.

Já que o número de artigos incluídos na revisão sistemática foi baixo, os resultados encontrados receberam uma classificação baixa ou muito baixa de evidência. 

Conclusão 

Manter uma alimentação de bebês, entre 6 a 11 meses de idade, com leite de vaca, em comparação com a fórmula infantil, aumenta o risco de anemia, incluindo anemia por deficiência de ferro, diminuição da hemoglobina e ferritina no sangue.

No entanto, não houve diferença relevante para peso corporal ou crescimento entre os bebês quando se comparou a alimentação por fórmula infantil ou leite de vaca. 

Quanto ao neurodesenvolvimento e efeitos adversos, como diarréia e constipação, os dados são limitados e nenhuma conclusão foi determinada. 

A maioria dos estudos utilizados como base para a revisão em questão foram realizados em países de alta renda. Por isso, estudos futuros são necessários em países de baixa e média renda. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35276848/ 

Atualidades

Artigo Científico: Suco de beterraba na performance esportiva


Na suplementação nutricional muitas orientações passam por mudanças ao longo dos anos; algo que era promissor em uma época passa a não ser tão interessante em outra, e vice e versa. 

Por isso, a importância do nutricionista se manter atualizado. Principalmente para obter resultados seguros e eficazes junto aos seus pacientes/clientes. 

Para a performance esportiva há suplementos que já são bem difundidos, como a cafeína. Também é essencial entender que a efetividade de cada suplemento dependerá da modalidade esportiva, entre outros fatores. 

No caso do suco de beterraba, ou de produtos derivados, o efeito ergogênico acontece por um alto teor de nitrato (NO3 −). Essa substância promove um aumento nos níveis de óxido nítrico e melhor vasodilatação, aumentando o fluxo sanguíneo para o músculo e reduzindo a fadiga. 

No texto de hoje, leia o resumo de uma revisão da literatura sobre a efetividade dessa estratégia para a performance esportiva.

Materiais e Métodos

Na atual revisão foram utilizados artigos dos últimos cinco anos, com indivíduos entre dezoito e sessenta e cinco anos de idade. Após a avaliação da qualidade e nível de evidência, apenas seis estudos foram selecionados.

Resultados e Discussão 

Para avaliar o efeito da suplementação, quatro estudos aplicaram testes aeróbicos, enquanto os outros exercícios de força. Quatro estudos foram realizados com atletas e dois com indivíduos ativos fisicamente.

Em todos os estudos o suco de beterraba foi consumido em combinação com outro suplemento. Sempre havendo também o consumo de placebo ou suco de beterraba puro no grupo controle. 

Em três estudos resultados significativos não foram demonstrados com a combinação de suco de beterraba com cafeína; ou com nitrato; nem nitrato com arginina ou nitrato com citrulina. 

Já em outros três estudos, efeitos positivos foram encontrados com a combinação de suco de beterraba com cafeína, também com citrulina e com carboidratos. 

É importante compreender que a variação de resultados pode acontecer por diversos fatores, como o tipo de exercício, nível de treinamento do indivíduo, efeito placebo, quantidade ou frequência de consumo de outros suplementos. 

Conclusão

Poucos estudos que avaliam a combinação de suco de beterraba com outros suplementos foram conduzidos até o momento. 

A análise das evidências atuais indicam que há efetividade na estratégia, especialmente quando há um uso crônico e o exercício praticado é de alta intensidade. 

Estudos que avaliaram o efeito agudo da combinação de suco de beterraba com outro suplemento indicaram um menor impacto na performance esportiva. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38004231/

Até mais!

Atualidades

Cuidado Nutricional: Diabetes Mellitus

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, em que o organismo apresenta deficiência na utilização (DM tipo 2) ou síntese de insulina (DM tipo 1). Quase a totalidade das pessoas com diabetes, cerca de 90%, convivem com o tipo 2; já 5 a 10% com o tipo 1 (1).

Ainda existem outros tipos, menos comum, como Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA) em que indivíduos “migram” do tipo 2 para 1; e o Diabetes Gestacional, no qual há alteração na utilização da insulina e captação da glicose por mudanças hormonais decorrentes da gestação (2).

pré-diabetes é uma condição em que o resultado da glicemia em jejum, ou capilar, está acima do nível esperado, mas não há sinais ou sintomas suficientes para fechar um diagnóstico de Diabetes Tipo 2. Deve ser encarado como um sinal de atenção e oportunidade de mudar fatores que possam estar contribuindo para tal condição.

A resistência à insulina é um dos sintomas presente no diabetes, mas que também pode ser comum em outras condições de saúde. Confira mais informações em: https://blog.allivici.com/index.php/2023/07/18/cuidado-nutricional-resistencia-a-insulina/

Pontos de atenção na prescrição dietética

  • Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos; 
  • Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais, como estévia, fica a sugestão de orientar o consumo desses adoçantes, podendo acontecer em substituição dos comumente utilizados;
  • Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição do açúcar por edulcorantes, a estratégia de contagem de carboidratos pode ser aplicada, por exemplo; 
  • Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.
  • Suplementação: vitamina D, canela, nicotinamida, gengibre, feno-grego e picolinato de cromo são os principais citados e estudados pela literatura científica. No entanto, ainda há discussões sobre a efetividade de cada um a depender da dosagem utilizada e a viabilidade da suplementação (3).

É importante que o profissional também considere o quanto a condição atual do paciente impacta em seu cotidiano e momentos de lazer.

Por exemplo, o paciente pode aprender a aproveitar com segurança uma festa de aniversário, ou um almoço de família com a contagem de carboidratos. Entender qual a dosagem adequada de insulina em cada situação possibilita mais qualidade de vida ao paciente com DM1. 

A prática de atividade física também é outro exemplo, pois interfere nos níveis de glicemia e consequentemente na quantidade de carboidratos que precisa ser ingerida, além da dosagem de insulina a ser aplicada. 

O acompanhamento de uma equipe multiprofissional faz muita diferença no tratamento de doenças crônicas, principalmente para a aplicação de estratégias alinhadas, ampliando as possibilidades de melhora dos sintomas.

Atualidades

Dia Mundial do Coração

Doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Principalmente entre as mulheres, em 2019 mais de 170 mil óbitos foram registrados, representando a primeira causa de morte na população feminina (1)

O risco cardiovascular é crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). Com o aumento da expectativa de vida é ainda mais necessário dedicar atenção para tais condições de saúde (3).

Dia Mundial do Coração (29/09) chama a atenção da população sobre as doenças cardiovasculares e a importância da conscientização sobre as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce (4, 5).

Os principais fatores de risco são: sedentarismo, tabagismo e um padrão alimentar inadequado. O nutricionista é um dos profissionais capazes de contribuir para a prevenção das doenças cardiovasculares, ensinando a população sobre a importância de: 

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (6).

Uma orientação nutricional individualizada deve ser realizada apoiada nos quatro princípios acima citados, sem deixar de lado os fatores sociais, culturais e econômicos. As preferências alimentares também são importantes para a adesão do paciente ao tratamento. 

No artigo indicado a seguir também é possível conferir a associação entre o padrão alimentar e o risco cardiovascular: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8706326

Diversas estratégias práticas de educação alimentar e nutricional podem ser colocadas em prática. Em seguida, alguns materiais de órgãos oficiais da saúde que podem auxiliar na construção das intervenções nutricionais para a população brasileira: 

Manual Ministério da Saúde – Alimentação Cardioprotetora

Diretriz Sociedade Brasileira de Cardiologia – Prevenção Cardiovascular

Manual Ministério da Saúde – Saúde Cardiovascular na Atenção Primária  

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado Nutricional: Gestação e as mudanças a cada trimestre

Durante a gestação há intensas mudanças fisiológicas, anatômicas e metabólicas. Para manter a saúde da pessoa gestante é preciso se atentar ao risco de deficiências nutricionais, à manutenção do peso e ao desenvolvimento de certas doenças (diabetes mellitus gestacional, transtornos alimentares, anemia, verminoses, etc.)

Além disso, todo o desenvolvimento fetal depende do estado e consumo nutricional da gestante. Por isso, a importância de se atentar, ainda mais, à nutrição durante esse período (1). 

Inclusive, já citamos vários cuidados em postagens anteriores:

Cuidado Nutricional e Suplementação na Gestação

Gestações Gemelares e Nutrição

Orientações Práticas para a amamentação  

No entanto, há necessidades distintas durante os meses da gestação. Quais são os principais cuidados a cada trimestre? 

1º Trimestre 

Durante as primeiras 13 semanas o corpo se adapta para gerar outra vida. Há mudanças que são individuais, pois dependem muito de como cada gestante está encarando esse momento. Há aumento dos seios, mais sono e fome, mas muitos enjoos e mais cansaço. 

Para melhorar os sintomas de náuseas é preciso evitar longos períodos em jejum, consumir alimentos mais secos e frutas, a adição de gengibre em preparos auxilia também. Pode haver recusa de determinados alimentos, isso é natural. 

Mudanças na alimentação são essenciais, tanto no consumo adequado de certos nutrientes (vitaminas do complexo B, vitamina D, ferro, cálcio, zinco, ômega 3, fibras); como na restrição de determinados alimentos e ingredientes (edulcorantes artificiais, álcool, café, chá verde ou preto, carnes cruas). 

Com todas as alterações fisiológicas a necessidade energética também se altera. Mas, no primeiro trimestre ainda é muito similar ao período em que não se estava gestando. Por isso, geralmente, ainda não há necessidade de aumentar a ingesta calórica. 

A realização de exames laboratoriais nesse período é importante para identificar carências nutricionais e ajustes de micronutrientes. Quanto aos macronutrientes há maior necessidade de ingestão de proteínas (60g/dia, ou 1.1g proteína/kg/dia).

2º Trimestre 

Entre a 14ª e 27ª semana os desconfortos iniciais (náusea, cansaço, etc.) tendem a desaparecer. Há um crescimento acelerado do feto, com a formação não só de órgãos, mas até mesmo de cílios e sobrancelhas. 

Já é indicado aumentar a ingestão diária em 340 kcal. Lembrando que essa é uma indicação genérica, que deve ser ajustada e individualizada a partir da idade, índice de massa corporal (IMC) e nível de atividade. 

O maior fracionamento das refeições auxilia tanto no consumo adequado de nutrientes, como também na redução de sintomas como estufamento ou enjoos. Não ingerir líquidos com as refeições evita azia e refluxo. 

3º Trimestre 

A partir da 28ª semana há aumento do desconforto, pois o espaço vai se tornando cada vez menor com o crescimento do bebê que ganha peso e atinge o tamanho final para o nascimento. 

No fim da gestação a indicação é de um acréscimo médio de 452 kcal/dia, mas deve ser individualizada de acordo com as necessidades e limitações de cada gestante (idade, peso, nível de atividade). 

A suplementação de ácido fólico e sulfato ferroso ainda é mantida e pode ser recomendada até o terceiro mês do pós-parto.

___ 

Michelle A. Kominiarek; Priya Rajan. Nutrition Recommendations in Pregnancy and Lactation. Med Clin North Am. 2016, november; 100(6): 1199–1215. Doi:  10.1016/j.mcna.2016.06.004

Ministério da Saúde. Caderneta da Gestante. Edição eletrônica, 2014. Brasília. https://www.mds.gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamento_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest-Internet(1).pdf

Atualidades

Artigo Científico: Suplementação de Moringa na gestação e amamentação

Há diversos cuidados nutricionais que são requeridos durante o período da gestação e lactação. Adequações na alimentação são muito importantes, pois é preciso garantir o desenvolvimento fetal, e da criança após o nascimento, além da nutrição de quem gesta e amamenta (1).

Por uma demanda nutricional aumentada durante essas etapas da vida, só a ingestão alimentar nem sempre atende às necessidades, por isso a suplementação tem um papel muito importante (2). 

Quais são as novidades na nutrição para gestantes quanto à suplementação? Por aqui no Allivici sempre buscamos referências atualizadas para manter o profissional atualizado. 

Pensando nisso, no texto de hoje, segue o resumo de um artigo científico que avaliou o impacto da suplementação de Moringa oleifera para gestantes e lactantes. 

Introdução

O consumo nutricional da gestante ou lactante impacta diretamente no desenvolvimento do feto e da criança. Inclusive, a prática da amamentação é indicada para prevenção de deficiências nutricionais. 

Moringa oleifera é uma planta conhecida por propriedades medicinais, além de conter uma composição nutricional rica em vitaminas e minerais, como ferro, cálcio e vitamina C. O seu uso também tem sido utilizado para aumentar a produção de leite materno.

No artigo em questão, estudos atestando a segurança e dosagem de uso foram avaliados.

Métodos

Uma revisão sistemática foi conduzida para avaliar o impacto do consumo de Moringa em mulheres gestantes ou lactantes. Os doze estudos selecionados foram publicados entre 2018 e 2023, com grupo controle e realizados apenas com humanos. 

Resultados e Discussão 

Moringa e gestação

A anemia é uma das complicações clínicas mais frequentes durante a gestação e a deficiência de ferro impacta no desenvolvimento fetal. 

A suplementação de moringa oleifera demonstrou aumentar o nível de hemoglobina e melhora dos parâmetros VCM, HCM e CHCM; em comparação ao uso de suplementos com ferro e ácido fólico. Esses resultados podem ser atribuídos à concentração de ferro na composição da planta. 

As doses utilizadas nos estudos avaliados variaram, em média, de 500 mg a 1.6 g, na forma de extract, powder e até mesmo presente em receitas. Em doses mais altas o consumo era fragmentado ao longo do dia. 

Moringa e amamentação

Moringa oleifera também é estudada por ser uma substância classificada como galactagogo, ou seja, que promove o início e a manutenção da produção adequada de leite em mamíferos. Também aumenta a produção de prolactina e ocitocina. 

Entre os artigos selecionados, alguns avaliaram o maior crescimento e ganho de peso nas crianças em que as mães consumiram produtos com Moringa. Esses efeitos também podem ser atribuídos ao maior consumo de polifenóis e nutrientes com a suplementação em questão. 

Conclusão

Há indícios de que pode ser uma suplementação interessante para prevenir deficiências nutricionais, mas novos estudos são necessários para monitorar dosagem e efeitos adversos. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2674

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Efeitos do ômega 3 e 6 no metabolismo da glicose

O padrão alimentar de cada população, ou seja, os alimentos e nutrientes que são ou não consumidos por um grupo, já demonstrou ter grande impacto em múltiplas condições de saúde (1). 

No Brasil, há destaque para a prevalência e mortalidade das doenças cardiovasculares, quadro de saúde que também é impactado pelo consumo alimentar (2).

Por mais de uma década se discute sobre o consumo equilibrado entre ácidos graxos ômega 3 e 6 para a saúde cardiovascular e outras condições de saúde (3). 

O artigo traduzido e resumido a seguir irá expor evidências mais recentes sobre essa pauta, além de esclarecer como essa proporção de consumo impacta o metabolismo da glicose. 

Introdução

Ácidos graxos polinsaturados são divididos em duas classes, ômega 3 ácido graxo alfa linolênico (ALA, 18:3 w-3) e ômega 6 ácido linoléico (LA, 18:2 w-6). 

Ambos estão presentes em diversos alimentos, assim como outros (saturados e monoinsaturados), mas a proporção varia. Alimentos como oleaginosas, óleo de milho, soja e girassol são fontes de ômega 6. Já as sementes, como o óleo, de chia e linhaça se destacam para ômega 3, além do peixe. 

Tabela com proporção de ácidos graxos ALA e LA, por fonte alimentar. https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2672

O ácido graxo linoléico (LA ômega 6) quando consumido e metabolizado é convertido em ácido araquidônico, já o ácido graxo alfa linolênico (ALA ômega 3) em ácido docosahexaenoico (EPA) e ácido eicosapentaenoico (DHA). 

Além disso, ômega 3 e 6 competem pelas mesmas enzimas dessaturases. Por isso, a conversão de ALA em EPA e DHA pode ser impactada quando há excesso de LA. O equilíbrio de consumo entre ambos apresenta ser importante baseado nos possíveis efeitos fisiológicos

O metabolismo do ácido araquidônico produz produtos como prostaglandinas e leucotrienos, mediadores inflamatórios. No caso da conversão de ALA em EPA e DHA há produção de resolvinas, maresinas e protectinas, que apresentam potencial antiinflamatório.

Resultados e Discussão 

  • Mudanças no padrão alimentar

Principalmente para o ocidente, o consumo alimentar tem se tornado desequilibrado na relação ômega 3 e 6. Não apenas pelo maior consumo de óleos vegetais, mas o próprio conteúdo de ômega 3 em ovos e peixes têm se alterado. 

A carne de peixe é considerada a maior fonte animal de ômega 3, mas estudos comparativos mostram que o conteúdo de EPA e DHA têm reduzido ao longo dos anos. 

O próprio processo comercial e produtivo de peixes impacta o ecossistema marinho e a existência das microalgas, as fontes originais dos nutrientes em questão. Alguns autores incentivam que fontes plant-based de EPA e DHA são alternativas mais sustentáveis. 

Para os ovos também se nota grande diferença. Isso acontece pela alteração na alimentação das espécies, cada vez mais criadas em cativeiros e sem acesso a plantas diversas e selvagens.

  • Recomendação de consumo

Para a população em geral, a recomendação de consumo de ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) ômega 3 é de 250 a 500 mg/dia, equivalente a duas porções de peixe por dia. 

A prescrição de consumo para indivíduos com doenças cardiovasculares e triglicerídes elevados, mesmo em uso de estatinas, é de 4g por dia de EPA. Uma alimentação rica em fontes alimentares de PUFAs ômega 3 também deve ser incentivada, além da suplementação.

  • Interação com metabolismo da glicose 

É possível que o próprio metabolismo do ácido linoléico (ômega 6), quando em desequilíbrio, impacte no desenvolvimento da resistência à insulina; isso pela maior produção de mediadores inflamatórios na conversão em ácido araquidônico, como prostaglandinas e leucotrienos.

O consumo de carboidratos refinados também pode estimular a ativação das enzimas 5 e 6 dessaturases, responsáveis pela conversão de LA em AA. 

Em estudos com tratamento in vitro houve maior captação de glicose por células musculares quando havia suplementação de EPA. Possivelmente impactando na translocação de GLUT 4. 

Em modelos animais, os sintomas de hiperglicemia e resistência à insulina foram amenizados em ratos com diabetes; além de impactar na microbiota intestinal e na secreção de peptídeo semelhante a glucagon 1 (GLP-1).

Em estudos populacionais, amostras com consumo alimentar rico em peixe e outras fontes de ômega 3 apresentaram menor índice de diabetes e doenças cardiovasculares.

Apesar de muitos estudos estarem avaliando a associação em questão, os mesmos ainda são inconclusivos quando à dosagem ou tipo de ômega 3 a ser consumido para tal benefício clínico.

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2672 

Até mais!

Atualidades

Dia Nacional do Diabetes

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, em que o organismo apresenta deficiência na utilização (DM tipo 2) ou síntese de insulina (DM tipo 1). Quase a totalidade das pessoas com diabetes, cerca de 90%, convivem com o tipo 2; já 5 a 10% com o tipo 1 (1).

No Software Allivici sempre priorizamos a atualização do nutricionista! Você já visitou o último update da Sociedade Brasileira de Diabetes? Está com uma disposição muito interativa e fácil de navegar. Confira: https://diretriz.diabetes.org.br 

Já compartilhamos orientações nutricionais importantes por aqui: https://blog.allivici.com/index.php/2022/11/10/dia-mundial-do-diabetes/ 

No entanto, além das peculiaridades nutricionais em cada caso, o profissional também precisa considerar em suas prescrições o quanto a condição atual do paciente impacta não apenas em seu cotidiano, mas também nos momentos de lazer.

Por exemplo, o paciente pode aprender a aproveitar com segurança uma festa de aniversário, ou um almoço de família. Aprender sobre contagem de carboidratos e a dosagem adequada de insulina possibilita mais qualidade de vida ao paciente com DM1. 

A prática de atividade física também é outro exemplo, pois interfere nos níveis de glicemia e consequentemente na quantidade de carboidratos que precisa ser ingerida e dosagem de insulina a ser aplicada. 

Diante de tantas variantes, torna-se ainda mais importante o nutricionista ser especializado na área e manter um ótimo contato e interação com o médico atuante em cada caso. Assim, a qualidade e segurança do tratamento será muito maior. 

Aproveite e confira o nosso conteúdo complementar, uma aula completa, sobre o tema: 

Até mais! 

Atualidades

Artigo Científico: Segurança na Suplementação de Creatina

Na prática clínica a atualização é imprescindível, principalmente para se obter resultados seguros e eficazes. Acompanhar as mudanças de posicionamento da comunidade científica é uma ótima estratégia. 

Na suplementação nutricional muitas orientações passam por mudanças ao longo dos anos; algo que era promissor passa a não ser interessante, e vice e versa. Por isso, a importância de se manter atualizado. 

A creatina é um suplemento utilizado, em geral, por praticantes de atividade física com o objetivo de otimizar o ganho de massa muscular. Entretanto, outras finalidades também estão sendo estudadas e aplicadas. Inclusive, já escrevemos sobre esse tema aqui! 

No texto de hoje, o resumo de um artigo publicado na Nutrients. Os autores avaliaram as evidências disponíveis sobre a creatina, quais são os riscos, benefícios e a melhor forma de suplementar. 

Introdução 

A creatina é um dos suplementos dietéticos mais populares, o seu consumo oral melhora o conteúdo de creatina muscular; sendo utilizado por indivíduos que desejam melhorar o desempenho em atividades esportivas, ou os sintomas de condições clínicas (doenças reumáticas, neurodegenerativas e metabólicas).

Ao longo dos anos, preocupações surgiram com o uso de creatina, principalmente quanto a possibilidade de danos renais. No estudo a seguir, os possíveis riscos ou impactos da suplementação para a saúde foram discutidos, além de também sugerir recomendações seguras para o seu uso.

Resultados e Discussão

A creatinina sérica, produto final do metabolismo da cretina, em geral é o parâmetro mais utilizado para avaliar a função renal, como também para estimar a taxa de filtração glomerular. 

O uso crônico de creatina interfere nos níveis de creatinina, por exemplo, esse é um cuidado necessário para não gerar falha na interpretação de exames e diagnósticos

Assim, múltiplos marcadores (hematúria, albuminúria, proteinúria, etc) devem sempre ser avaliados, ao invés de associar o aumento de um parâmetro, a creatinina, com a possibilidade de disfunção renal. 

page3image64266784
Efeitos da suplementação de creatina no metabolismo, imagem obtida em: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/6/1466#

A revisão científica em questão também analisa as evidências disponíveis em três diferentes níveis: em estudos com modelos animais, em estudos de caso e em estudos controlados.

Ainda existem lacunas quanto aos possíveis efeitos para a função renal no longo prazo, poucos estudos com temporalidade superior a 16 semanas, por exemplo. Assim, algumas recomendações podem possibilitar um uso mais seguro da creatina:

  • Utilizar até 20g por dia, de forma racionada;
  • Abster-se do uso em caso de doença renal pré-existente ou condição clínica que induz à baixa filtração glomerular; 
  • Monitorar a função renal de indivíduos que fazem o uso por longo prazo e são idosos ou apresentam condições clínicas agravadas. 
  • Ter cautela ao indicar produtos com novas formulações; 
  • Os suplementos devem ter nível de pureza atestado e livre de contaminantes.

Conclusão

A creatina é um dos suplementos mais consumidos ao redor do mundo. Apesar dos questionamentos ainda existentes sobre a sua segurança, os resultados de ensaios clínicos não corroboram com tal preocupação.

A suplementação pode aumentar a creatinina sérica de alguns indivíduos, mas esse fator não deve ser considerado isoladamente como indicativo para disfunção clínica. É contraindicada para aqueles com doenças renais pré-existentes, ou com risco de diminuição da taxa de filtração glomerular por condições clínicas, genéticas ou etárias. 

Na escolha do produto, os consumidores devem priorizar marcas devidamente testadas e com certificado de pureza, evitando riscos à saúde associados com possíveis contaminantes. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/6/1466

Até mais!

Atualidades

Dia Mundial da Saúde Digestiva: Como cuidar?

A saúde digestiva engloba diversos fatores importantes do nosso cotidiano. Por exemplo, desde a alimentação até fatores emocionais podem causar impacto no que é chamado de microbiota. Ou seja, no conjunto de microrganismos que habitam o trato gastrointestinal (1). 

Pensando na maior conscientização do assunto, o “Dia Mundial da Saúde Digestiva” foi criado. Em harmonia, no mesmo mês, também há outro lembrete sobre a importância de cuidar da saúde intestinal, com a data “Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal”. 

Além dos sintomas e desconfortos diários, que podem ser melhorados com mudanças na dieta, gerando mais qualidade de vida, com a doença também há interferência na absorção de nutrientes e no funcionamento da microbiota (2). 

Como o nutricionista pode auxiliar no cuidado da saúde digestiva?  

  • Avaliar os principais sinais e sintomas, e os impactos na qualidade de vida do paciente;
  • Analisar o consumo alimentar, histórico de peso ao longo do tempo e risco para desnutrição (principalmente em crianças); 
  • Adaptar a dieta e o consumo alimentar, de acordo com as possibilidades do paciente, para minimizar os sintomas apresentados; 
  • Orientar a restrição e adaptação do consumo de alimentos fermentativos (repolho, couve-flor, feijões, etc.); 
  • Atenção para o uso de produtos com polióis (xilitol, sorbitol, eritritol, etc.); 
  • Investigar carências nutricionais existentes e realizar a suplementação; 
  • Considerar a suplementação de prebióticos e probióticos; 
  • Conscientizar o paciente sobre os fatores externos que interferem nos sintomas (estilo de vida, atividade física, ansiedade, etc.). 

Materiais complementares: 

Página institucional com eventos e novidades sobre a pauta: https://www.abcd.org.br 

Artigo sobre as recomendações dietéticas aos pacientes com doença inflamatória intestinal: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9966256/

Texto anterior sobre fatores interferentes em nossa microbiota intestinal: https://blog.allivici.com/index.php/2022/03/10/nutricao-e-doencas-digestivas/ 

Pós-graduação sobre o tema, para se especializar:​​ https://saocamilo-sp.br/pos_graduacao/lato_sensu/nutricao_microbioma_intestinal

Até mais,

Atualidades

Artigo Científico: Eritritol – O que é? É saudável?

Edulcorantes são substâncias com potencial de adoçar preparos, classificadas e regulamentadas como aditivos; podem estar na composição de produtos e suplementos alimentares, ou serem vendidas separadamente (1, 2). 

O principal objetivo com o uso de edulcorantes, ou seja, adoçantes, é a substituição do açúcar na alimentação. No entanto, ao longo dos anos, questionamentos científicos surgiram sobre a segurança de certas substâncias e os riscos para a saúde no longo prazo (3). 

Confira a seguir o resumo de uma revisão publicada na Nutrients que avaliou as atuais evidências acerca do edulcorante eritritol, atualmente muito utilizado e considerado como “saudável”.

Introdução

Em uma pesquisa com consumidores, no ano de 2015, o mel estava classificado no topo da lista como “mais saudável”, acima do açúcar de coco, estévia, agave e adoçante da fruta-dos-monges (monk fruit). Adoçantes como eritritol, xilitol, sacarina e aspartame estavam no fim da lista. 

A classificação desses consumidores partiu de uma percepção que ao ser “mais natural”, uma substância seria “mais saudável”. No entanto, ser natural ou artificial são características que correspondem ao processamento de tais edulcorantes; não a sua saudabilidade. 

Apesar da percepção e consumo sobre o eritritol ter mudado nos últimos anos, se tornado mais consumido e considerado saudável, ainda há questionamentos a serem esclarecidos.

Resultados e discussão 

  • Produção: Eritritol é naturalmente encontrado em frutas, como melão, melancia, uvas, ou alimentos fermentados. Também é produzido de forma endógena, a partir de glicose pela via das pentoses-fosfato. Comercialmente a produção acontece via fermentação de monossacarídeos (glicose, frutose, xilose, etc), com novas tecnologias implementadas a cada ano. 
  • Segurança: Os órgãos regulamentadores afirmam que não há riscos toxicológicos, reprodutivos, mutagênicos ou carcinogênicos quanto ao uso de eritritol. Os sintomas gastrointestinais, com o consumo de polióis, acontecem pela retenção de água no intestino, por efeito osmótico, e pela fermentação do que não foi absorvido/excretado. Doses de até 1g/kg/dia são bem toleradas. 
  • Metabolismo: Todos os polióis são metabolizados de maneira similar, absorvidos no intestino delgado e excretados, de 80 a 90%, via urina. Há estudos que sugerem que parte não excretada é oxidada, em eritritose e eritronato. O eritritol apresenta apenas quatro carbonos em sua composição e peso molecular inferior a outros polióis, por isso é absorvido com maior rapidez e não apresenta tanto desconforto gastrointestinal comparado a outros polióis. 
  • Efeitos para a saúde: Apresenta capacidade de inibir a formação de placa dentária, com maior efetividade que o sorbitol ou xilitol. O consumo de grandes doses, 20 a 75 g, não impactou nos níveis de glicose ou insulina. Há investigações sobre um potencial efeito na saciedade. Não apresenta riscos metabólicos, até o momento. 

Conclusão 

Eritritol é uma substância naturalmente encontrada, com segurança comprovada e um adoçante não calórico. Comparado a outros polióis, xilitol e sorbitol, não causa tantos efeitos gastrointestinais. 

Pode ser utilizado como substituto ao açúcar, pois o seu consumo não gera aumento da glicose ou insulina. Apesar de estudos de longo prazo ainda serem escassos, até então, apresenta-se como uma boa alternativa, em comparação aos edulcorantes artificiais. 

Confira o artigo em questão na íntegra acessando: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/1/204

Até mais, 

Atualidades, Sem categoria

Artigo Científico: Suplementação de Potássio e a Saúde Cardiovascular

A suplementação nutricional exerce um importante papel para a adequação clínica em diversas condições de saúde.

Toda suplementação precisa ser realizada com orientação profissional, em dosagens adequadas e de eficácia comprovada por estudos científicos, para não gerar riscos à saúde ou apresentar resultados aquém dos desejados.

Confira o resumo de um artigo científico que avaliou a eficácia da suplementação de potássio para a saúde cardiovascular e melhora da função endotelial. 

Introdução 

Potássio é um dos principais minerais para a nutrição humana, pois está envolvido em diversos processos biológicos, especialmente na regulação da pressão arterial. Inclusive, o consumo alimentar de potássio está associado inversamente com hipertensão.

Estudos experimentais e observacionais indicam que o potássio aumenta a produção de óxido nítrico e minimiza o efeito deletério de espécies reativas de oxigênio (EROS), processo que apresenta relação com as alterações vasculares na aterosclerose. 

A revisão sistemática e meta-análise em questão foi realizada para avaliar os resultados das intervenções clínicas com a suplementação de potássio para melhora da função endotelial. 

Metodologia 

Os estudos avaliados seguiram os seguintes critérios de inclusão: originais, amostra de idade adulta, comparação de resultados entre grupo controle e grupo experimental. Entre 110 as publicações identificadas, apenas 5 se adequaram aos critérios previamente definidos e análises subsequentes.

Resultados e Discussão

Os resultados de 332 participantes de 4 países foram avaliados, com amostras variadas entre gênero, idade, raça e massa corporal. Todos os estudos avaliaram os resultados de suas intervenções da mesma forma, a excreção de potássio na urina 24h. 

A duração dos estudos não foi homogênea, variando entre 6 dias e 6 semanas. 

Uma parte dos estudos utilizou placebo como substância controle, outra o consumo usual de potássio. A excreção de potássio foi mais elevada quando a suplementação aconteceu via cápsula, em comparação ao maior consumo do mineral via dieta. 

Os resultados avaliados não são suficientes para propor indicações, principalmente quanto ao uso no longo termo, já que o mesmo não foi avaliado. Apesar dos estudos apresentarem metodologias sólidas, entre si, eram heterogêneas, não possibilitando uma comparação viável.  

Conclusão 

A suplementação de potássio pode contribuir com a função endotelial, e os resultados são diretamente associados à dosagem. Ainda, é necessário maior avaliação quanto aos parâmetros clínicos a serem avaliados e uma dose-resposta a ser indicada. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9961878/ 

Até mais. 

Atualidades

Abril Azul – Nutrição e Autismo?

Abril começa com um marco, no segundo dia do mês, o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O propósito da Organização das Nações Unidas (ONU) com a criação da data foi atrair mais atenção da população para essa temática (1). Durante todo o mês diversas ações da campanha “Abril Azul” também acontecem. 

No autismo, ou seja, no transtorno do espectro autista (TEA) há alterações do desenvolvimento neurológico. Não há características físicas ou comportamentais únicas, e sim uma série de condições atípicas em cada caso, por isso o diagnóstico e tratamento podem ser tão complexos (2,3). 

No ano de 2012, a lei brasileira de n. 12.764/2012 instituiu a política nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista. No artigo terceiro da mesma, é garantido o atendimento multiprofissional e atenção nutricional adequada, assim como acesso à terapia nutricional. 

Afinal, qual deve ser a atenção nutricional com pessoas com TEA?

  • Evitar falas/atitudes capacitistas: quando há pouco conhecimento sobre a condição apresentada, falas ou atitudes podem expressar a ideia de que pessoas com autismo são incapazes (7). Destaque para algumas orientações:

“A pessoa autista é uma pessoa com TEA. Lembre-se de evitar dizer que uma pessoa é portadora de autismo, pois o autismo não é algo que ela possa deixar de portar, mas faz parte dela (…) autismo não é apenas um diagnóstico, mas também uma característica. Sem o autismo, a pessoa autista não existiria. Esta regra vale também para outras deficiências. O autismo é considerado um espectro porque, em cada pessoa, o transtorno se manifesta de maneira específica (…) cada autista é único.”

  • Alimentação seletiva: pode haver aversão para certos alimentos, ou restrições por intolerância/alergia, resultando na carência do consumo de fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C (4);
  • Alterações gastrointestinais: há maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal. Por isso, há benefício do uso de probióticos melhora dos sintomas e modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina (5,6);
  • Estado nutricional e suplementação: monitorar exames bioquímicos para avaliar a necessidade de suplementação vitamínica. Não apenas pelo consumo, muitas vezes, limitado de nutrientes, mas também pelo maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia (4);
  • Estratégias alimentares e nutricionais: há impacto no consumo alimentar pela seletividade/aversão por cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo dos alimentos. O uso estratégico de aminoácidos como cisteína e metionina, além de ácido fólico, vitamina B6 e B12, pode ser interessante; pois são nutrientes essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM) (4); 

Condutas dietéticas especiais para TEA, como a dieta sem glúten ou caseína (GFCF), dieta dos carboidratos específicos (SCD), dieta mediterrânea e dieta cetogênica ainda apresentam resultados conflitantes entre si e diversas limitações científicas (8).

O principal cuidado a ser adotado é que as mudanças comportamentais no TEA, como a seletividade alimentar, não causem impacto negativo no estado nutricional. Por isso, é essencial que o nutricionista esteja inserido em uma equipe multiprofissional, ou em contato com aqueles que realizam o acompanhamento clínico.

Materiais Complementares 

  • A associação Autismo e Realidade disponibiliza diversas cartilhas educacionais, acesse aqui.
  • O Canal Autismo também apresenta diversos materiais gratuitos, acesse aqui

Até mais,

Atualidades

Artigo Científico: Existe um consumo saudável de vinho?

O etanol é uma substância tóxica que precisa ser degradada pelo organismo. Por isso, o consumo de bebidas alcoólicas em altas doses é tão prejudicial e é de consenso que gera diversas consequências para a saúde.

Podem ser momentâneas após o consumo, como a desidratação e o desnorteamento; ou crônicas, como a doença hepática alcoólica. Por ser uma substância entorpecente também está associada com o agravamento de comportamentos de risco (2).

No entanto, quando o assunto é vinho, sempre parece haver uma sutil diferença em como o assunto é abordado, não é? 

No texto de hoje, leia o resumo de uma revisão da literatura sobre os impactos do consumo de vinho para a saúde e saiba o que a ciência tem a dizer sobre isso.

Introdução 

Toda a literatura científica deixa claro o posicionamento de que o abuso de consumo de bebidas alcoólicas causa grandes danos para a saúde. 

Porém, alguns estudos epidemiológicos apontam o consumo moderado de álcool, em particular de vinho, como um fator protetor. 

As associações entre tipo e dose de bebida alcoólica com o risco de determinadas doenças foram reavaliadas nesta revisão, assim como as diferenças entre vinho e outras bebidas alcoólicas. 

Metodologia 

Busca em base de dados por artigos publicados entre 2010 e 2022. Foram identificados 1867 artigos e apenas 24 foram selecionados por preencherem os critérios de inclusão necessários. 

Resultados 

  • Perfil fenólico do vinho e seus compostos bioativos

O vinho contém diversos compostos bioativos. O resveratrol, classificado no grupo dos estilbenos, é um dos mais estudados. O seu nível é alterado pelo tipo e variedade da uva, assim como as suas condições de cultivo. 

Quanto maior for a concentração de resveratrol nas uvas, maior será no vinho. Em geral, estará mais presente em uvas vermelhas, cultivadas em clima mais frio e em posição alta geograficamente. A maior concentração de resveratrol, de acordo com a literatura, é de 36 mg/L. 

​​Porém, o resveratrol não é o único composto capaz ou responsável pelos benefícios associados ao consumo moderado de vinho, os efeitos devem ser atribuídos ao conjunto dos compostos antioxidantes presentes e toda a sua complexidade e potencialidade de ação. 

O vinho também apresenta teor significante de outros compostos fenólicos. A concentração no vinho de quercetina, um flavonoide, é de aproximadamente 50 mg/L. O mesmo é conhecido por reduzir a inflamação, inibir NF-kB e reduzir a expressão de TLR2 e TLR4.

Outros compostos devem ser explanados com maior profundidade, como os taninos, ácidos fenólicos e flavonoides. Já há estudos que demonstram participação de quercetina, catequina, epicatequina e outros como protetores contra fatores oxidativos e atuantes na regulação de enzimas como glutationa-s-transferase (GST), glutationa reduzida (GSH), heme oxigenase I (HO-1) e superóxido dismutase (SOD). 

  • Dados epidemiológicos para o consumo baixo/moderado de vinho em: 
    1. Doenças cardiovasculares (DCV): o vinho tem demonstrado superioridade em comparação ao consumo de outras bebidas alcóolicas. Há evidências epidemiológicas que indicam que não há razão para os que bebem vinho com moderação (até 15g/dia) parem de beber. Não há indicação que abstêmios devem começar a beber álcool para a prevenção de DCV,
    2. Diabetes tipo 2 (DM2): há indícios de que o vinho tinto protege contra o DM2 e está associado à melhora da sensibilidade à insulina, quando há consumo moderado (150ml/dia). Resultados deletérios foram observados em quantidade de álcool > 50-60 g/dia.
    3. Doenças Neurodegenerativas: o consumo excessivo e crônico de álcool está associado com a ativação de processos neurodegenerativos. Em estudos prospectivos, o consumo de vinho foi associado com a redução do risco para demência, Alzheimer e derrame.
    4. Câncer: há aumento do risco com o consumo de álcool, principalmente do câncer de cabeça e pescoço, esôfago, fígado, mama, cólon e reto. O risco está relacionado à dose, com aumento para ingestão de álcool > 30 g/dia. Para a prevenção do câncer, álcool não deve ser uma substância consumida com regularidade. 
    5. Longevidade: há efeito protetor na ingestão média de 20 g de álcool por dia. Segundo os estudos, os efeitos benéficos, atribuídos ao resveratrol, da ingestão moderada de álcool são maiores do que a abstinência completa, mas são perdidos quando o consumo é excessivo.
  • Estilo de vida mediterrâneo e o vinho 

Na dieta mediterrânea é um padrão alimentar associado como protetor para diversas condições de saúde, apresenta um grande consumo de alimentos vegetais, azeite de oliva e um consumo baixo/moderado de alimentos de origem animal e de bebidas como o vinho. 

Os benefícios associados a esse padrão alimentar são atribuídos ao alto nível de consumo de compostos bioativos, fibras, gorduras mono e polinsaturadas. Quanto ao consumo de vinho, há um limite, que pode variar em cada país, de até 30g de álcool para homens e 15g para mulheres; duas ou uma taça de vinho, respectivamente.

Conclusão

O vinho é uma substância complexa, rica em compostos bioativos, os quais apresentam propriedades protetoras. Por isso, estuda-se a associação positiva existente entre o consumo baixo e moderado de vinho e proteção para doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e distúrbios neurológicos.

Os componentes bioativos não são a única explicação dos efeitos benéficos demonstrados em estudos epidemiológicos, há fortes fatores sociais associados ao consumo de vinho. 

Na dieta mediterrânea, por exemplo, o consumo de vinho ocorre durante as refeições, quando há presença de alimentos no estômago existe um retardo da absorção de etanol, auxiliando no metabolismo e degradação do mesmo. 

O estudo em questão apresenta limitações, tanto aos possíveis vieses nos estudos encontrados, quanto em avaliações individuais que são necessárias para estabelecer níveis seguros para o consumo de álcool. 

Por fim, profissionais de saúde não devem recomendar o consumo de álcool, pois pesquisas adicionais ainda precisam ser realizadas para mais esclarecimentos. Todas as ações devem focar em promover educação comportamental para prevenir abuso de substâncias. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/1/175  

Até mais,

Vida de nutricionista

Como motivar o seu paciente neste começo de ano?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

A cada começo de ano, assim como na volta de feriados e outros períodos de celebrações, muitas pessoas se deparam com as mudanças desejadas e querem encontrar, de forma rápida, os resultados esperados. 

O nutricionista é o profissional procurado quando essas mudanças envolvem a alimentação, saúde e emagrecimento. Diante do desejo de resultados imediatos, muitos se frustram ao se depararem com as dificuldades diárias encaradas durante essa jornada.

Então, como motivar o seu paciente a continuar?

  • Instigar uma maior consciência: conversar sobre o que aconteceu até o presente momento pode ser uma forma de levar o paciente a refletir sobre a própria história. Entendendo que muitos fatores e um intervalo de tempo foram necessários para chegar até essa condição; assim, outros também serão para atingir determinada mudança;
  • Focar no longo prazo: visando que grandes mudanças não ocorrem de uma semana para outra, estabelecer pequenas metas pode motivar o paciente a entender que está em processo, assim, focar no longo prazo pode ser benéfico;
  • Celebrar quaisquer conquistas: apesar de imediatismos não serem incentivados, no curto prazo as conquistas precisam ser reconhecidas, caso contrário, o objetivo final fica distante demais, tornando-se algo inatingível. Por isso, incentive o seu paciente a celebrar quaisquer melhoras durante o tratamento;

É importante lembrar que ninguém é totalmente capaz de motivar o outro, já que esse é um aspecto intrínseco, mas é possível fazer uso de estratégias para despertar isso no outro. Como você pretende guiar os seus pacientes ou clientes neste começo de ano?

Um ótimo (re)começo a todos! 

Até mais! 

Atualidades

Nutrição, Alimentação e Saúde Cardiovascular

Na próxima quarta-feira é o Dia Mundial do Coração.

As doenças cardiovasculares são destaque no índice de mortalidade entre os brasileiros. Com o aumento da expectativa de vida é necessário mais atenção para prevenção e tratamento da doença (1).

Um estudo brasileiro estimou o risco cardiovascular em dez anos na população brasileira. Entre os homens, 21,6% apresentou risco elevado, e entre as mulheres 8,7%. O risco foi crescente com o aumento da idade, baixa escolaridade e presença de estilo de vida menos saudável (2). 

A estratégia para prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares precisa ser revisada no Brasil. Não apenas considerando o fator socioeconômico e cultural no planejamento de políticas públicas, mas também pela baixa adesão de medidas farmacológicas, assim como de não farmacológicas (3). 

A adesão ao tratamento é muito importante para a redução dos fatores de risco, como o sedentarismo, tabagismo e a alimentação inadequada. Ou seja, a nutrição pode ser uma das portas para promover mudanças. Por isso, é importante que o profissional se mantenha atualizado! 

O que temos de evidência sobre as estratégias nutricionais capazes de contribuir para a prevenção cardiovascular?

  • exclusão do consumo alimentar de gorduras trans;
  • adequação do consumo de ácidos graxos saturados;
  • maior consumo proporcional de gorduras insaturadas;
  • consumo regular de frutas, hortaliças e grãos integrais (4)

Essa é a base. É apoiada nela que a orientação nutricional realizada capacita o indivíduo para que, ele mesmo, realize melhores escolhas alimentares e tenha mudança em seus hábitos no longo prazo. 

Claro, outras estratégias pontuais de intervenção nutricional podem ser realizadas, como a suplementação, mas sempre baseadas na vasta literatura científica que temos à nossa disposição. 

Inclusive, anteriormente trouxemos um blog sobre o consumo de gorduras para a saúde cardiovascular. Você pode ler clicando aqui!

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado nutricional em gestações gemelares

Domingo (15/08) é o Dia da Gestante, uma data importante para trazer mais visibilidade aos cuidados necessários nessa fase da vida.

Entendendo a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de uma revisão sistemática sobre a necessidade de micronutrientes em gestações múltiplas, também chamadas de gemelares.

Introdução

O estado nutricional possui grande impacto para a saúde materna, do feto e para o desenvolvimento gestacional. Um consumo adequado de nutrientes, e manutenção sérica de marcadores importantes, reduz o risco de diversas complicações. Em casos de gestações múltiplas a demanda metabólica pode ser maior, contribuindo para o risco de deficiências nutricionais. 

Métodos

A revisão foi realizada de acordo com as normas PRISMA, todos os estudos selecionados foram realizados em humanos e publicados em plataformas científicas.

Resultados e Discussão

Os estudos selecionados incluíram um total de 830 gestantes, com 96% da amostra concebendo gêmeos. 

Avaliou-se vitamina D, ácido fólico, ferro, vitamina B12, cálcio, fósforo e vitamina C. A maioria dos estudos indicou menores níveis séricos de vitamina D (25 OH), ferritina e hemoglobina em gestações múltiplas. 

O presente estudo apresentou limitações, como quantidade de estudos selecionados, a falta de estudos randomizados e a divergência metodológica encontrada. 

Conclusão

Para mulheres com gestação múltipla é importante que a adequação nutricional e monitoramento seja realizado com maior cautela, visto que a necessidade metabólica pode ser maior. Há maior risco de deficiência para vitamina D e ferro. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!