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Artigo Científico: Minerais, regulação hormonal e saúde do endométrio (Parte I)

Existem fatores bem conhecidos por impactarem o ciclo menstrual, como estresse, peso corporal, consumo de álcool ou cigarro. Mas, sabia que o consumo de micronutrientes também impacta na regulação hormonal, saúde do endométrio e fertilidade?

O artigo científico em questão buscou compreender as evidências atuais sobre a associação entre fertilidade feminina e o papel de minerais, com o intuito de fornecer recomendações de consumo para mulheres em idade reprodutiva.

Resumo da relação entre regulação hormonal e fertilidade:

A capacidade de reprodução humana é regulada por hormônios, que atuam desde a ovulação até o desenvolvimento de uma gestação. O ciclo menstrual apresenta diferentes fases com flutuações hormonais. Muitos minerais estão associados com a regulação hormonal, como é o caso do cálcio na liberação e regulação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), por exemplo.

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Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Influência dos minerais na regulação hormonal:

  • Zinco: vital para o metabolismo da insulina, síntese de testosterona e para a expressão e metabolismo de progesterona, estrogênio e hormônios andrógenos. Houve associação entre parto prematuro e baixo consumo de zinco (<6 mg/dia). Zinco tem participação essencial durante a fase folicular e ovulação. A suplementação recomendada é de 30 a 40mg/dia;

  • Selênio: essencial para produção de selenoproteínas e conversão de tiroxina (T4) em tri-iodotironina (T3). Condições como hipertireoidismo ou hipotireoidismo estão associadas com desregulação no ciclo menstrual e fertilidade. Hormônios tireoidianos impactam na modulação de progesterona e estrogênio;

  • Iodo: apresenta papel fundamental na função tireoidiana, sua deficiência leva ao hipotireoidismo e mudanças na capacidade reprodutiva, como a anovulação. Assim como no caso do selênio, o iodo deve ser consumido dentro das recomendações durante o ciclo menstrual;

  • Ferro: atua na regulação de enzimas importantes, como a família da citocromo P450 (CYP), que participa do metabolismo de hormônios como estrogênio e progesterona. A deficiência de ferro leva a anemia, que pode desencadear mudanças no ciclo menstrual e reduzir a fertilidade;

  • Cálcio: atua na secreção de hormônios e neurotransmissores importantes, como GnRH, que é essencial para liberação do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo-estimulante (FSH), associados com a produção de estrogênio e progesterona. Tem um papel essencial durante a fase ovulatória;

  • Magnésio: é um cofator para diversas enzimas, como a aromatase, responsável pela conversão de andrógenos em estrógenos. Pesquisas indicam que mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP) apresentam baixos níveis séricos de magnésio. No entanto, ainda não há indícios fortes do papel do magnésio durante o ciclo menstrual.

Confira as recomendações de consumo e fontes alimentares para cada micronutriente:

Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Em breve a continuidade desse assunto, com mais informações sobre o impacto dos minerais na ovulação e fertilidade! Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/16/23/4081

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Efeitos do ômega 3 e 6 no metabolismo da glicose

O padrão alimentar de cada população, ou seja, os alimentos e nutrientes que são ou não consumidos por um grupo, já demonstrou ter grande impacto em múltiplas condições de saúde (1). 

No Brasil, há destaque para a prevalência e mortalidade das doenças cardiovasculares, quadro de saúde que também é impactado pelo consumo alimentar (2).

Por mais de uma década se discute sobre o consumo equilibrado entre ácidos graxos ômega 3 e 6 para a saúde cardiovascular e outras condições de saúde (3). 

O artigo traduzido e resumido a seguir irá expor evidências mais recentes sobre essa pauta, além de esclarecer como essa proporção de consumo impacta o metabolismo da glicose. 

Introdução

Ácidos graxos polinsaturados são divididos em duas classes, ômega 3 ácido graxo alfa linolênico (ALA, 18:3 w-3) e ômega 6 ácido linoléico (LA, 18:2 w-6). 

Ambos estão presentes em diversos alimentos, assim como outros (saturados e monoinsaturados), mas a proporção varia. Alimentos como oleaginosas, óleo de milho, soja e girassol são fontes de ômega 6. Já as sementes, como o óleo, de chia e linhaça se destacam para ômega 3, além do peixe. 

Tabela com proporção de ácidos graxos ALA e LA, por fonte alimentar. https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2672

O ácido graxo linoléico (LA ômega 6) quando consumido e metabolizado é convertido em ácido araquidônico, já o ácido graxo alfa linolênico (ALA ômega 3) em ácido docosahexaenoico (EPA) e ácido eicosapentaenoico (DHA). 

Além disso, ômega 3 e 6 competem pelas mesmas enzimas dessaturases. Por isso, a conversão de ALA em EPA e DHA pode ser impactada quando há excesso de LA. O equilíbrio de consumo entre ambos apresenta ser importante baseado nos possíveis efeitos fisiológicos

O metabolismo do ácido araquidônico produz produtos como prostaglandinas e leucotrienos, mediadores inflamatórios. No caso da conversão de ALA em EPA e DHA há produção de resolvinas, maresinas e protectinas, que apresentam potencial antiinflamatório.

Resultados e Discussão 

  • Mudanças no padrão alimentar

Principalmente para o ocidente, o consumo alimentar tem se tornado desequilibrado na relação ômega 3 e 6. Não apenas pelo maior consumo de óleos vegetais, mas o próprio conteúdo de ômega 3 em ovos e peixes têm se alterado. 

A carne de peixe é considerada a maior fonte animal de ômega 3, mas estudos comparativos mostram que o conteúdo de EPA e DHA têm reduzido ao longo dos anos. 

O próprio processo comercial e produtivo de peixes impacta o ecossistema marinho e a existência das microalgas, as fontes originais dos nutrientes em questão. Alguns autores incentivam que fontes plant-based de EPA e DHA são alternativas mais sustentáveis. 

Para os ovos também se nota grande diferença. Isso acontece pela alteração na alimentação das espécies, cada vez mais criadas em cativeiros e sem acesso a plantas diversas e selvagens.

  • Recomendação de consumo

Para a população em geral, a recomendação de consumo de ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) ômega 3 é de 250 a 500 mg/dia, equivalente a duas porções de peixe por dia. 

A prescrição de consumo para indivíduos com doenças cardiovasculares e triglicerídes elevados, mesmo em uso de estatinas, é de 4g por dia de EPA. Uma alimentação rica em fontes alimentares de PUFAs ômega 3 também deve ser incentivada, além da suplementação.

  • Interação com metabolismo da glicose 

É possível que o próprio metabolismo do ácido linoléico (ômega 6), quando em desequilíbrio, impacte no desenvolvimento da resistência à insulina; isso pela maior produção de mediadores inflamatórios na conversão em ácido araquidônico, como prostaglandinas e leucotrienos.

O consumo de carboidratos refinados também pode estimular a ativação das enzimas 5 e 6 dessaturases, responsáveis pela conversão de LA em AA. 

Em estudos com tratamento in vitro houve maior captação de glicose por células musculares quando havia suplementação de EPA. Possivelmente impactando na translocação de GLUT 4. 

Em modelos animais, os sintomas de hiperglicemia e resistência à insulina foram amenizados em ratos com diabetes; além de impactar na microbiota intestinal e na secreção de peptídeo semelhante a glucagon 1 (GLP-1).

Em estudos populacionais, amostras com consumo alimentar rico em peixe e outras fontes de ômega 3 apresentaram menor índice de diabetes e doenças cardiovasculares.

Apesar de muitos estudos estarem avaliando a associação em questão, os mesmos ainda são inconclusivos quando à dosagem ou tipo de ômega 3 a ser consumido para tal benefício clínico.

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2672 

Até mais!