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Cinco práticas alimentares mais sustentáveis

Dietas mais sustentáveis (DS) são modelos alimentares com a possibilidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo.

Na semana passada trouxemos o resumo de um artigo que explicava sobre tal conceito e outras orientações. A publicação traz como resultados cinco práticas que vão de encontro com o contexto de sustentabilidade.

Os autores citam que os candidatos ideias para compartilhar tal conhecimento com os consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação. Essa é uma sugestão que vai de encontro com a prática da Educação Nutricional e Alimentar (EAN). 

A EAN é um dos campos de conhecimento da ciência da nutrição, base para diferentes setores e atuações profissionais e apresenta o propósito de promover uma alimentação mais autônoma e saudável (1). Então, vamos nos aprofundar nas práticas sugeridas?

  • Adotar uma dieta baseada em vegetais:

Comparado ao sistema de produção de origem vegetal, os produtos de origem animal causam grande impacto ambiental, principalmente na emissão de gases de efeito estufa, alto custo e o uso exacerbado de terras, água e energia. 

Muitas empresas iniciaram e aceleraram a criação e produção de produtos substitutos aqueles de origem animal. Há três possíveis categorias para tais produtos – aqueles que imitam carne em gosto, textura e aroma; os que são produzidos em laboratório com células animais; e os que possuem como base insetos, como os gafanhotos. 

Há pontos positivos e negativos a serem avaliados para cada alternativa, em geral, é importante avaliar os aspectos sensoriais e nutricionais. Além de bem aceitos pelos consumidores, os produtos precisam ser enriquecidos principalmente com ferro, cálcio, vitamina B12 e zinco.

  • Mitigar o desperdício de alimentos: 

Nesse contexto, desperdício seria descartar alimentos que poderiam ser consumidos. Pode acontecer em diversas etapas, ainda na produção do alimento, no seu preparo ou na hora do consumo. 

Na hierarquia de prioridades, o primeiro passo deve ser uma mudança no sistema de produção alimentar. A doação de alimentos também é um passo importante, podendo ser realizada como política fixa em grandes instituições que atuam com alimentos. 

A redução do desperdício de alimentos também pode acontecer na alimentação animal, porém só é possível em pequena escala, por uma questão de segurança sanitária. Outro campo que precisa de atenção é na prática da compostagem, pouco conhecida e praticada pelo consumidor final.

Falando em sustentabilidade, como os alimentos são embalados também deve entrar em pauta. Comprar em maior quantidade para reduzir o descarte de embalagens pode nem sempre ser interessante. Pois, apesar das embalagens gerarem impacto ao meio ambiente, o desperdício alimentar pode impactar muito mais. 

  • Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados:

O sistema produtivo de tais alimentos está associado com práticas de refinação, adição de substâncias artificiais, poluição ambiental, uso de pesticidas e herbicidas, além da redução de práticas culinárias caseiras e a dissipação de culturas alimentares.  

Avaliar o impacto ambiental na geração de gases poluentes, entre outras consequências ambientais, torna-se difícil pela variedade de produtos alimentares categorizados como ultraprocessados.

No entanto, o impacto para a saúde de tais produtos é amplamente conhecido. Um consumo alimentar excessivo de ultraprocessados está associado com o aumento de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. 

  • Envolver-se em sistemas alimentares locais:

Considerando o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados, priorizar sistemas produtivos locais é uma prática possível e sustentável. No entanto, contrapontos podem ser feitos, grandes sistemas podem proporcionar maior eficiência no transporte de alimentos, por exemplo. 

Mesmo sendo difícil estimar a diferença no impacto ambiental com tal mudança, outros benefícios podem ser encontrados em priorizar os produtores locais, como no aumento da produção e acesso de frutas e vegetais, maior contato com o alimento e no estímulo da economia local. 

  • Escolher frutos do mar sustentáveis: 

Uma das principais questões com o consumo de frutos do mar está no próprio sistema produtivo, como na pesca ilegal, excessiva e irresponsável com outras espécies marinhas, como tartarugas golfinhos, baleias e tubarões. 

A pesca indevida invade o habitat e ciclos naturais dos animais marinhos, caso ocorra de forma excessiva também impacta na própria produção da espécie. Também há impacto na poluição marinha, pois ferramentas de pesca comumente são descartadas de maneira imprópria. 

Uma alternativa são os sistemas sustentáveis de produção, a aquicultura tem como propósito criar tais espécies de consumo em um ambiente controlado, seguro e sem impacto ambiental. Mesmo assim, os selos de garantia e sustentabilidade devem ser priorizados no momento da compra. 

Acesse o artigo na íntegra. 

Até mais! 

Atualidades

Artigo Científico: Dietas mais sustentáveis e o futuro da alimentação

Os dados mais recentes sobre o consumo alimentar atual da população mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados aumentou de 9% para 16%, em um intervalo de seis meses, entre os anos de 2019 e 2020 (1). 

É importante destacar que durante o período também a pandemia da COVID-19 estava em seu auge e também impactou nessa mudança alimentar.Hoje, iremos considerar tal cenário atual e avaliarmos: como será o futuro da alimentação? 

Um recente artigo apresentou e discutiu os possíveis caminhos para se alcançar práticas dietéticas mais sustentáveis. Confira o nosso resumo a seguir! 

Introdução

Dietas mais sustentáveis (DS) são aquelas que promovem benefícios para a saúde, apresentam baixo impacto ambiental, estão conectadas com certos pilares da sustentabilidade, e contribuem para a segurança alimentar atual e de futuras gerações. 

O presente artigo busca sintetizar e revisar as evidências disponíveis para as dietas sustentáveis e a aplicabilidade das mesmas, assim como oferecer recomendações práticas aos educadores em nutrição.

Metodologia

O presente estudo se configura como uma revisão narrativa completa da literatura realizada no ano de 2021, com publicações datadas desde 2010 e encontradas a partir dos termos “dietas sustentáveis”, “nutrição”, “educação nutricional”, entre outros. 

Resultados

Os estudos selecionados retornaram cinco recomendações consideradas adequadas para o conceito de dietas mais sustentáveis: 

  1. Adotar para uma dieta baseada em vegetais;
  2. Mitigar o desperdício de alimentos;
  3. Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados;
  4. Envolver-se em sistemas alimentares locais;
  5. Escolher frutos do mar sustentáveis.

Discussão 

As recomendações podem ser trabalhadas de diversas formas. Mesmo que o conteúdo seja mais direcionado ao público adulto, o mesmo pode ser adaptado para outras populações e complementar programas educacionais em alimentação.

Para citar exemplos, quando a pauta é a promoção de dietas à base de plantas, é interessante que a motivação seja em direção ao consumo de alimentos fontes de proteína mais naturais e não ultraprocessados, como leguminosas, castanhas e sementes. 

Conclusão

A adoção de dietas mais sustentáveis ​​(DS) tem a capacidade de atender às necessidades dos indivíduos sem comprometer as gerações futuras de fazer o mesmo. 

Os candidatos ideias para fornecer tal educação aos consumidores são os profissionais da nutrição e alimentação. 

Destaca-se que as recomendações práticas oferecidas são limitadas ao nível de experiência dos autores, sendo importante que uma constante atualização no assunto seja realizada.

Acesse o artigo completo aqui

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Segurança alimentar e sustentabilidade

No ano de 2021, aproximadamente 117 milhões de brasileiros se encontravam em situação de insegurança alimentar; sendo que 9% desses declarou estar passando fome (2). Apesar da escassez de alimentos já ter sido pior em território brasileiro, essa não é uma realidade extinta. 

Inclusive, no mês de outubro (16/10) é celebrado o Dia Mundial da Alimentação. Durante o período, eventos acontecem abordando uma alimentação mais saudável, acessível e segura para todos. 

Para tanto, além da fome e insegurança alimentar, também é preciso falar sobre sustentabilidade e caminhos pelos quais poderíamos prosseguir para promover um sistema alimentar mais justo.  

Segundo Mazzocchi et al., uma alimentação e nutrição sustentável contempla os aspectos sociais, econômicos, ecológicos e biológicos de uma comunidade. 

Para o futuro da alimentação é desejável um sistema de produção economicamente acessível e que proteja a biodiversidade e os ecossistemas. Um cenário que sirva à saúde humana e a ambiental. 

Um maior consumo de alimentos locais, sazonais, orgânicos e minimamente processados auxiliaria na redução do impacto que o sistema alimentar atual causa na biodiversidade No entanto, essa ainda não é uma realidade acessível a todos. 

Também é importante discutir o comportamento humano e os hábitos de consumo, pois para tal construção é importante que as pessoas sejam incentivadas a mudar a realidade atual. 

Um momento importante para tal aprendizado, por exemplo, é durante a primeira infância. O consumo alimentar familiar pode refletir muito nas escolhas alimentares futuras. 

Preferências para um consumo mais saudável e sustentável podem ser moldadas com a introdução de valores voltados para a sustentabilidade, sensação de comunidade e respeito com o meio ambiente. 

Acesse aos textos anteriores sobre o tema e outros materiais de apoio: 

Blog Allivici: Nutrição Sustentável e Escolhas Alimentares

Blog Allivici: Dia Mundial da Alimentação

Guia Mundial para a Segurança dos Alimentos

Até mais! 

Atualidades

Nutrição sustentável e escolhas alimentares

No mês de outubro celebramos o Dia Mundial da Alimentação (16/10). Falaremos mais sobre esse tema em breve, mas desde já queremos propor uma reflexão sobre a importância de uma base alimentar sustentável.

Sustentabilidade tem sido pauta em muitas áreas, porém possui significados diferentes. Mesmo na alimentação, o termo pode ser encarado de várias formas, apontando para muitas dinâmicas.

Por isso, trouxemos alguns pontos interessantes, baseados em um recente artigo, sobre como podemos conduzir nossas escolhas alimentares para uma nutrição mais sustentável.  

O que é uma nutrição sustentável?

  • Compreende o papel da nutrição tanto na saúde humana, quanto na preservação ambiental, considerando fatores econômicos e aspectos socioculturais;
  • Prioriza um padrão de consumo que promove baixo impacto ambiental, protegendo a biodiversidade e ecossistemas, e contribuindo para segurança alimentar e nutricional. 
  • É culturalmente aceito e acessível economicamente; sendo saudável para a geração atual, assim como as futuras.
  • Considera o impacto da produção de alimentos para o meio ambiente. Um maior consumo de alimentos locais, sazonais, orgânicos e minimamente processados reduz o impacto negativo na biodiversidade e promove mudanças na cadeia de produção alimentar.

Qual o impacto das experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida?

  • Desde a vivência uterina, através do líquido amniótico, a criança já é exposta a diferentes sabores. Essa experiência continua com o consumo de leite materno e as refeições complementares. A exposição à maior variedade de sabores é importante para melhor aceitação alimentar no futuro. 
  • Há predileção natural por sabores doces e salgados, com rejeição de sabores amargos. É importante que vegetais verde-escuros sejam introduzidos desde o início da alimentação, mesmo com a recusa inicial, para melhor aceitação futura.
  • As primeiras experiências sensoriais interagem de forma intensa com mudanças no aprendizado. A alimentação complementar pode ser uma janela de oportunidade para um bom desenvolvimento do comportamento alimentar.  

Como o meio, familiar e cultural, pode influenciar nas escolhas alimentares?

  • O consumo alimentar familiar reflete muito nas futuras escolhas da criança. Um modelo parental positivo é mais efetivo, para a construção de hábitos alimentares saudáveis, do que determinar dietas e controles alimentares na infância. 
  • Mudanças no padrão alimentar na vida adulta são muito mais difíceis de ocorrerem, por isso, preferências por um consumo mais saudável devem ser trabalhadas na primeira infância, protegendo a saúde desse adulto no futuro. 
  • Valores culturais demonstraram ser importantes para a inclinação de um comportamento sustentável, como o altruísmo, sensação de comunidade,  aderência a um estilo de vida mais natural, confiança e respeito por outros. Esses podem ser incentivados já na fase de introdução alimentar, podendo ser atrelados com a alimentação também. 

O consumo alimentar de frutas e vegetais, locais e sazonais, de preferência orgânicos, além de outros alimentos minimamente processados contribuem para uma nutrição sustentável. 

É importante que desde a primeira infância, ainda na introdução alimentar, a criança seja exposta a esse contexto alimentar, priorizando a variedade de aromas, sabores e texturas. 

Um modelo parental positivo é importante para a construção de hábitos alimentares saudáveis. 

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!