Atualidades

Artigo Científico: Risco de deficiências nutricionais com uso de GLP-1 para obesidade

A obesidade é uma condição crônica multifatorial associada a alterações metabólicas, inflamatórias e nutricionais. Nos últimos anos, terapias baseadas em agonistas do receptor de GLP-1 e agonistas duplos têm se consolidado como estratégias eficazes para o manejo do peso corporal, promovendo perda ponderal significativa.

Essa evolução no tratamento é muito importante, pois exerce grande impacto na saúde pública. No entanto, apesar dos benefícios clínicos, essas terapias exercem mudanças no estado nutricional que precisam ser consideradas com atenção, como o risco de deficiências de micronutrientes.

Do ponto de vista fisiopatológico, a obesidade pode cursar com inadequações nutricionais, mas o tratamento com GLP-1 potencializa esse cenário ao reduzir o apetite, aumentar a saciedade e retardar o esvaziamento gástrico, promovendo redução significativa da ingestão energética diária.

Estima-se que com a medicação há redução da ingestão calórica em até 20–30%, impactando diretamente a ingestão de micronutrientes. Além disso, eventos adversos gastrointestinais, como náuseas e vômitos, relatados em até 20–40% dos pacientes, podem comprometer ainda mais o consumo alimentar.

Metodologia

O artigo em questão é uma revisão que sintetizou evidências publicadas entre 2010 e 2026 sobre o impacto das terapias incretínicas no estado nutricional de indivíduos com obesidade. Foram incluídos ensaios clínicos, estudos observacionais e análises de farmacovigilância que avaliaram ingestão alimentar, marcadores bioquímicos e desfechos clínicos relacionados a deficiências de micronutrientes em pacientes em uso de agonistas de GLP-1.

Resultados e Discussão

Dados de farmacovigilância e estudos observacionais mostram que até 22,4% dos pacientes apresentam diagnósticos relacionados a deficiências nutricionais cerca de 12 meses após o tratamento. Entre as alterações mais frequentes estão deficiências vitamínicas, anemia por deficiência de ferro e distúrbios hidroeletrolíticos.

Estudos de ingestão alimentar demonstram inadequação frequente no consumo de cálcio, ferro, magnésio e potássio, além de vitaminas A, D, E e K. Em alguns estudos, a ingestão proteica diária ficou abaixo das recomendações em mais de 30% dos pacientes, enquanto a ingestão de fibras permaneceu inferior ao recomendado ao longo do tratamento.

Além da ingestão reduzida, alterações fisiológicas podem contribuir para esse cenário. Evidências indicam redução significativa na absorção de ferro após o uso de semaglutida, com impacto em marcadores como ferritina e hemoglobina.

Eventos adversos gastrointestinais persistentes também contribuem para menor ingestão alimentar. Em casos mais graves, foram descritas complicações como deficiência de tiamina, evidenciando que o impacto pode ultrapassar alterações subclínicas e alcançar relevância clínica.

Limitações

Há predominância de estudos observacionais, heterogeneidade metodológica e ausência de padronização na avaliação de micronutrientes. Além disso, muitos estudos não consideram o estado nutricional basal, além da escassez de ensaios clínicos randomizados com foco em desfechos nutricionais.

Conclusão

As terapias com GLP-1 representam um avanço no tratamento da obesidade, promovendo uma perda de peso consistente e clinicamente significativa. No entanto, o tratamento está associado a um risco aumentado de inadequações e deficiências nutricionais. A incorporação de monitoramento nutricional sistemático e estratégias dietéticas individualizadas é essencial para garantir a segurança e a efetividade do tratamento a longo prazo.

Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/18/4/677

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Atualidades

Abril Azul: Qual é o papel do nutricionista?

A campanha Abril Azul visa conceder mais atenção ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido também como autismo. Por essa condição atingir várias áreas da vida, a abordagem terapêutica deve ser multiprofissional. Desde 2012 há direito estabelecido por lei para atenção nutricional adequada, assim como acesso à terapia nutricional (1, 2).

No transtorno do espectro autista (TEA) há alterações do desenvolvimento neurológico. Não há características físicas ou comportamentais únicas, e sim uma série de condições atípicas em cada caso, por isso o diagnóstico e tratamento podem ser tão complexos (3).

Em casos de TEA existem alterações no consumo alimentar, incluindo seletividade alimentar e risco de deficiências de micronutrientes. Dessa forma, a análise do estado nutricional é essencial para o tratamento, pois também impacta no funcionamento neurológico.

Uma meta-análise recente, que incluiu 32 estudos e mais de 18 mil participantes, demonstrou que essa população apresenta menor ingestão de proteínas, cálcio, vitaminas lipossolúveis (como A, D e K) e hidrossolúveis (como folato, tiamina, riboflavina e niacina).

Também foi observado que crianças com TEA tendem a apresentar menor estatura em comparação com crianças com desenvolvimento típico, possivelmente relacionada a inadequações nutricionais. Esses achados reforçam a relevância da avaliação nutricional precoce e contínua nessa população (8).

Quais os principais pontos de atenção nutricional?

  1. Alimentação seletiva: é comum ocorrer aversão a certos alimentos, ou restrições por intolerância/alergia, ocasionando no baixo consumo de fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C. O menor consumo de vitaminas e minerais pode que pode impactar no crescimento, função cognitiva e metabolismo energético (4);
  2. Estado nutricional e suplementação: exames bioquímicos devem ser monitorados para avaliar a necessidade de suplementação vitamínica. Existe maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia, por isso há necessidade diferenciada de micronutrientes (4);
  3. Educação alimentar: há frequente eletividade/aversão para cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo dos alimentos. Esse cenário interfere no consumo alimentar, por isso deve acontecer uma orientação cautelosa com os responsáveis e estratégias criativas com os pacientes para aumentar o repertório alimentar (4); 
  4. Estratégias nutricionais: uso de aminoácidos como cisteína e metionina, além de ácido fólico, vitamina B6 e B12, pois são nutrientes essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM). Esses compostos estão relacionados à regulação do estresse oxidativo, metilação e função neurológica (4); 
  5. Alterações gastrointestinais: há maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal. Por isso, há benefício do uso de probióticos melhora dos sintomas e modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina (5,6);
  6. Evitar falas/atitudes capacitistas: quando há pouco conhecimento sobre a condição apresentada, falas ou atitudes podem expressar a ideia de que pessoas com autismo são incapazes. Uma abordagem centrada na pessoa, respeitando suas individualidades, é essencial para um cuidado ético e efetivo (7).

A seguir, para complementar as pesquisas e estudos, indicações de artigos científicos:

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Artigo Científico: Efeitos terapêuticos da suplementação de vitaminas em pacientes com endometriose

A endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, é uma condição inflamatória crônica dependente de estrogênio, caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. 

Os principais sintomas incluem dismenorreia, dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, frequentemente associados a impacto significativo na qualidade de vida.

A fisiopatologia da doença ainda não é completamente elucidada, mas existe desregulação da sinalização estrogênica, resistência à progesterona, inflamação crônica, estresse oxidativo e alterações na resposta imune. 

Embora o tratamento envolva principalmente terapias hormonais e cirurgia, essas abordagens podem apresentar limitações relacionadas a efeitos adversos e recorrência da doença.

Por isso, a suplementação de propriedades antioxidantes e imunomoduladoras, como as vitaminas D, C e E, têm sido investigada como terapia adjuvante capaz de modular vias fisiopatológicas. 

  • Metodologia:

A pergunta de pesquisa buscou avaliar se a suplementação em comparação com placebo ou tratamento padrão, reduz a dor relacionada à endometriose e os níveis de biomarcadores inflamatórios e de estresse oxidativo, além de possíveis efeitos sobre desfechos de fertilidade. A se restringiu a ensaios clínicos randomizados, publicados em inglês, 5639 registros foram identificados e 7 atenderam aos critérios de inclusão.

  • Efeitos da Vitamina D:

A vitamina D tem sido investigada em ensaios clínicos randomizados em mulheres com endometriose utilizando diferentes esquemas de suplementação, incluindo doses elevadas (50.000 UI semanais ou quinzenais) e doses diárias menores, como 2000 UI.

Ensaios que utilizaram doses elevadas de vitamina D observaram redução da dor pélvica, diminuição da proteína C-reativa ultrassensível e aumento da capacidade antioxidante total, após cerca de 12 semanas de intervenção. Também foram descritas alterações em vias moleculares associadas à progressão da doença, como redução da proteína β-catenina ativa no tecido endometrial.

Fonte: Int. J. Mol. Sci. 202627(3), 1476; https://doi.org/10.3390/ijms27031476

Por outro lado, resultados menos consistentes foram observados com doses menores ou em contextos específicos. Em um estudo com 2000 UI diárias por seis meses, a redução da dor foi semelhante à observada no grupo placebo, e a suplementação após cirurgia laparoscópica não demonstrou benefício adicional significativo.

Assim, embora alguns ensaios indiquem efeitos favoráveis sobre dor e marcadores inflamatórios, os resultados permanecem heterogêneos. Diferenças nos esquemas de dose, duração do tratamento e características das participantes, além da ausência de avaliação do status basal de vitamina D em muitos estudos, ainda limitam conclusões definitivas sobre seu papel no manejo da endometriose.

  • Impactos de vitaminas antioxidantes, C e E:

As vitaminas C e E atuam como antioxidantes, neutralizando espécies reativas de oxigênio e reduzindo a peroxidação lipídica, processos envolvidos na inflamação e na dor. A ação conjunta ocorre porque a vitamina E atua como antioxidante lipossolúvel nas membranas celulares, enquanto a vitamina C regenera sua forma ativa, prolongando a ação antioxidante.

A suplementação combinada, 1000 mg/dia de vitamina C e 800 UI/dia vitamina E por 8 a 12 semanas, apresenta potencial de reduzir marcadores de estresse oxidativo e mediadores inflamatórios no líquido peritoneal.

Também há melhora nos sintomas de dor, com reduções de aproximadamente 43% na dor pélvica diária, 37% na dismenorreia e 24% na dispareunia. Apesar desses resultados, os efeitos sobre desfechos de fertilidade permanecem incertos.

Fonte: Int. J. Mol. Sci. 202627(3), 1476; https://doi.org/10.3390/ijms27031476
  • Discussão dos mecanismos de ação:

Na endometriose há desregulação da sinalização estrogênica, resistência à progesterona, inflamação crônica, estresse oxidativo e alterações na resposta imune, processos que favorecem a persistência e a progressão das lesões.Por isso, faz sentido que essas vitaminas tenham atuação importante nessa doença.

A vitamina D pode exercer efeitos moduladores devido os receptores presentes em células endometriais e do sistema imunológico. Há redução na produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-6 e TNF-α, e modulação das vias de sinalização associadas à proliferação e invasão celular.

Já as vitaminas C e E atuam principalmente como antioxidantes, neutralizando espécies reativas de oxigênio e reduzindo a peroxidação lipídica, mecanismos relacionados à amplificação da inflamação e da dor. Ensaios clínicos que avaliaram a suplementação combinada dessas vitaminas observaram reduções em marcadores de estresse oxidativo e em citocinas inflamatórias.

  • Limitações importantes:

Apenas sete ensaios clínicos randomizados atenderam aos critérios de inclusão, e a maioria contou com tamanhos amostrais reduzidos. A heterogeneidade entre as formulações de vitaminas suplementadas, as dosagens, a duração do tratamento, os grupos controle e os desfechos avaliados impossibilitou a realização de uma meta-análise formal, além de limitar a comparação direta entre os estudos.

Futuras pesquisas devem contornar tais limitações, considerando desfechos como dor, qualidade de vida, biomarcadores relevantes e marcadores de fertilidade. Além disso, a estratificação dos dados segundo o status basal de vitaminas, a gravidade da doença e a presença de tratamentos hormonais ou cirúrgicos concomitantes pode ser fundamental para esclarecer quais subgrupos de mulheres com endometriose têm maior probabilidade de se beneficiar da suplementação.

  • Conclusões:

Ensaios clínicos randomizados sugerem que as vitaminas D, C e E podem reduzir a dor relacionada à endometriose e marcadores de estresse oxidativo. Já as evidências quanto aos desfechos de fertilidade ainda são limitadas e inconclusivas.

Considerando as limitações citadas, a suplementação vitamínica pode ser uma abordagem coadjuvante, com potencial benefício para os principais sintomas em mulheres com endometriose. No entanto, evidências mais robustas ainda são necessárias antes que recomendações clínicas mais firmes possam ser estabelecidas.

Confira o artigo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41683896/

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Artigo Científico: Evidências atualizadas sobre o consumo de cafeína na gestação

A cafeína, substância classificada como metilxantina, está presente em café, chás, refrigerantes e diversos produtos alimentares. Estima-se que até 85% da população mundial consuma cafeína diariamente.

A cafeína tem potencial de atravessar a placenta e é estimulante do sistema nervoso central. Por isso, a substância deve ser evitada no período gestacional e os seus impactos são estudados há anos.

Atualmente, as recomendações não são completamente uniformes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo limitado, até 300mg/dia. Já o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG) orienta até 200mg/dia. As diferenças nas recomendações podem gerar confusão, baixa adesão à prescrição e um consumo superior ao limite seguro.

  • Biodisponibilidade e Metabolismo da Cafeína

Durante a gravidez alterações fisiológicas no metabolismo da cafeína ocorrem. A atividade da enzima CYP1A2 diminui ao longo dos trimestres, prolongando a meia-vida da substância, que normalmente varia de 4 a 5 horas, para até 15 horas no terceiro trimestre. A desaceleração desse processo torna a gestante mais suscetível aos efeitos adversos da cafeína, mesmo que padrão de consumo pré-gestação seja mantido.

  • Riscos e Implicações para a Saúde Materno-Fetal

Em relação aos desfechos maternos, não há evidência consistente de aumento do risco de diabetes gestacional com consumo moderado de cafeína. Inclusive, em alguns estudos, ingestões de até 100 mg/dia por 16 a 22 semanas foram associadas à redução de 47% no risco de Diabetes gestacional (DMG).

Também não foi identificada associação significativa entre consumo leve a moderado com a ocorrência de hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia. No entanto, o consumo habitual de café ou chá rico em cafeína esteve associado a risco aproximadamente duas vezes maior de anemia, possivelmente por interferência na absorção de ferro não-heme.

Quanto aos desfechos obstétricos, gestantes com o consumo mais elevado, entre 205 e 5080 mg/dia, apresentaram risco 94% maior de parto prematuro no segundo trimestre. Ingestões superiores a 300 mg/dia também foram associadas a maior risco de perda gestacional recorrente, embora sem significância estatística consistente.

Além disso, as evidências indicam associação dose-dependente entre ingestão materna de cafeína e redução do peso ao nascer, com maior risco de neonato pequeno para idade gestacional (PIG). Mesmo ingestões abaixo de 200 mg/dia foram associadas, em alguns estudos, a um menor peso ao nascer.

Estudos em modelos animais reforçam esses achados ao demonstrarem restrição de crescimento intrauterino, alterações hepáticas e metabólicas, disfunções ósseas e articulares, alterações epigenéticas e genotoxicidade. Contudo, muitos desses experimentos utilizaram doses proporcionalmente superiores às normalmente consumidas por humanos, limitando a extrapolação direta dos resultados.

  • Recomendações e orientações

Considerando que a depuração da cafeína torna-se reduzida durante a gestação, aumentar o intervalo entre ingestões pode ser uma orientação nutricional mais assertiva, sendo o período recomendado de 24 a 36 horas.

É importante também avaliar o teor de cafeína presente em cada alimento ou bebida consumida, uma vez que as concentrações variam conforme tipo de preparo, volume e marca. O artigo em questão apresentou em anexo a tabela abaixo.

  • Limitações

A formulação de recomendações mais precisas é dificultada pela alta variabilidade genética da atividade da CYP1A2. A ausência de mensuração da depuração plasmática de cafeína nos estudos também limita os resultados.

Além disso, a maioria dos estudos depende de autorrelato de consumo, o que introduz viés de mensuração. Fatores como tabagismo, IMC, padrão alimentar, status de ferro e polimorfismos genéticos nem sempre são plenamente controlados, contribuindo para inconsistências entre os achados.

  • Conclusões

O consumo de cafeína durante a gestação apresenta associação com neonato com baixo peso ao nascer, maior risco de prematuridade (altas doses) e possível aumento do risco de anemia materna.

Embora não exista consenso absoluto sobre um limite totalmente seguro, os dados reforçam a necessidade de moderação, avaliação individualizada e acompanhamento profissional durante o pré-natal.

Considerando que a meia-vida pode ultrapassar 15 horas no terceiro trimestre, estratégias baseadas apenas em “mg/dia” podem não refletir o risco acumulativo do consumo de cafeína. Por isso, uma orientação é aumentar o intervalo do consumo, para 24h a 36h.

O estudo analisado reconhece as limitações e propõe que estudos prospectivos robustos sejam realizados, com a finalidade de definir limites seguros baseados em dose-resposta.

Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/17/19/3173

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Artigo Científico: Papel dos suplementos nutricionais e estilo de vida para o “timing” da menopausa

A idade da menopausa natural é um determinante relevante para a saúde feminina. As mulheres passam cerca de um terço da vida no período pós-menopausa, por isso que identificar os fatores que influenciam a ocorrência desse momento é uma questão muito importante.

A principal característica da menopausa é a ausência das menstruações, por pelo menos 12 meses, sem nenhuma intervenção ou causa médica. Geralmente ocorre entre os 48 e 52 anos. A fase de transição do período reprodutivo, ou fértil, para o não reprodutivo na vida da mulher é chamado de climatério.

A menopausa considerada precoce (antes dos 45 anos) está associada a maior risco de osteoporose, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, depressão e mortalidade geral. Já a menopausa chamada tardia (depois dos 55 anos) se relaciona ao risco de cânceres hormônio-dependentes.

O artigo em questão avaliou a associação entre a idade da menopausa com fatores de estilo de vida (tabagismo, consumo de álcool, prática de atividade física, etc.) e a utilização de suplementos dietéticos entre mulheres no Reino Unido.

Metodologia

Este estudo analisou dados de 3.566 mulheres do UK Women’s Cohort Study, uma coorte prospectiva. O uso de suplementos dietéticos antes da menopausa e hábitos de estilo de vida foram avaliados por questionários validados. As associações com a idade da menopausa natural foram examinadas por modelos de riscos proporcionais, ajustados para IMC, tabagismo, consumo de álcool, atividade física e nível socioeconômico.

Resultados e Discussão

O uso regular de óleo de peixe (ômega-3)vitaminas do complexo Bmisturas antioxidantes e vitamina C esteve associado a uma menopausa mais tardia, com redução significativa do risco de ocorrência precoce do evento. O ácido fólico apresentou tendência limítrofe, enquanto o uso de multivitamínicos não mostrou associação relevante.

As análises destacaram consumo de carne vermelha, IMC, nível educacional, duração do tabagismo e consumo de peixe como importantes preditores da idade da menopausa, reforçando o caráter multifatorial do envelhecimento reprodutivo.

As evidências sobre a associação com a idade da menopausa natural ainda são limitadas e inconsistentes. A maioria dos estudos anteriores avaliou nutrientes isolados ou padrões alimentares, sem integrar de forma sistemática o uso habitual de suplementos e variáveis de estilo de vida em grandes coortes populacionais.

Por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer causalidade. A idade da menopausa e o uso de suplementos foram autorreferidos, embora estudos de validação indiquem boa confiabilidade. Além disso, os dados refletem padrões alimentares e de suplementação dos anos 1990, o que pode limitar a extrapolação direta para populações contemporâneas.

Conclusão

Os achados sugerem que o uso habitual de determinados suplementos dietéticos, especialmente óleo de peixe, vitaminas do complexo B, antioxidantes e vitamina C, está associado a um início mais tardio da menopausa natural.

Em contrapartida, fatores como tabagismo e maior consumo de carne vermelha se associam a uma menopausa mais precoce. Embora promissores, esses resultados reforçam a necessidade de estudos intervencionais para confirmar relações causais.

Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/17/18/2921

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Atualidades

Artigo Científico: Suplementação de glutamina

A glutamina é um aminoácido não essencial, naturalmente presente em nosso organismo, sendo inclusive o mais abundante (1). É comercializado e consumido na forma de peptídeos de glutamina, obtidos por diferentes métodos, a depender da funcionalidade desejada. Quando obtidos por hidrólise enzimática não oferecem risco de reações adversas ao organismo (2).

Em algumas doenças, células do sistema imunológico e órgãos como intestino e rins utilizam quantidades mais elevadas de glutamina, que superam a produção endógena, reduzindo os níveis plasmáticos e musculares para suprir tal demanda. Por isso que esse aminoácido também é classificado como condicionalmente essencial (1).

Há anos o papel da suplementação de glutamina para a imunidade e no contexto oncológico são estudados. Depois, pesquisas passaram a avaliar o mecanismo de ação no trato gastrointestinal; visto que o intestino está entre os tecidos de maior consumo, utilizando cerca de 30% da glutamina corporal total (1).

Associação com saúde intestinal:

A barreira intestinal é uma estrutura complexa, responsável por regular a troca de substâncias entre o meio externo e o organismo. Quando há comprometimento de sua integridade, ocorre prejuízo na digestão e absorção de nutrientes, redução da defesa contra patógenos e maior risco de doenças sistêmicas (2).

Diversas evidências indicam que a glutamina modula a expressão estruturas conhecidas como tight junctions. A manutenção da permeabilidade intestinal é especialmente relevante em condições como doença de Crohn e doença celíaca (1).

Além de auxiliar na integridade da barreira intestinal, estudos também indicam inibir a ativação de NF-κB e STAT, reduzir a expressão da enzima iNOS e de citocinas inflamatórias, como IL-6, TNF-α e IL-8 (1).

A glutamina também atua como principal fonte de energia para os enterócitos e modula vias celulares de reparo endotelial. Com tantos benefícios, fica evidente o papel da glutamina na preservação da integridade estrutural e funcional do intestino, especialmente em condições fisiológicas e patológicas (2).

Evidentemente, dietas ricas em fibras e nutrientes específicos também se associam à manutenção da barreira intestinal. Como suplemento, a glutamina atua como combustível primário para enterócitos e células imunes, como leucócitos e linfócitos T. Entretanto, ainda existem inconsistências nos resultados apresentados a depender da dose e população estudada (3).

Estudos em humanos sugerem que suplementações por períodos inferiores a duas semanas, mas com doses superiores a 30 mg/dia, apresentam efeito mais consistente na redução da permeabilidade. Esses achados referem-se a indivíduos com doença de Crohn, câncer, HIV, pancreatite, pacientes críticos no pós-operatório, queimaduras e sepse (3).

Os estudos mais robustos realizados em humanos utilizam diferentes metodologias, dificultando assim conclusões mais definitivas sobre a eficácia clínica. É importante considerar que os resultados variam de acordo com população, dose e via de administração. Por isso, mais pesquisas são necessárias para definição de recomendações ideais (3).

Quanto à segurança de consumo e efeitos adversos, tanto em jovens quanto em idosos, a suplementação de glutamina demonstrou boa tolerabilidade. A dose considerada segura é de aproximadamente 0,15 mg/kg/dia, não foram observadas alterações em IMC, creatinina (toxicidade renal), AST/ALT (toxicidade hepática) ou ureia (catabolismo proteico). Em estudos com doses de 0,50 mg/kg/dia houve elevação dos níveis de ureia, creatinina e redução da taxa de filtração glomerular (4).

Associação com depressão:

Para além da saúde intestinal, esse aminoácido também exerce função como neurotransmissor. Evidências recentes mostram que a deficiência de glutamina na região pré-frontal medial, em modelos animais, induz comportamento depressivo, leve déficit cognitivo e redução da neurotransmissão glutamatérgica (5).

A suplementação demonstrou efeitos antidepressivos e melhora cognitiva em estudos com animais e humanos. As doses variam conforme o objetivo e a população estudada. Em modelos animais para depressão e comprometimento cognitivo, as doses são muito menores do que em estudos clínicos, ainda assim demonstrando efeito benéfico (5).

Fonte imagem: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10816396/

Associação com câncer:

Como mencionado anteriormente, a relação entre glutamina e câncer é estudada há anos. Na doença, as células tumorais podem utilizar glutamina como substrato metabólico, assim como glicose e leucina, contribuindo para processos celulares ligados ao desenvolvimento de processos tumorais (6.)

Por outro lado, o consumo de glutamina como suplemento também é relevante na defesa antioxidante, saúde intestinal, cognição e metabolismo celular sistêmico. Inclusive, a suplementação entre 10–30 g/dia em pacientes submetidos à quimioterapia e radioterapia não apresentaram impacto negativo no tumor ou em desfechos clínicos, indicando segurança de uso nessa dosagem para a população estudada (5).

Fonte imagem: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10930819/

Dessa forma, compreende-se as dúvidas quanto ao uso de glutamina durante o tratamento oncológico. Entretanto, é uma substância estudada há anos como terapia adjuvante. Além de seu papel estrutural para a membrana intestinal, pode auxiliar na função imunológica, reduzir toxicidades do tratamento, e contribuir para melhor qualidade de vida do paciente com câncer (7).

Ainda são necessários mais estudos para definir doses ideais, possíveis interações e segurança a longo prazo. As evidências disponíveis indicam que a glutamina não aumenta o crescimento tumoral nem compromete tratamentos. Em estudo com mulheres com câncer de mama, não houve diferença na redução tumoral entre suplementação e placebo (7).

Associação com desempenho esportivo:

Assim como em situações de doenças, a prática intensa de atividade física pode levar a uma alta utilização de glutamina pelo organismo, gerando uma depleção em tecidos como o intestino e afetando negativamente a barreira gastrointestinal.

Portanto, em teoria, ingerir glutamina antes ou durante o exercício poderia auxiliar na manutenção da saúde intestinal e compensar as depleções causadas pelo esforço físico.

Na prática o autor descreveu um estudo realizado com corredores em que de forma geral, uma dose alta (0,9 g/kg de massa livre de gordura) reduziu a permeabilidade gastrointestinal em comparação ao placebo. No entanto, o estudo em questão foi realizado em uma amostra pequena, apenas 8 participantes, e apresentou outras limitações.

Outras evidências indicam que a dependência das células intestinais em relação à glutamina pode ser reduzida quando glutamina e glicose estão disponíveis simultaneamente. Dessa forma, é incerto se a glutamina oferece benefícios adicionais quando existe consumo simultâneo de carboidrato.

Uma ressalva importante é que muitos estudos não avaliaram sintomas gastrointestinais, uma questão importante para a performance esportiva. Já em outros, > 50% da amostra declarou sintomas gastrointestinais leves a moderados nas duas horas iniciais após suplementação.

O autor conclui que até o momento a utilidade clínica de glutamina entre atletas ainda é especulativa (8).

O que achou do nosso resumo sobre o tema, nutri? Sentiu falta de alguma aplicabilidade? Deixe a sua sugestão aqui nos comentários! Até mais!

Referências:

  1. Glutamine enhances intestinal barrier function and tight junction The Roles of Glutamine in the Intestine and Its Implication in Intestinal Diseases. Link de acesso: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5454963/
  2. Glutamine Peptides: Preparation, Analysis, Applications, and Their Role in Intestinal Barrier Protection. Link de acesso: https://www.mdpi.com/2072-6643/17/6/1017
  3. A systematic review and meta-analysis of clinical trials on the effects of glutamine supplementation on gut permeability in adults. Link de acesso: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/pmid/39397201/
  4. Tolerability of glutamine supplementation in older adults: a double-blind placebo-controlled randomized clinical trial. Link de acesso: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11136481/
  5. The Role of Glutamine Homeostasis in Emotional and Cognitive Functions: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10816396/
  6. Glutamine Metabolism: Molecular Regulation, Biological Functions, and Diseases. Link de acesso: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12188105/
  7. Glutamine Supplementation as an Anticancer Strategy: A Potential Therapeutic Alternative to the Convention. Link de acesso: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10930819/
  8. Sport Supplements and the Athlete’s Gut: A Review. Link de acesso: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34814219/
Atualidades

Nova diretriz sobre dislipidemias e prevenção da aterosclerose

A principal causa de morte em todo o mundo é a doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA). É essencial que diretrizes sejam atualizadas à realidade do país, assim os profissionais da saúde podem melhorar o diagnóstico precoce, a prevenção e o tratamento.

A aterosclerose é uma doença crônica, silenciosa e progressiva, que pode surgir já na primeira década de vida. Por isso, há oportunidades de intervenção e prevenção ao longo da vida. A diretriz atual divide a recomendação dessa forma, da infância à terceira idade; além de indicar diferenças no tratamento para populações específicas.

Sobre o diagnóstico, a avaliação laboratorial considera os parâmetros lipídios e das apolipoproteínas. A diretriz descreve aspectos essenciais para que os laboratórios adequem seus protocolos e garantam resultados confiáveis. Os valores referenciais e de alvo terapêutico do perfil lipídico são diferentes, dependendo se houve jejum prévio da coleta (12 horas) ou sem jejum.

A estratificação do risco cardiovascular é a base para a tomada de decisão clínica na prevenção da doença cardiovascular. A diretriz recomenda que o risco cardiovascular aterosclerótico seja categorizado em baixo, intermediário, alto, muito alto e extremo. Os parâmetros laboratoriais para cada marcador também variam.

A redução dos níveis de colesterol da lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) tem sido o principal alvo terapêutico para prevenir o desenvolvimento da aterosclerose. Os níveis esperados dependem da categoria de risco do paciente, como demonstrado na figura acima.

A concentração sérica de triglicerídeos (TG) é um marcador de risco residual aterosclerótico. Níveis séricos ≥ 150 mg/dL em jejum, ou ≥ 175 mg/dL no estado pós-prandial, são considerados anormais. A meta terapêutica consiste em manter níveis séricos abaixo desses limites.

A dosagem dos níveis séricos de apolipoproteína B (ApoB) também é um marcador para o risco cardiovascular, pois reflete o número total de partículas aterogênicas plasmáticas, já que cada partícula lipoproteica potencialmente aterogênica presente na circulação (LDL, VLDL, etc.) contém exatamente uma molécula de ApoB.

No tratamento farmacológico as estatinas são a classe de medicamento mais comuns, apresentam eficácia comprovada na redução dos níveis de LDL-c e na prevenção de eventos cardiovasculares. Foi observado aumento da glicemia, maior risco de início de DM tipo 2 e da hemoglobina glicada (HbA1c) com o uso, mas esse é um risco para quem faz o uso em doses elevadas, em idosos e em indivíduos com fatores de risco para diabetes.

No entanto, existe a estimativa de 1 novo caso de diabetes, para cada 255 pessoas tratadas com estatinas por um período de 4 anos. Ou seja, fica claro que a redução absoluta do risco de DCV nesses pacientes supera os possíveis efeitos adversos de um pequeno aumento na incidência de diabetes.

Quanto ao tratamento não farmacológico, existem algumas intervenções nutricionais propostas:

Existem suplementos e alimentos funcionais com nível de evidência moderada para a redução dos níveis de LDL-c, são eles: arroz de levedura vermelha, fitoesteróis e probióticos. Chá verde, gergelim e proteína de soja também são estudados. Já o óleo de peixe (EPA/DHA) exerce impacto na redução dos níveis de TG.

Além disso, também é recomendado:

  • Cessação do tabagismo: o risco de doenças cardiovasculares é cinco vezes maior em fumantes;
  • Controle de peso: perder entre 8 e 10%, em casos de obesidade, leva à redução de 5-10 mg/dL nos níveis de LDL-c, de 20-30 mg/dL em TG e um aumento de 3-5 mg/dL em HDL-c;
  • Espiritualidade: promove melhor enfrentamento de doenças e menor prevalência de hábitos inadequados;
  • Prática de atividade física: 150 minutos de intensidade moderada, ou 75 minutos de intensa, por semana;
  • Limitar o consumo de bebidas alcoólicas: 100 g por semana, para homens ou mulheres.

Reconhecendo a aterosclerose como um processo progressivo que começa cedo, a nova diretriz propõe um modelo mais contínuo e integrado de cuidado, com potencial de transformar a prática clínica e reduzir de forma significativa o risco cardiovascular da população brasileira.

A diretriz destaca que algumas populações exigem atenção diferenciada no manejo do risco cardiovascular. Entre elas estão pessoas com insuficiência cardíaca, HIV, diabetes, doença renal crônica, hipotireoidismo, obesidade e doenças hepáticas crônicas, além de transplantados e indivíduos com doenças imunomediadas.

Crianças, idosos, gestantes e mulheres com alterações específicas do ciclo reprodutivo também requerem abordagem individualizada, por conta das particularidades metabólicas em cada caso.

Reconhecer essas especificidades é essencial para ampliar a efetividade das intervenções e reduzir o risco ao longo do curso de vida. Por isso, confira o documento na íntegra: https://abccardiol.org/article/diretriz-brasileira-de-dislipidemias-e-prevencao-da-aterosclerose-2025/

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Parte II – Posicionamento: Saúde Cardiometabólica ao Longo do Ciclo de Vida da Mulher

Os distúrbios cardiometabólicos são responsáveis por grande parte da taxa de morbimortalidade entre as mulheres brasileiras. São eles: obesidade e síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo 2, doença hepática esteatótica metabólica (DHEM) e doença renal crônica (com destaque para a doença renal diabética). Sabia que há diferenças importantes entre homens e mulheres que apresentam as mesmas condições clínicas?

Além disso, condições como síndrome dos ovários policísticos, ganho excessivo de peso na gestação, complicações hipertensivas e menopausa precoce adicionam camadas de complexidade ao risco cardiometabólico feminino. Reconhecer os impactos dessas condições é essencial para a prevenção, rastreamento e intervenções nutricionais. Confira como cada fase de vida da mulher gera marcas no risco cardiometabólico!

1. Cardiometabolismo no período infanto-juvenil:

A puberdade e a adolescência constituem fases sensíveis para a programação metabólica. Alterações no timing puberal, como uma menarca precoce ou tardia, estão associadas com maior risco futuro de obesidade, dislipidemia, diabetes e eventos cardiovasculares.

Irregularidades menstruais persistentes durante a adolescência devem ser consideradas sinais de alerta, pois podem refletir resistência à insulina e predisposição para síndromes endócrinas, como a SOP, por exemplo. Por isso, a importância de uma avaliação clínica abrangente que inclua histórico menstrual, biomarcadores inflamatórios, HOMA-IR, perfil lipídico e composição corporal.

A relação com transtornos alimentares nessa fase é bidirecional: o excesso de peso eleva o risco de bulimia e compulsão alimentar, enquanto esses quadros favorecem ganho adicional de peso, intensificando as repercussões cardiometabólicas.

2. Risco cardiometabólico e idade reprodutiva:

Condições inflamatórias crônicas, como a endometriose e psoríase, também elevam o risco cardiovascular. Essas condições, geralmente, estão associadas à alterações de biomarcadores inflamatórios, hipertensão arterial, ocorrência de doença coronariana e acidente vascular cerebral (AVC).

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um dos principais marcadores de risco cardiometabólico na idade reprodutiva. Essa condição está associada com obesidade central, resistência à insulina, dislipidemia aterogênica, apneia do sono, aterosclerose precoce, maior prevalência de depressão e doença hepática esteatótica metabólica.

A infertilidade e seus tratamentos também influenciam o risco cardiometabólico no futuro. Técnicas de estimulação ovariana podem aumentar a ocorrência de tromboembolismo, pré-eclâmpsia e outras complicações metabólicas, com repercussões que podem se prolongar por anos.

Há adaptações fisiológicas na gestação, como a resistência insulínica, alterações inflamatórias e dislipidemia gestacional, que ampliam o risco materno e fetal, o qual se estende ao pós-parto se houver manutenção do perfil lipídico alterado. Já a lactação, quando acontece, exerce um efeito protetor para a saúde da mulher.

3. Impactos da transição menopausal, menopausa e pós-menopausa:

A queda progressiva do estradiol amplifica adiposidade abdominal, aumenta a resistência à insulina e favorece a elevação do colesterol LDL, triglicerídeos e pressão arterial. Assim, com a chegada da menopausa há maior predisposição para aterosclerose, DM2 e disfunção endotelial.

Mulheres com menopausa precoce (40–45 anos), ou insuficiência ovariana prematura (<40 anos), apresentam risco ainda maior para eventos cardiovasculares, incluindo doença isquêmica do coração e AVC antes dos 60 anos. A literatura demonstra associação consistente entre menopausa precoce e mortalidade cardiovascular.

A terapia hormonal da menopausa tem papel limitado nesse cenário e não deve ser utilizada para prevenção primária ou secundária para distúrbios cardiometabólicos. A implantação de testosterona, ou combinações hormonais sem evidências, também não são recomendadas devido ao risco desconhecido de efeitos cardiovasculares e oncológicos.

Intervenções nutricionais práticas:

A nutrição ocupa lugar central na prevenção e manejo dos distúrbios cardiometabólicos ao longo da vida da mulher. Protocolos focados em reduzir carboidratos simples e gorduras saturadas, aumentar o consumo de fibras e adotar padrões alimentares como dieta mediterrânea demonstram eficácia na melhora da glicemia, do perfil lipídico e da resistência à insulina.

O posicionamento reforça a importância de estratégias individualizadas, respeitando a cultura alimentar, preferências regionais e condições socioeconômicas. O acompanhamento no longo prazo aumenta a adesão no tratamento e garante resultados clínicos mais duradouros.

O posicionamento deixa claro que a intervenção nutricional é muito importante. Seguir um padrão alimentar saudável, de forma consistente, auxilia na perda de peso ponderal, melhora os biomarcadores inflamatórios e colabora para a prevenção de doenças cardiovasculares.

Leia o resumo anterior sobre o tema: https://blog.allivici.com/index.php/2025/11/18/posicionamento-saude-cardiometabolica-ao-longo-do-ciclo-de-vida-da-mulher/

Confira o documento na íntegra: https://abccardiol.org/article/posicionamento-sobre-a-saude-cardiometabolica-ao-longo-do-ciclo-de-vida-da-mulher-2025/

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Atualidades

Posicionamento: Saúde Cardiometabólica ao Longo do Ciclo de Vida da Mulher

Introdução

A saúde cardiometabólica da mulher é influenciada por uma combinação de fatores biológicos, hormonais e comportamentais que se modificam ao longo da vida. O posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca justamente marcadores importantes em cada período: puberdade, gestação, puerpério e menopausa.

Esses períodos representam mudanças profundas no metabolismo, no perfil inflamatório e na regulação hormonal. Inclusive, essas marcas podem gerar vulnerabilidades que se acumulam com o passar dos anos.

Por isso, compreender esses ciclos é essencial para identificar riscos mais precocemente e implementar estratégias de individualizadas de cuidado.

Implicações da inflamação no sistema cardiovascular

A inflamação é um mecanismo-chave no desenvolvimento das doenças cardiovasculares femininas. Processos inflamatórios persistentes, mesmo que discretos, podem desencadear disfunção endotelial, reduzir a capacidade de vasodilatação e favorecer a formação de placas ateroscleróticas.

Esse cenário pode ser intensificado por eventos específicos do ciclo de vida, como complicações gestacionais, que ampliam o estado inflamatório sistêmico e aumentam o risco cardiometabólico no futuro. Assim, a inflamação passa a ser um elo central entre eventos reprodutivos e desfechos cardiovasculares futuros.

Impacto dos esteroides sexuais na saúde cardiometabólica

Os esteroides sexuais exercem papel determinante na proteção cardiovascular feminina. Durante a vida reprodutiva, o estrógeno contribui para o equilíbrio lipídico, melhora a sensibilidade à insulina, favorece a vasodilatação e atenua processos inflamatórios.

Contudo, as flutuações hormonais reduzem essas defesas, principalmente com a queda progressiva desses hormônios na transição da menopausa. A diminuição do estrógeno favorece o acúmulo de gordura central, aumenta a resistência à insulina e eleva os níveis de lipoproteínas aterogênicas, configurando um terreno mais propício para o surgimento de doenças cardiometabólicas.

Indicadores de saúde cardiometabólica

Além dos marcadores clínicos clássicos, como glicemia, pressão arterial e perfil lipídico, o posicionamento reforça que características reprodutivas devem ser reconhecidas como indicadores adicionais de risco. A avaliação do ciclo menstrual possa ser usada como um sinal vital adicional na investigação do estado geral de saúde das mulheres.

História de diabetes ou hipertensão gestacional, parto prematuro, síndrome dos ovários policísticos, menopausa precoce e alterações menstruais recorrentes são exemplos de eventos que refletem disfunções metabólicas subjacentes.

Quando integrados à avaliação de rotina, esses indicadores permitem identificar mulheres com maior risco cardiovascular e orientar intervenções preventivas com mais precisão. Alguns biomarcadores importantes a serem considerados: perfil lipídico, glicemia e hemoglobina glicada, proteína C reativa, fibrinogênio, homocisteína e adipocinas.

No próximo texto abordaremos sobre os próximos capítulos desse posicionamento! Confira na íntegra: https://abccardiol.org/article/posicionamento-sobre-a-saude-cardiometabolica-ao-longo-do-ciclo-de-vida-da-mulher-2025/

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Artigo Científico: Efeito de intervenção nutricional nos sintomas psicológicos da síndrome pré-menstrual

A síndrome pré-menstrual (SPM) afeta quase metade (48%) da população mundial feminina em idade reprodutiva. Já a Síndrome disfórica pré-menstrual (SDPM), acomete até 8% das mulheres, apresentando sintomas emocionais mais intensos e recorrentes. Esses distúrbios podem ocasionar prejuízos à qualidade de vida, ao desempenho no trabalho ou nos estudos, além de custos indiretos significativos.

Os tratamentos convencionais envolvem anticoncepcionais hormonais, por vezes combinados com antidepressivos, para amenizar sintomas emocionais, principalmente inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Muitas abordagens também envolvem ansiolíticos, diuréticos e analgésicos.

Contudo, muitos desses tratamentos apresentam efeitos adversos ou resposta limitada em algumas mulheres, o que tem motivado a busca por alternativas complementares e menos invasivas. Assim, estratégias como mudanças no estilo de vida, prática regular de atividade física e manejo do estresse vêm sendo cada vez mais incorporadas aos protocolos de tratamento.

Da mesma forma, há crescente interesse em intervenções nutricionais como parte do tratamento. Porém, ainda existem lacunas no meio científico sobre o efeito de alimentos ou suplementos para os sintomas psicológicos da SPM (humor deprimido, irritabilidade, ansiedade ou alterações comportamentais).

Por isso, o estudo em questão teve como objetivo conduzir uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados para avaliar os efeitos de intervenções nutricionais nos sintomas psicológicos da SPM em mulheres em idade reprodutiva.

Metodologia

Foram realizadas buscas em cinco bases de dados, por ensaios clínicos randomizados (ECRs) em inglês publicados desde 2022, com análise de intervenções nutricionais em mulheres em idade fértil para mensuração de desfechos psicológicos associados à SPM. A triagem, extração de dados e avaliação de risco de viés foram conduzidas por três revisores independentes, utilizando o instrumento Cochrane Risk of Bias 2.

Resultados e Discussão

A busca resultou em 32 artigos, envolvendo 3.254 participantes com idades entre 15 e 50 anos. As intervenções que apresentaram efeitos consistentes e positivos sobre os sintomas psicológicos da SPM foram: suplementação com vitamina B6 (≥ 50 mg/dia), cálcio (≥ 1000 mg/dia) e zinco (≥ 30 mg/dia).

Por outro lado, as evidências foram insuficientes ou inconsistentes para vitamina B1, vitamina D, carboidratos integrais, isoflavonas de soja, ácidos graxos alimentares, magnésio, multivitamínicos ou dietas específicas para SPM. É importante destacar que apenas um estudo foi classificado com baixo risco de viés.

Oscilações hormonais no ciclo menstrual interagem com neurotransmissores e impactam em mecanismos de estresse oxidativo e inflamação, o que pode exacerbar sintomas emocionais na SPM. A suplementação de cálcio e zinco pode auxiliar via modulação de neurotransmissores e redução de estresse oxidativo, enquanto a vitamina B6 exerce papel como cofator na síntese de GABA, com potenciais efeitos ansiolíticos.

Contudo, algumas limitações precisam ser indicadas: a heterogeneidade entre os estudos (principalmente de dose e duração dos estudos), há muitas publicações com risco de viés elevado, além da impossibilidade de realizar uma meta-análise combinada devido à variabilidade metodológica.

Conclusão

Este trabalho reforça que existem evidências de que nutrientes podem melhorar os sintomas psicológicos associados à SPM em mulheres em idade reprodutiva, com destaque para vitamina B6, cálcio e zinco.

Esses achados estão alinhados com hipóteses anteriores, que relacionavam micronutrientes ao humor e bem-estar nessa fase do ciclo menstrual.

Contudo, ainda não é possível emitir recomendações conclusivas para a prática clínica. São necessários mais ensaios de alta qualidade, com protocolos padronizados e melhor avaliação dos níveis basais dos nutrientes.

Confira o artigo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38684926/

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Artigo Científico: Uma revisão sistemática e meta-análise do efeito da suplementação de vitamina D na depressão

Depressão e ansiedade são grandes preocupações na saúde pública global. Estima-se que cerca de 280 milhões de pessoas sofrem de depressão. A ansiedade também é um dos transtornos mentais mais comuns, com aumento de 50%, no número absoluto de pacientes, desde 1990. Durante a pandemia da COVID-19, observou-se um aumento nos sintomas de ansiedade e depressão em diversas populações ao redor do mundo.

Estudos observacionais já indicaram associação entre a deficiência de vitamina D e o risco aumentado de depressão. A vitamina D atua na regulação do sistema imunológico, promoção do crescimento celular e redução de processos inflamatórios. Além disso, influencia no funcionamento de genes essenciais para o sistema cerebral.

No entanto, é preciso analisar os efeitos da suplementação de vitamina D sobre os sintomas depressivos, considerando o impacto dose-resposta. Assim, o estudo em questão teve como objetivo realizar uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados com meta-análise de dose-resposta.

Metodologia

Buscas foram feitas em bases de dados como PudMed, Scopus e Web of Science, para encontrar estudos relevantes cientificamente, escritos em inglês e publicados após dezembro de 2022. Quanto aos critérios de inclusão, destaca-se: apenas artigos realizados em humanos, adultos, com grupo-controle e período de intervenção maior que quatro semanas.

Resultados e Discussão

A busca inicial teve como resultado 2243 publicações, após a revisão e exclusão, apenas 31 estudos foram incluídos na meta-análise de dose-resposta. A amostra total foi de 24.189 participantes, sendo 12.091 do grupo controle e 12.098 no grupo de intervenção.

Em 29 estudos a intervenção foi apenas de vitamina D3; mas, em um dos ensaios a vitamina D foi administrada combinada com cálcio, já em outro, com ômega-3. O período da intervenção da maioria dos estudos foi de 4 a 24 semanas, já as doses variaram de 1000 a 15.000 UI/dia.

Os resultados do estudo indicaram, com evidência de certeza moderada, que a suplementação com vitamina D tem efeitos benéficos sobre os sintomas depressivos em adultos. Verificou-se redução significativa dos sintomas depressivos a cada 1000 UI de vitamina D3 por dia. Essa melhora foi proporcional até a dose de 8000 UI/dia, ponto em que foi observado o maior efeito. Doses superiores não apresentaram benefícios adicionais.

A duração da intervenção influenciou os resultados. Estudos com até 8 semanas, ou aqueles entre 8 e 24 semanas, apresentaram efeitos mais fortes na redução dos sintomas depressivos. O período de 8 semanas parece ser o marco para que os efeitos da vitamina D começam a se manifestar, seja na prevenção ou no tratamento da depressão.

Em estudos com duração superior a 52 semanas, observou-se uma tendência de melhora, mas menos intensa. A redução da eficácia em intervenções mais longas pode estar associada à menor adesão, desistência dos participantes ou viés de atrito.

Há diversas hipóteses fisiológicas para os efeitos da vitamina D na depressão. Destacam-se suas ações na sinalização celular, neuroproteção, modulação imunológica, síntese de serotonina e redução de inflamações. Além disso, suas propriedades antioxidantes e influência nos ritmos circadianos podem contribuir para a melhora do humor.

Apesar dos pontos fortes deste estudo, uma limitação importante a ser destacada é que existem outros fatores além da suplementação que podem influenciar os sintomas depressivos. Além disso, ainda há evidências limitadas sobre os efeitos da vitamina D na ansiedade e na remissão da depressão. Essas variações podem ser explicadas por diferenças na dose, tipo de suplemento, duração do tratamento e características dos participantes.

Conclusão

Estudos epidemiológicos populacionais já haviam apontado uma associação entre baixos níveis séricos de vitamina D e maior risco de depressão. Os achados do estudo atual estão alinhados com essa hipótese, além de demonstrar que também há evidências que sugerem benefícios da vitamina D na redução de sintomas depressivos.

A suplementação pode melhorar significativamente os sintomas depressivos em intervenções de até 24 semanas, especialmente na dose de 8000 UI/dia. No entanto, não houve efeito sobre a remissão da depressão ou sintomas de ansiedade. São necessários mais estudos de alta qualidade para avaliar sua eficácia a longo prazo, que considerem os níveis iniciais de vitamina D dos participantes.

Confira o artigo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39552387/

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Atualidades

Nova diretriz sobre hipertensão arterial

No Brasil, assim como no mundo, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte, sendo a hipertensão arterial o principal fator de risco. Inclusive, o número de mortes por tais motivos apresenta uma tendência de crescimento em nosso país.

Após a pandemia de COVID-19, dados do VIGITEL 2023 mostraram um crescimento na prevalência da hipertensão arterial (27,9%). O inquérito em questão utiliza diagnóstico autorreferido, mas mesmo assim fornece informações importantes sobre a saúde nacional. Já em outras análises, com aferição da pressão arterial, a prevalência é ainda maior, em torno de 36%.

A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2025) apresenta quinze capítulos com recomendações atualizadas e baseadas em novas evidências sobre a prevenção e o tratamento para hipertensão arterial (HA). A edição anterior foi em 2020/2021, vamos conferir os principais destaques?

  • Novos parâmetros: essas alterações visam identificar mais precocemente indivíduos em risco, além de incentivar intervenções não medicamentosas como tratamento, com o intuito de prevenir a progressão da HA.
    • A classificação “PA ótima” foi removida, agora valores de pressão arterial sistólica (PAS) abaixo de 120 mmHg e pressão arterial diastólica (PAD) abaixo de 80 mmHg segue como “PA normal”;
    • A nova categoria de “Pré-hipertensão” agora abrange os valores anteriormente classificados como “PA normal” e “Pré-hipertensão”, incluindo PAS entre 120 e 139 mmHg e/ou PAD entre 80 e 89 mmHg;
    • Para o diagnóstico de “Hipertensão Arterial” é preciso resultados ≥ 140 e/ou 90 mmHg em duas ocasiões diferentes, além da classificação em estágios 1, 2 e 3, de acordo com o maior valor de PAS ou PAD.
  • Avaliação clínica e de risco cardiovascular: a estratificação de risco visa categorizar os pacientes com base em seu risco individual de desenvolver desfechos cardiovasculares e renais. No atendimento nutricional é importante investigar a presença de determinantes para hipertensão arterial, como: hábitos alimentares, ganho de peso ponderal, consumo de sal, ingestão de álcool, padrão do sono, nível de atividade física, assim como fatores socioeconômicos, biopsicossociais, culturais e ambientais. 
  • Exames complementares: o nutricionista pode solicitar e acompanhar alguns dos exames listados, por exemplo: potássio plasmático, creatinina plasmática, taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), razão proteinúria/creatininúria ou albuminúria/creatininúria, glicemia de jejum e hemoglobina glicada (se risco de DM ou síndrome metabólica), ácido úrico plasmático, colesterol total, LDLc, HDLc e triglicerídeos plasmáticos.
  • Tratamento não medicamentoso: a adoção dessas medidas tem o objetivo de reduzir o risco cardiovascular, é indicada para todos os indivíduos com PA ≥ 120/80 mmHg. São elas: cessação do tabagismo, perda de peso (IMC < 25 kg/ m2; circunferência abdominal < 102 cm em homens e < 88 cm em mulheres), modificações na ingestão alimentar, prática de atividade física e exercício físico, cuidado com aspectos psicoemocionais.
  • Modificações na ingestão alimentar
    • Restringir o consumo de sódio a < 2 g de sódio/dia, ou 5 g de sal/dia ( 1 col. chá/dia). Algumas estratégias: conscientização da população, reformulação de alimentos industrializados, uso de temperos naturais como ervas e pimentas, utilização de substitutos do sal nos quais parte do sódio é substituída por potássio e uso do sal de ervas (mistura do sal de cozinha com ervas secas como alecrim, manjericão, orégano e salsinha). Sal rosa do Himalaia e sal marinho apresentam o mesmo teor de sódio que o sal de cozinha.
    • Aumentar o consumo de potássio para ≥ 3,5 g/dia. Apesar da maioria dos estudos ter utilizado cápsulas de cloreto de potássio, a resposta da PA é similar quando a modificação dietética é usada. Boas fontes de potássio incluem frutas, verduras, hortaliças, oleaginosas, leguminosas e laticínios. Em um dia, o ideal seria consumir quatro a cinco porções de frutas e hortaliças.
    • Adotar um padrão alimentar saudável, como a dieta DASH, que reduz a PAS/PAD em 8,7/4,5 mmHg em pacientes com HA. Esse modelo dietético preconiza o consumo de frutas, hortaliças, laticínios com baixo teor de gordura, cereais integrais, carnes magras e frutas oleaginosas, enquanto restringe o consumo de gorduras saturadas, carnes gordurosas, grãos refinados e açúcar de adição.
    • A suplementação de probióticos pode produzir uma redução modesta na pressão arterial (1), assim como a suplementação de vitamina D, especialmente em pacientes com HA e baixos níveis séricos da vitamina (2).
    • Outras intervenções dietéticas podem ser efetivas, como limitar a ingestão de cafeína em até 400 mg/dia. O consumo habitual de café não aumenta o risco de HA, mas é recomendado manter o consumo de três a quatro xícaras/dia, em média 200mL de café filtrado apresenta 80 mg de cafeína (3,4).
    • Limitar a ingestão de bebidas alcóolicas em até duas doses/dia para homens e uma dose/dia para mulheres. Evidências recentes indicam que não há relação entre consumo de álcool baixo a moderado com efeitos cardioprotetores. A hipótese é que tal associação se deu devido fatores de confusão (5). A ingestão de álcool, mesmo em baixas doses, pode trazer prejuízos à saúde, com maior risco no caso de consumo elevado, seja contínuo ou episódico (6). Indivíduos que consomem mais de seis doses/dia, quando reduzem essa ingestão em cerca de 50%, obtém uma diminuição de 5,5 e 4,0 mmHg na PAS e PAD, respectivamente (7).

Acesse o material na íntegra para conferir mais informações e aprofundar os estudos: https://www.portal.cardiol.br/diretrizes

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Nutrição e Saúde Cardiovascular: Dia Mundial do Coração

As doenças cardiovasculares costumam ser a principal causa de morte no Brasil. Para a prevenção é essencial reduzir comportamentos de risco, como o sedentarismo, tabagismo e a alimentação inadequada (1). Sendo assim, a nutrição tem um papel importante na promoção de mudanças.

A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) começou a ser mais estudada a partir dos anos 90. Hoje é muito conhecida como uma proposta dietética de tratamento e prevenção para doenças cardiovasculares, principalmente a hipertensão arterial.

Nesse modelo dietético é preconizado o consumo de frutas, verduras, legumes, produtos lácteos com baixo teor de gordura, cereais integrais, peixes, aves e nozes; além disso, incentiva restringir o consumo de carnes vermelhas e processadas, alimentos com alto teor de sódio e bebidas açucaradas.

Os benefícios observados são principalmente atribuídos ao maior consumo de nutrientes que contribuem para redução dos níveis pressóricos, como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca) e fibras alimentares (2).

Em solo brasileiro é um padrão alimentar com obstáculos para a adesão, mas temos o Manual de Alimentação Cardioprotetora. Além de eixos estruturantes com conceitos regionais, também há grupos alimentares de acordo com a bandeira nacional: verde, amarelo e azul (3).

Há dois estudos muito interessantes que utilizam esse manual:

Grupo verde: alimentos cardioprotetores, ou seja, que contêm vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes (verduras, frutas, legumes, leguminosas, leite e iogurte desnatado);

Grupo amarelo: alimentos in natura, minimamente processados ou ingredientes culinários que devem ser consumidos com moderação, por conterem mais energia, gordura ou sal (pães, cereais, macarrão, tubérculos, castanhas, óleos vegetais, doces de frutas e mel);

Grupo azul: alimentos in natura, minimamente processados ou processados, com controle importante para cardiopatas e indivíduos com fatores de risco cardiovascular, por serem alimentos que contêm maior quantidade de gordura saturada, sal e colesterol (carnes, queijos, ovos, manteiga, doces caseiros).

Já conhecia esse material nacional? Aproveite para ler temas complementares:

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Artigo Científico: Qual é a segurança e eficácia de glucosamina com condroitina para adultos?

Doenças articulares, ou disfunções articulares, impactam muito na qualidade de vida e podem se manifestar de diversas formas. Em alguns casos há dores que parecem vir das articulações, mas têm origem em outras estruturas, como nos ligamentos, tendões ou músculos.

No caso das doenças articulares podemos citar três principais: osteoartrite (relacionada ao envelhecimento e ao estresse mecânico), artrite reumatóide (dano articular mediado por autoimunidade) e o transtorno temporomandibular (fatores físicos e psicológicos, como estresse, enxaqueca e distúrbios do sono).

glucosamina e a condroitina são substâncias usadas como suplementos visando a prevenção da degradação da cartilagem, regulação de processos anabólicos e o potencial anti-inflamatório.

O objetivo do estudo em questão foi avaliar se a suplementação de glucosamina e/ou condroitina em humanos é segura e eficaz para disfunções articulares; além de determinar as dosagens mais utilizadas. Confira!

Metodologia

Foi realizada uma revisão sistemática, com buscas feitas nas bases de dados PubMed e Web of Science, para publicações entre 1990 e 2024. Os resultados foram carregados em uma plataforma, na qual dois pesquisadores independentes revisaram os artigos de acordo com critérios de inclusão e exclusão. A avaliação da qualidade foi feita utilizando a ferramenta Mixed Methods Appraisal Tool (MMAT).

Resultados e Discussão

Dos 2013 artigos avaliados, 146 estudos foram incluídos na revisão atual, sendo quase 60% ensaios clínicos randomizados. A maioria focou em osteoartrite e dor articular, com mais de 90% dos estudos de eficácia relatando resultados positivos e a maioria dos estudos de segurança indicando efeitos adversos mínimos ou inexistentes.

dose diária mais frequente de glucosamina foi de 1500 mg, com uma variação nos estudos de 10 mg a 2250 mg por dia. Para a condroitina, a dose diária mais comum foi de 1200 mg, variando de 2,5 mg a 1600 mg por dia.

A maioria dos estudos administrou glucosamina e condroitina em duas ou três doses divididas ao longo do dia. Além do placebo, o comparador de eficácia mais comum nos estudos foi o celecoxibe (medicamento analgésico e anti-inflamatório), com dose de 200 mg por dia.

Os principais biomarcadores analisados para avaliar a eficácia foram: proteína C reativa (PCR), velocidade de hemossedimentação (VHS), interleucinas (ILs) e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Marcadores de degradação da cartilagem/osso também foram avaliados, como o telopetídeo C-terminal entrecruzado do colágeno tipo II (CTX-II) e as metaloproteinases da matriz (MMPs).

Para avaliar a eficácia de diferentes intervenções na saúde articular, diversos questionários foram utilizados nos estudos. Os principais foram: Índice de Osteoartrite das Universidades de Western Ontario e McMaster (WOMAC), o Índice de Lequesne (LI) e o Índice Funcional de Lequesne (LFI). 

Analisando a eficácia, a maioria dos estudos verificou resultados satisfatórios nos efeitos de glucosamina e/ou condroitina comparados com placebo. Além disso, os efeitos benéficos também foram observados quando os resultados foram comparados ao uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.

Mediadores inflamatórios foram reduzidos em muitos estudos com a suplementação, incluindo PCR, IL-1β e IL-6, VHS e TNF-α. Estudos também observaram a prevenção ou redução da taxa de degradação da cartilagem, por exemplo ao reduzir o estreitamento do espaço articular, ou diminuir marcadores de degradação da cartilagem.

Os achados objetivos somados às melhoras subjetivas, analisadas a partir dos questionários de satisfação do paciente, redução da dor e melhora da qualidade de vida, demonstraram que a suplementação de glicosamina e condroitina pode oferecer diversas vantagens no tratamento de condições articulares.

Em relação à segurança, a maioria dos estudos relatou nenhum efeito colateral ou eventos adversos mínimos/brandos. Os mais comuns foram relacionados ao sistema gastrointestinal, como náusea, diarreia, constipação, dispepsia e distensão abdominal.

Ambos compostos atuam com ação anti-inflamatória, contribuindo para a proteção da cartilagem, além de inibir enzimas católicas, promovendo efeitos anabólicos. Por conta desses mecanismos, acredita-se que esses dois suplementos nutricionais atuem de forma benéfica no manejo condições que afetam as articulações e cartilagens.

Conclusão

No geral, as evidências sugerem que a glucosamina e a condroitina são geralmente eficazes e bem toleradas, especialmente para o manejo da osteoartrite e dor articular. A dose diária mais comum foi de 1500 mg para glucosamina e 1200 mg para condroitina, com fracionamento de consumo em três vezes ao dia.

A pesquisa foi centrada na osteoartrite e dor articular, por isso mais estudos são necessários para uma avaliação aprofundada dessa suplementação para outras condições clínicas. Além disso, também é essencial avaliar a eficácia, segurança e dosagem ideal de uso dessas substâncias de acordo com a idade, sexo e comorbidades clínicas.

Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/17/13/2093

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Artigo Científico: Azeite de oliva extravirgem e os benefícios para a saúde cardiovascular

Existem diversas evidências na literatura científica sobre os benefícios do azeite de oliva extravirgem, especialmente no contexto da Dieta Mediterrânea. Esses benefícios são associados ao perfil lipídico do azeite, caracterizado por um alto teor de ácido oleico (um ácido graxo monoinsaturado do tipo ômega‑9).

Além disso, os polifenóis presentes no azeite, com concentrações mais elevadas se for extravirgem, desempenham um papel fundamental para a prevenção de doenças cardiovasculares, por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

A revisão sistemática em questão teve como objetivo reunir estudos, com metodologia robusta e relevância científica, que avaliaram os benefícios do consumo de azeite de oliva extravirgem e o impacto na prevenção de doenças cardiovasculares. Confira o nosso resumo a seguir!

Metodologia

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, realizados em humanos, publicados entre 2005 e 2025, que apresentaram como intervenção a suplementação de azeite de oliva extravirgem para análise de biomarcadores cardiometabólicos. Foram excluídas revisões, meta-análises, estudos com animais e com análise de doenças não relacionadas à saúde cardiovascular.

Resultados

Na pesquisa inicial 475 estudos foram encontrados, mas apenas 17 atenderam aos critérios estabelecidos e foram incluídos na revisão sistemática. Os desfechos analisaram os efeitos do azeite de oliva extravirgem, ofertado de forma isolada ou combinado a tratamentos farmacológicos, na redução do risco cardiovascular.

Os dados foram categorizados por faixa etária, divisão que permitiu distinguir entre pacientes mais jovens e mais idosos. As faixas etárias analisadas incluíram: maiores de 18 anos; entre 20 e 80 anos; entre 38 e 55 anos; maiores de 55 anos; média de 67,3 anos; e maiores de 80 anos.

Nos estudos a quantidade suplementada foi variada: 20-30mL/dia, 40mL/dia, 50mL/dia fracionada e 60mL/dia. Alguns estudos também comparam os desfechos ofertando diferentes tipos de azeite de oliva, com menor ou maior teor de compostos fenólicos.

Conclusão

Conclui-se, com base nos estudos revisados, que o consumo de azeite de oliva extravirgem (entre 20 e 60 mL/dia) desempenha um papel fundamental na prevenção de eventos cardiovasculares recorrentes.

Esses benefícios são atribuídos ao elevado teor de polifenóis do azeite extravirgem e às suas potentes propriedades antioxidantes. A eficácia foi observada em estudos que compararam azeites com diferentes concentrações de compostos fenólicos.

Os polifenóis em questão contribuem especificamente para a melhora da função do HDL, redução dos níveis de LDL oxidado, dos peróxidos lipídicos e da pressão arterial sistólica.

A inclusão do azeite de oliva extravirgem em uma dieta equilibrada é uma estratégia simples e eficaz, reforçando a importância da alimentação na prevenção de doenças crônicas e promoção da saúde cardiovascular.

No entanto, ainda são necessários estudos clínicos multicêntricos, com maior diversidade populacional, para validar e aprofundar essas evidências científicas.

Leia o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/17/11/1843

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Cuidado Nutricional: Aleitamento Materno

O leite materno garante a nutrição adequada e ainda protege contra diarreias, infecções respiratórias e alergias. Ajuda também a diminuir o risco do desenvolvimento de hipertensão, colesterol elevado, diabetes e até obesidade; além de fortalecer muito o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê.

Por conta de todos esses fatores positivos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam que o bebê seja amamentado exclusivamente até os seis meses de vida. Depois disso, a amamentação pode continuar até os dois anos ou mais, junto com a alimentação complementar (1,2).

Contudo, condições pessoais, clínicas e socioculturais podem interferir na manutenção do aleitamento materno. Entre os obstáculos mais recorrentes, destacam-se: aconselhamento insuficiente por parte das equipes de saúde, estigma e desinformação, falta de suporte do parceiro ou família, retorno da mãe ao trabalho (3).

No Brasil, segundo o último levantamento de 2019, 45,8 % dos bebês menores de seis meses recebiam aleitamento materno exclusivo — média próxima da meta proposta para 2025 de 50%, mas bem abaixo de 70 %, meta para 2030. Quase a totalidade das crianças brasileiras foi amamentada alguma vez e metade mamou por pelo menos 15,9 meses (4).

Os nutricionistas, como educadores em saúde, desempenham papel essencial desde o pré-natal. No atendimento à gestantes, algumas ações são fundamentais, como: conhecer a história materna e familiar, antecipar possíveis dificuldades, orientar sobre o processo da amamentação e estimular práticas que favoreçam o vínculo mãe-bebê.

Cuidados nutricionais importantes para lactantes:

  • Para a estimativa energética recomendada usar duas fórmulas, a depender do período da lactação (5):
    • Primeiro semestre: EER de não grávidas + 500 kcal/dia.
    • Após o primeiro semestre: EER de não grávidas + 400 kcal/dia.
  • Durante a lactação, recomenda-se o adicional calórico de 500 kcal para o ganho de peso gestacional adequado e 700 kcal para ganho de peso insuficiente. Em caso de gestação gemelar, considerar adicionais por bebê (5).
  • Para o cálculo de macro e micronutrientes, considerar (5):
    • Proteínas: 1,1g/kg/dia ou acréscimo de 19 g/dia nos 6 primeiros meses e 12,5 g/dia nos meses subsequentes.
    • Lipídios: 20 a 35% do VET.
    • Carboidratos: 45 a 65% do VET.
    • Fibras: Ingestão adequada de 29 g/dia.
    • Micronutrientes: Avaliar a necessidade de suplementação de vitaminas e minerais, principalmente ferro, cálcio e ácido fólico. 
  • A recomendação sobre a perda de peso após o parto é diferenciada de acordo com o estado nutricional da nutriz, e não deve ultrapassar a perda ponderal segura para a lactação. Dietas rigorosas, durante esse período, podem reduzir a produção e a concentração de nutrientes no leite materno (6).
  • Mulheres que amamentam não precisam fazer nenhum tipo de restrição alimentar. Não há evidência de que os alimentos interferiam na amamentação. Também não se recomenda restrição de leite, ovos ou amendoim. No entanto, caso ocorra algum efeito no lactente associado a certos componentes da dieta, retirar o alimento da dieta por algum tempo e reintroduzi-lo, observando atentamente a reação da criança (7).
  • Não consumir peixes ricos em mercúrio: o consumo elevado de mercúrio pode representar risco ao desenvolvimento neurológico do bebê. Peixes ricos em mercúrio são os predadores, como peixe espada e cavala. Peixes com índices menores de mercúrio, podem ser consumidos 2 vezes por semana: anchova, bacalhau, pescada, arenque, salmão, sardinha, tilápia, truta, atum, peixe branco (7).
  • Limitar o consumo de café e outros produtos derivados até no máximo 300 mg de cafeína por dia (cerca de 3 xícaras de café). Com consumos acima dessa quantidade, algumas crianças podem apresentar irritação ou ter dificuldade para dormir (7).

Confira algumas orientações sobre educação em amamentação:

Antes de iniciar a mamada:

  • Higienizar bem as mãos, antebraços e unhas. Manter as unhas curtas para evitar machucar o bebê;
  • Se houver ingurgitamento, fazer massagem ou ordenha manual antes da mamada para facilitar a pega;
  • Passar um pouco do próprio leite na região mamilo-areolar, antes de oferecer a mama ao lactente.

Durante a mamada:

  • Apresentar a mama em formato de “C” para facilitar a pega;
  • Estimular o reflexo de busca tocando o mamilo nos lábios do bebê;
  • Garantir um ambiente calmo, respeitando o tempo do bebê, que pode pausar a sucção para descansar;
  • Caso a pausa se prolongue, estimular suavemente o bebê tocando suas orelhas ou pés;
  • Verificar constantemente a posição do bebê: ele deve estar alinhado, barriga com barriga, rosto voltado para a mama, sem torções no pescoço, com o queixo encostando na mama.

Cinco sinais de boa posição:

  1. O bebê se aconchega ao peito da mãe;
  2. A barriga do bebê toca o corpo da mãe;
  3. O rosto está voltado para a mama;
  4. Cabeça e coluna alinhadas;
  5. Cabeça apoiada no braço da mãe.

Outras recomendações importantes:

  • Esvaziar uma mama antes de oferecer a outra, garantindo a oferta tanto o leite anterior quanto o posterior;
  • Se possível, evitar bicos artificiais, pois podem causar confusão em alguns bebês;
  • Orientar sobre posições específicas em casos de dificuldade:
    • Invertida: útil quando há dor, fissuras, mastite ou ingurgitamento;
    • Cavaleiro: recomendada para prematuros, bebês com refluxo, fenda palatina, obstrução nasal, entre outros.

Materiais complementares:

É a educação contínua, iniciada no pré-natal e mantida no puerpério, que favorece o sucesso do aleitamento materno. Quando a amamentação se concretiza, surgem dúvidas, inseguranças e desafios que precisam ser acompanhados de perto.

Com escuta ativa, empatia e conhecimento técnico, o nutricionista pode contribuir significativamente para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Caso não seja a sua área de especialidade, procure profissionais para indicar e realizar parcerias profissionais!

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Até mais!

Atualidades

Novo posicionamento sobre consumo de sódio

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo excessivo de sódio é uma preocupação de saúde pública. Quando se fala em alimentação, esse é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, aumento da pressão arterial, osteoporose, doenças renais, cardiovasculares, cardíacas e cerebrovasculares.

No Brasil, segundo a última estimativa nacional, de 2013, o consumo de sal do brasileiro é quase o dobro da recomendação da OMS, cerca de 9,34 g/dia. Esse estudo também constatou que a percepção individual sobre o consumo elevado de sal é baixa.

Por isso, há necessidade não só de melhorar a conscientização populacional sobre o assunto, como também de estratégias que efetivamente promovam a redução na prática (1).

Diversas ações nacionais de saúde pública já abordaram a necessidade de reduzir o consumo de sódio. Por exemplo, o Guia Alimentar para a População Brasileira, as metas voluntárias de reformulação de alimentos processados e ultraprocessados e as mudanças na regulação da rotulagem nutricional de alimentos (2).

No novo posicionamento da OMS, a recomendação quantitativa para o consumo de sódio se mantém – até 2g/dia de sódio ou 5g/dia de sal, para adultos. No entanto, acrescenta-se, como proposta prática a substituição do tradicional sal de cozinha por sal baixo em sódio – recomendação para adultos e no contexto doméstico (3,4).

O sal baixo em sódio, também conhecido como sal light, contém adição de potássio em sua composição, tornando a sua composição nutricional com 50% menos sódio, em comparação ao sal de cozinha comum. Exemplificando: 1g de sal de cozinha apresenta 393 mg de sódio, já 1g de sal light apenas 197 mg. No entanto, ainda não existe uma padronização que garanta essa proporção na composição.

Em temos práticos, até parece ser uma boa substituição. No entanto, segundo o parecer técnico do Conselho Regional de São Paulo, a implementação dessa proposta deve considerar o contexto clínico, nutricional e social da população.

Inclusive, o próprio posicionamento da OMS indicou limitações e ressalvas sobre tal proposta:

Foto retirada de: “Guideline: Use of Lower-Sodium Salt Substitutes, 2025”.

Existem grupos que apresentam contraindicação ao uso de sal light, como: indivíduos em uso de fármacos poupadores de potássio, pessoas com doença renal crônica ou insuficiência cardíaca, ou outras condições que afetam o equilíbrio eletrolítico.

Além disso, também é necessário considerar o acesso individual a esse produto. No Brasil, o preço do sal light, por quilo, varia de R$18 a R$30. Já o sal refinado custa de R$2 a R$5. Por isso, mesmo que não haja contraindicação clínica que impeça o uso, fatores sociais e econômicos precisam ser considerados na prescrição nutricional.

Sendo assim, a proposta de substituição do sal tradicional por sal light não é para todos, nem deveria indicar que outras medidas de redução de sódio sejam descontinuadas. A educação nutricional em consultas nutricionais e as políticas públicas populacionais continuam sendo essenciais.

A prioridade dos nutricionistas, se tratando de ações de promoção da redução do consumo de sódio, pode continuar sendo: facilitar a redução do consumo de alimentos ultraprocessados, promover o uso de temperos naturais, como o sal de ervas, além de incentivar o desenvolvimento de habilidades culinárias.

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Até mais!

  1. MILL, J. G. et al. Estimativa do consumo de sal pela população brasileira: resultado da Pesquisa Nacional de Saúde 2013. Rev. Bras. Epidemiol., v. 22 ,2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-549720190009.supl.2.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Policy brief: Redução do sódio em alimentos processados e ultraprocessados no Brasil. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://nutricao.saude.ms.gov.br/?p=2424.
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guideline: Use of Lower-Sodium Salt Substitutes. Geneve: WHO, 2025. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240108363.
  4. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guideline: Sodium intake for adults and children. Geneve: WHO,2012. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241504836.
Atualidades

Cuidado Nutricional: Alergias Alimentares (Parte II)

Dando continuidade ao texto anterior, vamos abordar o tratamento nutricional nos principais casos de alergias alimentares. As orientações aqui apresentadas são baseadas no recente posicionamento sobre alergias alimentares, publicado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Pediatria.

Embora o diagnóstico da alergia alimentar seja atribuição médica, o nutricionista desempenha um papel essencial na educação alimentar, auxiliando na prevenção de reações alérgicas e na redução do risco de distúrbios nutricionais, por meio da prescrição de substituições seguras e adequadas.

A condução dietética em casos de alergia alimentar deve ser baseada em:

  • A exclusão completa dos alimentos responsáveis pela reação alérgica, bem como de seus derivados;
  • A inclusão de alimentos substitutos nutricionalmente adequados e seguros, sem risco de contaminação;
  • O apoio no manejo de reações agudas, com ajustes na alimentação e avaliação de possíveis reatividades cruzadas.

Importante acrescentar que a educação nutricional nesses casos também envolve esclarecimentos sobre higiene ambiental e doméstica, reforçando a importância dos cuidados com manipulação de alimentos. Em casos mais graves a reação alérgica pode acontecer até por contato com a pele, ou inalação do alérgeno.

A exclusão do alimento alergênico é a base do tratamento dietético, mas, em determinadas situações, é possível considerar a flexibilidade da dieta. Para isso, é fundamental:

  • Ter a autorização médica para flexibilizar a dieta, além de considerar a fase do tratamento;
  • Avaliar o nível de reatividade e a gravidade dos sintomas, para considerar testar a tolerância alimentar;
  • Verificar a resposta ao consumo de preparos ou produtos com traços do alimento alergênico;
  • Averiguar se há menor reatividade em preparações que passaram por processamento térmico, como alimentos cozidos ou assados.

Existem diversas manifestações clínicas das alergias alimentares, como abordado no texto anterior. Além dos principais alimentos alergênicos, a literatura já identifica os principais componentes responsáveis pelas reações adversas. Confira a imagem abaixo!

Fonte da imagem: http://dx.doi.org/10.5935/2526-5393.20250003

Essa descoberta é muito importante para as condutas nutricionais e para um planejamento alimentar mais seguro. Há pessoas com alergia à soja que também apresentam reações a outras leguminosas, por exemplo. Dessa forma, em casos com sintomas persistentes, uma alternativa possível é restringir outros alimentos com potencial de reatividade cruzada.

Condutas dietéticas para restrições alimentares em cada cenário:

Gestantes: diretrizes anteriores recomendavam que grávidas e lactantes evitassem o consumo de determinados alimentos para prevenir o desenvolvimento de alergias nos bebês. No entanto, uma metanálise realizada no Reino Unido em 2018, que reuniu cinco ensaios clínicos, concluiu que não há evidências de que a exclusão de alérgenos alimentares durante a gestação esteja associada à redução de alergias alimentares nos filhos.

Lactantes: a dieta de eliminação deve ser recomendada para a mãe que oferece aleitamento materno apenas quando o lactente manifestar reações com alérgenos veiculados pelo leite materno.Se os sintomas forem desencadeados após ingestão do alimento via oral, pela criança, a exclusão do alimento da dieta materna não é recomendada. No entanto, quando houver a exclusão de leite de vaca e derivados da dieta materna é preciso realizar a suplementação da nutriz com cálcio e vitamina D.

Alimentação complementar: décadas atrás acreditava-se que retardar a introdução de alimentos potencialmente alergênicos era uma forma eficaz de prevenção. Contudo, como a prevalência de alergias alimentares continuou a aumentar, especialistas passaram a reavaliar essas diretrizes. Atualmente, recomenda-se que todos os bebês, independentemente do risco, sejam expostos a todos os grupos alimentares até os doze meses de vida.

A EAACI (European Academy of Allergy and Clinical Immunology) publicou recomendações específicas para a introdução de ovo e amendoim em populações com alta prevalência de alergia a esses alimentos. Para o amendoim, a sugestão é o consumo de 2g de proteína do alimento uma ou mais vezes por semana. Já para o ovo, recomenda-se iniciar com meia unidade de ovo cozido (cozido por 10 a 15 minutos), duas vezes por semana. A introdução do ovo deve preceder a do amendoim, uma vez que a sensibilização ao ovo tende a ocorrer antes.

Fonte da imagem: http://dx.doi.org/10.5935/2526-5393.20250003

Outras considerações:

  • Não há recomendação para testagem de IgE específica para alimentos como conduta de rotina na introdução alimentar;
  • A introdução alimentar deve respeitar os hábitos da família, permitindo que a criança tenha contato com todos os grupos alimentares entre os seis e doze meses de vida;
  • Na impossibilidade do aleitamento materno exclusivo, não há recomendação favorável nem contrária ao uso de fórmula infantil à base de leite de vaca após a primeira semana de vida, com o intuito de prevenir alergias;
  • Revisões de estudos demonstraram que a introdução de fórmulas à base de leite de vaca após a primeira semana de vida não teve impacto consistente na prevenção de alergia à proteína do leite de vaca na infância.

Restrições alimentares desnecessárias, especialmente na infância, estão associadas a prejuízos sociais e psicológicos. Por isso, é fundamental que o diagnóstico médico seja assertivo e que a orientação nutricional seja igualmente bem conduzida.

Muitos pais evitam oferecer alimentos conhecidos por seu potencial alergênico (como ovo, leite, castanhas, entre outros) por medo do desenvolvimento de alergias em seus filhos. No entanto, além de gerar restrições desnecessárias, essa prática reduz a exposição alimentar da criança.

Apesar de parecer contraditório, a menor exposição a um alérgeno não oferece proteção. Um estudo muito relevante demonstrou que o aumento da diversidade alimentar no primeiro ano de vida reduz as chances de desenvolvimento de alergias.

Os resultados dessa pesquisa indicaram que, para cada alimento alergênico adicional consumido entre os seis e doze meses, houve uma redução de 33,2% na probabilidade de desenvolvimento de alergias alimentares nos primeiros 10 anos de vida. Confira o estudo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32004745/

Por fim, o documento em questão também apresenta diversas informações sobre introdução alimentar, alimentação escolar e alergia à proteína do leite de vaca (APLV). Além da abordagem teórica, há várias orientações práticas.

Recomendamos que os nutricionistas que atuam com essas demandas se aprofundem na leitura! Confira o material completo: https://asbairj.org.br/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp/

O que acharam do nosso resumo? Até a próxima!

Atualidades

Cuidado Nutricional: Alergias Alimentares (Parte I)

Segundo o Calendário Nacional da Saúde, de 23 a 29 de junho devem ser realizadas campanhas de conscientização sobre as alergias. Aproveitando o tema, trouxemos o resumo de um posicionamento sobre alergias alimentares, recentemente publicado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Pediatria.

Sendo a alimentação parte essencial de nossas vidas, pessoas com alergias alimentares encaram diariamente um grande desafio. Por isso, é importante que cada vez mais os profissionais da saúde se aprimorem no assunto, promovendo diagnósticos mais precoces, tratamento mais efetivos e estratégias mais eficazes de prevenção.

Alergia alimentar (AA) é uma condição clínica na qual o sistema imunológico responde, a partir da exposição, de forma exagerada e consistente a um alimento específico. As alergias, em geral, tem início ainda na infância e as suas manifestações clínicas são variadas.

Compreender a diferença entre alergia e intolerância alimentar é fundamental, pois a intolerância é uma resposta adversa que não envolve o sistema imunológico. Já as alergias são classificadas a partir do mecanismo imunológico envolvido: imediata/IgE mediada, tardia/não mediada por IgE, ou mista. Portanto, o que distingue a AA de outras reações adversas a alimentos é a sua natureza imunológica.

O sistema imunológico intestinal interage com proteínas a todo tempo e é naturalmente estimulado ao desenvolvimento de tolerância oral. Na resposta normal, com a tolerância, existe a produção de imunoglobulina A (IgA) e imunoglobulina G (IgG), mas essas não desencadeiam reações adversas. Já na resposta adversa, a falha imunológica gera a produção da imunoglobulina E (IgE), ou outros agentes imunológicos.

Fonte da imagem: https://asbairj.org.br/wp-content/uploads/2025/04/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp.pdf

São chamados de alérgenos os alimentos com potencial de desencadear reações alérgicas, os principais são: leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. Mas, alimentos como frutas e sementes também têm causado alerta.

Nos últimos anos houve um aumento no número de casos diagnosticados, além de uma maior procura sobre o tema, tanto por profissionais da saúde, quanto da própria população. Ampliou-se também o conhecimento sobre os alimentos que apresentam potencial alergênico.

Sendo o nutricionista um dos principais profissionais responsáveis por promover segurança alimentar e nutricional, torna-se essencial que tenham conhecimento sobre essa área; mesmo que introdutório, para saber identificar sintomas e encaminhar a um profissional especializado.

Prevenção:

No posicionamento publicado houve grande destaque sobre a maneira adequada de realizar a introdução alimentar de alimentos potencialmente alergênicos. Segundo o material, essa é uma conduta para minimizar o risco de alergias alimentares, além do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do bebê. Os primeiros 1000 dias também foram citados como críticos para aumentar ou reduzir a predisposição de desenvolver alergias.

A presença abundante de lactobacilos e bifidobactérias na microbiota intestinal apresenta ser um fator de proteção/prevenção no desenvolvimento de alergias em geral, isso acontece pela capacidade dessas bactérias de inibir respostas mediadas por T helper 2, ou seja, do tipo Th2. Já Clostridium difficile e Staphylococcus aureus foram associadas com maior hipersensibilidade alimentar.

Fonte da imagem: https://asbairj.org.br/wp-content/uploads/2025/04/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp.pdf

Diagnóstico:

Quando existe alergia alimentar, assim como outras, os sintomas se iniciam ainda nos primeiros anos de vida. A depender da gravidade, a mesma pode ser desencadeada por traços de alimentos, ou até mesmo a inalação de partículas.

A primeira etapa diagnóstica é clínica, com anamnese detalhada e exame físico, sempre realizada por um médico. O próprio posicionamento dispõe de quadros com a descrição detalhada das principais reações para auxiliar no diagnóstico.

Fonte da imagem: https://asbairj.org.br/wp-content/uploads/2025/04/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp.pdf

Existem testes diagnósticos bem consolidados, como apresentados no quadro acima. No entanto, muitos testes sem evidência científica estão sendo realizados e gerado restrições alimentares desnecessárias. São eles: dosagem de IgG, análise capilar, teste citotóxica, cinesiologia, iridologia, biorressonância e análises genéticas.

Tratamento:

A imunoterapia oral tem sido reconhecida como uma abordagem cada vez mais promissora, principalmente para alergias mediadas por IgE a alimentos como leite, ovo e amendoim​.

Atualmente muitos pacientes apresentam sintomas consideráveis até a adolescência, sendo que antes a maioria entrava em remissão por volta dos 7 anos de idade. Esse é um indicativo de que o tratamento tem sido cada vez mais longo.

A dessensibilização oral é uma conduta muito comum por médicos, pois melhora muito a qualidade de vida do paciente. No entanto, é importante destacar que isso não significa cura da alergia alimentar.

Quanto a conduta nutricional falaremos melhor no próximo texto, mas é importante destacar que o novo posicionamento enfatizou a importância da educação nutricional para evitar restrições desnecessárias, principalmente durante a infância.

Como as alergias alimentares se iniciam, em geral, ainda na infância, muitos pais evitam ofertar alimentos considerados alergênicos com o intuito de prevenir tais questões, mas esse não é o melhor caminho. Além de possíveis prejuízos nutricionais, restrições alimentares não orientadas podem gerar impactos sociais e psicológicos.

Em breve falaremos mais sobre o tratamento nutricional adequado nos principais casos de alergias alimentares. Acesse o posicionamento na íntegra: https://asbairj.org.br/atualizacao-em-alergia-alimentar-2025-asbai-e-sbp/

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Associação entre imagem corporal, transtornos alimentares e comparação em mídias sociais

Introdução

A comparação com outras pessoas é um comportamento comum devido a necessidade humana de autoavaliação. Mas, dependendo da intensidade e frequência pode gerar diversos afetos negativos. Nos últimos anos o tema se tornou mais relevante devido o crescimento das mídias sociais e as consequências sociais e psíquicas observadas.

Com o crescimento das mídias sociais o comportamento de comparação ocorre em maior frequência e intensidade, já que as pessoas possuem acesso aos conteúdos que estimulam isso com mais facilidade, via celular, por exemplo.

Diversas pesquisas já demonstraram que o uso das mídias sociais é particularmente prejudicial à imagem corporal e a sintomas relacionados a transtornos alimentares.

No entanto, são as plataformas que apresentam uso predominante de imagens e vídeos que exercem maior impacto negativo sobre as impressões corporais, do que mídias sociais mais texto, por exemplo.

Também é importante entender que mulheres são mais expostas a imagens idealizadas e experienciam pressões estéticas mais intensas do que os homens.

A revisão sistemática em questão sintetizou os dados referentes à associação entre a comparação social nas redes sociais, as preocupações com a imagem corporal e os sintomas de transtornos alimentares nesse contexto.

Resultados e Discussão

Entre os 1122 estudos encontrados sobre o tema, apenas 82 atenderam aos critérios de inclusão e foram utilizados nessa análise. A amostra foi abrangente, 55.440 participantes, sendo mais de 80% do sexo feminino e com idade inferior a 36 anos.

A correlação entre maior comparação social online e maiores preocupações com a imagem corporal foi significativa, assim como a correlação entre maior comparação social e sintomas de transtornos alimentares. A associação média entre maior comparação social e menor imagem corporal positiva também foi significativa.

No entanto, o estudo não analisou causalidade. Ou seja, não é possível afirmar se a maior tendência à comparação social resulta em maiores preocupações com a imagem corporal, comportamentos alimentares disfuncionais e menor imagem corporal positiva, ou se preocupações pré-existentes com a imagem corporal e comportamentos alimentares disfuncionais levam a uma tendência aumentada à comparação social em mídias sociais.

Tampouco foi possível excluir a influência de outras variáveis que podem impactar na associação em questão. Por fim, a alta representação de mulheres e jovens na maioria dos estudos torna incerto se os efeitos de comparação social online podem variar em amostras mais velhas, do sexo masculino ou de gêneros diversos.

Conclusão

Os resultados desta meta-análise sugerem que a associação analisada (maior comparação social online x maiores preocupações com a imagem corporal e comportamentos alimentares disfuncionais) apresenta força moderada.

Foram identificadas variáveis importantes que atuaram como moderadores, como: a qualidade dos estudos, tipo de rede social utilizada, país do estudo, tipo de comparação social observada e percentual de participantes do sexo feminino.

Apesar da importância da revisão atual, ainda são necessárias pesquisas futuras que considerem os diferentes usos nas mídias sociais, bem como características individuais que possam alterar as relações bidirecionais entre uso de redes sociais, imagem corporal e sintomas de transtornos alimentares.

Confira o artigo na íntegra: https://doi.org/10.1016/j.bodyim.2024.101841

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Tutorial Allivici: Guia de uso para atendimento materno-infantil

No texto de hoje trouxemos um guia de uso das ferramentas para nutricionistas que atuam na área materno-infantil. Confira mais detalhes sobre cada funcionalidade!

#1 Cadastro de Receitas: Elabore receitas assertivas para o seu público

Sabia que é possível criar e calcular receitas com o nosso sistema? Elabore preparos para a introdução alimentar, ou use essa função para adaptar receitas e deixá-las mais interessantes para o público infantil.

Essa é uma estratégia interessante para aumentar a aceitação de certos alimentos com preparos adaptados. As receitas também são muito utilizadas no caso de restrições alimentares.

Acesse o tutorial a seguir e saiba como usar essa ferramenta: https://blog.allivici.com/index.php/2024/10/01/tutorial-allivici-lista-e-cadastro-de-receitas/

#2 Chás: Orientações de uso para gestantes, lactantes e crianças

Nem todos os chás são indicados para a gestação ou amamentação – ao clicar na erva veja em contraindicações se pode ser consumida. Além disso, também deixamos instruções mais específicas (no cabeçalho da página) para o consumo de crianças, de acordo com a faixa etária!

Para cada erva existe uma indicação de uso, com a legenda “A” ou “A/I”:

Inclusive, para facilitar a orientação, criamos uma lâmina exclusiva sobre quais chás são contraindicados:

#3 Lista de Planos Alimentares: Ideias prontas e editáveis para cada fase da infância

Muitas vezes é difícil começar um plano alimentar do zero, por isso deixamos modelos editáveis disponíveis. Os planos alimentares prontos para crianças foram baseados nas orientações do Guia Alimentar para Crianças.

Uma sugestão é criar novos planos, que atendam a diferentes demandas clínicas e para várias faixas etárias. Assim, sua rotina ficará muito mais fácil a cada atendimento nutricional!

Acesse o tutorial a seguir e saiba como usar essa ferramenta: https://blog.allivici.com/index.php/2024/08/06/tutorial-allivici-como-montar-um-plano-alimentar/

#4 Antropometria: Cálculo automático da idade e classificação por percentil

Ao cadastrar um paciente o nosso sistema usa a informação da data de nascimento para calcular a idade (em anos e meses) e avaliar os dados inseridos na antropometria de acordo com a faixa etária!

Dessa forma, a classificação do estado nutricional de acordo com o percentil já é feita de forma automática, após introduzir os dados de altura e peso corporal.

Acesse o tutorial a seguir e saiba como usar essa ferramenta: https://blog.allivici.com/index.php/2024/05/01/tutorial-allivici-protocolos-de-antropometria/

#5 Materiais Extras: Aleitamento Materno e Introdução Alimentar

Esses materiais foram desenvolvidos por uma nutricionista, em parceria com uma culinarista que também é mãe. Por isso, além de explicações baseadas na ciência da nutrição, o material traz diversas dicas práticas, testadas no dia a dia materno!

Esses materiais oferecem suporte para abordar tópicos importantes da introdução alimentar e amamentação. Utilizá-los durante a consulta contribui para que os seus clientes/pacientes compreendam esse processo de forma mais clara, segura e estruturada!

Então nutri, o que achou do nosso guia de atendimento? Quais outras especialidades querem ver por aqui? Nos conte lá no Instagram: https://www.instagram.com/allivici

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Rinite e o papel preventivo de suplementos nutricionais

Com o avanço das pautas ambientais, fica cada vez mais evidente a necessidade de reduzir a poluição do ar. Na área da saúde, também há interesse em descobrir tratamentos e estratégias preventivas que melhorem a qualidade de vida e a saúde respiratória da população.

A poluição do ar também está associada a outras doenças, como cardiovasculares, autoimunes, tumores e inflamação nos tecidos. Em pesquisas sobre imunidade e capacidade anti-inflamatória, os suplementos nutricionais demonstraram ser uma alternativa viável promissora .

Afinal, quais compostos poderiam auxiliar na prevenção de sintomas ou doenças respiratórias causados pela poluição do ar? Esse foi o objetivo da revisão em questão, além de explicar os impactos negativos da poluição para a saúde respiratória.

Resultados e Discussão

Um dos componentes mais estudados na poluição do ar é o material particulado (MP), uma mistura de partículas sólidas e/ou líquidas suspensas no ar que contém várias substâncias perigosas; como aerossóis de carbono, hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), benzoquinona e metais pesados.

Existe associação entre esse componente com a rinite alérgica, pois ele atua como irritante da mucosa nasal, potencializando a resposta alérgica. Essa associação foi corroborada por um estudo americano que avaliou a correlação entre a exposição a partículas finas e rinossinusite. Foi indicado um risco maior de rinossinusite com o aumento da exposição à MP.

Os suplementos nutricionais ganham espaço nesse contexto por sua capacidade de modulação do sistema imunológico e proteção contra agentes inflamatórios. Confira quais apresentam potencial preventivo para rinite alérgica associada à poluição do ar:

  • Kefir: com potencial de exercer efeitos antialérgicos por meio da modulação imunológica e da influência que exerce na microbiota intestinal. No entanto, os estudos clínicos que investiguem essa associação (kefir x rinite induzida por MP) ainda são limitados;
  • Lactoferrina: tem sido usada como suplemento em várias condições clínicas, devido à capacidade de modulação imunológica. Apesar de demonstrar potencial nesse contexto, estudos clínicos que avaliem a eficácia da suplementação de lactoferrina na rinite associada à MP são escassos;
  • Vitamina D: pode suprimir a produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-4 e IL-17, além de promover a secreção da citocina anti-inflamatória IL-10. Vários estudos clínicos investigaram a correlação entre vitamina D e rinite. Os achados indicam associação entre baixos níveis séricos da vitamina e rinossinusite crônica, assim como a redução de sintomas com a suplementação. No entanto, estudos clínicos sobre os efeitos preventivos da suplementação de vitamina D na rinite relacionada à exposição à PM são limitados;
  • Ácidos graxos ômega-3: são reconhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras. Por isso, são candidatos para reduzir os efeitos adversos da exposição à MP, como a rinite. Nesse contexto, os mediadores lipídicos anti-inflamatórios poderiam auxiliar na redução a inflamação nasal, na produção de muco e na redução de outros sintomas alérgicos. Apenas um estudo foi realizado avaliando essa associação;
  • Probióticos: a microbiota intestinal desempenha um papel crucial no sistema imunológico. Alterações na sua composição têm sido associadas a várias doenças respiratórias, incluindo asma e rinite alérgica. A modulação do eixo intestino-pulmão pode contribuir para os efeitos benéficos dos probióticos na rinite relacionada à poluição do ar. Um estudo realizado em crianças com rinite alérgica testou o tratamento profilático com a mistura de Bifidobacterium animalis subsp. lactis e Enterococcus faecium. Os sintomas das crianças tratadas com probióticos foram menos graves em comparação ao grupo de controle.

Conclusão

Apesar de os suplementos serem uma possibilidade complementar promissora, não devem ser encarados como substitutos de políticas ambientais para melhorar a qualidade do ar e a saúde respiratória da população. Existem evidências limitadas sobre o assunto, mas grande potencial de que tais suplementos — assim como outros a serem pesquisados — sejam alternativas terapêuticas interessantes na prevenção da rinite induzida por MP.

Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/17/5/829

Até mais!

Atualidades

Dia Nacional do Cacau

Apesar do cacau ser muito conhecido por conta do chocolate, poucas pessoas conhecem sobre a produção e benefícios nutricionais desse fruto. Pensando em 26 de março, Dia Nacional do Cacau, elaboramos um resumo do que o nutricionista precisa saber para orientar o consumo do cacau ou o chocolate.

O estado brasileiro da Bahia é um grande produtor de cacau, mas a produção tem ganhado destaque em outros locais, como no Ceará. Ter um dia no calendário nacional demonstra a relevância desse fruto para o país, além de estimular ações públicas para o desenvolvimento de um plantio cada vez mais sustentável (1).

O alimento derivado do cacau mais comumente consumido é o chocolate. Quanto maior for o teor de cacau do chocolate, mais benefícios nutricionais podem ser observados. No entanto, a qualidade do chocolate amargo irá depender do próprio fruto/amêndoa de cacau, que apresentará diferentes níveis de compostos bioativos dependendo do plantio, safra, entre outros fatores (2).

O cacau é considerado um alimento funcional por ser rico em metilxantinas (cafeína e teobromina), além de ser fonte de polifenóis, principalmente os flavonoides. Devido ao perfil de compostos fenólicos, o próprio cacau, ou o chocolate, já foram utilizados em vários estudos, principalmente para analisar os impactos positivos na saúde cardiovascular, diabetes, envelhecimento e câncer (3).

fonte da imagem: https://doi.org/10.1016/j.fct.2021.112121

Apesar de existirem estudos que há anos avaliam os benefícios acima citados, ainda não há consenso sobre o tema. Isso acontece, em partes, por conta da falta de homogeneidade metodológica. No entanto, mesmo que a maioria dos estudos sejam inconclusivos a análise dos mesmos permanece válida!

Sugestão de artigos para aprofundar os estudos:

  • O artigo avaliou a suplementação de flavonoides do cacau na resistência à insulina e obesidade, mas não houve diferença significativa dos parâmetros avaliados em comparação com o grupo controle: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36771271;
  • Impactos positivos foram observados no humor e na microbiota intestinal com o consumo de chocolate 85% cacau (30g/dia), em comparação com o consumo de chocolate 70% e o grupo controle: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530112/;
  • A revisão analisou estudos realizados no período de dez anos sobre o consumo de chocolate amargo x obesidade. Os resultados foram inconsistentes, pois as intervenções foram realizadas com diferentes doses/produtos: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33266002/;
  • Houve diferença positiva, em comparação com o grupo controle, na secreção de GLP-1 e insulina devido o consumo de chocolate amargo. No entanto, o grupo controle recebeu apenas água, fator considerado como limitação importante para os resultados: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33545542/;
  • Apesar dos resultados inconclusivos, a revisão sistemática indicou que o cacau exerce um papel importante nos caminhos metabólicos envolvidos com estresse oxidativo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31987247/;
  • O estudo foi realizado em mulheres durante a menopausa que avaliou o impacto do consumo de chocolate amargo na qualidade de sono e depressão; já o grupo controle recebeu chocolate ao leite na intervenção: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/pmid/39397049/;

Até mais!

Atualidades, Nutrição Materno-Infantil

Artigo Científico: Minerais, regulação hormonal e saúde do endométrio (Parte II)

Hoje iremos continuar o resumo de um artigo científico. Se está chegando por aqui agora, primeiro confira o texto anterior. O consumo de micronutrientes impacta na regulação hormonal, saúde do endométrio e fertilidade. Isso acontece porque muitos minerais estão associados com a regulação hormonal. Confira os principais minerais associados com a ovulação e fertilidade feminina!

Influência dos minerais na ovulação:

  • Cálcio: importante para a fase folicular e maturação dos óvulos, também facilita a liberação do óvulo (ovulação) armazenado nos folículos ovarianos. Modula mensageiros importantes para a fecundação, além de ter grande atuação no desenvolvimento zigótico. Manter um consumo ideal de cálcio é essencial para mulheres que desejam engravidar;

  • Zinco: cofator para diversas enzimas importantes, como DNA polimerase e ribonucleotídeo redutase, participantes da síntese e divisão celular. A deficiência de zinco pode impactar negativamente a fase folicular e maturação do óvulo, já a insuficiência do consumo compromete a qualidade do óvulo e a fertilidade como um todo;

  • Ferro: por atuar na oxigenação sanguínea, participa ativamente dos processos de fecundação e desenvolvimento embrionário. O mineral também desempenha um papel importante na função mitocondrial e síntese de DNA. A deficiência de ferro pode levar a quadros de anemia e baixos níveis de ferritina já foram associados com casos de infertilidade;
Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Estresse oxidativo e fertilidade:

O termo estresse oxidativo é referente ao desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade do corpo de realizar a destoxificação adequada. Esse é um processo natural do organismo, que envolve substâncias antioxidantes (endógenas e dietéticas). Para colaborar com esse processo, existem minerais que podem ser consumidos com maior frequência: zinco, magnésio, selênio, ferro, cobre e manganês.

Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Fecundação e implantação embrionária: após a fecundação ainda existe o processo de implantação do blastocisto na parede uterina, por isso a saúde do endométrio impacta tanto na fertilidade. Zinco, magnésio, cálcio iodo e ferro são os minerais que apresentam maior impacto nesse processo; sendo assim, precisam ser consumidos/suplementados durante o período fértil quando se planeja engravidar.

Confira as recomendações de consumo e fontes alimentares para cada micronutriente:

Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Gostou do tema? Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/16/23/4081

Até mais!

Atualidades

Abril Azul: Como o nutricionista pode auxiliar?

A campanha Abril Azul visa conceder mais atenção ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo. Como essa condição atinge várias áreas da vida, a abordagem terapêutica deve ser multiprofissional. Desde 2012, com direito estabelecido por lei, esse público deve receber a atenção nutricional adequada, assim como acesso à terapia nutricional (1, 2).

No transtorno do espectro autista (TEA) há alterações do desenvolvimento neurológico. Não há características físicas ou comportamentais únicas, e sim uma série de condições atípicas em cada caso, por isso o diagnóstico e tratamento podem ser tão complexos (3).

Qual deve ser o cuidado nutricional com pessoas com TEA? Como o nutricionista pode auxiliar? 

  1. Alimentação seletiva: é comum ocorrer aversão a certos alimentos, ou restrições por intolerância/alergia, ocasionando no baixo consumo de fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C (4);
  2. Estado nutricional e suplementação: exames bioquímicos devem ser monitorados para avaliar a necessidade de suplementação vitamínica. Existe maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia, por isso há necessidade diferenciada de micronutrientes (4);
  3. Educação alimentar: há frequente eletividade/aversão para cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo dos alimentos. Esse cenário interfere no consumo alimentar, por isso deve acontecer uma orientação cautelosa com os responsáveis e estratégias criativas com os pacientes para aumentar o consumo alimentar (4); 
  4. Estratégias nutricionais: uso de aminoácidos como cisteína e metionina, além de ácido fólico, vitamina B6 e B12, pois são nutrientes essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM) (4); 
  5. Alterações gastrointestinais: há maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal. Por isso, há benefício do uso de probióticos melhora dos sintomas e modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina (5,6);
  6. Evitar falas/atitudes capacitistas: quando há pouco conhecimento sobre a condição apresentada, falas ou atitudes podem expressar a ideia de que pessoas com autismo são incapazes (7).

Para complementar as pesquisas e estudos, algumas indicações de artigos científicos:

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Minerais, regulação hormonal e saúde do endométrio (Parte I)

Existem fatores bem conhecidos por impactarem o ciclo menstrual, como estresse, peso corporal, consumo de álcool ou cigarro. Mas, sabia que o consumo de micronutrientes também impacta na regulação hormonal, saúde do endométrio e fertilidade?

O artigo científico em questão buscou compreender as evidências atuais sobre a associação entre fertilidade feminina e o papel de minerais, com o intuito de fornecer recomendações de consumo para mulheres em idade reprodutiva.

Resumo da relação entre regulação hormonal e fertilidade:

A capacidade de reprodução humana é regulada por hormônios, que atuam desde a ovulação até o desenvolvimento de uma gestação. O ciclo menstrual apresenta diferentes fases com flutuações hormonais. Muitos minerais estão associados com a regulação hormonal, como é o caso do cálcio na liberação e regulação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), por exemplo.

Sabia que até mesmo a exposição a cádmio pode afetar a absorção de minerais e possivelmente impactar a fertilidade? No Software Allivici disponibilizamos uma ferramenta para identificar as possíveis fontes de metais pesados e personalizar a orientação nutricional!

Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Influência dos minerais na regulação hormonal:

  • Zinco: vital para o metabolismo da insulina, síntese de testosterona e para a expressão e metabolismo de progesterona, estrogênio e hormônios andrógenos. Houve associação entre parto prematuro e baixo consumo de zinco (<6 mg/dia). Zinco tem participação essencial durante a fase folicular e ovulação. A suplementação recomendada é de 30 a 40mg/dia;

  • Selênio: essencial para produção de selenoproteínas e conversão de tiroxina (T4) em tri-iodotironina (T3). Condições como hipertireoidismo ou hipotireoidismo estão associadas com desregulação no ciclo menstrual e fertilidade. Hormônios tireoidianos impactam na modulação de progesterona e estrogênio;

  • Iodo: apresenta papel fundamental na função tireoidiana, sua deficiência leva ao hipotireoidismo e mudanças na capacidade reprodutiva, como a anovulação. Assim como no caso do selênio, o iodo deve ser consumido dentro das recomendações durante o ciclo menstrual;

  • Ferro: atua na regulação de enzimas importantes, como a família da citocromo P450 (CYP), que participa do metabolismo de hormônios como estrogênio e progesterona. A deficiência de ferro leva a anemia, que pode desencadear mudanças no ciclo menstrual e reduzir a fertilidade;

  • Cálcio: atua na secreção de hormônios e neurotransmissores importantes, como GnRH, que é essencial para liberação do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo-estimulante (FSH), associados com a produção de estrogênio e progesterona. Tem um papel essencial durante a fase ovulatória;

  • Magnésio: é um cofator para diversas enzimas, como a aromatase, responsável pela conversão de andrógenos em estrógenos. Pesquisas indicam que mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP) apresentam baixos níveis séricos de magnésio. No entanto, ainda não há indícios fortes do papel do magnésio durante o ciclo menstrual.

Confira as recomendações de consumo e fontes alimentares para cada micronutriente:

Fonte da imagem: https:// doi.org/10.3390/nu16071008

Em breve a continuidade desse assunto, com mais informações sobre o impacto dos minerais na ovulação e fertilidade! Confira o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/16/23/4081

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Estratégias nutricionais para a recuperação pós-exercício

A nutrição adequada desempenha um importante papel a recuperação pós-exercício, principalmente no reparo muscular, reposição de energia, reidratação e equilíbrio de fluidos.

Por isso, pensando no desempenho esportivo, estratégias personalizadas devem ser utilizadas. É com uma recuperação adequada que o paciente/cliente mantém um bem-estar físico e mental, reduz o risco de lesões e maximiza os benefícios do exercício físico.

Suplementos tradicionais, como proteína, carboidratos, creatina e aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs), já são amplamente conhecidos. No entanto, nos últimos anos, alimentos ricos em compostos bioativos estão sendo utilizados com a mesma finalidade – melhor recuperação após o exercício físico.

Quais são esses alimentos? Existem evidências robustas para essa prescrição? Confira!

  • Laticínios: acrescentar leite e iogurte nas refeições é uma estratégia interessante, pois são alimentos com bom teor proteico e naturalmente com caseína em sua composição. Também apresentam bom teor de cálcio, potássio, magnésio e vitamina D. No entanto, é preciso atenção para intolerância e alergias alimentares.
  • Alimentos anti-inflamatórios: cúrcuma, mirtilo, suco de abacaxi e de cereja azeda (tart cherry) apresentam potencial antioxidante devido o alto teor de compostos bioativas, como polifenóis e antocianinas, por exemplo.
  • Alimentos ricos em ômega 3: suplementar óleo de peixe é a forma mais popular de consumo/prescrição, mas semente de linhaça ou chia e nozes também são boas fontes de ômega 3 via ácido alfa-linolênico (ALA). Promovem melhor recuperação pós-exercício ao auxiliar na redução da dor e rigidez muscular.

Com o avanço da nanotecnologia a produção de suplementos apresentará cada vez mais melhor biodisponibilidade de nutrientes. Outra tendência é considerar testes genéticos, metabólicos e a análise da microbiota para uma prescrição nutricional personalizada.

Por fim, o artigo em questão também abordou a fisiologia da recuperação muscular e fez uma comparação muito interessante entre os suplementos tradicionais mais estudados e prescritos. Vale conferir!

O artigo apontou limitações encontradas para desenvolver essa revisão e também indicou a importância que pesquisas continuem se aprofundando sobre os benefícios de alimentos e suplementos, promovendo protocolos ainda mais personalizados para a recuperação pós-exercício. 

O que achou, nutri? Não esqueça de ler o artigo na íntegra: https://www.mdpi.com/2072-6643/16/23/4081

Até mais!

Atualidades

Tutorial Allivici: Ferramentas para a gestão do seu consultório

Muitos profissionais usam um sistema nutricional para montar planos alimentares com mais agilidade. No entanto, existem diversas ferramentas que contribuem para uma melhor dinâmica no atendimento nutricional. Confira a seguir quais são as nossas principais dicas para a gestão do seu consultório e como utilizar cada uma:

  • Salve as informações dos pacientes em um só lugar

Poder reunir os dados das pessoas atendidas, como o telefone, e-mail e aniversário é essencial. Dessa forma, além de manter todas as informações organizadas e seguras, também é possível ter acesso as mesmas em um só lugar, de forma rápida e em qualquer momento.

  • Personalize os materiais entregues

Na “área de usuário” disponibilizamos diversos dados editáveis, use dessa ferramenta para que os materiais entregues estejam personalizados. Sugerimos que os principais itens a serem modificados sejam: assinatura, logotipo, carimbo e rodapé.

  • Mantenha um melhor controle financeiro

Outra dica muito interessante é manter um registro em “agenda” dos valores e datas de pagamento das consultas realizadas, também é possível fazer o mesmo com as despesas em “área do usuário”. Clique em “financeiro” no “menu lateral” e acesse um resumo mensal e anual do lucro, receita e despesas de seu consultório.

  • Emita recibos e atestados com um click

Após cadastrar uma nova consulta é possível emitir o atestado e recibo de cada atendimento. Os dados que estarão nesses documentos são provenientes do cadastro de cada paciente. Lembrando que é possível deixar tudo personalizado com logo, carimbo e dados para contato – essa foi a primeira dica no texto de hoje 🙂

Nutri, gostou de saber como utilizar essas ferramentas? Teste todas gratuitamente em allivici.com.br !

Até a próxima!

Atualidades

Tutorial Allivici: Solicitar e avaliar exames laboratoriais

A solicitação de exames é uma etapa muito importante para o acompanhamento nutricional. Pois, a partir dos resultados que a prescrição dietética, assim como a suplementação, podem ser ainda mais individualizadas!

É essencial que o profissional saiba quais exames solicitar em cada quadro clínico, assim como interpretar os seus resultados.

O Conselho Federal de Nutrição (CFN) tem uma recomendação bem estabelecida sobre essa atribuição, já que existem limitações. No entanto, algumas já estão sendo discutidas para que os nutricionistas possam desenvolver o seu trabalho com maior autonomia, como no PL nº 5881/2019.

Durante o desenvolvimento do Software Allivici a etapa de solicitação e avaliação de exames foi pensada com muito cuidado, para que fosse de fácil compreensão, principalmente para quem acabou de se formar:

Confira como fazer isso com o nosso sistema:

  1. No menu lateral clique em Lista de Exames para encontrar os valores recomendados (diferente dos valores de laboratórios) para cada exame. É uma ótima ferramenta para quando o paciente chegar em consulta com exames realizados anteriormente.

2. Ao clicar em cada exame é possível visualizar um resumo sobre a importância do mesmo, os valores indicados pelos principais laboratórios, além das recomendações – para quem solicitar? atleta? gestante?

3. Agora, para solicitar exames é preciso estar “dentro” de uma consulta. Selecione um paciente, depois clique em nova consulta ou acessar consultas já realizadas. No menu lateral, clique em conduta dessa consulta e depois em Solicitar Exame.

Como ilustrado na imagem abaixo é possível selecionar o perfil do seu paciente e montar um pedido automático de exames, ou selecionar manualmente os exames que deseja solicitar. Não esqueça de clicar em salvar ao fim da página 🙂

4. Para a avaliação dos exames primeiro retorne na consulta em que houve a solicitação. Depois, no menu lateral clique em conduta dessa consulta e a seguir em exames solicitados.

Para incluir os resultados clique em editar todos os exames no topo da página, ou ao lado direito, em editar cada exame individualmente. Os resultados abaixo dos valores recomendados aparecerão em vermelho.

O que achou de mais um #TutorialAllivici? No próximo texto falaremos sobre as ferramentas de gestão de consultório e controle financeiro com o nosso sistema para nutricionistas.

Até mais!

Atualidades

Tutorial Allivici: Lista de Substituições

A série de textos do #TutorialAllivici foi idealizada para explicar funcionalidades do nosso sistema, assim como novas ferramentas. A seguir falaremos de uma atualização que deixará os planos alimentares ainda mais personalizados.

A nossa Lista de Substituições foi criada e calculada com base nas orientações do livro “Cálculos Nutricionais: Análise e Planejamento Dietético“. Como funciona? Cada grupo alimentar tem um valor calórico padrão, que orienta as porções de consumo em gramas para cada alimento.

Além dos grupos alimentares existentes é possível criar novas listas. Basta clicar em novo grupo no topo da página. Importante: caso vá criar novas listas/grupos coloque alimentos do mesmo grupo alimentar (cereais, carnes, frutas etc.) e indique qual é o valor calórico da porção (150, 190, 70).

Clique em Lista de Substituições no menu lateral e você acessará os grupos alimentares existentes e o valor calórico padrão para cada porção (foto acima).

Ao clicar em cada grupo uma lista de alimentos aparecerá (foto abaixo), assim como as quantidades em gramas para atingir o referencial calórico estabelecido. É possível gerar um arquivo em pdf ao fim da página.

Exemplo: o valor calórico padrão para cada porção do grupo “cereais e tubérculos” é 150 kcal; já a quantidade em gramas de cada alimento irá variar: 120g de mandioca cozida, 50g de pão francês ou 40g de tapioca – todas essas porções apresentam aproximadamente 150kcal. Ficou claro? 🙂

Agora, para usar essa ferramenta na montagem do plano alimentar clique em substituições logo abaixo do alimento selecionado. Depois, escolha de qual grupo alimentar você deseja substitutos. Já trouxemos o conteúdo de como montar planos alimentares em outro texto – clique aqui!

Por exemplo, se quiser substituir ovo cozido por omelete, escolha “ovos e derivados”. Mas, se quer indicar quanto de frango deverá ser consumido como substituição, escolha “proteínas animais”.

Lembrando que a quantidade a ser consumida no campo de substituições é aproximada e será calculada por referencial calórico. É interessante adicionar observações também, para facilitar a compreensão do paciente quando receber o plano alimentar.

O que achou desse tutorial? A lista de substituições deixará o nosso sistema mais completo e os planos alimentares ainda mais personalizados! No próximo texto falaremos sobre como solicitar e avaliar exames laboratoriais utilizando o Software Allivici.

Até mais!

Atualidades

Tutorial Allivici: Lista e Cadastro de Chás

A prescrição de chás é uma prática comum entre nutricionistas, pois muitas bebidas apresentam benefícios interessantes e são feitas partes de alimentos ou ervas.

Todo nutricionista pode prescrever plantas e chás medicinais. No entanto, a prescrição de fitoterápicos é exclusiva para quem apresenta essa especialidade. Em nosso sistema disponibilizamos uma lista completa com indicações de chás. Confira como utilizar essa funcionalidade:

Para acessar a “Lista de Chás” clique em “Alimentos” no menu lateral e escolha a opção desejada. Além das alegações, ou seja, qual a finalidade de cada chá, também indicamos qual parte deve ser utilizada, em qual quantidade e como realizar o preparo.

Durante o planejamento dietético é possível incluir a indicação de chás para o paciente, clique em “Conduta dessa Consulta” e “Prescrever Chás”. É só marcar quais deseja incluir na prescrição e editar os campos de texto se assim desejar. Um arquivo em pdf ficará disponível para ser enviado.

É importante citar que as alegações terapêuticas que disponibilizamos consideram a posologia citada. As recomendações da Lista de Chás são para adultos. As plantas medicinais não devem ser usadas em crianças menores de 3 anos, gestantes e mulheres que estejam amamentando.

Por último, apesar de disponibilizarmos uma lista bem completa, ainda é possível cadastrar outros chás em seu perfil:

Nutri, o que achou desse tutorial? Ter uma lista completa de chás, com indicações e a forma de preparo pode deixar a sua prescrição ainda mais personalizada! No próximo texto do #TutorialAllivici falaremos sobre a última atualização do nosso sistema, a Lista de Substituições.

Até mais!

Atualidades

Tutorial Allivici: Prescrição e Cadastro de Suplementos

A prescrição de suplementos é uma etapa muito importante durante o planejamento nutricional. Por isso, no Software Allivici disponibilizamos diversos suplementos, além da possibilidade de cadastrar outros e prescrever manipulados! 

Confira no texto de hoje mais um tutorial para utilizar essa funcionalidade. 

Para acessar a “Lista de Suplementos” ou “Cadastrar Suplementos” clique em “Alimentos” no menu lateral e escolha a opção desejada.

Em “Lista de Suplementos” é possível visualizar todos os produtos cadastrados em nosso sistema. Eles ficam disponíveis para serem adicionados no plano alimentar do paciente. Nessa lista informações importantes podem ser acessadas, como a porção e medida caseira.

Para cadastrar suplementos clique no menu lateral e selecione essa opção, ou em “novo suplemento” na mesma página demonstrada acima. Adicione o máximo de informações, conforme a tabela nutricional do fabricante, para que a sua prescrição se torne ainda mais personalizada.

Quando estiver montando o plano alimentar do paciente é só digitar o nome do suplemento desejado e o incluir na prescrição. Isso é muito importante em refeições que utilizarão suplementos ricos em carboidratos, proteínas ou lipídeos.

Além disso, é possível prescrever suplementos manipulados dentro do próprio Software Allivici. Quando estiver elaborando a conduta do paciente, essa opção ficará disponível após a etapa do plano alimentar. A posologia para cada composto está indicada, com o propósito de facilitar esse processo para quem ainda não tem tanta experiência de prescrição.

Ao fim da página é possível incluir outro composto, diferente daqueles listados; além de poder acessar a lista completa de todos os suplementos prescritos para o paciente em questão, ou outros.

Nutri, o que achou desse tutorial? Poder adicionar suplementos no plano alimentar de forma simples e automática facilita muito! Além disso, não é ótimo poder incluir quantos suplementos quiser? No próximo #TutorialAllivici falaremos sobre a lista e cadastro de chás!

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Suplementação proteica e de nutrientes neuroprotetores para a cognição e composição corporal de idosos

Nota do autor: é importante considerar que o estudo foi realizado em uma amostra reduzida, com um produto pronto, dependente de disponibilidade e acesso. Assim, não é um estudo no qual indicamos basear condutas clínicas. No entanto, o mesmo ainda se mantém importante por indicar possibilidades no cuidado nutricional.  

Introdução

A sarcopenia e o declínio cognitivo são duas questões de saúde comum entre idosos, com grande impacto no estilo de vida e que demandam bastante atenção, tanto dos cuidadores, quanto dos profissionais da saúde.

Para a nutrição, algumas estratégias visam retardar ou prevenir o desenvolvimento de ambas condições clínicas. Além da ingestão adequada de macro e micronutrientes, estudos recentes têm avaliado o impacto dos suplementos para a saúde dessa população. 

O estudo em questão analisou os efeitos de um suplemento hiperproteico enriquecido com nutrientes associados com a neuroproteção no estado nutricional, risco de sarcopenia e melhora da função cognitiva de idosos. 

Metodologia 

A amostra foi composta de mulheres idosas, residentes em uma instituição de cuidado. O estudo foi prospectivo, randomizado, cross-over, placebo-controlado e duplo-cego. 

O suplemento utilizado foi o “All Nutri Senior”, já o grupo controle recebeu o “Cereal Senior”, um suplemento padrão à base de cereais, isocalórico, sem acréscimo de proteína ou mix de nutrientes. 

Para avaliar o impacto na cognição foi aplicado o questionário Mini-Exame do Estado Mental (MEEM). Já a avaliação do risco de sarcopenia foi feita por meio da aplicação do questionário SARC-F + CP. 

Resultados e Discussão 

O suplemento teve boa aceitação, com preferência de consumo no desjejum ou lanche da tarde. Entre as participantes, treze relataram maior saciedade com o consumo do mesmo. Também foi observada a redução de idosas com alterações gastrointestinais, como a constipação. 

Quanto ao risco de sarcopenia, o valor médio do SARC-F reduziu de 5,9 para 4,3, após o período de uso (oito semanas) do suplemento “All Nutri Senior”; o valor sugestivo de sarcopenia é superior a 11.

Por fim, também houve melhora nos resultados do MEEM, com aumento da pontuação média de 24,9 para 25,8; o valor indicativo de demência é menor ou igual a 24.

Conclusão 

A partir dos resultados foi possível concluir que o uso do suplemento por oito semanas gerou impactos positivos na capacidade cognitiva e redução do risco de sarcopenia. Também foi observado melhora da constipação e saciedade, além da redução do percentual de gordura corporal e ganho de massa muscular. 

O que achou? Não esqueça de conferir o artigo na íntegra: 

https://braspenjournal.org/article/doi/10.37111/braspenj.2023.38.2.08

Atualidades

Tutorial Allivici: Lista e Cadastro de Receitas

Muitos nutricionistas orientam receitas para deixar a rotina alimentar mais diversificada, mas é preciso considerar a composição nutricional desses preparos.

O cadastro de receitas é uma funcionalidade do Software Allivici para facilitar o momento de montar o plano alimentar e deixar a orientação nutricional ainda mais personalizada!

Confira todos os detalhes no texto de hoje!

Para acessar a “Lista de Receitas” ou “Cadastrar Receitas” clique em “Alimentos” no menu lateral e escolha a opção desejada.

Em Lista de Receitas é possível visualizar e editar todas as receitas cadastradas pelo usuário. Importante ressaltar que as novas receitas ficarão disponíveis apenas para o seu perfil. Já as cadastradas pelo sistema aparecem para todos.

É possível ordenar ou filtrar as receitas para encontrar o que deseja com mais facilidade. Sem glúten? Sem leite? É só dizer que te mostramos o que procura! Nessa mesma página também é possível cadastrar uma nova receita.

Para Cadastrar Receitas é possível começar do zero ou selecionar outra receita para servir de base. Coloque o nome e adicione os alimentos do preparo. Para editar a quantidade preencha o equivalente em gramas/mL ou altere a porção. Em observações coloque a medida caseira ou outras especificidades para facilitar o preparo.

Em instruções de preparo adicione todas as informações que o paciente precisa para fazer essa receita em casa. Também é muito importante colocar quantas porções a receita total rende, pois é dessa forma que as informações nutricionais da porção individual serão calculadas.

É opcional colocar a medida caseira ou peso da porção que será consumida (rendimento individual), essas informações ajudarão o paciente a saber quanto comer da receita, mas não irão interferir no cálculo do plano alimentar.

Após salvar já mostramos as informações nutricionais da receita cadastrada! Conforme a imagem abaixo, na barra azul superior é possível visualizar mais dados da composição nutricional clicando em “informação completa”.

Ao fim da página opte por “valores da receita inteira” ou “valores de 1 porção” para mudar dos dados que aparecem no quadro em questão.

Também é possível editar, excluir, seguir para a lista de receitas, visualizar ou fazer o download do aquivo em PDF para enviar ao paciente. Essa mesma página também fica disponível ao clicar no nome da receita na página “Lista de Receitas”. 

Nutri, o que achou desse tutorial? O cadastro de receitas deixará os planos alimentares mais personalizados e será mais fácil reunir todas as suas receitas em um só lugar. Além disso, não é ótimo ter o cálculo da composição nutricional automatizado?

Até o próximo #tutorialallivici!

Atualidades

Artigo Científico: Efeito do uso de canela na resposta glicêmica de adultos em pré-diabetes

Pré-diabetes é uma situação caracterizada pelo nível de glicose no sangue acima do valor de referência, mas que não cumpre os critérios diagnósticos para diabetes. No entanto, é um resultado muito importante, um sinal para realizar mudanças (1).  

Durante esse período, em alguns casos, a situação ainda pode ser revertida. Para outros, existe a possibilidade de reduzir a evolução do diabetes e as suas complicações. Por isso, tantos estudos investigam estratégias para pacientes com pré-diabetes. 

Confira no texto de hoje um estudo que analisou o efeito de canela na resposta glicêmica de adultos em pré-diabetes e obesidade!

Introdução

Estudos já demonstraram que o consumo de canela pode reduzir a concentração sanguínea de glicose e lipídios em pacientes com diabetes tipo 2, pré-diabetes, além de também afetar positivamente indivíduos saudáveis. 

A hipótese é que essa resposta aconteça devido ao conteúdo de polifenóis na canela. As doses nos estudos variam de 0,5g até 6 g/dia, com um intervalo de quatro a doze semanas. 

No entanto, ainda existem resultados controversos sobre o assunto com metodologias não compatíveis. Por isso, o estudo em questão buscou respostas para tais lacunas. 

Metodologia 

Os participantes foram observados por um período total de doze semanas, considerando o período de washout, em um estudo randomizado, controlado, duplo-cego e cruzado. 

Os indivíduos (n=18) tinham mais de dezoito anos, consumiam uma dieta baixa em fibras e polifenóis, tinham sobrepeso ou obesidade (IMC 25-40 kg/m2) e apresentavam pré-diabetes definida por glicemia em jejum entre 100 e 125 mg/dL ou hemoglobina A1c entre 5,7 e 6,4%. 

Antes da intervenção, por um período de duas semanas, todos os participantes iniciaram uma dieta baixa em polifenóis e não consumiram canela. Essa dieta foi seguida durante as doze semanas de estudo. 

A dose utilizada foi de 4 g/dia de canela (C. burmannii), com o consumo de dezesseis cápsulas todos os dias, oito no café da manhã e oito no jantar. Já aqueles que consumiram placebo (cápsulas de maltodextrina), também seguiram a mesma rotina. 

Um porta-cápsula foi fornecido a cada semana, em geral, os participantes consumiram 75% do que foi fornecido durante o período. O nível de glicemia da amostra durante o estudo foi monitorado por dispositivos de monitoramento contínuo da glicose (CGM).

Resultados

Durante o período observado, o consumo de 4 g/dia de canela reduziu a concentração sérica de glicose, em comparação com placebo. Após quatro semanas de suplementação houve redução na concentração de triglicerídeos, assim como aumento na expressão do hormônio peptídeo inibidor gástrico (GIP).

Houve boa aderência dos participantes e sem efeitos controversos ou digestivos. Na prática, 4 g de canela, dose utilizada no estudo, pode ser consumida com facilidade, tanto na forma de suplemento, como acrescentada nas refeições.

Conclusão

Canela é facilmente encontrada e pode servir como suplemento de baixo custo com ótimos resultados. Quando acrescentada na dieta, principalmente dentro da dosagem consumida no estudo, pode contribuir para redução da glicemia em pacientes com pré-diabetes e obesidade.

O que achou do nosso resumo? Não esqueça de conferir o artigo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38290699/ 

Até mais! 

Atualidades

Tutorial Allivici: Lista e Cadastro de Alimentos

Elaborar o plano alimentar é uma etapa importante do atendimento nutricional. No último texto da série #tutorialallivici deixamos várias dicas para tornar esse momento mais prático. Confira!

Nós oferecemos uma extensa base de alimentos, isso garante agilidade e especificidade na hora de elaborar o plano alimentar! Além disso, também é possível adicionar alimentos.

Vamos te mostrar tudo isso no texto de hoje!

Começando pela Lista de Alimentos TACO, a base utilizada no Software Allivici é a quarta e última edição publicada. É possível visualizar 50 alimentos por página e usar diversos filtros para pesquisar as informações desejadas.

Para encontrar um alimento coloque as suas iniciais, ou nome, em “digite a sua pesquisa”. Logo acima do campo em que os alimentos são listados existe uma linha com o título “exibir/ocultar”. Clicando em minerais, vitaminas, ácidos graxos e aminoácidos é possível visualizar essas informações nutricionais. 

Seguindo para a Lista de Alimentos Industrializados, a cada página também é possível visualizar 50 alimentos e existem mais de sessenta e cinco páginas! Também há filtros para facilitar a pesquisa do alimento desejado. Em “exibir/ocultar” clique em composição centesimal para verificar informações como carboidratos, proteínas, etc.

Um detalhe importante: existem alimentos in natura que também aparecem nessa lista. Por quê? São alimentos não disponíveis na TACO, mas que estão em outras bases, como a TBCA (Tabela Brasileira de Composição de Alimentos), por exemplo.

Finalizando, também é possível cadastrar novos alimentos, tanto no “menu lateral”, como na página acima. Existem muitas marcas diferentes e novos produtos sendo lançados a cada dia. Por isso, apesar da nossa extensa base, também permitimos que cadastre outros alimentos para deixar a sua orientação alimentar bem completa!

Como fazer cadastrar novos alimentos?

  1. Preencha o “nome” e em “uma porção de” coloque a quantidade a ser consumida ou descrita na tabela nutricional. Por exemplo, “60” e em unidade “g” ou mL”. Essas são as informações obrigatórias para cadastrar um novo alimento.
  2. Depois é possível preencher a composição centesimal, minerais, vitaminas, ácidos graxos e aminoácidos (ótimo campo a ser completado no caso de suplementos, por exemplo).
  3. Adicione informações adicionais para que o software consiga filtrar esse alimento da mesma maneira que os outros. Indique se contém polióis, glúten, leite, se é vegano ou Kosher.
  4. Revise os dados adicionadas e clique em “salvar”.

Os alimentos cadastrados ficam disponíveis para para o usuário. Caso queira “editar” ou “excluir” é só pesquisar pelo alimento e realizar isso!

O que achou do nosso tutorial? No próximo iremos te mostrar como cadastrar receitas, uma funcionalidade do Software Allivici para deixar o plano alimentar mais completo e a orientação nutricional ainda mais personalizada!

Até lá!

Atualidades

Artigo Científico: Tratamentos para Síndrome do Intestino Irritável (Parte II)

No texto de hoje vamos conhecer mais sobre os possíveis tratamentos para pacientes com Síndrome do Intestino Irritável. 

Retomamos a análise de um artigo que avaliou o papel que a microbiota intestinal na SII, com a explicação da eficácia de probióticos, prebióticos, simbióticos e do transplante de microbiota fecal.

Apenas relembrando, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma condição crônica de saúde muito comum entre as doenças gastrointestinais; caracterizada por dores recorrentes, distensão abdominal e hábito intestinal irregular. 

Os tratamentos convencionais focam na redução do sintoma e no uso de medicamentos como loperamida para diarreia e laxativos para constipação. 

Por isso, conforme as pesquisas avançam, probióticos e similares ganham espaço como possibilidade de tratamento; já que impactam na regulação da microbiota intestinal, dores e distensão abdominal.

Vamos avaliar quais as evidências para os principais tratamentos complementares existentes? 

Probióticos 

Analisando os estudos incluídos, vinte e dois foram realizados com um mix de probióticos, enquanto onze foram com Lactobacillus ou combinações e nove com Bifidobacterium ou combinações; em outros utilizaram Bacillus, Saccharomyces,Clostridium and Escherichia. Coli.

O consumo de probióticos mostrou uma melhora significativa nos sintomas em comparação com uso de placebo, principalmente quando combinados. Esse resultado foi obtido por uma análise de 36 estudos, com grupo controle e uso de placebo.  

Constaram melhora na dor, como também na qualidade de vida dos pacientes avaliados – através de um questionário que avaliou dor abdominal, sintomas extra-intestinais e crises da doença. 

No caso de distensão abdominal, algumas combinações demonstraram maior efeito: Lactobacillus rhamnosus, Propionibacterium freudenreichii, Propionibacterium shermanii, e Bifidobacterium (42), Bifidobacterium com Lactobacillus (75) e Lactobacillus com Lactobacillus acidophilus (40). 

Prebióticos 

Sete estudos foram incluídos e analisados, em todos não houve diferença significativa nos sintomas (dor e distensão abdominal) com uso de prebióticos. Três estudos identificaram melhora na qualidade de vida – através dos questionários respondidos.

Simbióticos

Dos sete estudos incluídos na análise, cinco não apresentaram melhoras significativas. Para os sintomas individuais também não foram encontrados resultados estatisticamente relevantes.

Transplante de microbiota fecal 

Seis estudos foram analisados, em cinco os resultados indicaram uma melhora significativa dos sintomas, em comparação com placebo. Quanto aos sintomas individuais após as intervenções, dois estudos apresentaram melhora na dor abdominal, enquanto apenas um demonstrou melhora significativa na distensão. 

Conclusão

Para a melhora dos sintomas analisados, o uso de probióticos e o transplante de microbiota fecal foram os tratamentos com melhores resultados. Enquanto simbióticos e prebióticos não apresentaram diferenças significativas. 

Mais estudos são necessários para avaliar e definir combinações de probióticos e dosagens que promoveriam impacto positivo nos sintomas e melhora da qualidade de vida. 

Confira o artigo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38999862/

Até mais!

Atualidades

Tutorial Allivici: Como montar um plano alimentar?

Depois de finalizar os cálculos da necessidade energética é hora de montar um plano alimentar! Sabia que no Software Allivici disponibilizamos opções prontas e editáveis de acordo com a necessidade nutricional e restrições alimentares?

Além disso, também é possível montar a sua própria lista de dietas, facilitando ainda mais determinadas condutas e editando conforme as preferências de cada paciente que é atendido.

Confira exemplos de planos alimentares já calculados e disponíveis:

1. Para iniciar o planejamento alimentar o primeiro passo é associar esse plano com o cálculo realizado na etapa anterior. Também é possível selecionar um “plano padrão” – os alimentos e quantidades serão preenchidos automaticamente, mas podem ser editados.

Caso tenha observações/substituições existe um campo de texto disponível. É um ótimo um espaço para dar recomendações extras! O campo “nome” é obrigatório (coloque alguma referência como pré-competição ou o período que o paciente deve seguir, 30 dias, por exemplo).

2. Em cada refeição irá disponibilizamos o valor das necessidades calculadas e determinadas na etapa anterior. Essas informações te guiarão na escolha dos alimentos e quantidades. Após selecionar um alimento defina a quantidade editando a quantidade em gramas, ou mudando o valor da porção.

3. Para cada alimento escolhido é possível visualizar as informações nutricionais. Passe o cursor no “bloco” do alimento que um quadro preto irá aparecer com mais detalhes!

4. Ao fim da página também mostramos um comparativo entre o que foi adicionado no plano atual x necessidades nutricionais. Dessa forma é possível ajustar as informações adicionadas com mais clareza e agilidade! Não esqueça de clicar em salvar ao finalizar, lembrando que todo plano pode ser acessado e editado depois!

5. Importante: caso queira mudar a distribuição dos nutrientes ou ajustar o cálculo realizado é só acessar a etapa anterior no menu lateral. No menu lateral clique em “conduta dessa consulta”, “necessidade energética” e depois “ver o perfil da dieta”. Clique em editar no final da página e ajuste as informações que achar necessário.

6. Por fim, ao salvar o “plano alimentar” é possível visualizar as informações nutricionais do plano completo e também de cada refeição. As informações adicionadas em observações e substituições também aparecem!

É possível visualizar, fazer download ou enviar por e-mail diretamente ao paciente!

O que achou do nosso tutorial?

No próximo texto explicaremos um pouco mais sobre as nossas listas de alimentos disponíveis. Sempre mantemos a nossa base de dados atualizada, isso garante agilidade e especificidade na hora de elaborar o plano alimentar!

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Tratamentos para Síndrome do Intestino Irritável (Parte I)

No texto de hoje vamos conhecer um pouco mais sobre os possíveis tratamentos para pacientes com Síndrome do Intestino Irritável.  

O artigo em questão avaliou o papel que a microbiota intestinal exerce nessa condição de saúde, além de explicar com profundidade a eficácia de probióticos, prebióticos, simbióticos e do transplante de microbiota fecal. 

Síndrome do Intestino Irritável (SII) é uma condição crônica de saúde muito comum entre as doenças gastrointestinais. É caracterizada por dores recorrentes, distensão abdominal e hábito intestinal irregular. 

O diagnóstico é médico e baseado em critérios clínicos, que consideram os sintomas, além da intensidade e recorrência dos mesmos. Também é importante uma prévia exclusão de outras condições comuns, como intolerâncias e alergias alimentares. 

Existem muitos fatores que interferem na ocorrência e progressão da doença, como: 

  • nível de função e inflamação intestinal;
  • a capacidade de resposta do sistema imunológico;
  • quadros de disbiose e estresse psicológico;
  • desregulação do eixo microbiota-intestino-cérebro. 

Muitos estudos já demonstraram que existe diferença no perfil de microbiota intestinal entre os pacientes saudáveis e aqueles com síndrome do intestino irritável. 

Por exemplo, pacientes com ISS apresentam maior abundância de Enterobacteriaceae, Streptococcus, Clostridium, Gemella e Ruminococcus. Além de menor expressão para Roseburia e Faecalibacterium

No entanto, ainda não existe um método em comum nos estudos que controle fatores que são importantes e interferentes nos resultados, como: idade, gênero, raça, dieta e consumo de antibióticos. 

Os tratamentos convencionais focam na redução do sintoma e no uso de medicamentos como loperamida para diarreia e laxativos para constipação. Mas, existem alternativas limitadas para distensão e dor abdominal. 

Além disso, conforme as pesquisas avançam fica mais evidente o impacto que a microbiota intestinal exerce na fisiopatologia da ISS. Dessa forma, probióticos e similares ganham espaço como possibilidade de tratamento. 

A principal consequência para o paciente está no impacto para a sua qualidade de vida, pois o mesmo pode deixar de se alimentar “normalmente” com receio de novas crises. Por isso, o tratamento e acompanhamento com uma equipe multiprofissional é essencial! 

Explicaremos mais sobre os possíveis tratamentos e a relevância de cada um para a literatura científica no próximo texto. Confira o artigo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38999862/ 

Até mais! 

Atualidades

Tutorial Allivici: Necessidade Energética e Nutricional

Nem todas as pessoas sabem, mas para o nutricionista elaborar um plano alimentar existem muitos cálculos a serem feitos!

A necessidade energética total (NET) varia de acordo com diferentes fatores, como a idade, sexo e até os objetivos de cada um (emagrecimento, hipertrofia, etc.) Lembrando que essa estimativa é baseada no cálculo do gasto energético total (GET).

Importante: existem diferentes protocolos para essas estimativas! Qual utilizar? Dependerá do público que está sendo atendido!

Por exemplo: É estimado que uma mulher, com base na DRI (Dietary Reference Intake), necessite de 1280 kcal/dia. No entanto, se ela praticar esportes existe um fator de atividade física que deve ser considerado.

No Software Allivici disponibilizamos as principais fórmulas para estimar a necessidade energética e assim realizar um melhor planejamento alimentar. Confira como calcular tudo passo a passo:

1. Em primeiro lugar será preciso escolher qual protocolo utilizar. Cada um tem as suas especificidades e é indicado para populações diferentes. Procure o mais indicado para quem será atendido. Exemplo: para atletas e esportistas Cunningham é bem utilizado.

2. Após realizar o cálculo inicial e clicar em “continue por aqui” aparecerá a opção de prosseguir com o valor arredondado ou não. É possível alterar o resultado para “cima” ou “baixo”. Deixar o NET arredondado pode facilitar no cálculo do plano alimentar para “bater as quantidades”, por exemplo.

3. Na página seguinte é o momento de montar a base do plano alimentar! Conforme exibido abaixo, um percentual para cada refeição deve ser escolhido:

Após o preenchimento dos percentuais as informações de cada macronutriente já são calculadas e exibidas em gramas (g), calorias (kcal) e gramas por quilo de peso corporal (g/Kg).

4. Logo em seguida é possível realizar a distribuição do valor energético total (VET) para cada refeição, confira:

Para cada refeição sugerimos um percentual, mas é importante lembrar que a necessidade energética e nutricional de cada refeição irá variar conforme a rotina de quem está sendo atendido. Após preencher é possível visualizar a divisão em kcal, g e g/kg.

Após confirmar os cálculos da necessidade energética é hora de estabelecer um plano alimentar!

No próximo texto detalharemos melhor essa etapa! Nos conte o que achou até aqui! Alguma dúvida?

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Até a próxima!

Atualidades

Cuidado Nutricional: Sarcopenia

Sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular (1). Atinge a maioria dos idosos, mas pode acontecer mais cedo na vida, principalmente nas mulheres, durante ou após o período da menopausa (2). 

O tema ganhou muita relevância na prática clínica, principalmente pelo aumento do risco para outras complicações e o impacto que gera na qualidade de vida. Em 2016, a sarcopenia foi reconhecida na Classificação Internacional de Doenças (CID) (4). 

A prevalência da sarcopenia varia entre os estudos realizados, a depender do método ou ponto de corte que foram considerados. No entanto, a média é de 10 a 16% entre os idosos (1).

Fatores de risco 

  • Estilo de vida: obesidade e gordura visceral, inatividade física, desnutrição, tabagismo e sono desregulado; 
  • Condições preexistentes: diabetes, osteoporose, depressão, anorexia, doenças cardiovasculares ou respiratórias, Doença de Parkinson e outras condições neurodegenerativas; 
  • Biológicos: marcadores inflamatórios, níveis de colesterol, vitamina D, adiponectina e a microbiota intestinal (1).

Consequências/aumento do risco: 

  • Pacientes: maior tempo de internação, complicações e infecções pós-operatórias, mortalidade no curto ou longo prazo; 
  • Não pacientes: hospitalização, institucionalização, disfagia, depressão, hipertensão, fibrose hepática, doença hepática gordurosa não alcoólica, síndrome metabólica, diabetes, declínio das funções motoras e cognitivas, maior risco de osteoporose, queda e fratura (1). 

Qual o papel da nutrição?

Há poucos estudos que traçaram um perfil longitudinal do consumo alimentar em indivíduos que desenvolveram sarcopenia. A maioria dos achados são revisões sistemáticas, estudos observacionais ou intervenções, que buscaram avaliar quais fatores minimizam ou previnem as consequências/riscos da sarcopenia (3). 

O “público-alvo” nos estudos que aplicam mudanças alimentares para promover melhor manutenção e função da massa muscular são pessoas com menos de 70 anos, justamente visando a prevenção (3). 

O estado nutricional e o consumo alimentar impactam diretamente na regulação da síntese e manutenção muscular. Além disso, existem nutrientes que precisam ser consumidos para a saúde muscular e óssea. Por isso, uma dieta nutricionalmente adequada é essencial, principalmente para a prevenção da sarcopenia (4). 

Conclusões 

  • Proteína: consumir fontes alimentares com aminoácidos essenciais, ricas principalmente em leucina (2,5 – 2,8 g por refeição); priorizar o consumo diário de 1 – 1,2 g/kg para pessoas saudáveis, ou 1,2 – 1,5 g/kg com doenças crônicas, complicações físicas, hospitalizadas ou mal nutridas (4,5);
  • Vitamina D: manter níveis de 40 a 60 ng/mL, no caso de suplementação há indicação de 800 – 1,000 UI/dia (5);
  • Minerais: consumir 300 mg/dia de magnésio para homens e 270 mg/dia para mulheres; já cálcio 1.000 – 1.200 mg/dia; selênio 25 – 75 μg/dia (5); além de fósforo, potássio, zinco (4);
  • Nutrientes antioxidantes: é adequado >500 mg de polifenois (5), consumindo fontes alimentares de carotenoides, licopeno zeaxantina, luteína; além de vitamina E (400 UI/dia e vitamina C (45 to 90 mg/dia);
  • Creatina: é preciso avaliar questões individuais, pois não há consenso de consumo e estudos longitudinais em população idosa. No entanto, é uma possibilidade para indivíduos que praticam atividades como musculação (~5g/dia) (5); 
  • HMB: é um metabólito da leucina, o seu consumo (3g/dia) apresentou indícios benéficos para indivíduos acima de 65 anos, principalmente acamados ou sem treinamento físico; no entanto, ainda há inconsistências sobre a recomendação dessa suplementação (5); 
  • Atividade física: Prática de fortalecimento muscular e atividade aeróbia – 150 min. intensidade moderada, ou 75 min de intensidade vigorosa (4); 
  • Hidratação adequada: há maior risco de desidratação em idosos, mas não há recomendações específicas para sarcopenia. Seguir o consenso de consumo médio de 3 litros para mulheres e 4 litros para homens, sempre considerando condições individuais que podem aumentar ou reduzir tal consumo (4). 

Até mais! 

Referências 

  1. YUAN, S.; LARSSON, S. C. Epidemiology of sarcopenia: Prevalence, risk factors, and consequences. Metabolism, vol. 144, 2023. Disponível:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36907247/ 
  1. LU, L.; TIAN, L. Postmenopausal osteoporosis coexisting with sarcopenia: the role and mechanisms of estrogen. Journal of Endocrinology, vol. 259, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1530/JOE-23-0116 
  1. ROBINSON, S. et al. The role of nutrition in the prevention of sarcopenia. Am J Clin Nutr., vol. 118, pg. 852-864, 2023. Disponível em:  https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37657521/ 
  1. CALVANI, R. et al. Diet for the prevention and management of sarcopenia. Metabolism, vol. 146, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37352971/
  1. LIU, S.; ZHANG, L.; LI, S. Advances in nutritional supplementation for sarcopenia management. Front. Nutr. Clinical Nutrition, vol. 10, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fnut.2023.1189522 
Atualidades

Tutorial Allivici: Recordatório Alimentar

Para o nutricionista é muito importante entender o consumo alimentar do seu paciente/cliente. Existem diferentes métodos, mas qual utilizar? Dependerá do seu objetivo! Com cada inquérito é possível avaliar:

  • o consumo das últimas 24h;
  • um período maior, com o diário/registro alimentar (7 dias por exemplo);
  • a frequência de consumo de certos alimentos ou grupos alimentares;
  • o padrão/história alimentar de maneira mais aprofundada;
Fisberg RM, Marchioni DML, Colucci ACA. Avaliação do consumo alimentar e da ingestão de nutrientes na prática clínica. Arq Bras Endocrinol Metab., 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0004-27302009000500014

Com o Software Allivici avaliar o consumo alimentar também pode ser mais simples. Confira como funciona:

  1. Selecione o paciente e a consulta que deseja adicionar tais informações. Depois clique em “Recordatório Alimentar” – opção disponível tanto no menu lateral, quanto na tela principal.

2. Em seguida, é preciso adicionar um nome para o recordatório que está sendo preenchido. Depois, adicione os alimentos e quantidades consumidos nas últimas 24h.

3. É possível adicionar mais alimentos em cada refeição clicando em “+alimento”. A quantidade pode ser alterada clicando tanto em “porções”, quanto em “quantidade (g)”. O total calculado para cada refeição será mostrado ao lado da mesma. Já o total do período na barra ao fim da página, como demonstrado na imagem abaixo.

Então nutri, o Recordatório Alimentar é uma ferramenta em suas consultas? Nos conte o que achou! Nos próximos tutoriais explicaremos outras funções importantes!

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Até a próxima!

Atualidades

Artigo Científico: Biomarcadores nas Doenças Inflamatórias Intestinais

Doença Inflamatória Intestinal (DII) é um termo que abrange duas condições clínicas: Colite ulcerativa (UC) e Doença de Crohn (DC). Ambas se caracterizam por causar inflamação intestinal e apresentam sintomas semelhantes: dor abdominal, diarreia e sangramento nas fezes. 

Acredita-se que a doença atinge indivíduos predispostos geneticamente, que por algum gatilho ambiental iniciam uma resposta imune e desenvolvem uma inflamação crônica. 

O diagnóstico padrão-ouro é via colonoscopia, mas por ser um procedimento caro e invasivo, com riscos associados para o paciente, nem sempre é a primeira opção utilizada para o diagnóstico. A avaliação por biomarcadores é uma alternativa.

O estudo em questão abordou sobre os atuais biomarcadores na DII e quais são as orientações práticas para cada um, visando orientar profissionais da saúde. Além disso, trouxe as promessas de novos biomarcadores que estão em estudo na medicina!

Confira mais detalhes:

Biomarcadores são proteínas detectáveis em fluidos corporais (sangue, fezes e urina) que fornecem informações sobre a atividade de uma doença. 

Atualmente, na DII, é realizada a dosagem e avaliação da proteína C reativa (PCR) em soro e da calprotectina fecal (FCP) em fezes. Inclusive, a PCR e a FCP são utilizadas para diferenciar DII da síndrome do intestino irritável (SII). 

1. Proteína C Reativa (PCR) 

Segundo a Organização Europeia de Crohn e Colite (ECCO), pacientes com PCR significativamente elevada (> 30 mg/L), em associação com diarreia sanguinolenta e frequência de evacuações > 6 vezes/dia necessitam de admissão para tratamento intensivo. 

A correlação com PCR é mais forte para Doença de Crohn. 

  • Apesar de ser uma alternativa de fácil acesso e baixo custo, a PCR é limitada como biomarcador pela falta de especificidade, já que pode estar aumentada em diversas patologias infecciosas e inflamatórias; 
  • No entanto, pode exercer um papel importante no monitoramento da doença, sendo um fator indicativo de quadros agudos e complicações, como perfurações ou abscessos intestinais; 
  • PCR aumentada de forma persistente também pode ser um indicador da necessidade de modificar a conduta terapêutica adotada.

2. Calprotectina fecal (FCP) 

É o primeiro biomarcador de fezes capaz de discriminar entre doenças gastrointestinais inflamatórias e não inflamatórias. Em indivíduos saudáveis o intervalo de FCP está entre 10 e 50 μg/g. O consenso da DII recomenda um FCP alvo de <150 μg/g como meta de tratamento. 

A avaliação de FCP mais sensível para Colite Ulcerativa.  

  • Como biomarcador não apresenta tanta especificidade, já que está associado com o número de neutrófilos presentes no lúmen intestinal e pode indicar gastroenterite infecciosa, enterocolite, ou diverticulite; 
  • No entanto, apresenta importante utilidade na exclusão de outras condições clínicas, como para diferenciar SII e DII; 
  • Já demonstrou superioridade sobre a PCR na previsão da atividade endoscópica e é cada vez mais usado em pacientes em remissão clínica para prever recidiva da doença e monitorar a resposta à terapia na doença ativa. 

3. Teste imunoquímico Fecal (FIT)

Avalia as concentrações de hemoglobina fecal e é amplamente utilizado em ambientes de cuidados primários para prever o risco de câncer colorretal e a necessidade de encaminhamento para o exame endoscópico; além de detectar com sensibilidade a inflamação da mucosa e a perda de sangue oculto no lúmen intestinal. 

É um teste mais barato do que FCP, que também carece de especificidade, além de não ser tão sensível para detecção de Doença de Crohn, principalmente no intestino delgado. 

4. Novos biomarcadores 

Existe uma estimativa de mais de 10 anos desde a descoberta de um biomarcador até o seu uso na prática clínica. Alguns exemplos de biomarcadores que estão em fase inicial de descoberta e estudos: 

  • Oncostatin M;
  • Glycome profile
  • Alfa 2-glicoproteína rica em leucina; 
  • Mieloperoxidase fecal; 
  • MicroRNAs fecal (miR-223 and miR-1246); 
  • Anticorpos (Anti Integrin αvβ6) ; 
  • Dipeptidil-peptidase (DPP-4). 

Também estão surgindo novas formas de medir os biomarcadores já utilizados: 

  • Dispositivo capaz de medir PCR pelo suor; 
  • Avaliação de FCP usando a técnica de ELISA; 
  • Aplicativo de smartphone que escaneia amostra fecal e calcula concentração de FCP; 
  • Coleta de muco colônico para avaliação de FCP; 
  • Biomarcadores urinários para substituir a coleta de fezes. 

Conclusão 

Atualmente há uso de PCR e FCP na prática clínica. Qualquer biomarcador tem pontos fortes e limitações individuais, por isso o seu uso requer uma interpretação cuidadosa. 

Com o crescimento de estudos na metabolómica, genómica e proteómica o número de biomarcadores aumentou nos últimos anos, mas nem todos apresentam boa sensibilidade ou são acessíveis.

É esperado que futuros biomarcadores demonstrem o risco de desenvolvimento da doença e a identificação de indivíduos assintomáticos. 

Provavelmente a inteligência artificial exercerá um importante papel na na integração de resultados genéticos, transcriptómicos, proteómicos e metabolómicos. 

Mais estudos são necessários especialmente para DC do intestino delgado, pois não é uma região facilmente acessível por endoscopia, dificultando o diagnóstico final. 

Confira o artigo na íntegra: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/pmid/38737913/ 

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Determinantes e indicadores de um envelhecimento bem-sucedido

O conceito de envelhecimento bem-sucedido foi descrito em 1997 por um pesquisador, o qual indicava uma combinação de longevidade e saúde com bem-estar físico, mental e social. Desde então, outros estudiosos têm se aprofundado no assunto para entender quais são os determinantes e indicadores para tal fenômeno. 

A revisão em questão teve o objetivo de reunir as evidências mais recentes, a partir de estudos longitudinais, para apresentar evidências atualizadas e uma visão mais panorâmica do tema; além de indicar fatores ainda não esclarecidos e guiar futuras pesquisas. 

Materiais e Métodos 

A busca das publicações aconteceu entre agosto de 2016 e junho de 2023, com o propósito de avaliar artigos publicados após a última revisão realizada sobre o tema em 2016.

Foram incluídos apenas estudos longitudinais e que seguiam a definição proposta de Rowe and Kahn para “envelhecimento bem-sucedido”.

Resultados e Discussão 

Inicialmente foram encontradas 3.191 publicações, 289 foram selecionadas para análise e 22 foram incluídas na presente revisão. 

A maioria dos estudos apresentaram amostras mistas, com homens e mulheres, e participantes acima de 45 anos. O tempo de acompanhamento variou entre 5 e 36 anos. Quanto à representatividade geográfica, grande parte foi realizada em países da Europa e nos Estados Unidos. 

O estudo em questão apresentou, em formato de quadro, os determinantes positivos, negativos e neutros a partir dos aspectos sociais e demográficos, nutricionais e de estilo de vida, saúde metabólica, autopercepção da saúde e psicológicos. 

Ainda nos fatores dietéticos, foram observados os seguintes fatores positivos: 

  • Alto consumo de frutas, verduras, peixes e cereais; 
  • Ingestão moderada de carne vermelha; 
  • Alto consumo de fibras, ácidos graxos poliinsaturados ômega-3, EPA e DHA;

Quais seriam os determinantes negativos, ou seja, que exercem impacto negativo na trajetória de um envelhecimento saudável?

  • Social e demográficos: apresentar dívidas ou condição financeira instável, etnicidade (negros ou hispanos); 
  • Estilo de vida e dietéticos: tabagismo, obesidade ou sobrepeso, alta ingestão calórica, alto consumo alimentar de carne vermelha, açúcar, bolos ou biscoitos e drinks sem álcool;  
  • Saúde metabólica: alto nível de colesterol total e de PCR, síndrome metabólica.

Conclusão 

Em geral, apresentar um status socioeconômico mais elevado, aderência à dieta baseada em plantas (como a mediterrânea), não fumar, ser fisicamente ativo e metabolicamente saudável são fatores associados positivamente com um envelhecimento saudável. 

Estudos mais recentes incluíram otimismo, planos para o futuro e a “sensação de ser útil” como fatores psicológicos e de bem-estar relevantes. 

É esperado que mais trabalhos de investigação sobre o tema sejam desenvolvidos, além do desenvolvimento de políticas de promoção da saúde que levem tais fatores em consideração. 

Confira o artigo na íntegra: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38074742

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Relação entre deficiência de ferro e função tireoidiana

Ferro é um nutriente essencial para diversas funções fisiológicas, por isso que a sua deficiência é tão grave e está associada com muitas disfunções clínicas; a mais conhecida e comum é a anemia. O artigo que foi traduzido e resumido a seguir irá expor quais são as evidências atuais para o impacto da deficiência de ferro nas doenças tireoidianas!  

Introdução

Em pacientes com doenças tireoidianas a anemia por deficiência de ferro é uma comorbidade comum, afetando quase 5% da população. 

O funcionamento da enzima peroxidase tireoidiana (TPO), importante para produção de hormônios tireoidianos, é afetado pela deficiência de ferro, gerando impacto negativo na síntese e função dos hormônios tireoidianos. 

A deficiência de ferro também é comum entre mulheres grávidas e em idade fértil. Os hormônios tireoidianos desempenham um papel crucial no desenvolvimento fetal.

O objetivo do estudo em questão é resumir e avaliar as evidências disponíveis sobre a associação entre o estado de ferro e a função tireoidiana, a prevalência de deficiência de ferro em pacientes com doenças da tireoide e o impacto da suplementação de ferro na a função da tireoide. 

Materiais e Métodos 

A pesquisa foi conduzida em 2023 nas bases de dados Pubmed e Scopus. Foram incluídos estudos com modelo transversal, ensaio clínico randomizado controlado, caso-controle e coorte. Consideraram apenas estudos em que a amostra era composta por adultos, ou mulheres grávidas 

Entre os critérios de exclusão: estudos realizados em pacientes com comorbidades, ou em uso de medicamentos que afetem a função tireoidiana ou o nível de ferro; idade inferior a 18 anos; modelo de estudo in vitro, em animais, relatos de casos.

Resultados e Discussão 

Apenas dez estudos, de quatrocentos e dezoito encontrados, foram considerados para essa revisão. Nove avaliaram a associação entre deficiência de ferro (DI) e a função tireoidiana em mulheres grávidas ou em idade fértil. Apenas um estudo foi realizado na população geral.

Sete relataram uma relação direta com a gravidade da deficiência de ferro e os níveis do hormônio estimulador da tireoide (TSH). Os pacientes com DI apresentaram valores mais elevados, em comparação ao grupo controle. No entanto, três estudos não mostraram diferenças significativas nos níveis de TSH entre pacientes com e sem DI. 

Em quatro estudos, pacientes com DI, apresentaram aumento na prevalência de positividade para anti-tireoperoxidase (anti-TPO); já para anti-tireoglobulina (anti-Tg) em dois estudos. Apenas um estudo não encontrou diferenças nos níveis de anti-TPO e anti-Tg em relação aos níveis de ferritina sérica.

Níveis mais baixos de TSH, FT4 e FT3 foram encontrados em mulheres grávidas. As mulheres não grávidas apresentaram significativamente níveis séricos mais baixos de FT4 e FT3, mas sem diferença nos valores de TSH. 

É possível que as variações encontradas sejam por conta das diferentes populações incluídas nos estudos, alguns avaliaram gestantes, outros mulheres em idade fértil e alguns população em geral. 

Esta revisão sistemática e metanálise tem algumas limitações. Diferentes populações foram incluídas nos estudos, sendo a maioria realizada em mulheres grávidas. 

Os estudos consideraram diferentes pontos de corte de ferritina sérica para o diagnóstico de DI, apesar de <20 ng/dL ser comumente o ponto de corte. Além disso, muitos não consideram o nível sérico de iodo. 

A maioria dos estudos da literatura que incluem grupo controle são transversais. Ensaios prospectivos randomizados e controlados são necessários para esclarecer a importância do estado nutricional do ferro na saúde da tireoide, inclusive na população em geral ou em outros grupos de pacientes.

Alguns estudos sugerem que a DI está associada a um risco aumentado de disfunção tireoidiana, mas outros não encontraram nenhuma associação significativa. As evidências científicas ainda são inconclusivas e os resultados conflitantes. 

Conclusão 

Estudos publicados atualmente na literatura indicam uma possível relação entre ID, função tireoidiana e autoimunidade, especialmente em alguns grupos de pacientes. 

Análise de dados mostra que os níveis de hormônio tireoidiano são mais baixos em pacientes com DI, principalmente em gestantes. 

Apesar das limitações, a revisão em questão observou que a deficiência de ferro está associada com um aumento significante da prevalência de positividade de autoanticorpos tireoidianos (anticorpos antitireoglobulina e anticorpos antiperoxidase tireoidiana). 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38004184/ 

Até mais! 

Atualidades

Efeitos da fórmula infantil e leite de vaca: uma revisão sistemática e meta-análise

O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida é uma orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Também é recomendado que a amamentação seja continuada até os dois anos de idade, em conjunto com uma alimentação sólida complementar.

No entanto, essa não é uma realidade absoluta. Muitos bebês são alimentados com bebidas lácteas alternativas, como fórmulas infantis ou produtos lácteos de animais não exclusivos da alimentação infantil. 

A revisão sistemática em questão teve o objetivo de reunir e analisar os efeitos para a saúde da criança ao comparar o consumo de leite animal com a fórmula infantil; considerando uma amostra entre 6 e 11 meses de idade que não recebia leite materno ou era alimentada de forma mista.

Materiais e Métodos 

A pesquisa foi realizada em diversas bases de dados, incluindo ensaios clínicos randomizados (ECR) e estudos observacionais com grupo controle. Foram excluídos estudos de caso-controle, séries de casos e relatos de casos.

Resultados e Discussão 

Nove estudos foram incluídos na presente revisão com uma amostra total de 2.536 indivíduos. Quatro foram ensaios clínicos randomizados e cinco de coorte observacionais. 

Todos os estudos utilizaram como leite animal o leite de vaca, assim, os resultados dessa revisão não podem ser generalizados para outros leite de outros animais. Houve variabilidade na composição das fórmulas infantis apresentadas.  

O uso de leite de vaca comparado ao leite artificial em bebês de 6 a 11 meses de idade em bebês amamentados/alimentados de forma mista parece aumentar o risco de anemia. 

É necessário considerar que a fórmula infantil não é um produto acessível para todos em países de baixa e média renda, por isso, o leite de vaca é utilizado como alternativa. 

Estratégias para reduzir o risco de anemia em bebês nessa faixa etária que não são amamentados, como a utilização de alimentos complementares fortificados, devem ser estudadas.

Já que o número de artigos incluídos na revisão sistemática foi baixo, os resultados encontrados receberam uma classificação baixa ou muito baixa de evidência. 

Conclusão 

Manter uma alimentação de bebês, entre 6 a 11 meses de idade, com leite de vaca, em comparação com a fórmula infantil, aumenta o risco de anemia, incluindo anemia por deficiência de ferro, diminuição da hemoglobina e ferritina no sangue.

No entanto, não houve diferença relevante para peso corporal ou crescimento entre os bebês quando se comparou a alimentação por fórmula infantil ou leite de vaca. 

Quanto ao neurodesenvolvimento e efeitos adversos, como diarréia e constipação, os dados são limitados e nenhuma conclusão foi determinada. 

A maioria dos estudos utilizados como base para a revisão em questão foram realizados em países de alta renda. Por isso, estudos futuros são necessários em países de baixa e média renda. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35276848/ 

Atualidades

Artigo Científico: Suco de beterraba na performance esportiva


Na suplementação nutricional muitas orientações passam por mudanças ao longo dos anos; algo que era promissor em uma época passa a não ser tão interessante em outra, e vice e versa. 

Por isso, a importância do nutricionista se manter atualizado. Principalmente para obter resultados seguros e eficazes junto aos seus pacientes/clientes. 

Para a performance esportiva há suplementos que já são bem difundidos, como a cafeína. Também é essencial entender que a efetividade de cada suplemento dependerá da modalidade esportiva, entre outros fatores. 

No caso do suco de beterraba, ou de produtos derivados, o efeito ergogênico acontece por um alto teor de nitrato (NO3 −). Essa substância promove um aumento nos níveis de óxido nítrico e melhor vasodilatação, aumentando o fluxo sanguíneo para o músculo e reduzindo a fadiga. 

No texto de hoje, leia o resumo de uma revisão da literatura sobre a efetividade dessa estratégia para a performance esportiva.

Materiais e Métodos

Na atual revisão foram utilizados artigos dos últimos cinco anos, com indivíduos entre dezoito e sessenta e cinco anos de idade. Após a avaliação da qualidade e nível de evidência, apenas seis estudos foram selecionados.

Resultados e Discussão 

Para avaliar o efeito da suplementação, quatro estudos aplicaram testes aeróbicos, enquanto os outros exercícios de força. Quatro estudos foram realizados com atletas e dois com indivíduos ativos fisicamente.

Em todos os estudos o suco de beterraba foi consumido em combinação com outro suplemento. Sempre havendo também o consumo de placebo ou suco de beterraba puro no grupo controle. 

Em três estudos resultados significativos não foram demonstrados com a combinação de suco de beterraba com cafeína; ou com nitrato; nem nitrato com arginina ou nitrato com citrulina. 

Já em outros três estudos, efeitos positivos foram encontrados com a combinação de suco de beterraba com cafeína, também com citrulina e com carboidratos. 

É importante compreender que a variação de resultados pode acontecer por diversos fatores, como o tipo de exercício, nível de treinamento do indivíduo, efeito placebo, quantidade ou frequência de consumo de outros suplementos. 

Conclusão

Poucos estudos que avaliam a combinação de suco de beterraba com outros suplementos foram conduzidos até o momento. 

A análise das evidências atuais indicam que há efetividade na estratégia, especialmente quando há um uso crônico e o exercício praticado é de alta intensidade. 

Estudos que avaliaram o efeito agudo da combinação de suco de beterraba com outro suplemento indicaram um menor impacto na performance esportiva. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38004231/

Até mais!

Atualidades

Janeiro Branco: Qual é o papel da nutrição na saúde mental?

A cada começo de ano todos são estimulados a refletir mais sobre as suas vidas, escolhas e mudanças desejadas. Por isso, a campanha sobre saúde mental e emocional em janeiro acontece de forma muito propícia (1).

O nutricionista não é o profissional responsável por esse cuidado, mas obter conhecimento sobre o tema é essencial para conceder mais atenção ao paciente/cliente. 

  • Manter uma escuta ativa é um dos principais pontos para promover estratégias efetivas durante o tratamento e prezar pelo vínculo terapêutico;
  • Respeitar os limites de cada um e os seus estágios de mudança, mas sem deixar de lado intervenções ativas e reforçar a importância de estratégias/ações; 
  • Saber até que ponto o nutricionista pode auxiliar, é preciso identificar o momento de sugerir um encaminhamento para outros especialistas, como psicólogo, por exemplo;
  • Nutricionistas que atendem pessoas com transtornos alimentares devem ter atenção atenção redobrada, principalmente para sinais de depressão ou comportamentos de possível risco para suicídio.

Além disso, o consumo alimentar exerce um papel importante na saúde mental, pois há nutrientes que são essenciais para o funcionamento do sistema neuroendócrino. 

Os mesmos apresentam papel importante na produção de neurotransmissores associados com a regulação do humor, apetite e cognição; como serotonina, dopamina e norepinefrina. Falamos com mais detalhes em outro texto, confira: https://blog.allivici.com/index.php/2022/02/24/ha-relacao-entre-alimentacao-depressao-e-ansiedade/ 

Por fim, o nutricionista exerce uma atividade profissional de cuidado com o outro, por isso um maior autocuidado deve existir. Algumas recomendações importantes: 

  • Compreender que você é apenas um auxiliar na mudança do outro, não o responsável; 
  • Procurar o auxílio de outro nutricionista, ou um psicólogo, caso enfrente questões com a alimentação e o próprio corpo; 
  • Trabalhar com parcerias no desenvolvimento de projetos poderá te trazer mais segurança, principalmente se estiver no início da carreira. 

Tenha acesso a mais informações sobre o tema na página: https://janeirobranco.com.br

Até mais, 

Um ótimo 2024!

Atualidades

Receitas e orientações nutricionais para as comemorações de fim de ano

As comemorações de fim de ano estão chegando e muitas pessoas encaram o momento com grande ansiedade. Com quais orientações o nutricionista pode ajudar?

Antes das festas: pergunte ao seu paciente sobre as celebrações de fim de ano, como e onde acontecem, pois muitas sugestões e orientações podem surgir nesse momento. 

Durante as festas: ofereça sugestões que facilitem a passagem por esse período. Por exemplo, levar preparos que condizem com a sua alimentação (vegetariano, por exemplo) ou se sentar à mesa para comer. 

Após as festas: não incentive restrições alimentares compensatórias. Aborde como foi o período de festas propondo reflexões: houve culpa ao comer? Exageros? O que gostaria que tivesse acontecido?

Além disso, é interessante que o paciente também seja incentivado para: 

  • Entrar em contato com o ato de cozinhar;
  • Experimentar receitas mais elaboradas;
  • Perceber o própria comportamento alimentar;
  • Compartilhar momentos e descansar.

É importante transmitir ao paciente que a comida faz parte de muitos momentos de celebração em nossa vida, mas que esses momentos não precisam se resumir no ato de comer.

Uma estratégia interessante é que o paciente faça uma lista do que mais ele gosta durante o fim e ano, como rever amigos e familiares, ganhar presentes, etc.; praticando assim uma transferência de foco, da comida para esses outros fatores.

Desenvolver atenção e consciência alimentar no momento das refeições também pode ser um caminho interessante a ser trabalhado.

Algumas atitudes simples, quando aderidas, favorecem o desenvolvimento dessa habilidade. Deixar o talher sobre a mesa enquanto mastiga, por exemplo, pode auxiliar na melhora da consciência alimentar. 

Outra questão, também importante, é que muitas pessoas que apresentam restrições alimentares não se sentem confortáveis em comer fora de casa.

Por isso, indicar receitas que condizem com a alimentação e estilo de vida de cada um pode ser uma ótima estratégia. Assim, elas podem levar esses preparos e aproveitar o momento entre amigos e familiares!

Separamos algumas receitas sem glúten, leite ou derivados animais. Confira a seguir!

Atualidades

Suplementação de Cafeína

Muitos suplementos são usados com finalidade ergogênica em práticas esportivas, um dos mais conhecidos e utilizados é a cafeína. Quais são as orientações mais importantes para se saber antes de suplementar?

Há diversas formas de consumo, via suplemento oral, bebidas e gomas; além do próprio café como bebida. A cafeína é uma substância também encontrada no guaraná, chá ou suplementos com a erva Camellia Sinensis

A suplementação é utilizada em diversas práticas esportivas, como ciclismo, corrida e natação; ou em práticas coletivas, vôlei, basquete e futebol. Já para modalidades de força não há benefícios comprovados. 

Os resultados principais, com a suplementação de cafeína no esporte, são: redução no tempo de provas, resistência mesmo com aumento de intensidade de carga ou velocidade. 

Por proporcionar aumento do foco e concentração, a cafeína também tem sido utilizada em suplementos por indivíduos que desejam esses benefícios para além da prática esportiva. Nesses casos, a dosagem nos estudos varia de 200 a 300 mg ou 5-6 mg/kg. 

Alguns estudos indicam uma tolerância progressiva para a cafeína, ou seja, há um melhor efeito agudo quando os indivíduos não apresentam um consumo regular. 

Por isso, para se beneficiar da suplementação deve haver a ausência do consumo crônico de bebidas cafeinadas ou de café, por exemplo. 

Além disso, também é preciso considerar os possíveis efeitos colaterais associados ao consumo. Os principais relatados são taquicardia e efeitos negativos no sono, além de aumento da ansiedade, com maior ocorrência e intensidade quando a dosagem é próxima de 9 mg/kg. 

Os estudos que apresentam benefícios para a prática esportiva utilizam de 3 a 6 mg/kg.  É possível que a dose ideal para muitos seja de ~3.0 mg/kg, a qual já apresenta resultados na performance esportiva e com menor prevalência e magnitude dos efeitos colaterais. 

É comum que a ingestão aconteça 60 minutos antes do momento de treinamento ou prova; já o pico de concentração pode acontecer de 30 a 120 minutos após o consumo.

A depender da forma de consumo, há variação nesse tempo de ação também. Por exemplo, ao comparar com cápsulas, o suplemento em goma apresenta um leve atraso no pico de absorção após o consumo. 

Também existe uma diferença de absorção decorrente da capacidade genética de cada indivíduo para metabolizar a cafeína, associada ao gene CYP1A2 e possivelmente ao ADORA2A também. 

Inclusive, há indivíduos muito sensíveis ao consumo de cafeína. Por isso, é sempre importante iniciar a suplementação com uma baixa dosagem para avaliar os resultados. 

Referências 

Risk or benefit? Side effects of caffeine supplementation in sport: a systematic review. Eur J Nutr., 2022: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35380245/ 

Caffeinated Drinks and Physical Performance in Sport: A Systematic Review. Nutrients,  2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34578821/ 

International society of sports nutrition position stand: caffeine and exercise performance. J Int Soc Sports Nutr., 2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33388079/