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Suplementação de Cafeína

Muitos suplementos são usados com finalidade ergogênica em práticas esportivas, um dos mais conhecidos e utilizados é a cafeína. Quais são as orientações mais importantes para se saber antes de suplementar?

Há diversas formas de consumo, via suplemento oral, bebidas e gomas; além do próprio café como bebida. A cafeína é uma substância também encontrada no guaraná, chá ou suplementos com a erva Camellia Sinensis

A suplementação é utilizada em diversas práticas esportivas, como ciclismo, corrida e natação; ou em práticas coletivas, vôlei, basquete e futebol. Já para modalidades de força não há benefícios comprovados. 

Os resultados principais, com a suplementação de cafeína no esporte, são: redução no tempo de provas, resistência mesmo com aumento de intensidade de carga ou velocidade. 

Por proporcionar aumento do foco e concentração, a cafeína também tem sido utilizada em suplementos por indivíduos que desejam esses benefícios para além da prática esportiva. Nesses casos, a dosagem nos estudos varia de 200 a 300 mg ou 5-6 mg/kg. 

Alguns estudos indicam uma tolerância progressiva para a cafeína, ou seja, há um melhor efeito agudo quando os indivíduos não apresentam um consumo regular. 

Por isso, para se beneficiar da suplementação deve haver a ausência do consumo crônico de bebidas cafeinadas ou de café, por exemplo. 

Além disso, também é preciso considerar os possíveis efeitos colaterais associados ao consumo. Os principais relatados são taquicardia e efeitos negativos no sono, além de aumento da ansiedade, com maior ocorrência e intensidade quando a dosagem é próxima de 9 mg/kg. 

Os estudos que apresentam benefícios para a prática esportiva utilizam de 3 a 6 mg/kg.  É possível que a dose ideal para muitos seja de ~3.0 mg/kg, a qual já apresenta resultados na performance esportiva e com menor prevalência e magnitude dos efeitos colaterais. 

É comum que a ingestão aconteça 60 minutos antes do momento de treinamento ou prova; já o pico de concentração pode acontecer de 30 a 120 minutos após o consumo.

A depender da forma de consumo, há variação nesse tempo de ação também. Por exemplo, ao comparar com cápsulas, o suplemento em goma apresenta um leve atraso no pico de absorção após o consumo. 

Também existe uma diferença de absorção decorrente da capacidade genética de cada indivíduo para metabolizar a cafeína, associada ao gene CYP1A2 e possivelmente ao ADORA2A também. 

Inclusive, há indivíduos muito sensíveis ao consumo de cafeína. Por isso, é sempre importante iniciar a suplementação com uma baixa dosagem para avaliar os resultados. 

Referências 

Risk or benefit? Side effects of caffeine supplementation in sport: a systematic review. Eur J Nutr., 2022: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35380245/ 

Caffeinated Drinks and Physical Performance in Sport: A Systematic Review. Nutrients,  2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34578821/ 

International society of sports nutrition position stand: caffeine and exercise performance. J Int Soc Sports Nutr., 2021: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33388079/ 

Atualidades

Cuidado Nutricional: Diabetes Mellitus

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica multifatorial, em que o organismo apresenta deficiência na utilização (DM tipo 2) ou síntese de insulina (DM tipo 1). Quase a totalidade das pessoas com diabetes, cerca de 90%, convivem com o tipo 2; já 5 a 10% com o tipo 1 (1).

Ainda existem outros tipos, menos comum, como Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA) em que indivíduos “migram” do tipo 2 para 1; e o Diabetes Gestacional, no qual há alteração na utilização da insulina e captação da glicose por mudanças hormonais decorrentes da gestação (2).

pré-diabetes é uma condição em que o resultado da glicemia em jejum, ou capilar, está acima do nível esperado, mas não há sinais ou sintomas suficientes para fechar um diagnóstico de Diabetes Tipo 2. Deve ser encarado como um sinal de atenção e oportunidade de mudar fatores que possam estar contribuindo para tal condição.

A resistência à insulina é um dos sintomas presente no diabetes, mas que também pode ser comum em outras condições de saúde. Confira mais informações em: https://blog.allivici.com/index.php/2023/07/18/cuidado-nutricional-resistencia-a-insulina/

Pontos de atenção na prescrição dietética

  • Macronutrientes: carboidratos não precisam ser restringidos, o consumo deve ser adequado às necessidades nutricionais individuais. Também deve haver muita atenção ao consumo de gorduras e ao perfil de ácidos graxos consumidos; 
  • Uso de edulcorantes: em possibilidade de acesso e compra de produtos mais naturais, como estévia, fica a sugestão de orientar o consumo desses adoçantes, podendo acontecer em substituição dos comumente utilizados;
  • Orientar o consumo de açúcar de mesa: dependendo da intensidade do quadro clínico, do nível de educação nutricional, assim como do controle no consumo de carboidratos, não se faz necessário a substituição do açúcar por edulcorantes, a estratégia de contagem de carboidratos pode ser aplicada, por exemplo; 
  • Micronutrientes: uma atenção especial deve ser voltada para o ácido fólico e a vitamina B12, quando há o uso de metformina. Também é importante monitorar o consumo alimentar, e níveis plasmáticos, de zinco, magnésio e vitamina D. A suplementação só é indicada em casos de deficiência nutricional.
  • Suplementação: vitamina D, canela, nicotinamida, gengibre, feno-grego e picolinato de cromo são os principais citados e estudados pela literatura científica. No entanto, ainda há discussões sobre a efetividade de cada um a depender da dosagem utilizada e a viabilidade da suplementação (3).

É importante que o profissional também considere o quanto a condição atual do paciente impacta em seu cotidiano e momentos de lazer.

Por exemplo, o paciente pode aprender a aproveitar com segurança uma festa de aniversário, ou um almoço de família com a contagem de carboidratos. Entender qual a dosagem adequada de insulina em cada situação possibilita mais qualidade de vida ao paciente com DM1. 

A prática de atividade física também é outro exemplo, pois interfere nos níveis de glicemia e consequentemente na quantidade de carboidratos que precisa ser ingerida, além da dosagem de insulina a ser aplicada. 

O acompanhamento de uma equipe multiprofissional faz muita diferença no tratamento de doenças crônicas, principalmente para a aplicação de estratégias alinhadas, ampliando as possibilidades de melhora dos sintomas.