Atualidades

Cuidado Nutricional: Resistência à Insulina

A resistência à insulina, ou hiperinsulinemia, é um sintoma presente em algumas condições clínicas, como a síndrome metabólica, diabetes, síndrome do ovário policístico, entre outras (1).

A insulina é o hormônio responsável pelo metabolismo da glicose. Quando há resistência nos tecidos à sua ação e uma menor captação de glicose, uma resposta de aumento da produção de insulina acontece. Assim, há uma maior circulação de insulina e uma hiperestimulação do pâncreas para essa produção (2). 

No diabetes tipo 2, além da resistência à insulina, já há também uma falência parcial na secreção de insulina e de incretinas, devido à hiperestimulação do pâncreas e outras alterações metabólicas (3). 

A seguir, confira as orientações nutricionais mais importantes:

  • Atenção para a microbiota intestinal

Constatou-se, a partir de estudos, que há possível associação entre características do microbioma intestinal e a resposta glicêmica pós-prandial. Ou seja, a microbiota intestinal pode exercer impacto direto no diabetes. A partir de modificações na dieta também há melhora da resistência à insulina entre pacientes com diabetes tipo 2 (4, 5).

  • Alimentos ricos em compostos bioativos 

Gengibre, hibisco e cúrcuma são alimentos citados como benéficos, pensando nos compostos bioativos, para o tratamento complementar de diabetes (6). Alho, cebola e cebolinha são alimentos interessantes, por conter alicina (7). Canela também é um ingrediente a ser considerado nas prescrições dietéticas (8).

Para complementar, um estudo avaliou a associação entre diversos alimentos e os polifenóis presentes com o controle glicêmico. Os alimentos avaliados foram: chá, café, cacau, canela, uva e vinho tinto, frutas vermelhas, romã e azeite de oliva (9).

  • Exames importantes

Como critério diagnóstico é recomendado seguir: glicemia plasmática de jejum ≥ 126 mg/dl e HbA1c ≥ 6,5%; glicemia duas horas após sobrecarga de 75g de glicose anidra ≥ 200 mg/dl. 

Sempre considere fatores clínicos para a interpretação de resultados e acompanhe exames de condições de saúde associadas (10). A depender do paciente, será necessário avaliar função renal e dislipidemia.

No Software Allivici você encontra a lista completa de exames e valores de referência ideais pensando no tratamento nutricional: https://www.allivici.com.br/tbExames

Inclusive, o tema no Grupo de Estudos em julho será:

Se inscreva e convide um colega no link a seguir: https://www.sympla.com.br/evento-online/grupo-de-estudos-do-software-allivici-exames-laboratoriais-na-resistencia-a-insulina/2055149

Por fim, em nosso Canal do Youtube existem dois vídeos que complementam grandemente essa pauta, confira: 

Até mais!

Atualidades

Artigo Científico: Efeitos do ômega 3 e 6 no metabolismo da glicose

O padrão alimentar de cada população, ou seja, os alimentos e nutrientes que são ou não consumidos por um grupo, já demonstrou ter grande impacto em múltiplas condições de saúde (1). 

No Brasil, há destaque para a prevalência e mortalidade das doenças cardiovasculares, quadro de saúde que também é impactado pelo consumo alimentar (2).

Por mais de uma década se discute sobre o consumo equilibrado entre ácidos graxos ômega 3 e 6 para a saúde cardiovascular e outras condições de saúde (3). 

O artigo traduzido e resumido a seguir irá expor evidências mais recentes sobre essa pauta, além de esclarecer como essa proporção de consumo impacta o metabolismo da glicose. 

Introdução

Ácidos graxos polinsaturados são divididos em duas classes, ômega 3 ácido graxo alfa linolênico (ALA, 18:3 w-3) e ômega 6 ácido linoléico (LA, 18:2 w-6). 

Ambos estão presentes em diversos alimentos, assim como outros (saturados e monoinsaturados), mas a proporção varia. Alimentos como oleaginosas, óleo de milho, soja e girassol são fontes de ômega 6. Já as sementes, como o óleo, de chia e linhaça se destacam para ômega 3, além do peixe. 

Tabela com proporção de ácidos graxos ALA e LA, por fonte alimentar. https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2672

O ácido graxo linoléico (LA ômega 6) quando consumido e metabolizado é convertido em ácido araquidônico, já o ácido graxo alfa linolênico (ALA ômega 3) em ácido docosahexaenoico (EPA) e ácido eicosapentaenoico (DHA). 

Além disso, ômega 3 e 6 competem pelas mesmas enzimas dessaturases. Por isso, a conversão de ALA em EPA e DHA pode ser impactada quando há excesso de LA. O equilíbrio de consumo entre ambos apresenta ser importante baseado nos possíveis efeitos fisiológicos

O metabolismo do ácido araquidônico produz produtos como prostaglandinas e leucotrienos, mediadores inflamatórios. No caso da conversão de ALA em EPA e DHA há produção de resolvinas, maresinas e protectinas, que apresentam potencial antiinflamatório.

Resultados e Discussão 

  • Mudanças no padrão alimentar

Principalmente para o ocidente, o consumo alimentar tem se tornado desequilibrado na relação ômega 3 e 6. Não apenas pelo maior consumo de óleos vegetais, mas o próprio conteúdo de ômega 3 em ovos e peixes têm se alterado. 

A carne de peixe é considerada a maior fonte animal de ômega 3, mas estudos comparativos mostram que o conteúdo de EPA e DHA têm reduzido ao longo dos anos. 

O próprio processo comercial e produtivo de peixes impacta o ecossistema marinho e a existência das microalgas, as fontes originais dos nutrientes em questão. Alguns autores incentivam que fontes plant-based de EPA e DHA são alternativas mais sustentáveis. 

Para os ovos também se nota grande diferença. Isso acontece pela alteração na alimentação das espécies, cada vez mais criadas em cativeiros e sem acesso a plantas diversas e selvagens.

  • Recomendação de consumo

Para a população em geral, a recomendação de consumo de ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs) ômega 3 é de 250 a 500 mg/dia, equivalente a duas porções de peixe por dia. 

A prescrição de consumo para indivíduos com doenças cardiovasculares e triglicerídes elevados, mesmo em uso de estatinas, é de 4g por dia de EPA. Uma alimentação rica em fontes alimentares de PUFAs ômega 3 também deve ser incentivada, além da suplementação.

  • Interação com metabolismo da glicose 

É possível que o próprio metabolismo do ácido linoléico (ômega 6), quando em desequilíbrio, impacte no desenvolvimento da resistência à insulina; isso pela maior produção de mediadores inflamatórios na conversão em ácido araquidônico, como prostaglandinas e leucotrienos.

O consumo de carboidratos refinados também pode estimular a ativação das enzimas 5 e 6 dessaturases, responsáveis pela conversão de LA em AA. 

Em estudos com tratamento in vitro houve maior captação de glicose por células musculares quando havia suplementação de EPA. Possivelmente impactando na translocação de GLUT 4. 

Em modelos animais, os sintomas de hiperglicemia e resistência à insulina foram amenizados em ratos com diabetes; além de impactar na microbiota intestinal e na secreção de peptídeo semelhante a glucagon 1 (GLP-1).

Em estudos populacionais, amostras com consumo alimentar rico em peixe e outras fontes de ômega 3 apresentaram menor índice de diabetes e doenças cardiovasculares.

Apesar de muitos estudos estarem avaliando a associação em questão, os mesmos ainda são inconclusivos quando à dosagem ou tipo de ômega 3 a ser consumido para tal benefício clínico.

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/12/2672 

Até mais!