Atualidades

Cuidado Nutricional: Hipertensão Arterial

No dia 17 de abril é celebrado o Dia Mundial da Hipertensão em todo o mundo. No Brasil, uma data semelhante é celebrada no dia 26 de abril, instituída pela lei n. 10.439 com o objetivo de conscientizar a população sobre o diagnóstico preventivo e o tratamento da doença. 

A hipertensão arterial (HA) é uma condição de saúde multifatorial, classificada como uma doença crônica não transmissível (DCNT) e diagnosticada pela elevação persistente da pressão arterial, PA sistólica (PAS) maior ou igual a 140 mmHg e/ou PA diastólica (PAD) maior ou igual a 90 mmH (2). 

Todas as recomendações de entidades referências no tema convergem em ressaltar a importância da alimentação e nutrição no tratamento e prevenção da hipertensão arterial (3).

Confira as principais orientações:

  • Padrão alimentar DASH ou Mediterrâneo: Manter uma alta ingestão de alimentos como frutas, hortaliças, cereais integrais, oleaginosas, azeite de oliva e laticínios com baixo teor de gordura. Reduzir o consumo de carne vermelha, açúcar, gordura saturada e trans.
  • Ingestão aumentada de potássio: Alimentos in natura apresentam bom teor de potássio, como frutas, legumes, verduras, laticínios, cereais integrais e leguminosas. O consumo ideal é de 4500 mg/dia, podendo ser alcançado com 5 porções de alimentos fonte, ou via suplementação. No entanto, há contraindicação em casos de doença renal crônica e no uso de medicações que aumentam a retenção de potássio.
  • Redução do consumo de sódio: Objetivo ideal de 1,5 ou até 2g/dia de sódio. Porém, a redução de 1g por dia para adultos já apresenta benefícios. Pode ser indicada a substituição por cloreto de potássio, se não houver restrições. Orientar a redução de sal nos preparos culinários e de alimentos com alto teor de sódio.
  • Moderação no consumo de álcool: Quando houver o consumo, não ultrapassar 2 drinques para homens e 1 drinque para mulheres, ou homens de baixo peso, indivíduos com sobrepeso e/ou triglicerídeos elevados. A equivalência para 2 doses, 30g/álcool, seria de 600 mL de cerveja ou 250 mL de vinho ou 60 mL de destilados. 
  • Controle do peso corporal: Manutenção do peso segundo os padrões do índice de massa corporal (IMC), para aqueles que apresentam sobrepeso ou obesidade, sugere-se a redução gradual do peso. A medida de circunferência da cintura (CC) também pode ser referência, < 94 cm em homens e < 80 cm em mulheres para reduzir a PA e o risco cardiovascular. É estimada a redução de 1 mmHg a cada 1 kg de peso perdido.
  • Consumo de nutrientes estratégicos: São citados chá verde, preto ou de hibisco, cacau, alho, laticínios, alimentos ricos em vitamina D e nitrato natural, como a beterraba. o consumo de café pode ser benéfico, mas manter ≤ 200mg de cafeína. 

A atuação multiprofissional é essencial em condições de saúde que exigem diferentes vias de tratamentos, como é o caso da hipertensão arterial. 

Além de mudanças na alimentação, também deve haver no estilo de vida, na prática de atividade física e muitas vezes na ingestão de medicações. 

Nutricionista, confira aqui a última atualização das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial para aprimorar as suas condutas clínicas! 

Até mais!

Atualidades, Sem categoria

Artigo Científico: Suplementação de Potássio e a Saúde Cardiovascular

A suplementação nutricional exerce um importante papel para a adequação clínica em diversas condições de saúde.

Toda suplementação precisa ser realizada com orientação profissional, em dosagens adequadas e de eficácia comprovada por estudos científicos, para não gerar riscos à saúde ou apresentar resultados aquém dos desejados.

Confira o resumo de um artigo científico que avaliou a eficácia da suplementação de potássio para a saúde cardiovascular e melhora da função endotelial. 

Introdução 

Potássio é um dos principais minerais para a nutrição humana, pois está envolvido em diversos processos biológicos, especialmente na regulação da pressão arterial. Inclusive, o consumo alimentar de potássio está associado inversamente com hipertensão.

Estudos experimentais e observacionais indicam que o potássio aumenta a produção de óxido nítrico e minimiza o efeito deletério de espécies reativas de oxigênio (EROS), processo que apresenta relação com as alterações vasculares na aterosclerose. 

A revisão sistemática e meta-análise em questão foi realizada para avaliar os resultados das intervenções clínicas com a suplementação de potássio para melhora da função endotelial. 

Metodologia 

Os estudos avaliados seguiram os seguintes critérios de inclusão: originais, amostra de idade adulta, comparação de resultados entre grupo controle e grupo experimental. Entre 110 as publicações identificadas, apenas 5 se adequaram aos critérios previamente definidos e análises subsequentes.

Resultados e Discussão

Os resultados de 332 participantes de 4 países foram avaliados, com amostras variadas entre gênero, idade, raça e massa corporal. Todos os estudos avaliaram os resultados de suas intervenções da mesma forma, a excreção de potássio na urina 24h. 

A duração dos estudos não foi homogênea, variando entre 6 dias e 6 semanas. 

Uma parte dos estudos utilizou placebo como substância controle, outra o consumo usual de potássio. A excreção de potássio foi mais elevada quando a suplementação aconteceu via cápsula, em comparação ao maior consumo do mineral via dieta. 

Os resultados avaliados não são suficientes para propor indicações, principalmente quanto ao uso no longo termo, já que o mesmo não foi avaliado. Apesar dos estudos apresentarem metodologias sólidas, entre si, eram heterogêneas, não possibilitando uma comparação viável.  

Conclusão 

A suplementação de potássio pode contribuir com a função endotelial, e os resultados são diretamente associados à dosagem. Ainda, é necessário maior avaliação quanto aos parâmetros clínicos a serem avaliados e uma dose-resposta a ser indicada. 

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9961878/ 

Até mais.