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Artigo Científico: Suplementação de melatonina na nutrição

A suplementação de melatonina tem se popularizado entre muitas pessoas. Em geral, é utilizada visando a melhora do sono e ajuste do ciclo circadiano. No entanto, não deve ser tida como uma substância “para dormir”. 

A produção de melatonina acontece naturalmente para todos, a suplementação visa auxiliar essa via, principalmente se está em “deficit“. Sabemos que é um composto interessante, ainda mais por muitos estudos apresentarem o seu uso associado com diversos benefícios para a saúde. 

No entanto, quando o assunto é suplementação, muita atenção precisa ser concedida ao tema. Como a imagem abaixo indica, sempre há uma cadeia de fatores interferentes, os quais precisam ser avaliados individualmente. 

Por exemplo, para obter melhora no sono, há fatores mais importantes que a suplementação de melatonina, como a adequação da luz e do ambiente, o padrão alimentar e o consumo de determinados nutrientes. 

No texto de hoje, selecionamos os pontos principais de um artigo científico, para deixar o nutricionista atualizado sobre a suplementação de melatonina. Confira! 

  • Mecanismo de ação:

A suplementação de melatonina tem sido associada com a melhora da defesa antioxidante, redução do estresse oxidativo e efeitos anti inflamatórios. Há indícios de que a microbiota intestinal tenha participação na produção de melatonina, e que o funcionamento mitocondrial também exerce importante papel nesse sentido.

  • Uso clínico:

Aplicações têm ocorrido visando a modulação do ciclo circadiano, regulação do sono e distúrbios noturnos, melhora de condições cognitivas de saúde, como também há uso para casos de demência, TDH, autismo e enxaqueca. 

Alguns estudos avaliam o impacto da suplementação em outras condições como hipercolesterolemia, hipertensão, síndrome metabólica, regulação da glicemia, osteopenia fertilidade, SOP e tratamento conjunto para endometriose, doença do refluxo gastroesofágico, úlceras e Síndrome do Intestino Irritável, doenças autoimunes, melhora da imunidade em atletas e outras condições estressantes. 

  • Considerações Terapêuticas: 

A quantidade disponível de melatonina via fonte alimentar é relativamente baixa, mas há indícios de que o consumo de alimentos ricos em melatonina (ou seus precursores, o aminoácido triptofano, por exemplo) pode aumentar a disponibilidade da mesma no corpo. 

Ao comparar fontes alimentares vegetais com animais, o seguinte fator precisa ser considerado: a melatonina é encontrada em menor quantidade em alimentos de origem vegetal, no entanto, nesses alimentos há mais triptofano disponível. Por isso, a conversão final precisa ser levada em consideração. 

Alimentos ricos em triptofano facilitam a produção endógena de melatonina (banana, maçã, cereja, abacaxi, morango, amêndoas, nozes, linhaça e semente de girassol, lentilha, soja, leite e derivados); também é importante considerar a disponibilidade das enzimas N-acetiltransferase (NAT) e Hidroxindol-O-metiltransferase (HIOMT), para que ocorra a conversão de serotonina em N-acetilserotonina e por fim em melatonina.

  • Dosagem da Suplementação: 

Como suplemento dietético, a melatonina pode ser encontrada em variadas doses, desde 0.3 mg até 200 mg. No entanto, a orientação é que sempre seja utilizada a menor dose com maior eficiência. 

Os limites máximos ainda não foram definidos. A produção endógena varia de 0.1 a 0.9mg de melatonina diariamente. Resultados favoráveis foram encontrados com as seguintes dosagens: 0.3mg/dia (para a melhora do sono). 

Produtos com dose de 3 a 5 mg são comumente escolhidos por apresentarem uma errônea percepção de serem superiores. No entanto, suplementar acima do que é requerido fisiologicamente não acarreta em nenhum benefício. 

O indicado é que a suplementação se inicie em 0.3 mg e seja aumentada, se necessário, dependendo da finalidade pretendida. Em citação de outro estudo (Trends in Use of Melatonin Supplements Among US Adults, 1999-2018), há recomendação de que as pessoas não tomem melatonina em alta dose (>5mg), pois não há estudos de longo prazo avaliando a segurança de tal consumo na população em geral”. 

  • Recomendações: 

Consumir com 30 a 60 minutos de antecedência, já com as luzes baixas e sem uso de televisões ou equipamentos com luz azul. 

Não há estudos suficientes que indiquem a suplementação de melatonina em associação a outro composto. No entanto, os seguintes nutrientes têm sido estudados para tal finalidade: vitamina C, vitamina B12, glutationa, vitamina D e ácido fólico. 

Para escolher qual produto obter, considere seis fatores importantes: 

  • fonte (sintética e fitomelatonina – formas mais comuns), 
  • via (oral, sublingual, intravenosa, intranasal, intramuscular, etc) 
  • delivery (cápsula, comprimido, goma, mastigável)
  • ativos (isolada ou composta com outros nutrientes – ainda não há evidências de melhor efetividade por estar combinada)  
  • qualidade (certificação de boas práticas, livre de metais pesados e contaminantes, embalagem com garantia de shelf-life) 
  • dosagem (0.3-1.0mg é o comum) 
  • Contraindicações:

A melatonina é metabolizada com grande atividade da CYP1A2, e em menor proporção da CYP1A1, CYP1B1, CYP2C19. Cuidados devem ser tidos quando há uso de medicações do tipo sedativas e antidepressivos. Não há estudos que demonstrem a segurança da suplementação para gestantes ou lactantes.  

Confira o artigo na íntegra aqui: https://www.mdpi.com/2072-6643/14/19/3934/htm 

Até mais, 

Vida de nutricionista

Janeiro Branco: Nutrição e Saúde Mental?

A cada começo de ano todos são estimulados a refletir mais sobre as suas vidas, relações, escolhas e mudanças desejadas. Por isso, a campanha sobre saúde mental e emocional acontece nesse período de forma muito propícia (1). 

Para o ano de 2023 o Instituto Janeiro Branco se inspirou em um dos maiores escritores brasileiros e escolheu abordar o tema “equilíbrio”. 

Na nutrição, falar dos cuidados com a saúde mental também é muito importante, tanto para um cuidado próprio do profissional, como também para uma melhor atenção aos seus clientes. 

Quando o cuidado com o outro é uma atividade exercida a nível profissional, como é o caso do nutricionista, uma maior atenção para o autocuidado deve existir.

(Photo by Alex Green from Pexels)

Muitas questões externas são trazidas até o nutricionista no consultório e saber lidar com essa realidade é essencial para uma melhor saúde mental. Estes três pontos poderão te ajudar: 

  • Compreender que você é apenas um auxiliar na mudança do outro, não o responsável; 
  • Procurar o auxílio de outro nutricionista, ou um psicólogo, caso enfrente questões com a alimentação e o próprio corpo; 
  • Trabalhar com parcerias no desenvolvimento de projetos poderá te trazer mais segurança, principalmente se estiver no início da carreira. 

O nutricionista não atua ativamente com o tratamento da saúde mental e emocional, mas obter conhecimento sobre o tema é essencial para conceder mais atenção ao paciente. Reflita: 

  • Manter uma escuta ativa é um dos principais pontos para promover estratégias efetivas durante o tratamento e prezar pelo vínculo terapêutico, 
  • Respeitar os limites de cada e os seus estágios de mudança, mas sem deixar de lado intervenções ativas e reforçar a importância de algumas ações; 
  • Saber quais são os seus limites profissionais, ou seja, até que ponto o nutricionista pode ajudar? É preciso identificar o momento de sugerir um encaminhamento para outros especialistas, por exemplo. 

Tenha acesso a mais informações sobre saúde mental na página: https://janeirobranco.com.br

Até mais, um ótimo 2023!