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Há relação entre alimentação, depressão e ansiedade?

O padrão alimentar e estado nutricional de um indivíduo pode exercer impacto em diversas condições de saúde. Novos estudos sugerem que a dieta pode exercer um papel na prevenção e tratamento da depressão e ansiedade

Buscando trazer maior esclarecimento entre a possível associação, trouxemos a adaptação e tradução de um artigo recente sobre o tema. Afinal, estratégias nutricionais podem prevenir, recuperar ou auxiliar no tratamento de tais condições?

Alimentação e saúde mental

O consumo alimentar exerce um papel importante na saúde mental, pois há nutrientes que são essenciais para o funcionamento do sistema neuroendócrino. Alguns nutrientes já demonstraram isso, como: 

  • Os aminoácidos triptofano, tirosina, histidina, fenilalanina, ácido glutâmico;
  • As vitaminas ácido fólico, colina, piridoxina, cobalamina;
  • Os minerais selênio, magnésio, zinco;
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3.

Esses, desenvolvem papéis importantes da produção de neurotransmissores que estão associados com a regulação do humor, apetite e cognição; como serotonina, dopamina e norepinefrina. 

Desordens depressivas e de ansiedade não possuem uma única causa, sendo difícil que um fator isolado possa estabelecer causalidade direta. Porém, há alguns pontos e associações importantes a serem destacados: 

Nutrição e depressão

  • Priorizar um padrão alimentar com consumo regular de vegetais, frutas, oleaginosas, óleo de oliva, cereais integrais e fontes protéicas com baixo teor de gordura; e com limitado consumo de doces, bebidas açucaradas e açúcar de adição. 
  • Atentar para o consumo das vitaminas B6, B12, B9 e D. Apesar de apresentarem um papel essencial no sistema neuroendócrino, não há recomendação de suplementação para a prevenção ou tratamento da depressão.
  • Adultos com depressão apresentam maior deficiência de magnésio e zinco. Não há evidências que demonstrem benefícios na suplementação de magnésio. Efeitos favoráveis foram observados em meta-análise para o uso de zinco (25 mg/dia por 6 a 12 semanas) como terapia adjunta ao antidepressivo.
  • Ácidos graxos poliinsaturados ômega 3 foram associados a uma melhora no tratamento da depressão, podendo ser utilizado de forma associada à medicação (~1.5-1.8g/d). Porém, não há indicação de suplementação visando a prevenção.
  • Não há evidências que a composição de macronutrientes da dieta pode interferir nos sintomas depressivos, mas, dietas que estimulam a perda de peso apresentaram possível aumento da recorrência dos mesmos. 
  • Não há consenso quanto ao consumo de carnes, embutidos ou leite e derivados com o risco, ou aumento, de sintomas depressivos. 

Nutrição e ansiedade 

  • Atenção para o consumo de vitaminas do complexo B, magnésio, zinco e vitamina C. Esses nutrientes atuam na regulação do metabolismo de neurotransmissores como a serotonina, dopamina e norepinefrina. 
  • Não há consenso que a suplementação de ácidos graxos ômega 3 apresentam benefícios para os sintomas de ansiedade.
  • Nas revisões sistemáticas avaliadas, apenas dois estudos indicaram melhoras da intervenção dietética nos sintomas ansiosos; mas, não apresentaram uma metodologia sólida que pudesse indicar uma associação direta.

Conclusão 

relação entre consumo alimentar e o desenvolvimento de depressão e ansiedade, pois a deficiência dos nutrientes citados como essenciais pode ser mais um fator de risco, entre tantos outros em tais condições multifatoriais. 

Uma possível relação bidirecional deve ser considerada, pois uma dieta pobre em tais nutrientes pode ser tanto causa como consequência de alterações na saúde e comportamento. Assim, estabelecer uma relação temporal pode ser complexo. 

Há indicação direta na manutenção de um padrão alimentar que oferece nutrientes importantes para o funcionamento neuroendócrino, no entanto, outros estudos são necessários para esclarecer o uso suplementar de nutrientes específicos. 

Confira o artigo na íntegra aqui !

Até mais!

Atualidades

Orientações para a época de recesso

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂

Em época de feriados e celebrações há sempre muitas discussões que envolvem a alimentação: 

“Quanto pode comer? O que tem menos calorias?

E as bebidas, tá ou não liberado? Mas, nem no carnaval?”

Como na nutrição costumamos dizer, depende. Cada caso é um caso. Há quem não celebre esses momentos com festas, mas com muito descanso. Por isso que, para cada um, uma orientação diferente será dada. 

Mas, para todos, é importante lembrar que a comida não tem apenas o papel biológico de nos nutrir. Comer também faz parte do celebrar. A questão é conseguir desfrutar desses momentos, com a consciência de que há outras formas de aproveitar as comemorações além da comida.

Conceder algumas orientações para que esse período seja encarado de forma mais equilibrada pode ser um bom caminho, seguem três:

  • Antes do recesso: é importante saber quais são os planos do paciente para o recesso, podendo assim conceder orientações de acordo com a provável realidade. Por exemplo, orientações diferentes serão dadas se o mesmo for ficar em casa, visitar familiares, ou se hospedar em um hotel;
  • Durante o recesso: entendendo como esse período será passado, orientações mais específicas podem ser dadas. Uma meta de consumo de água, ou uma lista de compras de alimentos saudáveis e de fácil conservação podem ser trabalhadas, por exemplo; 
  • Após o recesso: incentivar restrições alimentares após esse período pode ser um caminho complicado. Mesmo que tenham ocorrido exageros, reconhecer o que aconteceu para que em uma próxima vez um melhor planejamento possa ser proposto é uma boa alternativa. 

Manter o foco no longo prazo é sempre importante, pois proporciona ao paciente mais consciência de que grandes mudanças, sejam elas positivas ou negativas, dificilmente vão ocorrer de uma semana para outra. 

Assim, pode haver maior motivação, tanto para aproveitar os momentos sem ultrapassar os próprios limites, quanto para voltar de um recesso sabendo que pela frente sempre haverá caminho para o progresso.

Até mais! 

Atualidades

Cuidado Nutricional: Vegetarianismo

Vegetariano é toda pessoa que não possui como parte de sua alimentação carne, aves, peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

Já o veganismo é uma forma de vegetarianismo, mas busca também a exclusão da compra e consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados, independente de ser um alimento.

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a sua redução. 

As razões para a adesão desse estilo de vida são diversas, mas em geral, focam em questões éticas, sociais, de saúde e preservação do meio ambiente. 

https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/mercado-vegetariano

Independente da escolha, ou de seus motivos, quando a alimentação é bem orientada poder ser sim adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há estratégias nutricionais que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Já falamos sobre algumas – confira aqui

É importante que o nutricionista entenda as razões de adesão dos seus pacientes, para então poder adequar as orientações prescritas de acordo com as prioridades de cada um. Além disso, também é essencial se manter sempre atualizado.

Alguns destaques de um estudo realizado em 2021 sobre o tema:

  • quanto maior a adesão ao vegetarianismo, menor é o impacto ambiental gerado, devido a redução estimada da emissão de carbono em 35%, do uso de terras para plantio em 42%, e o uso de água potável em 28%;
  • seguir uma dieta vegetariana promove benefícios ao sistema cardiovascular, controle glicêmico e um maior consumo de fitonutrientes. Não há contraindicação para gestantes, lactantes, crianças, idosos ou atletas;
  • há aspectos nutricionais que merecem mais atenção, como: o consumo de cálcio e a interação com o oxalato, a absorção adequada de ferro e zinco, a suplementação de vitamina B12 e vitamina D, a quantidade de ácido alfa-linolênico (ALA) presente na dieta e a ingestão de EPA e DHA.

Acesse o estudo na integra, clique aqui !

Até mais!

Estudante de Nutrição

Atuação do nutricionista na oncologia

O Dia Mundial de Combate ao Câncer (04/02) visa promover maior conscientização sobre o tema. A atuação do nutricionista na área oncológica é imprescindível, uma vez que a terapia nutricional específica pode auxiliar tanto na resposta ao tratamento, como na melhora de sintomas que são desencadeados.

Falando um pouco mais sobre a fisiopatologia do câncer, essa é uma doença que ataca as células do organismo humano, sem uma causa específica e que ocorre de maneira desordenada, promovendo uma alteração na divisão de células anormais ao invadir órgãos e tecidos adjacentes (1). 

Os fatores de risco associados ao câncer são hereditários e ambientais. Nesse âmbito, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a alimentação está associada ao surgimento do câncer, principalmente no consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas (2).

Ou seja, a alimentação adequada pode atuar na prevenção, como também no tratamento. O nutricionista oncológico é o profissional que vai auxiliar o paciente a receber os nutrientes necessários, possibilitando que o mesmo tenha mais disposição para encarar os processos terapêuticos necessários. 

Os métodos de tratamentos da doença, como a quimioterapia, a imunoterapia e a radioterapia são invasivos e aumentam a probabilidade de alguns efeitos colaterais, como: náuseas, vômitos, boca seca, aftas, alteração no paladar, disfagia, ganho ou perda de peso.

ESTRATÉGIAS PARA AUXILIAR OS PACIENTES EM SITUAÇÃO DE EFEITOS COLATERAIS:

  • Náuseas: oriente o paciente a não fazer jejum prolongado, impedindo que a liberação de ácido clorídrico aumente a irritação da mucosa. Os alimentos consumidos devem estar em temperaturas amenas ou ambiente;
  • Boca seca: indicar a ingestão hídrica adequada, orientar a prática de estratégias como água saborizada, gelo de fruta, e outras que reduzem as chances do paciente desenvolver desidratação. O uso de saliva artificial pode ser avaliado;
  • Disfagia: apresente ao seu paciente a postura ereta ao comer e beber, ressaltando que não é indicado se deitar após as refeições. Oferte alimentos macios e em porções menores, mas com maior fracionamento; 

Além disso, algumas deficiências nutricionais também podem estar presentes em pacientes com câncer:

  • Anorexia: distúrbio alimentar que leva a perda do apetite, provocando uma perda de peso não considerada saudável para idade e altura. Se atente para a reposição de potássio, ingestão calórica diária, e de encaminhar o paciente a um psicólogo e psiquiatra;
  • Caquexia: síndrome de perda progressiva de massa magra esquelética em que o paciente perde a sua capacidade funcional. Oriente de uma dieta diversificada com vegetais escuros, folhas, frutas, proteínas, vitaminas e minerais. Avalie a possibilidade de suplementação com ômega-3, pois vem sendo apontada como importante para a melhora da caquexia (4);
  • Sarcopenia: perda da massa muscular, a qual faz a perda de força do corpo e atinge a função cognitiva do paciente. Os alimentos que podem auxiliar nessa condição são aqueles com maior teor de proteína, cálcio e vitamina D; 
  • Desnutrição: consumo inadequado ou absorção insuficiente dos nutrientes necessários para o funcionamento correto do corpo. Gera cansaço, fraqueza e outras condições físicas. Modificações na consistência e temperatura dos alimentos podem favorecer melhor aceitabilidade alimentar. 

Em alguns quadros mais avançados essas condições nutricionais podem ser irreversíveis, mesmo assim, promover uma alimentação condizente com as necessidades nutricionais é de extrema importância. Nesses casos é válido que o nutricionista esteja bem atualizado quanto à evolução do câncer, bem como aos efeitos colaterais que este possa promover.

Assim, reforçamos a importância do nutricionista na equipe multiprofissional para auxiliar na melhor qualidade de vida ao paciente em qualquer fase do tratamento, inclusive quando se torna necessário optar pelos cuidados paliativos. 

REFERÊNCIAS:

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). O que é câncer?, 2020
  2. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Dieta, Nutrição, Atividade Física e câncer: Uma perspectiva global, 2020
  3. Caro, Monica María Maim.; Laviano, Alessandra.; Pichar, Claude.; Impacto of Nutrition on Quality of Life During Câncer, 2007.
  4. Correia, Maria Luísa de Sousa.; Vaz, Sáskia Ribeiro.; Ômega-3 como Composto Bioativo Adjuvante à Terapia Nutricional da Caquexia Oncológica, 2020.