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Métodos de Avaliação Corporal (Parte II)

O conhecimento sobre antropometria é muito importante para o nutricionista, especialmente aquele que trabalha com a prática clínica. Há diferentes protocolos destinados para cada população. Quais você conhece? 

Antes de continuar, confira o nosso último texto sobre os métodos mais utilizados e a aplicabilidade de cada um

Hoje, o mais utilizado é a bioimpedância, mas você sabia que em muitas condições esse não é o método mais adequado? Também iremos abordar mais sobre as dobras cutâneas e circunferências

Bioimpedância

Indicação

Há maior precisão ao avaliar massa magra, massa livre de gordura, hidratação corporal e monitoramento em intervenções de perda de peso; não é indicado para pessoas gestantes, com obesidade ou situações de saúde com intensa retenção de líquidos. Os equipamentos mais precisos são aqueles que contam com a medição tanto nos pés, como nas mãos, e alça de eletrodos.

Preparo

Estar em jejum, isentar o consumo de água 2h antes do procedimento, não realizar atividade física intensa nas últimas 24h, não consumir álcool nas últimas 48h, estar com a bexiga vazia antes do exame. Também é indicado realizar em jejum matinal, podendo ter uma maior dimensão de como está o estado corporal em nível basal. 

Dobras cutâneas e circunferências

Indicação

As dobras cutâneas oferecem precisão ao avaliar atletas, esportistas ou mudanças corporais associadas com a performance, como o ganho de massa muscular. O uso de um adipômetro é necessário. 

No caso das circunferências, há medidas que complementam a avaliação de ganho de massa muscular e perda de gordura corporal. Uma caneta marcadora lavável e uma fita métrica inelástica são necessárias. 

A aferição de medidas como a da cintura, do quadril e pescoço podem ser usadas em conjunto com o Índice de Massa Corporal (IMC), principalmente para avaliação em grupos. É um protocolo rápido, de baixo custo, boa acurácia e alta acessibilidade; e possibilita avaliar condições como a obesidade e desnutrição.

Preparo

As aferições devem ser realizadas sob a pele limpa e seca, por isso, não devem ser utilizados cremes, géis ou óleos corporais antes da avaliação. O uso de roupas de banho também facilita o procedimento.

No Software do Allivici há uma aba inteiramente dedicada à antropometria, com vários protocolos disponíveis e as suas fórmulas já inseridas:

Ter uma ferramenta que facilite essa etapa do atendimento é muito importante. 

Uma combinação de métodos também pode ser vantajosa, desde de que a indicação para cada protocolo seja bem seguida, para que a análise da sua intervenção nutricional seja apurada. Se mantenham atualizados! 

Até mais!

Atualidades

Métodos de Avaliação Corporal

A compreensão do estado nutricional tem íntima relação com a avaliação corporal, a qual pode ser utilizada tanto a nível individual, como populacional, por exemplo no caso de estudos epidemiológicos.

Há relevância clínica e científica para a avaliação corporal, com referenciais estabelecidos para diversas faixas etárias e grupos populacionais, como para algumas condições de saúde, como a obesidade, a sarcopenia e desnutrição. 

Um ponto importante: existem métodos específicos de avaliação para cada área de atuação. Sendo assim, as medidas antropométricas mais importantes para um idoso internado não serão as mesmas que para um adolescente esportista. 

três fatores importantes para se escolher o método de avaliação corporal: 

  • acurácia
  • acessibilidade
  • custo.

Além de saber escolher com cautela qual método e protocolo será utilizado para cada caso, é importante adquirir a prática da avaliação. Por isso, existem cursos específicos, até mesmo com certificações oficiais, como é o caso daqueles com padrão ISAK (International Society for Advancement of Kinanthropometry).

Hoje, reunimos os métodos mais populares e as suas aplicabilidades em formato de resumo, baseado no recente estudo publicado na Nutrients, para a sua prática clínica!

Métodos de avaliação corporal

  • Índice de massa corporal (IMC): amplamente utilizado, por ser um método de baixa complexidade e fácil execução. A altura e peso do indivíduo são aplicados a uma fórmula e o resultado é classificado a partir de um referencial. Não entrega uma análise individualizada, mas ainda possui muita relevância para análises populacionais. 
  • Circunferências: as principais são as da cintura e do quadril, principalmente de forma complementar ao IMC e para a avaliação de risco cardiovascular e complicações metabólicas. São práticas, fáceis de serem aferidas e exigem apenas o uso da fita métrica, mas não proporcionam uma avaliação da composição corporal. 
  • Dobras cutâneas: É um método de baixo custo e boa eficácia para estimar a porcentagem de gordura corporal. Necessita de um equipamento, o adipômetro, e o resultado é obtido ao aplicar os valores aferidos em equações para cada grupo populacional. Há indicação para o uso de adipômetros mais precisos, como os de metal, por exemplo. 
https://www.mdpi.com/2072-6643/13/8/2493#
  • Bioimpedância: funciona a partir de um baixo nível de corrente elétrica que mensura a composição corporal. Por ser um método sensível à quantidade total de líquido corpóreo, a avaliação deve ser sempre realizada em estados similares de hidratação e atividade física. A eficácia do método aumenta de acordo com a capacidade do equipamento. 
  • Aplicativo de avaliação: a partir de imagens, o aplicativo estima dados como medidas, volume e tamanho corporal. Não é um recurso considerado profissional pela falta de validações científicas. Sendo assim, para a prática clínica outros métodos podem ser utilizados. 
  • Pletismógrafo: é pouco utilizado na prática, apesar de ter alta acurácia, devido o equipamento ser robusto – uma câmara com capacidade de até 500L e sensores computadorizados. Alguns estudos, que compararam o método ao da pesagem hidrostática, demonstraram que o mesmo superestima a porcentagem de gordura corporal. 
  • DEXA (Dual-energy X-ray absorptiometry): é o método mais completo, por também quantificar e avaliar o conteúdo corporal ósseo, além da massa magra e massa livre de gordura. No entanto, não mensura a quantidade de água corporal, assumindo um padrão de hidratação que pode não corresponder à realidade e conduzir a erros; outra limitação do método é a exposição à radiação, apesar de ser baixa. 
  • Tomografia computadorizada: permite resultados mais precisos, devido a melhor avaliação da segmentação dos tecidos. Apesar da precisão obtida, não é utilizado na prática clínica, assim como o método acima, por exigir equipamentos de grande porte. Além de ambos serem métodos que exigem uma boa tolerância do indivíduo a permanecer imóvel em espaços pequenos. 
  • Peso hidrostático: baseado no princípio de arquimedes, foi considerado um método padrão-ouro por muito tempo, mas devido a falta de acessibilidade ao equipamento, tornou-se um protocolo pouco praticado. A densidade corporal e a porcentagem de gordura corporal é obtida por uma equação. 

→ Mantendo a atenção aos três fatores citados anteriormente, conhecendo a teoria e dominando a técnica, dificilmente haverá erros! Acesse o artigo na íntegra aqui.

Até mais!

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Alergias: qual é o papel do nutricionista?

Algumas mudanças na rotulagem dos alimentos começarão a ser vistas em breve. Um dos benefícios que o conhecimento sobre a leitura dos rótulos proporciona é a maior segurança para aqueles que sofrem com alergias alimentares.

É estimado que 8% das crianças com até dois anos de idade e 2% dos adultos sofram algum tipo de alergia alimentar (1). Inclusive, o Dia Mundial da Alergia (08/07) é uma data que visa a maior conscientização sobre alimentos, medicamentos ou fatores ambientais e climáticos que são alergênicos (2).

No caso dos alimentos, os principais são: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar. No entanto, há outros que podem ser causadores de reações alérgicas, dependendo da reação do organismo de cada indivíduo às frações alergênicas presentes nos alimentos.

fonte: https://www.mdpi.com/2072-6643/13/5/1638

É importante ressaltar que o diagnóstico nesses casos é sempre realizado por médicos. O papel do nutricionista diante de quadros de alergias é orientar um consumo alimentar seguro, minimizando o risco de contaminação e ofertando substituições acessíveis e nutricionalmente adequadas. 

Por isso, a restrição de alimentos não deve ser realizada de forma indevida, ou encarada como um modismo. A própria Associação Brasileira de Imunologia (ASBAI) divulgou um texto sobre como o excesso de diagnósticos pode ser prejudicial (3).

“Enquanto a falta do correto diagnóstico pode acarretar sintomas graves, potencialmente fatais, a restrição desnecessária também acaba por levar a estigmas nutricionais, psicológicos e sociais”.

Para finalizar, já trouxemos aqui um texto exclusivo sobre a relação das alergias alimentares com a microbiota intestinal. É muito importante que o profissional se mantenha atualizado nesta pauta, uma forma é acompanhar os nossos conteúdos semanais no Blog Allivici

Além disso, confira outros materiais que serão ferramentas nessa abordagem clínica: 

Até mais!