Corrida

Hidratação em corridas

A corrida pode ser praticada por qualquer indivíduo, desde que tenha capacidade física para tal, ou seja, que a intensidade do esforço seja compatível com sua capacidade funcional. Inúmeros são os benefícios que este esporte irá proporcionar aos indivíduos como, redução do peso corporal, melhora da qualidade do sono, redução dos níveis de estresse e melhora da depressão, ativação da circulação sanguínea, diminuindo assim problemas do coração, melhora da função dos rins, que filtram o sangue e reduz o número de substâncias tóxicas que circulam pelo corpo, aumento da eficiência do metabolismo, entre outros.

Seja ela por prazer ou por competição, a hidratação (antes, durante e após) é parte fundamental da estratégia para um bom desempenho. Durante a corrida, a água que ingerimos regula a temperatura corporal e repara as fibras musculares que recrutamos para correr. Além disso, o líquido é fonte de micronutrientes e minerais (cálcio, sódio, potássio e magnésio), presentes também em bebidas isotônicas, fundamentais para a atividade física.

No intuito de manter uma temperatura corporal próxima do normal, nosso organismo utiliza um sistema de resfriamento eficiente: a transpiração. Em média, as perdas associadas à transpiração estão entre 0,5 a 1 litro por hora e podem chegar a 3 litros ou mais nos praticantes intensivos, por isso a importância de compensar a água perdida pelo suor e evitar o risco de desidratação.

A perda de água e sais minerais através do suor prejudica a contração muscular e a transmissão de impulsos nervosos. Desta forma, uma pessoa desidratada corre mais risco de cãibra, lentidão nos movimentos e até no raciocínio. Por isso, nunca espere sentir sede para se hidratar durante a corrida. A sensação de sede não é um bom indicador do estado de hidratação corporal durante a corrida, pois ela aparece tardiamente. Ela se manifestará quando o esportista já estiver em estado de desidratação de pelo menos 1% do peso corporal. É preciso então trazer mais água do que a quantidade a qual o organismo necessita.

Um estudo publicado no Journal of Athletic Training reforça o alerta da hidratação. Nele, corredores que iniciaram uma prova de 12 km em um dia quente, sem beber água, terminaram 3 minutos mais lentos em relação à quando correram hidratados.

Em regra geral, para treinos de até uma hora, o ideal é se hidratar com água ou água de coco. Ainda assim, o consumo de água deve ser priorizado porque ela é mais aproveitada pelo organismo. Acima de uma hora, em percursos de média a longa distância, você pode optar por bebidas hidroeletrolíticas. Elas são rapidamente absorvidas e ainda repõem os sais minerais e carboidratos perdidos. Também faz diferença ingerir bebidas geladas, como sugerem diversos estudos. A água fria (em torno dos 15°C) ajuda a hidratar mais rápido porque seu esvaziamento gástrico é acelerado, facilitando a hidratação. Além disso a sensação refrescante reduz a percepção de esforço.

Fique atento ao grau de desidratação (percentual de água perdida versus seu peso total):

▪ 1% de desidratação (leve): essa situação, é possível perceber uma perda significativa de rendimento, além de uma redução na produção de energia e cãibras.

▪ 2% de desidratação (moderada): é mais comum em treinos ou provas de longa distância, com risco de superaquecimento do organismo, podendo até convulsionar.

▪ 3% de desidratação (severa): exige intervenção imediata, pois o sangue perde muito líquido, impactando o controle de temperatura e o aumento do risco de colapso do sistema — o que pode levar à morte.

Estudante de Nutrição

“Mas… você não é nutricionista?”

Antes de tudo, duas coisas importantes precisam ser ditas:

  1. Com o passar do tempo as pessoas irão ver você, mero estudante, como nutricionista.
  2. Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio (tema desse post).

Claro, não são todas as pessoas que têm a mesma visão do que vou dizer aqui, já que somos todos diferentes, não é mesmo? Mas, acredito que falo em nome da maioria. Vamos lá?!

Ser visto como nutricionista tem seu lado sombrio. OK… talvez esteja sendo meio shakespeariana? Mas, há alguns pontos sobre ser visto como nutricionista que diria serem um pouco… indigestos?

Como estudante provavelmente comece a perceber isso logo no início da graduação. Seus amigos começam a te pedir dietas, muitas e muitas dietas. Vão começar a te olhar meio torto toda vez que te verem adoçando seu café ou tomando um refri de vez em quando. Também é notado um certo espanto das pessoas se arriscar dizer que não segue nenhuma dieta. Outra coisa que também acontece é que muitos passam a te ver como uma “TACO ambulante” e acham totalmente normal te perguntaram quantas calorias tem em 50g de chuchu. Outros até se consideram no direito de questionar sua conduta alimentar se te encontrarem por aí comendo uma batata frita. 

Responder ou relutar geralmente não ajuda muito. O problema é mais profundo. As pessoas de fato acreditam que ao ser nutricionista tudo se torna muito fácil e simples e que é seu dever seguir 100% do que é “saudável”. Na visão de alguns somos praticamente um robô que se alimenta de salada. 

Essa realidade passa a ser mais complicada para o profissional nutricionista. Não sendo suficiente as responsabilidades que acompanham a profissão, há algumas outras impostas pela “sociedade”. Aqui vão algumas: 

  • um nutricionista não pode ser visto em locais como hamburguerias, pizzarias ou sorveterias;
  • nunca deve estar acima ou abaixo do peso, demonstrar qualquer problema em sua relação com a comida, e claro, não deve apresentar nenhum transtorno alimentar; 
  • deve saber as calorias e macronutrientes de todos os alimentos (“não é isso que você aprende na faculdade?“);
  • deve saber como transformar qualquer preparação culinária em algo “fit” e não consumir as que não são. 

Ao não seguir essas “regras” a seguinte frase poderá ser dita: “mas… você não é nutricionista?” Talvez você já tenha escutado isso tantas vezes que a frase virá naturalmente ecoando em sua mente sempre que estiver fazendo algo que “um nutricionista não deveria fazer” (mesmo que ninguém esteja vendo). Isso deveria parecer absurdo, porém muitas vezes essa é a realidade.

Essa frase questiona o seu valor e capacidade profissional. Isso não é algo simples. É por isso que muitos estudantes e nutricionistas de fato acreditam que devem ser o exemplo a todo custo, ou que não podem ter problemas com a alimentação.

Vou compartilhar uma coisa que aprendi: 

Tudo bem você também ter problemas. Tudo bem você também ter dificuldades em seguir um plano alimentar. Tudo bem você também ter dificuldade em perder, ou ganhar, peso. Sabe por quê? Isso faz de você um ser humano, assim como seu futuro ou atual cliente. Poder dizer “eu também passo por isso e sei o quanto pode ser difícil” não tem valor!

Até mais,

Daniela. 

Crossfit

GH e o SONO: uma relação VALIOSA no seu desempenho

O sono é extremamente importante para o desempenho, o aprendizado, o desenvolvimento e a saúde física e mental.

“O sono é tão importante para a saúde quando uma dieta e exercícios.” (Carl Hunt, MD, director of the National Center on Sleep Disorders Research at the NIH”)

Precisamos dormir bem para ter melhor desempenho tanto no Crossfit quanto nas outras atividades do nosso dia a a dia. Além disso, ajuda a ter MELHOR humor rs. Na prática do esporte, a falta de sono pode causar reduções no desempenho, na capacidade de decisão, na aprendizagem e cognição, além de queda no sistema imunológico e maior suscetibilidade ao ganho de peso.

O sono pode ser definido como um estado comportamental reversível em que um indivíduo é desvinculado da percepção e não responde ao ambiente (Carskadon & Dement, 2011). É um estado fisiológico e comportamental complexo que possui dois estados primários: movimento ocular rápido (REM – Rapid Eye Movement) e não-REM (NREM).

O HORMONIO DE CRESCIMENTO  é uma pequena proteína produzida pela glândula pituitária e secretada a corrente sanguínea. Sua produção é controlada por um complexo conjunto de hormônios produzidos no hipotálamo do cérebro, no trato intestinal e pâncreas.A glândula pituitária “joga” o GH em pequenos disparos, sendo que os níveis aumentam depois do exercício, traumas (machucados) e sono. Sob condições normais, mais GH é produzido à noite do que de dia.O GH atua em muitos tecidos pelo corpo. Em crianças e adolescentes, estimula o crescimento de ossos e cartilagem. Em pessoas de mais idade,GH aumenta a produção de proteína, promove a utilização de gordura, interfere na ação da insulina e aumenta o nível de açúcar no sangue. Ele melhora a capacidade de realizar exercícios e reduz o risco de doenças no coração.

Três estudos interessantes, para ler mais e pensar a respeito

  • Shapiro et al. (1981) investigaram o sono antes e depois de uma maratona de 92 km em seis sujeitos. Os resultados indicaram que o tempo total de sono aumentou significativamente nas quatro noites após a maratona. Este estudo mostrou que o sono é muito importante para a recuperação atletas.
  • Em 2011, Mah et al. instruíram seis jogadores de basquete a obterem o máximo de sono “extra” possível após duas semanas de hábitos normais de sono. No final do período, foram observados tmepos menoes em seus sprints, além de maior precisão no lance livre, melhoras no humor, maior vigor e diminuição da fadiga. O mesmo grupo de pesquisa também aumentou o tempo de sono dos nadadores para 10 h por noite durante seis a sete semanas e relatou que o “sprint” de 15 metros, o tempo de reação, o tempo de virada e o humor melhoraram. Os dados deste pequeno número de estudos sugerem que aumentar a quantidade de sono que um atleta recebe pode melhorar significativamente o desempenho.
  • Em 2005, uma amostra cerca de 10.000 adultos, sugeriu que a epidemia de obesidade dos Estados Unidos poderia, em parte, ser causada por uma diminuição no número médio de horas de sono. Este estudo descobriu que pessoas com idades entre 32 e 49 anos que dormem menos de 7 horas por noite são significativamente mais propensas a serem obesas. Além disso, ficar acordado além da meia-noite parecia aumentar a probabilidade de obesidade. Da mesma forma, um estudo que acompanhou o crescimento de mais de 9.000 crianças desde o nascimento mostrou que as que dormiam menos quando tinham 30 meses de idade tinham maior probabilidade de serem obesas aos 7 anos do que as crianças que dormiam mais.

O sono é essencial para os atletas e praticantes de exercicio fisico, tanto para se preparar quanto para se recuperar dos treinamentos e/ou competição. Então tente dormir em média 7 horas por noite, para não ter “problemas “ posteriormente, cuide de você e bom sono!!

Julianne Sampaio – CRN3: 31233