Atualidades

Cuidado Nutricional na Psoríase

A psoríase é uma doença dermatológica crônica e imunomediada, com diversas manifestações possíveis, sendo a mais comum a presença de placas ressecadas e avermelhadas, ou esbranquiçadas, na pele (1).

Além disso, a psoríase também possui relação com a manifestação de artrite psoriásica, doenças cardiometabólicas e gastrointestinais. Assim como em outras doenças crônicas, o nutricionista possui importante espaço de atuação no tratamento.

Por isso, trouxemos o resumo de um artigo científico que avaliou diversas intervenções dietéticas e o possível impacto de nutrientes no manejo da psoríase

Introdução

Psoríase é uma doença inflamatória crônica mediada principalmente pela ativação do eixo fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), interleucina-23 (IL-23), interleucina-17 (IL-17) e a cascata inflamatória subsequente. 

fonte: doi:10.3390/ijms21155405

Indivíduos portadores de psoríase com frequência apresentam outras doenças inflamatórias ou metabólicas, com uma variedade de fatores genéticos e ambientais atuantes, como a alimentação.

Resultados e Discussão 

Diversos estudos argumentam sobre a associação entre a sintomatologia da psoríase e o consumo alimentar. É sugerido que alguns podem aliviar os sintomas ao regular mecanismos inflamatórios ou estimular a ativação de regulatórios, como também podem agravar.

Um agravamento poderia ser causado pela ativação da cascata NLRP3 ou eixo TNF-α / IL-23 / IL-17, disbiose intestinal, geração de espécies reativas de oxigênio (EROS) e supressão de células T regulatórias (TREGS). 

Para benefícios regulatórios é importante que o consumo alimentar apresente oferta adequada de fibras, ácidos graxos ômega 3, vitaminas e minerais antioxidantes; além de evitar o excesso de gordura saturada, açúcares simples, álcool e carne vermelha. 

No entanto, intervenções nutricionais isoladas não devem ser indicadas. Exercem um papel de terapia complementar, sendo necessário que estejam em concordância com o tratamento médico.

Conclusão

A nutrição pode ser um fator chave para o tratamento e progressão da psoríase, pois determinados nutrientes e alimentos podem exercer efeitos regulatórios ou agravantes.

Regulatórios:

  • ácido graxo ômega 3;
  • ácidos graxos de cadeia curta;
  • vitamina D, B12 e mineral selênio;
  • fibras dietéticas; 
  • genisteína e probióticos;

Agravantes:

  • ácidos graxos saturados;
  • alto consumo de carne vermelha e açúcar;
  • bebidas alcoólicas.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Atualidades

Parceria entre nutricionistas?

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂  

Todos temos dificuldades a serem enfrentadas no início da carreira. Não é incomum que o nutricionista que realiza atendimentos se veja em uma situação competitiva e até mesmo solitária profissionalmente.

Não tenho muito tempo de formada, mas desde a faculdade tinha a percepção de que havia certa “disputa” entre colegas de profissão e sentia falta de mais colaboração como acontece em outras áreas.

Se cada profissional possui uma conduta terapêutica única, áreas de interesse distintas e personalidades incomparáveis, como poderia haver concorrência? São serviços completamente diferentes, para públicos diferentes. É possível trabalhar em cooperação!

Ainda há muita insegurança entre nutricionistas para trabalhar com parcerias, mas isso pode mudar. O que acha de tentar?

Vocês podem desenvolver ideias e projetos juntos, dividir consultórios e reduzir custos, ou até mesmo compartilhar das dores e alegrias que é ser nutricionista. Fica a sugestão!

É claro, quando se trabalha em grupo nem tudo é um mar de rosas. Naturalmente divergimos em alguns aspectos pessoais, ou profissionais. No entanto, o importante é haver espaço para o diálogo entre propostas diferentes.

Claro, é importante que a saúde do paciente/cliente esteja sempre em primeiro plano. Por isso, em caso de conduta antiética de profissionais com quem você trabalhe, ou não, é muito importante reportar junto ao Conselho Regional da sua região.

Ter apoio de quem compartilha dessa visão pode ser essencial para o seu trabalho. Inclusive, a importância da cooperação profissional também já foi tema de um post aqui…

Você leu “5 estratégias para o dia a dia de atendimento”? Clique aqui para ler! 

Até mais!

Atualidades

Obesidade infantil, qual deve ser o foco?

Na última quinta-feira (03/06) foi o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil. Quando falamos sobre obesidade é essencial ressaltar que é uma condição de saúde crônica e de etiologia multifatorial, pois a mesma comumente é estigmatizada. Já trouxemos um blog falando sobre isso, leia aqui

Na obesidade infantil o estigma não está fora de pauta. O tratamento deve ser realizado com acompanhamento psicoterápico, apoio parental e consideração dos riscos de desenvolvimento de transtornos alimentares. 

Qual deve ser o foco terapêutico na infância? Prevenção. Uma revisão sistemática das guidelines para obesidade infantil em países desenvolvidos avaliou as estratégias vigentes no contexto educacional e de cuidado infantil. Confira a tradução e adaptação do artigo! 

Introdução

A estimativa é que em 2025 a obesidade e sobrepeso infantil impacte mais de 70 milhões de crianças. Estratégias que promovam mudanças alimentares e a prática de atividade física são consideradas chaves para a saúde pública, mas para que ocorram é indispensável que a atenção seja voltada para os fatores ambientais, econômicos, políticos e socioculturais.

Métodos

As recomendações e guidelines selecionadas foram apenas dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), além de artigos científicos com publicação nacional entre 1999 a 2020.

Resultados e Discussão

Entre os resultados encontrados, 38 documentos foram selecionados dos países a seguir citados: Estados Unidos, Austrália, Inglaterra, Nova Zelândia, Canadá e Irlanda. Todas incluíam recomendações quanto ao consumo alimentar, prática de atividade física, qualidade do sono e tempo de exposição às telas.

Recomendações dietéticas

  • Oferta de refeições alinhadas com as orientações nutricionais vigentes;
  • Atendimento ao porcionamento e composição das refeições;
  • Atenção e importância para as práticas educativas alimentares;
  • Limite para o consumo de bebidas açucaradas, alimentos calóricos e ultraprocessados; 

Também orientaram, em menor frequência:

  • não usar comida como punição, recompensa ou suborno; 
  • promover um ambiente adequado e sem distrações;
  • envolver a criança no preparo e escolha dos alimentos. 

No entanto, nem todas abordaram a importância desses últimos três fatores no momento das refeições e poucas reforçaram a importância da participação parental.

Conclusão 

Uma revisão das recomendações em países desenvolvidos, os quais promovem educação e cuidado infantil de alta qualidade, propicia base para ajustes em práticas preventivas vigentes e pode influenciar o desenvolvimento de futuras guidelines em outros países.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais!

Nota do autor: apenas seis dos vinte países incluídos na OECD possuíam guidelines voltadas para a prevenção da obesidade infantil. O desenvolvimento econômico e acesso à serviços de qualidade são essenciais, mas será que apenas o nível de desenvolvimento de um país é determinante para priorizar a saúde da população?

Atualidades

Os 5 Sinais de Atenção para Transtornos Alimentares

A última quarta-feira (02/06) foi o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, data que surgiu visando maior atenção dessas questões pela população, possibilitando que muitos procurem ajuda. 

Transtornos alimentares (TA) são condições psiquiátricas de etiologia multifatorial, caracterizadas principalmente por métodos inadequados para perda ou manutenção do peso corporal, entre outros aspectos clínicos. (1

Além dos TA definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), também há comportamentos disfuncionais, com práticas inadequadas de ingestão alimentar e controle do peso (comer transtornado), mas que apresentam frequência e intensidade inferiores às exigidas pelos critérios diagnósticos. 

Qual o papel do nutricionista no tratamento?

O modelo de prescrição dietética tradicional pode não ser apropriado para o tratamento de transtornos alimentares, principalmente em quadros de transtorno de compulsão alimentar (TCA) e bulimia nervosa (BN).

Por isso, é imprescindível que nesses casos os pacientes sejam encaminhados para profissionais que possuam capacitação técnica para essa demanda, ou que trabalham com condutas não prescritivas. 

Entretanto, é importante que todos os nutricionistas tenham atenção aos sinais de TA e comportamentos disfuncionais associados ao comer, podendo assim realizar o devido encaminhamento a outros colegas de profissão e psicólogos. 

Selecionamos 5 pontos de atenção: 

  • Uso de métodos purgativos (laxantes, diuréticos ou indução do vômito)
  • Prática disfuncional de exercícios físicos (alta frequência ou duração)
  • Realização frequente de jejuns para controle do peso corporal
  • Preocupação excessiva com o peso e forma corporal
  • Regras inflexíveis em relação à alimentação

Não sabe onde poderia encontrar ajuda? Nesse site você encontra o contato dos centros de tratamentos espalhados pelo Brasil. Deseja aprender mais? Clicando aqui você encontra diversos materiais educativos!

Também gostaríamos de sugerir dois livros bem interessantes:

  • Diários da Anorexia – Linda M. Rio e Tara M. Rio (Editora M. Books): Auxilia o profissional a compreender a dinâmica comportamental do paciente, o aproximando do sofrimento e pensamentos que o paciente pode desenvolver no âmbito alimentar

  • Nutrição Clínica – Estudos de casos comentados – Rita de Cássia de Aquino e Sonia Tucunduva Philippi (Editora Manole): Há relato de casos de Anorexia e Bulimia, descrição do acompanhamento de pacientes com esses transtornos e as condutas dietéticas adotadas ao longo do tratamento. Uma boa fonte de aprendizado para nortear o profissional nutricionista.

Até mais!