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Vida de Nutricionista – Atendimentos

5 estratégias para o dia a dia de atendimento nutricional

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Muitos saem da faculdade com uma visão pouco aprofundada da área de atuação que escolheram seguir. A complexidade do atendimento nutricional em consultório se apresenta desde os primeiros momentos, mesmo aos que se dedicaram aos estágios e cursos durante a graduação.

Há as dificuldades iniciais: acostumar-se com a dinâmica dos atendimentos, escolher o perfil de clientes com quem deseja trabalhar, ou qual será a conduta clínica e a organização da rotina de atendimentos, já que muitos tornam-se seus próprios “chefes”. 

No entanto, a questão é mais profunda, pois dificilmente somos ensinados sobre organização financeira, atendimento ao cliente ou empreendedorismo. Por isso, a importância de expandir o horizonte e também aprender com outras áreas.  

Diante de tudo isso, que tal conhecer cinco estratégias que podem te auxiliar no dia a dia do atendimento nutricional?

1. Não trabalhe sozinho: acredito que a primeira estratégia é contar com colegas de profissão, trocar experiências, condutas clínicas, ter apoio é fundamental! 

2. Cuide primeiro de si: estabelecer prioridade no autocuidado é essencial para cuidar do próximo. Busque manter uma rotina condizente com a sua realidade, ter apoio da psicoterapia, além de supervisão profissional se precisar. 

3. Contato multiprofissional: a nutrição é terapia complementar em muitos quadros clínicos, por isso, tenha contato com outros profissionais que atendem ao seu cliente, como o médico, psicólogo ou educador físico.

4. Estudo e mais estudo: mesmo após formados essa vida de estudos não acaba, inclusive escrevi um blog sobre isso com 4 sugestões bem interessantes, confira clicando aqui! 

5. Ferramentas importantes: além de livros e equipamentos você pode contar com um software completo, como o Allivici, para tornar o seu dia a dia de atendimento nutricional mais assertivo e simples!

Claro, essa são apenas algumas estratégias que podem te ajudar, há outras dependendo da sua área de atuação! Para finalizar, um lembrete importante: não tenha vergonha de pedir ajuda a um colega e avalie o seu sucesso profissional sempre baseado no seu progresso, não se comparando aos outros!

Até mais! 

Atualidades

Estratégias nutricionais no vegetarianismo

Segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (1) vegetariano é todo aquele que não possui como parte de sua alimentação carne, aves e peixes e seus derivados, podendo ou não incluir o consumo de laticínios ou ovos. 

O veganismo é uma forma de vegetarianismo, porém busca a exclusão do consumo de qualquer produto animal, derivados ou testados em animais também. Ou seja, o foco não é apenas no consumo alimentar.

As razões para a adesão do vegetarianismo são diversas, mas em geral focam em questões de saúde, preservação do meio ambiente, éticas e sociais. Além disso, há classificações dependendo das restrições de consumo alimentar: 

  • Ovolactovegetariano
  • Lactovegetariano
  • Ovogevetariano
  • Vegetariano estrito
  • Vegano

Mais recentemente um novo termo também tem sido utilizado, que é o flexitariano. Nesse caso há flexibilização do consumo de alimentos de origem animal e derivados, visando a redução. 

Independente da escolha, ou seus motivos, quando a alimentação é bem orientada não há motivos para não ser adequada nutricionalmente e ir de encontro com as necessidades individuais. 

No entanto, há algumas estratégias que podem ser aplicadas, principalmente para melhorar a absorção de micronutrientes, já que muitas vezes a biodisponibilidade torna-se menor pela presença de fatores antinutricionais.

Estratégias nutricionais 

  • Cálcio: a biodisponibilidade é menor devido o ácido oxálico. Frutas e vegetais ricos em potássio e magnésio contribuem para absorção do cálcio; 
  • Zinco: menor biodisponibilidade devido a fatores como o fitato, por isso é importante que o consumo seja maior e associado à vitamina C, visando reduzir o efeito do ácido fítico; 
  • Ferro: ter atenção aos fatores que estimulam a absorção (vitamina C) e inibem (alimentos fonte de cálcio ou polifenóis como taninos e catequinas);
  • Vitamina B12: não há fontes alimentares de origem vegetal, podendo ser suplementada e os níveis séricos devem ser monitorados com maior frequência;
  • Consumo de fibras: a distensão gástrica pode estar associada ao consumo excessivo de fibras vegetais, o mesmo pode ser ajustado até que ocorra a adaptação intestinal; 
  • Modo de preparo das refeições: preparações fritas, ou que necessitam da adição de grande quantidade de farináceos devem permanecer sendo exceções, se atente para isso também.

O padrão alimentar vegetariano está associado a diversos benefícios para a saúde, como um maior consumo de fitonutrientes, redução dos níveis de colesterol sérico, melhora da pressão arterial e controle glicêmico. 

É importante ressaltar que objetivo dessa escolha pode estar muito além da saúde. Por isso, o nutricionista deve entender as razões do paciente ao aderir o vegetarianismo para poder adequar melhor a conduta terapêutica!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA. Vegetarianismo: o que é. Disponível em: https://www.svb.org.br/vegetarianismo1/o-que-e 
  2. DINU et al. Vegetarian, vegan diets and multiple health outcomes: A systematic review with meta-analysis of observational studies. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 57, n. 17, 2017. https://doi.org/10.1080/10408398.2016.1138447
  3. PARKER, H.W; VADIVELOO, M.K. Diet quality of vegetarian diets compared with nonvegetarian diets: a systematic review. Nutrition Reviews, v. 77, n. 3, 2019.  https://doi.org/10.1093/nutrit/nuy067 
Atualidades

Alimentação e doenças reumáticas, você sabe a relação?

Doenças reumáticas podem atingir pessoas de todas as idades e são condições que acometem principalmente ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Lúpus, gota, osteoartrite e fibromialgia são exemplos (1).

A síndrome da fibromialgia (SFM) é caracterizada por dor crônica, fadiga, má qualidade do sono e outros sintomas associados com a qualidade de vida. A doença ainda não foi associada a uma causa específica e pode ter variação de sintomas para cada indivíduo.

Por ser uma doença crônica, também merece atenção quanto à alimentação, considerando a importância da temática trouxemos a tradução e adaptação de um artigo científico. Essa revisão sistemática avaliou intervenções dietéticas para o manejo da fibromialgia.

Introdução

A prevalência mundial da SFM é de 1,78%, sendo mais frequente entre as mulheres. Não existe um tratamento ideal para a doença, mas prioriza-se um conjunto de tratamento farmacológico, fisioterápico e psicológico. 

Justamente pela dificuldade no manejo da doença, além da rara remissão completa dos sintomas, muitos buscam tratamentos alternativos ou complementares, como a alimentação e mudanças no estilo de vida. 

Apesar do potencial que nutrientes podem exercer para a condição, como a modulação inflamatória e neuromodulação, o tratamento não deve se limitar a essas estratégias, e sim utilizá-las de forma complementar. 

Métodos 

A busca de artigos foi realizada em quatro bases de dados para o período de 1990 até 2020, limitada ao idioma inglês, e com critérios de exclusão definidos, como: método diagnóstico, terapia nutricional parenteral, ou dietas com o objetivo de perda de peso. 

Resultados e Discussão 

No presente trabalho, 22 artigos foram selecionados por atender aos critérios de inclusão e qualidade estabelecidos na metodologia. Nesses, 806 indivíduos foram incluídos, sendo 97,94% mulheres. O tempo de duração dos estudos foi de 4 a 11 anos em média. 

A revisão dos estudos forneceu resultados conflitantes entre si, com benefícios observados para a redução dos sintomas da dor com o consumo de algas verdes Chlorella, na dieta vegana ou pobre em FODMAP, suplementação combinada de vitamina C, E e Nigella sativa

Quanto a outros benefícios, o uso de creatina demonstrou benefícios para a melhora da força muscular. Já a Coenzima Q10 foi associada com redução do estresse oxidativo, modulação do metabolismo energético e regulação da inflamação.

Mais pesquisas são necessárias, pois tratar uma doença como a fibromialgia por meio de intervenções nutricionais é algo complexo. Ainda falta muita compreensão sobre como a intervenção dietética poderia impactar no desfecho dos sintomas, ou influenciar na modulação da fisiopatologia. 

Conclusão

O próprio estudo indica limitações, como a qualidade da metodologia aplicada nos estudos selecionados, o tamanho amostral e o grau de viés. Além disso, dos vinte e dois estudos analisados, dezessete utilizaram métodos de intervenção dietética distintos – não havendo base comparativa de similaridade para avaliar o impacto do mesmo nutriente.

Para todo estudo é importante avaliarmos as limitações, pois demonstra que ainda não há evidências suficientes para recomendar uma estratégia específica de intervenção. Há alternativas que podem ser consideradas na prática clínica, mas não devem ser consideradas como “cura” ou tratamento principal para fibromialgia.

Para acesso ao artigo na íntegra acesse esse link 🙂

Boa leitura, até mais! 

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Vida de Nutricionista – Páscoa

Recado importante: esse texto expressa uma opinião pessoal, ou seja, não é um aconselhamento profissional e você não precisa concordar comigo! Boa leitura 🙂 

Domingo foi a Páscoa, você comeu chocolate?

A data muitas vezes é celebrada com chocolate, mas na verdade a Páscoa tem sua origem na tradição judaica em memória da libertação de um povo. É interessante observarmos como como hoje a celebração acaba sendo em torno do chocolate para muitas pessoas! 

A data não é apenas sobre chocolate, mas se esse alimento estiver presente é importante que esteja inserido sem julgamentos, exageros, promessas ou comportamentos compensatórios após o consumo. 

Muitas pessoas relatam um consumo excessivo de chocolate, ou outros doces, justificado pela “saudabilidade” desse alimento, quando esses são sem açúcar/lactose. Porém, sabemos que nenhum consumo em excesso, independente de qual seja, é saudável. 

É claro que o conceito de saudável passa pela qualidade alimentar, mas será que apenas não possuir lactose ou açúcar classificaria um alimento como saudável?

Em a “História do Chocolate”, um TED-Ed curto e bem interessante, uma questão importante é levantada sobre como é importante considerarmos a produção do que comemos, já que grandes empresas, muitas vezes, a realizam aos custos de condições inapropriadas de trabalho. Assista ao vídeo

Então, será que a atenção não deveria estar em outro lugar? 

Por exemplo, de que forma o chocolate foi consumido durante a páscoa, ou como o paciente está lidando com a disponibilidade desse alimento agora? Será que houve culpa ao comer? Restrições desnecessárias ao longo da semana para compensar o consumo? Tudo isso pode ser considerado, ao invés do “só voltar para a dieta“. 

E se estamos falando sobre o conceito de saudável, a sustentabilidade e condições de trabalho na produção desse alimento também deve ser considerada. Que tal valorizarmos mais o consumo de produtos locais? O cacau é um fruto com produção brasileira e existe diversas marcas de chocolate nacionais para experimentarmos! 

E pra terminar… 

Eu não sei se você se sente da mesma forma, pode ser que não, mas já percebeu como muitas vezes um nutricionista aparenta não ter a mesma liberdade para também comer chocolate? Ou será que somos nós que não nos permitimos fazer isso? 

Tudo bem se você decidiu não comprar um Ovo de Páscoa, ou comer chocolate “só porque é Páscoa”, ou não comemorar essa data por motivos pessoais. A questão é se existe a necessidade de justificar o que você come, ou permanecer sempre dentro de certas regras e estereótipos.

Já parou para pensar como é a sua relação com a comida? Ser nutricionista é a nossa profissão, mas será que estamos nos permitindo viver uma vida que não gira em torno da alimentação? 

Espero que tenha tido uma boa paz(coa).

Até mais! 

Atualidades

Abril Azul: Conscientização do Autismo

A campanha do “Abril Azul” e o Dia Mundial da Conscientização do Autismo (02/04) são iniciativas que visam conceder mais atenção para essa temática. Pensando nisso, trouxemos um blog sobre o papel da nutrição no Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O autismo é classificado como um distúrbio do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação e interação social, além de poder comprometer o comportamento em diferentes graus. Como a condição atinge várias áreas da vida, a abordagem terapêutica deve sempre ter o cuidado multiprofissional em foco. 

E qual o papel da nutrição e alimentação no TEA?

A orientação nutricional deve considerar as restrições e aversões alimentares, além de considerar as diferenças metabólicas associadas ao estado nutricional.

Há biomarcadores indicativos de insuficiência vitamínica, maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia. 

É importante sempre monitorar exames bioquímicos para avaliar a necessidade de suplementação nutricional. Há outros pontos a serem considerados e observados também:

  • Estado nutricional: impactado por maior seletividade alimentar – aversão por cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo;
  • Alimentação seletiva: risco de carência para fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C;
  • Consumo de nutrientes específicos: aminoácidos como cisteína e metionina, ácido fólico, vitamina B6 e B12 são essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM); 
  • Alterações gastrointestinais: maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação, e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal;
  • Suplementação de probióticos: quando realizada visa promover a melhora das alterações intestinais, regulação importante para a modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina.

Há estudos sobre a indicação de condutas dietéticas especiais para TEA, como a dieta sem glúten ou caseína (GFCF), dieta dos carboidratos específicos (SCD), dieta mediterrânea e dieta cetogênica. Porém, os mesmos ainda apresentam resultados bem conflitantes entre si e diversas limitações.

O principal cuidado a ser adotado é que mudanças comportamentais, como a seletividade alimentar, não impactem negativamente no estado nutricional. Por isso, é essencial que o nutricionista esteja inserido em uma equipe multiprofissional, ou em contato com aqueles que realizam o acompanhamento clínico.

O contato com o terapeuta ocupacional ou psicoterapeuta é válido para estabelecer estratégias de como introduzir ou estimular o consumo de determinados alimentos, por exemplo. Algumas podem incluir: 

  1. Utilização de pratos com divisórias ou oferta dos alimentos de forma separada;
  2. Teste de diferentes formas de preparo, como alterando a textura ou os cortes;
  3. Não usar técnicas para “enganar” ou esconder alimentos durante as refeições. 

Quer se manter atualizado no assunto? A primeira revista brasileira e online sobre autismo contém diversos materiais e sugestões. Acesse aqui!  

Até mais! 

REFERÊNCIAS

  1. KARHU et al. Nutritional interventions for autism spectrum disorder. Nutrition Reviews, p. 1-17, 2019. https://doi.org/10.1093/nutrit/nuz092
  2. RISTORI et al. Autism, gastrointestinal symptoms and modulation of gut microbiota by nutritional interventions. Nutrients, v. 11, n. 11, p. 1-21, 2019. https://doi.org/10.3390/nu11112812 
  3. SIVAMARUTHI et al. The role of microbiome, dietary supplements, and probiotics in autism spectrum disorder. Int. J. Environ. Res. Public Health, v. 17, pg. 1-16, 2020. https://doi.org/10.3390/ijerph17082647