Corrida

Gel de carboidrato: como usar?

Companheiro de muitos corredores em treinos ou provas longas, o gel de carboidrato é o suplemento preferido pelos atletas por ser fácil de carregar e por fornecer energia rápida durante o exercício. Seu consumo, contudo, costuma gerar muitas dúvidas entre os atletas que estão começando a se aventurar em distâncias maiores, pois não é em todo treino ou prova que você precisa dele. Quando você corre, o principal combustível para seus músculos trabalharem é a glicose. Ela tem como origem o carboidrato (encontrado no pão, no macarrão, na batata, no arroz…) e é armazenada nos músculos e no fígado em forma de glicogênio. Em atividades físicas com até uma hora de duração, a alimentação ao longo do dia somada à refeição que antecedem o treino garantem a energia para o exercício. Porém, nosso estoque de glicogênio é pequeno e se esgota em treinos com mais de 60 minutos.

Nesse caso, o consumo de um carboidrato de rápida absorção durante a corrida, como o gel, vai fornecer energia para a continuidade da atividade física. Existem diversas marcas de gel no mercado, porém nem todos são iguais. A maioria contém os seguintes carboidratos: maltodextrina, frutose, dextrose, ribose e waxymaise, pois estudos indicam que a associação de dois ou mais tipos de carboidratos facilita e otimiza a oxidação desse nutriente, ou seja, é melhor para a performance. Além desses nutrientes, podem conter também proteínas (especialmente soro do leite – whey protein), aminoácidos, como o BCAA, ou até mesmo cafeína, que tem potencial ergogênico (de melhora de performance). Alguns corredores fazem uso do gel antes da largada para terem um desempenho ainda melhor. Muitos estudos afirmam que o consumo de carboidratos cerca de 20 minutos antes de treinos ou provas mais intensas minimiza a sensação de cansaço e o risco de elevação da insulina e de queda de glicemia.

O consumo com a água é importante para diluir o gel e, dessa forma, facilitar a absorção do carboidrato, pois concentrações altas do nutriente aumentam as chances de desconfortos gastrointestinais e de desidratação. É por isso que muitos atletas relatam sentir náuseas, diarreia e até vômitos após ingerirem o gel. É possível encontrar carboidratos em vários alimentos, como frutas, batatas, mandioca. Mas antes de usá-los em provas, é fundamental que sejam testados anteriormente durante os treinos. Existem as vantagens e desvantagens de cada método. A fruta, por exemplo, é rica em vitaminas e minerais, mas pode conter alta concentração de frutose, que também causa desconfortos gástricos. Apesar disso, não contem aditivos químicos e é mais barata. Para você saber qual a melhor estratégia a seguir durante seus treinos ou competições, procure um nutricionista e entenda melhor sobre o assunto.

Emagrecimento

Atualmente, a estratégia jejum intermitente vem ganhando popularidade. Apesar de já existir há milhares de anos por razões religiosas e ambientais, os estudos vêm se aprofundando nos últimos anos.  A estratégia consiste em realizar restrição do consumo calórica em um determinado período de tempo.


De maneira genérica, o mecanismo de ação está na depleção das reservas de glicogênio dos músculos e fígado, forçando a liberação de ácidos graxos do tecido adiposo, que serão oxidados no fígado mantendo o fornecimento de energia. Alguns dos benefícios relacionados a exposição repetida a falta de glicose, já estão bem estabelecidos, como o aumento na  expressão de genes relacionados com emagrecimento, autofagia e longevidade, ou seja: aumenta a expressão de antioxidantes, reduzindo estresse oxidativo, melhorando aspectos cognitivos e o reparo do DNA, aumentando  biogênese mitocondrial, cetoadaptação, a regulação negativa da inflamação com redução do LDL colesterol, reduzindo a resistência a insulina e com isso garantindo a homeostase da glicose, e consequentemente reduzindo o risco de doenças crônicas não transmissíveis. Essas respostas sistêmicas são transportadas para os períodos de alimentação melhorando o desempenho mental e físico.


Quando utilizado para melhora da saúde de forma geral, alguns protocolos são mais comuns, como a exclusão da alimentação por 16, 18 ou 20 horas, alimentando-se nas horas restante.  A dieta na janela de alimentação pode variar de inúmeras maneiras,  como por exemplo de acordo com: o valor calórico –  que  pode ou não ser controlado; com o ajuste de macronutrientes – que  também pode ser mias uma estratégia utilizada para acelerar a depleção dos estoques de glicogênio;  e qualitativamente – priorizando carnes, legumes e verduras e frutas evitando-se ao máximo produtos industrializados.  A frequência da realização dos períodos de jejum também é variável.


Apesar de apresentar inúmeros benefícios, alguns pontos devem ser observados e acompanhados por um profissional a fim de evitar riscos relacionados a deficiências nutricionais de macro e micronutrientes, hipoglicemia em pacientes com uso de medicamentos específicos, alterações hormonais em indivíduos que já apresentam doenças pre-existentes.

Referências

Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging, and Disease, 2019
Impact of intermittent fasting on health and disease processes, 2017
Intermittent Fasting in Cardiovascular Disorders—An Overview, 2019
Clinical Management of Intermittent Fasting in Patients with Diabetes Mellitus, 2019
Rethinking fat as a fuel for endurance exercise, 2014