A campanha Abril Azul visa conceder mais atenção ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo. Como essa condição atinge várias áreas da vida, a abordagem terapêutica deve ser multiprofissional. Desde 2012, com direito estabelecido por lei, esse público deve receber a atenção nutricional adequada, assim como acesso à terapia nutricional (1, 2).
No transtorno do espectro autista (TEA) há alterações do desenvolvimento neurológico. Não há características físicas ou comportamentais únicas, e sim uma série de condições atípicas em cada caso, por isso o diagnóstico e tratamento podem ser tão complexos (3).
Qual deve ser o cuidado nutricional com pessoas com TEA? Como o nutricionista pode auxiliar?
- Alimentação seletiva: é comum ocorrer aversão a certos alimentos, ou restrições por intolerância/alergia, ocasionando no baixo consumo de fibras, ômega 3, ferro, cálcio, zinco, cobre e vitaminas D, A, e C (4);
- Estado nutricional e suplementação: exames bioquímicos devem ser monitorados para avaliar a necessidade de suplementação vitamínica. Existe maior potencial de estresse oxidativo e capacidade reduzida de transporte de energia, por isso há necessidade diferenciada de micronutrientes (4);
- Educação alimentar: há frequente eletividade/aversão para cores, texturas, cheiros, temperatura, sabor e modos de preparo dos alimentos. Esse cenário interfere no consumo alimentar, por isso deve acontecer uma orientação cautelosa com os responsáveis e estratégias criativas com os pacientes para aumentar o consumo alimentar (4);
- Estratégias nutricionais: uso de aminoácidos como cisteína e metionina, além de ácido fólico, vitamina B6 e B12, pois são nutrientes essenciais para a síntese de glutationa (GSH) e de S-adenosilmetionina (SAM) (4);
- Alterações gastrointestinais: há maior recorrência de refluxo, dor abdominal, diarreia, constipação e alterações de permeabilidade na microbiota intestinal. Por isso, há benefício do uso de probióticos melhora dos sintomas e modulação de substâncias como serotonina, melatonina e acetilcolina (5,6);
- Evitar falas/atitudes capacitistas: quando há pouco conhecimento sobre a condição apresentada, falas ou atitudes podem expressar a ideia de que pessoas com autismo são incapazes (7).
Para complementar as pesquisas e estudos, algumas indicações de artigos científicos:
- Eating Patterns in Children with Autism Spectrum Disorder, 2022: https://www.mdpi.com/2227-9032/10/10/1829
- Food Selectivity in Children with Autism: Guidelines for Assessment and Clinical Interventions, 2023: https://www.mdpi.com/1660-4601/20/6/5092
- A Review of the Nutritional Approach and the Role of Dietary Components in Children with Autism Spectrum Disorders in Light of the Latest Scientific Research, 2023: https://www.mdpi.com/2072-6643/15/23/4852
- Nutraceuticals in Psychiatric Disorders: A Systematic Review, 2024: https://www.mdpi.com/1422-0067/25/9/4824
- Exploring the potential of the ketogenic diet in autism spectrum disorder: metabolic, genetic, and therapeutic insights, 2025: https://link.springer.com/article/10.1007/s11011-024-01518-1
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